Arquivo da tag: Sae

66- ..B_e_R…J_o_O…S_a_E..

Encontrei essas duas ilustríssimas figuras no final da minha domingueira cinematográfica.
Eles estavam há horas me esperando no Santa Cruz.

O filme, Kung Fu Panda, não vale os caracteres digitados. Pouparei comentários desnecessários.
Filminho chato!
Bonito, bem produzido, mas muito fraquinho!

Aproveitamos e fomos tomar uma laranjada acelorolítica lá naquela choperia bonita ao lado do Cinemark.
Ambiente bacana.
Ficamos de papo pro ar, rindo das besteiras alheias. Os guris são os melhores nisso.
O tempo sempre voa com a companhia deles.

O suco me embriagou.
Fiquei mais feliz que de costume!
Soltei algumas pérolas inesquecíveis.
Hahaha…

Bernardo maluco queria ir pra Liba comer Yaki. Quase 22hs30!
A Sae disse que tava livre.
Eu tinha que voltar pra casa cedo…

Acabamos mudando os planos e fomos pros Jardins comer no Ragazzo.

Santo Deus!
Aquela super panqueca com gostinho de barro + duas doses obrigatórias de Faixa Azul cairam muito bem.

“Nóis é tudo xike mês”, bebemos na Santa Cruz e comemos nos Jardins! Hehehe…

Thanks, guris!

Anúncios

49- Ukiyo-ê & Korean Girl

Fui nesse sábado à Pinacoteca, acompanhado pela Mrs. Sae, “The Korean Girl”.

Estilista, mais pra modelista e também ilustradora, a guria também bebe da fonte que é a ilustração oriental e, indiretamente, é influenciada pelo Ukiyo-ê e todo esse mundo flutuante.

Não dava pra ir lá sem ela.
Apesar do meu interesse estar focado no workshop do pessoal do Japan Ukiyo-E Museum, eu precisava mostrar os kimonos e a exposição “Arte Do Período Edo” pra guria.

Encontrei-a tomando o restinho de sol à borda do Parque da Luz.

Chegamos bem cedo pra garantir a senha. 144 lugares não é um número muito bonito!
Certifiquei-me de estar com a câmera afiada pra registrar alguns detalhes, confirmei permissão para fotografar o workshop e lá fomos nós.

O workshop começou com uma rápida explicação do que é o Ukiyo-ê pelo curador Kunio Sakai.
Ukiyo-ê são gravuras coloridas feitas com técnica de xilogravura à base de água, o que confere fluidez e tons claros à obra. O desenho é talhado e pintado em blocos de madeira, e depois passado para o papel.

Já falei muito sobre o Ukiyo-ê no meu antigo flog, o /JEDB. Esse estilo era parte do meu projeto de pesquisa para o Monbukagakusho.
Eu não fui bem na provas do terrível exame, mas nunca abandonei a idéia do projeto.

Após a explicação do curador, o mestre impressor Shingo Ueda começou o processo xilográfico.
O impressor, super reservado, mas bem simpático, aplicou tinta em determinados lugares na placa de madeira…

Não resisti ficar tirando fotos do lugar onde eu estava.
Avisei a Sae que iria registrar os processos lá na frente e fui.

Enquanto o impressor nos contava curiosidades e conversava com a platéia através do tradutor, também demonstrava sua técnica.
A tradução das explicações, um brasileiro fluentíssimo em japonês realizava na hora. No começo, pensei que este tradutor estava seguindo algum script, pois ele era infalível. Com o passar do workshop, pude ver que o cara era realmente iluminado. Ele dominava o idioma japonês de um jeito meio mágico. E ele nem era japonês!

Para se fazer uma das xilogravuras mais famosas do Ukiyo-ê, aquelas ondas de Katsushika Hokusai “Kanagawa-ooki Nami-ura” (A Grande Onda De Kanagawa), Shingo-san utilizou-se de várias placas, que continham os sulcos entalhados para imprimir as diferentes partes do mesmo trabalho.

Ele deitou delicadamente uma folha úmida de papel japonês em branco na placa de madeira com tinta, aplicou pressão à folha com o auxílio de uma ferramenta confeccionada com bambú e cordas cheias de nós, e assim, obteve a primeira impressão.

A impressão no papel ainda úmido era sutil, incompleta.
Para se alcançar o objetivo final, era preciso repetir esse processo utilizando a mesma folha de papel japonês nas outras placas.

Coisa de louco, coisa de japonês!
Lindo, a mais pura tradição japonesa!

Paciência por ser um trabalho em camadas.
Sutileza pela leveza das cores.
Poder e precisão para aplicar a pressão perfeita.

Captei uma ínfima parte da técnica do mestre.
Detalhes e mais detalhes, técnicas passadas de mestre para discípulo.

A culpa foi dele em perguntar se alguém ali queria ser seu discípulo. Eu não esqueceria disso!

Décadas de experiência e ainda assim, na última impressão, o mestre nos diz que está realmente nervoso.
É na impressão final que se colocam os tons mais negros e é preciso muita concentração, mesmo pra quem domina a técnica. Qualquer deslize aqui, pode significar a ruína de todo o processo.

Como haveria de ser, o resultado final estava impecável. Porém, a impecabilidade era apenas aos nossos olhos.
O mestre disse que infelizmente, sob pressão de uma apresentação, o resultado final não fora feliz. Por isso mesmo, essa xilogravura não poderia ser dada, doada, muito menos comercializada. Ela deveria ser considerada apenas como um exercício.

Ocidentais demoram pra entender atitudes como esta.
A platéia soltou um suspiro inconformado. O mestre sorriu!

Quase três horas depois, estávamos lá, eu e a Sae, trocando idéia com o mestre impressor.
Através do amigo tradutor, eu disse para o Shingo-san que tinha interesse em estudar o Ukiyo-ê no Japão, contei um pouco do meu projeto e em troca recebi seu cartão.

O Kunio-san, o curador, também quis saber um pouco mais do meu projeto, pediu pra eu contatá-lo através do e-mail e me presenteou com uma cópia de um dos trabalhos mais lindos do Ukiyo-ê pelo mestre Hiroshige, a Vista do Monte Fuji a partir de Satta, o “point” na Baía de Suruga. A Sae ganhou uma linda “Bijinga” (retratação da beleza feminina).

Comunicamo-nos em japonês, inglês e português. Aquela mistureba que brasileiro adora fazer.
No final ganhamos até “Shashin Ishoni”. Hehehe…

Saímos do workshop tão animados que quase esquecemos de contemplar a exposição “As 36 Vistas Do Monte Fuji” (Fuji Sanjyuurokkei) do mestre Hiroshige (1797 – 1858). Ele é considerado o último mestre do Ukiyo-ê.
As xilogravuras são obras de arte. Através delas é possível estudar os hábitos e costumes do Japão antigo.
A série retrata o Monte Fuji visto a partir do campo, da cidade e de outros locais que fazem parte do cotidiano japonês, durante as quatro estações do ano.
As obras pertencem ao Museu de Ukiyo-ê do Japão, localizado em Matsumoto (Província de Nagano), reconhecido mundialmente por seu rico acervo.

De lá, contornamos o imenso quarteirão do Parque da Luz e acabamos caindo nas ruas do bairro coreano do Bom Retiro.
Mrs. Sae como boa anfitriã que é, levou-me para um passeio pela rua principal, apinhada de restaurantes típicos, lojinhas de doces e salgados…

Provei doce coreano pela primeira vez: Jong Lo bok tuk ou seja lá como essa gostosura se chama.
É uma espécie de moti. A diferença da versão coreana pra japonesa está na massa que envolve o doce de feijão. O coreano tem a massa mais consistente e é umedecida com o famoso óleo de gergelim árabe, o Tahine!

Ganhei da guria uma bandeja inteirinha desses doces. Quase que não sobra nenhum pra contar história! Arigatou, Sae!

Ainda passamos pelo Parque da Fatec, aquele de frente pra um batalhão da Polícia Militar, ao lado do metrô Tiradentes.
As tiazinhas coreanas iam e vinham em sua caminhada religiosa. O frio parecia não incomodá-las, mas rachava minha pele!
Conversamos um quilômetro de palavras e mais uma vez, notei como essa Korean Girl valia ouro!

Cheguei em casa meio hipotérmico. Hehehe…
Amo frio, mas aquele lá tinha poder demais no ar…
Cheguei, fiz um chá quente, dividi os doces coreanos com meus pais e fui desenhar as influências do dia!

D+++++++++++++++++++++

Ps: Agradecimentos especiais ao Sr. Roberto Palazzi (Gestão Cultural). Sem ele, voltaríamos sem nossas cópias do Ukiyo-ê e sem o convite para o workshop de Sumi-ê. Arigatou, san!

37- Amai Michi (Caminho Doce)

Um antigo amigo meu, há muito tempo perguntou-me porque alguém se interessaria em assistir uma performance cujo tema consistisse em maquiar, vestir e compor uma noiva tradicional japonesa.

A minha resposta não o convenceu.
Eu disse que no meu caso, o simples fato de apreciar tanta precisão e ritual, no mínimo me encheria de referências e estímulos para as tantas gueixas e kimonos que eu vivo a desenhar.

Após encontrar Mr Ber e Mrs Sae, corri para o Sesc!
5 minutos para o início da performance me fizeram perder o fôlego.
Ultrapassei uma obaa-san tão kawaii na rua… Ela levava uma tábua de passar roupas debaixo do braço duas vezes maior que ela, parecia uma surfista…

Finalmente cheguei na recepção.
Apertei o botão do elevador cheio de adesivos, entrei. Apertei o botão do 5º andar e quando as portas estavam se fechando, ouvi uma vozinha que parecia não ter corpo dizer: “-Segura pra mim, onegai!”.
Era a obaa-san kawaii com a sua tábua de passar roupas: um kotô!!!
D+!

Antes de adentrar o espaço, antes de apanhar as duas almofadas e me espreguiçar no chão logo em frente ao palco (meu lugar preferido pra assistir aos eventos), antes mesmo do silêncio, lá estava a artista em sua árdua e deliciosa tarefa.

Artista plástico nem sempre é aquele que pinta quadros ou esculpe em pedra e madeira.
A Martha Lacerda e seus procedimentos escultóricos que o digam.
A encontrei por acaso, ainda não compreendendo muito o que a performance traria. Ela já havia começado e ainda não havíamos entendido.

Com uma paciência de fazer inveja à abelhas e formigas, a Martha, silenciosa e produtiva, esculpia no chão o seu caminho de flores cor-de-rosa.
Ela peneirava incansavelmente em sua fôrma de flores vazadas, a graciosidade.

Às vezes, as pessoas, assim como eu, a interrompiam para perguntar o que era aquele pó cor-de-rosa que ela estava usando ou quando é que a noiva entraria.
Ela dizia que haveria bastante tempo, o ritual de maquiar e vestir uma noiva com os trajes tradicionais levaria umas boas duas horas.
Compreendi um pouco esse triângulo que se revelaria.

A noiva entrou e se sentou de frente para um imenso espelho.

A obaa-san kawaii entrou vestindo seu kimono levemente infantil.
Ela já flutuava com suas roupas normais e sua tábua de passar lá embaixo na rua. Aqui, ela parecia mais leve e pequenina.
Ela se sentou, colocou os trastes móveis nas cordas do seu instrumento e pincelou o seu kotô. Soprou uma espécie de gaita em formato de uma estrela do mar para confirmar a afinação e dedilhou a primeira melodia.
O som do Japão preencheu o ambiente.

Enquanto a noiva era maquiada, vestida, amarrada, enrolada, pintada, contornada, sacudida, girada, erguida… A Martha salpicava o seu caminho doce e a obaa-san conduzia a trilha sonora.

As três mulheres e os dois procedimentos escultóricos tangenciavam-se.

A noiva está pronta!

Ela se coloca precisamente ao final da construção e caminho da escultura em açúcar com seus sete metros.

Ela caminha sobre esta passagem, entrecruzando, dissolvendo e, ao mesmo tempo, compondo outra e a mesma obra.

O desfile lento favorece a contemplação.
Os movimentos da noiva são precisos e imperceptíveis.

Aos poucos ela vai transformando o caminho, exibindo a escultura que é a sua vestimenta.

No fim de tudo, conseguimos mostrar um pouquinho da nossa admiração em uma foto com o ícone máximo da performance.

Não há palavras pra descrever tamanha beleza.

Eu realizei o sonho de assistir um ritual desse naipe. Nunca mais vou olhar do mesmo jeito quando vir uma mulher vestida assim.
Agora só falta assistir uma apresentação de gueixa e me darei por satisfeito.

Espero que meu antigo amigo compreenda melhor agora.

35- Yamadas & Amados

My Neighbors, The Yamadas (Hôhokekyo Tonari No Yamada-kun)

Depois passar a manhã e a tarde acelerando três encomendas ilustradas, dei uma geral na casa e corri pro Sesc Paulista. Vida de freelancer não é tão cor-de-rosa quanto as paredes do espaço Tradição Pop no Tokyogaqui.

Cheguei cedo. Peguei meu ingresso, tentei pegar mais alguns, mas a recepcionista disse que não era permitido.
Subi pro 5º andar.
Fiquei observando o povo jogar Pump It Up, mas fiquei na minha.

Bom, fiquei na minha até encontrar a Agatha, que me convidou pra jogar com ela e os amigos.
Só paramos de dançar porque tava na hora de prepararem o andar para a exibição dos Yamadas.

Troquei e-mail com a Agatha, despedi-me, encontrei com a Careimi, a cineasta que trouxe os animês pro Tokyogaqui. Assim que ela me entregou seu cartão, alguém me chamou pelo nome!

Hehehe… Só podia ser o Mr. Ber.

Mas dessa vez era o Mr. Ber e suas convidadas.

A maior surpresa do mundo foi ver que uma das convidadas, era ninguém mais ninguém menos que a grande koreaninha Sae.
Meu Deusssssssssss, como fazia tempo que eu não encontrava a Sae!!! A guria tava fashion e sorridente como sempre. Tiramos o atraso e conversamos sobre tudo. Até consegui mostrar o portifólio, que por descuido, ainda estava dentro da minha mochila.
Tá certo que faltou o Mr. Altran, mas ela disse que talvez o traga na quarta-feira para assistirmos o Paradise Kiss.

Não daria tempo de tirarmos as fotos no cubículo de penas brancas, deixaríamos isso para um outro dia. Mas aproveitamos as paredes peludas do 5º andar e fizemos nosso melhor.

Tava todo mundo sem convite!
Descemos na recepção e para nossa sorte ainda tinham convites sobrando.

Aproveitamos que o movimento estava calmo, pois tem dia que não dá pra passar pelo corredor de tanta gente, e tiramos mais algumas fotos. A sessão já ia começar.

O programa durou das 19hs30 até às 22hs!
My Neighbors, The Yamadas foi espetacular.
Mais Azumanga Daioh impossível.
Na verdade, grande parte do brilhantismo de Azumanga foi inspirado em Yamadas.

O animê é uma coleção de pequenas historinhas (pra falar a verdade, tirinhas de jornais transformadas em animação).
A identidade visual do filme é toda baseada em Sumi-ê, aquela aquarela japonesa.
As aventuras da família Yamada são inteligentes e cheias de pequenas lições valiosas. Conselhos de avó, broncas de pai, picuinha de mãe, caprichos de filho mais velho…
Cada personagem é rico em maravilhas, profundo em detalhes.
Os arquétipos se fazem com as atitudes certas: o pai trabalhador, a mãe dona de casa, a sábia avó, o antenado garoto e a graciosa pequenina.
O interesse em mostrar o cotidiano em histórias curtas, quebradas e quase sempre sortidas, faz com que o timming das coleções seja perfeito.
Não há falhas entre os momentos surreais, onde a família brinca numa nuvem e faz picnic num tapete voador com os reais e rotineiros, onde a família faz compras num shopping, assiste tv… Tudo se encaixa perfeitamente.

Sem contar a maravilhosa trilha sonora assinada por Takahata Isao, que tem de quebra, a participação mais que especial da Akiko Yano e sua inigualável voz anasalada.

Após a exibição, a Careimi promoveu um interessante debate sobre os valores e princípios desse animê. O debate se iniciou na família Yamada e chegou até a política italiana.

Como o programa durou até às 22hs, não deu pra invadirmos o espaço de Pump It Up. Nossos estômagos estavam roncando de fome e decidimos sair em procissão pela Paulista.
No meio do caminho encontrei o viajado amigo Chaos Control, ele estava voltando de um curso.
Seguimos caminho até encontrar uma barraquinha de milho e finalizamos a noite fazendo careta nas mesinhas do Mc.

De novo me perdi no meio do bom bate-papo e quase esqueci da hora de voltar.
Cheguei em casa pouco antes das doze badaladas, cansado, mas extremamente feliz pelo contato com a turma da Gargântua Produções, por ter treinado Pump It Up, ter assistido mais um título do Studio Ghibli, ter reencontrado a Sae, o Ber e ter conhecido as gurias.

Ps: Sae se lê “Sêi”.