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3- Tim Festival

Após esperar 11 anos, finalmente chegou o dia de assistir mais um show da Björk.
Como sempre, havia muita gente interessante pra se conhecer. Na verdade havia realmente muita gente.
Encontrei a Madalena e seus amigos.
O Daniel Schmerz, o Junin e o Kurenaida eu só vi de longe.

Encontramos um lugar estratégico.
Pensei comigo: “-Daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Assistimos o Spank Rock, o Hot Chips… Mas esses shows só serviram pra nos deixar cada vez mais ansiosos. Pelo menos o som dos caras era muito bom, transformou o Festival numa Rave.

A tarde voou. O ensolarado dia deu lugar a uma noite agradável e após tanta chuva a semana inteira, nenhuma gota pra contar história.

Os fãs não paravam de chegar.
Dá pra se ter uma idéia da grandiosidade do evento:

Como disse, o bacana do Festival está justamente em se conhecer pessoas.
Fizemos ótimas amizades:

A Björk arrasou.
Ela entrou com seu figurino de medusa e evoluiu com seu vestidinho boliviano, meio Emília no País das Maravilhas… Coisas de Björk.

O set list evoluiu com as seguintes canções:

EARTH INTRUDERS
HUNTER
PAGAN POETRY
DESIRED CONSTELLATION
THE PLEASURE IS ALL MINE
JÓGA
THE ANCHOR SONG
INNOCENCE
VOKURO
ARMY OF ME
5 YEARS
HYPPERBALLAD
WANDERLUST
PLUTO
e
DECLARE INDEPENDENCE

Jamais imaginei que ela fosse cantar 5 Years. Foi uma porrada direta no coração. Essa música é especial demais.

A Björk berrou, dançou, pulou, virou e encantou até os amigos da Madalena, que deixaram bem claro estarem ali apenas por causa de Monkeys e Killers.

Foi inacreditável.
A islandeusa dominou, destruiu, emocionou.

Missão cumprida. Eu tinha medo de não conseguir ir ao show por causa da minha viagem, mas é o que sempre digo pros outros: “Em busca do sagrado, nada pode dar errado”.

Vou embora com mais essa super recordação.

A Björk eu já conheci.
Dois shows eu já assisti.
Falta agora a Islândia descobrir.
Faço isso em Junho de 2008.

Ps: Griffo, valeu.

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2- É Hoje

Daniel Schmers, Kurenaida, Madá e Junin! Até daqui a pouco!
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De tudo ficará na memória o show da Bjork. O momento em que saíram de suas mãos umas teias brancas, feito um fogo de artifício fosco. Vai ficar esse videozinho na cabeça girando, girando, e depois guardado pra sempre. As meninas da Islândia fantasiadas, as bandeiras penduradas ao vento serão o pano de fundo. Parecerão todos uma trupe saída das 7 faces do dr Lau. Eu vi, só que ali, de frente pro lance. Com aquela cantora estupenda que é essa menina. Como canta, como dança. Eu não conheço o repertório da Bjork, conheço aquele filme triste Dançando no Escuro e as poucas coisas que tocam na TV.

Em cima do palco, ontem à noite, projetando seu inconsciente para nós afortunados que lotamos a marina da glória, Bjork esteve divinamente infernal. Ela dançava feito um passarinho exótico, extinto, de um reino perdido, num vestido dourado que fazia brilhar suas expressões e entrega. Cantava uma alegria angustiada, naquelas melodias de ventania, naquelas notas sufocantes. Uma delicadeza diabólica. Bjork não é contradição, é a coisa mesmo, carregados de opostos estamos nós. Ela está lá inteira. Dança com as mãos, com a voz e o vestido que lhe dá ares de super-humana-super-bicho, sendo um por causa do outro. As meninas fazem uma figuração tão estranhanhamente sedutora quanto os solos do pianista à direita. Ele ri sem graça quando as meninas dançamao seu redor, são dez meninas que tocam instrumentos de sopro, e ele não sabe como disfarçar-se. Hoje alguém me disse que tinham meninos também.

O mundo de Bjork é de confundir mesmo os gêneros. Um instrumento, a reactable, aparece no telão emitindo ruídos harmoniosos. Trata-se de uma mesa redonda e azul onde o instrumentista coloca cubos com desenhos simbólicos de filtro de ondas sonoras. Uma curva, um zigue-zague, um triângulo. E o som vai mudando de acordo como lugar em que ele as coloca e de acordo com a figura que escolhe. Bjork no centro do palco abre os braços e uma luz verde explode, já na metade do show, por cima de sua cabeça e pra frente. Os ouvidos vêem e os olhos ouvem. Aqui parece que tudo é uma coisa só. É a traição dos sentidos como os conhecemos. Perversa islandesa. No final apoteótico o passarinho encontra liberdade na afirmação. O galpão vira seu ninho e nós sua algazarra. Bjork de um lado pro outro do palco faz uma dança linda e com as palmas das mãos voltadas pra platéia evoca nossas asas. A música acontece e o lugar faz ares de que vai sair voando. E eles vão embora como se levassem com eles todo o colorido da noite enquanto papéis que dançavam no seu redor ainda caem em cima das nossas cabeças. Ficou até chato depois desse show alguma coisa arrebentar.

Soube que o velhinho Cecil Taylor, aos 78 anos, mandava ver no palco jazz, pelo amigo Kassin e pelo amigo Silvio Essinger. Vou ficar com os seus gestos e idéias na cabeça. O Silvio disse: “parece que é aleatório mas você vai ouvindo e ficando hipnotizado e percebe que tudo faz sentido”.. falou isso como que debruçado sobre um piano batucando vigorosamente. Se liga no que eu perdi:http://www.youtube.com/watch?v=cP5L8tjnB6w. Pude ver ainda o Hot Chip, promessa da amiga Ira do Cansei de ser Sexy, mas não dancei. Pra quem vê de longe, na miopia do desconhecimento, essa música é uniforme e não contempla a dolência dos nossos ventos. Prefiro o Cansei e suas cores.

Os cinzentos ArticMokeys entraram blasés como manda o figurino mas também não me animaram. Eu mesmo fiquei com uma peninha daqueles meninos por que eles pareciam tristes pra caramba. Os arranjos à Devo são bons. As guitarrinhas em stereo, alternando-se. Os riffs crus. Mas fica mesmo bom quando tem uma melodia assobiável ou um verso mais cativante, o momento em que o coração tem uma trégua de si mesmo. O que acontece em quatro ou cinco músicas. O pessoal estava gostando e fazia força pra cima.

Ainda peguei umas duas músicas da Cat Power mas achei um pouco sem expressão. Uma pegada country pra umas músicas com cara de já terem sido feitas. Foi a sensação. Mas depois de quatro ou cinco horas, e do show da Bjork, o ouvido não registra mais nuances e os calcanhares pedem arrego. Queria ficar pra ver os Vanguart por quem tenho muita simpatia, os Del Rey onde tocam meus amigos do Mombojó, e os Montage que não conheço. Para experimentar um show ali na beira da baía de Guanabara a céu aberto, de noite. Encontrei o Leco do Montage que me contou que ia ter o show. Mas a chuva não deu trégua e eu resolvi vir pra casa antes que caísse também. Soube hoje que fiz bem pois os shows foram cancelados. Fiquei cinco horas por lá e me diverti pra caramba com os muitos amigos que encontrei. Hoje vou voltar pra ver a Juliette, pra provar os churros que não comi e o que mais acontecer.

By Marcelo Camelo