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188- 13) Notre-Dame-Sacré-Cœur-Montmartre-Dame-de-Fer

Estar cansado já não significava mais nada.
Apesar de não conseguirmos flutuar, seguíamos nossa sombra…

Após ter andado o dia todo no maior museu do mundo, lá estava eu a bater pernas pela cidade luz.

Eu simplesmente ignorei o cansaço, bloqueei o estímulo da dor.
Liguei as pernas no modo automático e continuei a jornada.

Foi assim que consegui chegar até a Catedral de Notre-Dame e pude ter um vislumbre do que foi a idéia gótica no seu esplendor.

Formidável imaginar sua história!
1163! É muito tempo!

Contornamos a catedral procurando seus ângulos perfeitos.

Quando li “Um livro por dia – Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company de Jeremy Mercer”, tudo o que eu mais desenhava na minha mente era essa catedral.
A Notre-Dame era o cenário mais frequente nas aventuras do jornalista canadense.

Incrível como a Shakespeare and Company ficou escondida no meu subconsciente.
Incrível como eu me esqueci dela quando cheguei no cenário do livro.

Só fui me lembrar da famosa livraria quando o meu amigo Esfih@ perguntou pra mim se eu a havia encontrado.

4 noites em Paris é quase nada, acreditem.
Não dá pra se conhecer a cidade nem por cima.

Paris é muito profunda.
Passar por um lugar a noite e revisitá-lo de dia são outros quinhentos. Quando voltar à Paris, preciso me dar pelo menos 30 dias de férias.

Infelizmente visitei essa região às altas horas, sem a luz do grandioso sol.

Contornamos o Sena.
Caminhamos por lugares que mais parecem sair das páginas dos contos de fadas.

Felizmente a essa hora, a boêmia local criava ali uma atmosfera contagiante.
Os artistas, os aventureiros, os vagabundos e os turistas se confraternizavam de uma forma alegre e descompromissada.

Descobrimos as figuras noturnas. Interagimos com todas elas.

A amiga Gabis tinha lido em algum lugar, que haveria uma festa tradicional em algum ponto da cidade.

Oui Oui, como bons turistas em Paris, topamos peregrinar mais um pouquinho em busca da tal festinha.

Fomos caminhando despretensiosamente por ruas estreitinhas, vielas escuras, calçadas charmosas e quando dei por mim lá estava o mundinho de Amélie Poulain!

Montmartre!

Nessa hora vc precisa tomar fôlego, pq há muito em jogo.
Um filme como esse realmente te faz ver as coisas com mais cor.

Foi quando chegamos a Sacré-Cœur…

… e descobrimos que a festinha seria no dia seguinte.

Mas pra quê festa?
Aquilo ali já era o melhor presente!

Fiquei brincando com a câmera e seus diferentes tempos de exposição.

Ver Paris do alto da montanha de Montmartre é casar-se com a cidade.

Demais, não?

Cadê a Amélie?

Foi quando eu entendi pela primeira vez como seria difícil ir embora de Paris.

E a Lua de Mel vem logo em seguida, descendo graciosamente pela Funiculaire.

O mais legal é comprovar que o seu bilhete diário do metrô serve aqui!

Os amigos suíços demoraram, mas finalmente sentiram o cansaço pesar seus calcanhares.
A Gabis já não conseguia mais andar. Descalçou seu sapatos e foi se arrastando.

Nossa energia ainda circulava.
Afundamo-nos no metrô parisiense e fizemos uma grande bagunça pela esteira rolante:

Separamo-nos dos amigos e corremos até o Trocadéro para registrar a Dama de Ferro com suas luzes dançantes.

Para nossa sorte o metrô fechava mais tarde!
Fizemos a festa e ainda deu tempo de comer crepes.

186- 11) Tour à la Tour

Alguns esperam menos, outros esperam mais.
Eu esperei 33 anos por este momento.

Acho que sonhei com isso a vida inteira.
Estar aos pés da Torre Eiffel.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de estar embaixo de uma torre treliça de ferro do século XIX.

(Ps: A bichinha tava seca por um pão francês, não queria nem ouvir falar em croissant. Queria achar uma baguete. Hahahaha)

A Dama de Ferro é impressionante!
Se hoje ela é capaz de causar tamanha excitação em mim, o que ela não provocava nas pessoas na época que foi construída?

Há muita magia na região do Champ de Mars.
Mais do que subir a torre, eu tinha uma curiosidade absurda em caminhar por essa região do Champ de Mars e explorar melhor a base onde a torre está instalada.

Não conseguia entender como um elevador podia subir lateralmente.
Ficava imaginando por onde as pessoas entravam, por onde elas saiam, se as filas eram muito grandes, qual o tamanho do elevador, como a luz do sol entrava pelas treliças…
Como seria olhar de lá de baixo para o topo da torre…

Fiz tudo isso e posso dizer que foi o máximo.

A Torre Eiffel é absurdamente estonteante!

A manhã que emoldurava a torre estava fria e úmida.
Decidimos deixar pra subi-la no final da tarde, para contemplar o pôr-do-sol e ver a cidade luz como ela deveria ser vista.
Se o tempo insistisse em permanecer ruim, deixaríamos para o outro dia.

Atravessamos a Quai Branly e seguimos pela Pont d’léna até a Place de Varsovie.

Subimos a ladeira até o Trocadéro, claro, olhando sempre pra trás.

Então eu compreendi: é no Trocadéro que temos a Torre Eiffel como a conhecemos.
Este é o melhor ângulo! É como o mundo a enxerga.
Ouso a dizer que é até melhor do que estar aos seus pés.

Ainda assim é difícil enquadrá-la.
Por mais que vc se afaste, há sempre uma parte da torre que nunca se enquadra na foto.

Barbaridade! Não seria fácil apagar este momento da minha memória!

Tirei várias fotos com a câmera, mas me concentrei em tirar uma “mental picture” comigo mesmo e gravei fundo esse momento nas gavetas do meu cérebro.

Gastei bastante tempo sentado sozinho admirando a Dama de Ferro. Um momento meu, que eu esperei por tanto tempo.
E pensar que neste mesmo ano (2009) ela estava completando 120 anos!

Um sentimento de respeito máximo queimou meu peito em favor aos homens que ali trabalharam.
Fiquei quieto, perdendo-me em pensamentos e devaneios, imaginando histórias dos que trabalharam para colocar aquela maravilha em pé.

Como devia ser subir a ladeira para o Trocadéro, dia após dia, acompanhando a construção da torre nesse lindo horizonte?

Gostaria muito de ter encontrado algum idoso desses bem faladores.
Com certeza um velhinho parisiense bem orgulhoso de sua Dama, que tivesse alguma história herdada pelos seus pais pra me contar.
Só posso imaginar como esses dois longos anos de construção devem ter sido bacana para quem acompanhou do horizonte e perigoso para quem acompanhou de lá de dentro.

Como um ser humano pode pensar algo tão extraordinário?
Como um ser humano pode construir algo tão ousado e até hoje contemporâneo a ponto de conquistar todos os corações?

Pensar tudo isso ali já estava me deixando louco, repensar isso aqui vai me deixar maluco!
É muita magia misturada ao passado e ao presente de uma forma que eu nunca havia experimentado.

Por muito tempo ficamos no Trocadéro.
Eu nem me lembrava mais de sentir frio ou do gelo que estava a pedra onde eu havia sentado. Tudo estava perfeito!

Observava os elevadores indo e vindo no corpo da Dama, provavelmente levando funcionários, pq a visitação ainda não estava aberta para os turistas.

Todos tiveram suas fotos tiradas e seus sorrisos registrados.

Eu havia levado um pouco das cores da nossa bandeira nas minhas roupas e não demorou muito para os vendedores nos abordarem em português.

Eles eram feras na arte de vender chaveirinhos para os turistas.
Com sua ginga, descobriam rapidamente a procedência dos seus futuros clientes e ligavam a tecla SAP para conquistar todos com muita simpatia.

Eles estavam negociando chaveirinhos com o Phil e a Gabis quando a Ju, graciosa e perigosa, invadiu o pequeno comércio formado entre eles.

Ela barganhou tanto, mas tanto, que deu dó dos vendedores.
Ela deve ter comprado umas 50 mini torres e ganhado outras 50.

Fomos todos para o Jardin des Tuileries, mas só a Gabis teve tratamento especial.

Com seu jardim no estilo francês, formal e simétrico e suas estátuas ornamentais, o que realmente nos cativou neste jardim foram os monstros malucos à la “Tim Burton meets Studio Ghibli” que estavam em exibição.

Não resistimos a brincadeira e adotamos todos eles.

Os monstros nos dispersaram num primeiro momento, mas a beleza simétrica do jardim não podia ser ofuscada por muito tempo.

Nos perdemos entre as folhas de Outono.

Pensei muito em minha mãe ao apreciar a cor das árvores. Nada poderia impressioná-la mais.

O caminho certo é por ali… Não, não! É por aqui…

Fomos aos poucos encontrando nosso caminho.
O caminho que nos levaria até o Louvre…

…Mas æ já é assunto pra outro post.

Nossa tour começou na torre e estava longe de terminar.
O dia 9 de Outubro de 2009 começou muito cedo e acabou muito tarde.

Pelo caminho, ainda me pegava pensando na Dama de Ferro.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de tirar suas próprias fotos, de gravar seus próprios filmes.

5 anos, 20 anos, 33 ou 90. Não há idade para se viver experiência mais mágica.

185- 10) La Ville-Lumière

Caminhamos muito.
Desde o Arco do Triunfo, passando por toda a Champs-Élysées, alcançando o cruzamento da Franklin D. Roosevelt para então entrar na Wiston Churchill e passar no Petit Palais.

O frio era constante e os pés estavam tão doloridos que parecia que eu estava andando descalço.
Por mais doloroso que fosse caminhar, mesmo que em marcha reduzida, o prazer em descobrir lugares perfeitos a cada quarteirão avançado era por demais viciante e o melhor remédio para tanta dor.

Foi assim que me apaixonei por Paris.

Como era possível estar tudo pronto? Tudo construído com maestria e capricho?
Estava tudo pronto, estava tudo lá!

É completamente maluco vc ir descobrindo isso a cada passo dado.
Uma cidade luminosa, cheia de monumentos e construções lindas equilibradas com jardins maravilhosos…
Pra tornar aquilo mais perfeito ainda, o clima de Outono, as folhas de Outono, o humor e o sentimento que essa estação provoca nas pessoas.

Eu estava apaixonado por cada canto descoberto, por cada rua, por cada avenida.

Foi quando a noite nos atingiu.
Estávamos cruzando a belíssima Ponte Alexandre III, que é muito mais que uma simples ponte.

Eu amei andar pela Ponte de Westminster em Londres, mas cruzar a Alexandre III era muito mais especial.

A Ponte Alexandre III é a ponte mais bonita e emblemática de Paris. Com seu estilo Art Nouveau, ela intrega um conjunto arquitetônico maravilhoso do qual fazem parte o Grand Palais e o Petit.
Os três foram construídos para celebrar e abrigar a Exposição Universal de 1900.

Além de linda, foi importante também para o ponto de vista arquitetônico e de engenharia: foi a primeira ponte pré-fabricada a ser transportada para o local, onde foi instalada com guindastes.

Uma das exigências do projeto foi de não interromper as vistas para Invalides e Champs-Elysées, o que resultou numa ponte especialmente baixa e larga, com 107,5 metros de comprimento e altura apenas de 6 metros.

Lógico que eu não tinha todas essas informações ao passar por ela, mas naquele momento isso não era tão importante, ela me impressionou do mesmo jeito.

Era final de um dia comum. As pessoas voltavam para suas casas bem protegidas do frio, dentro de seus carros quentinhos.
Vi um deslumbre da Torre ao fundo e não resisti.

A todo instante ela nos lembrava de que estávamos sob sua proteção. É um enorme amuleto mágico, que de vez em quando, dá uma olhada na gente de longe.

Paramos por um momento pra tentar capturar a atmosfera daquele lugar e eu desejei poder passar por ela numa próxima oportunidade, de dia, ainda nessa Eurotrip. Claro que isso não seria possível.

Parei para contemplar o Rio Sena. Mais um rio famoso pra se lembrar em dias futuros.
Que paz! Que sorte os parisienses tem!

Um Bateaux-Mouches passava no exato momento. Registrei-o, mas não fiquei com muita vontade de navegar o Sena. A experiência em ir até Greenwich pelo Tâmisa foi um tanto quanto cansativa.

Queria mesmo era pegar uma bicicleta e sair pedalando por todos esses lugares, mas isso é uma coisa pra se fazer de dia e no verão. Quem sabe numa próxima Eurotrip… É, definitivamente numa próxima Eurotrip!

A cidade luz faz jus ao seu nome.
A iluminação noturna em Paris é um charme só e um convite para uma gostosa caminhada.

O frio tinha atingido níveis insuportáveis e a Ju estava apenas com aquele vestido fino e nada mais.
Briguei muito com ela. Ela tinha pego todo o frio no topo do Arco do Triunfo… Isso não poderia resultar em boa coisa…
Teimosa como sempre, ela não arredou o pé em dizer que estava tudo bem, assim como não aceitou nosso agasalho.

Fomos caminhando como podíamos e atravessamos a ponte.

Paris é uma declaração de amor aos olhos.
Nossos ouvidos são agraciados com aquele som distante dos tocadores de acordeão nas esquinas.
Nossos narizes são desafiados a todo instante pelos cafés e padarias.
E aquele frio charmoso rasgando nossa pele…

Encontramos uma vitrine muito convidativa do outro lado do Sena.

As meninas não perderam a oportunidade de tirar um sarro.

Sofisticadas e engraçadas, o ensaio foi um dos momentos mais fashion do passeio.

Meninas malucas.
A brincadeira foi tão espontânea, que as pessoas que passavam ao nosso lado aprovavam com interesse.

Afundamo-nos na primeira estação de metrô pra descansar meia horinha no nosso Hotel, desfazer as malas, tomar um banho muito muito quente, apanhar agasalho pra Ju e então sair pra jantar.

O Phil nos levou pra comer carne, como ela deve ser realmente saboreada.

Juro que queria ter tirado uma foto do enfeitado prato, mas me contive, afinal de contas, era nosso primeiro jantar francês e não podíamos cometer deslizes.

O bife tinha um sabor fantástico mas nem de longe superava a carne brasileira. Veio acompanhado por uns molhos deliciosos que eu nem imagino do que foram feitos. Havia ainda uma porção de vagem bem verdinha e temperada suavemente, uma salada espetacular e as originais French Fries, as mais crocantes e saborosas que eu já comi.
Pra não fugir muito do praxe, pedimos Coca-Cola.

Passamos muito tempo para saborear tudo o que nos foi trazido.
A conversa com os suíços foi tão deliciosa quanto os pratos.
Foi um jantar muito agradável e nada barato.
Saímos de lá satisfeitos. Não houve espaço para sorvete e eu resisti em não tirar fotos dentro do restaurante. Só o fiz porque o Phil pediu.

Os suíços não estavam cansados como nós estávamos. Tinham acabado de chegar de Berna, uma cidade completamente serena e cheia de paz. Estavam loucos por diversão.
A gente estava há 4 dias andando loucamente pelo subterrâneo e pela supefície de Londres. Assim sendo, nossas pernas já estavam bem gastas e toda a canseira se acumulou neste dia.
De qualquer forma, depois do jantar, nos pegamos passeando com os amigos pelos arredores do nosso bairro: Strasbourg – Saint-Denis.

Fomos tirar foto perto do pequeno Arco, na Boulevard Saint Denis e nos empolgamos.

Por mais que estivéssemos fechando os olhos, ainda precisávamos entrar em contato com o pessoal daqui do Brasil.

Conversamos mais algumas horas com os amigos sem sono e só então mergulhamos merecidamente numa cama quentinha, num quarto encarpetado e bem protegido do frio lá de fora.
Não houve brecha nem para sonhar.

Créditos Ponte Alexandre III: Arnaldo Interata