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188- 13) Notre-Dame-Sacré-Cœur-Montmartre-Dame-de-Fer

Estar cansado já não significava mais nada.
Apesar de não conseguirmos flutuar, seguíamos nossa sombra…

Após ter andado o dia todo no maior museu do mundo, lá estava eu a bater pernas pela cidade luz.

Eu simplesmente ignorei o cansaço, bloqueei o estímulo da dor.
Liguei as pernas no modo automático e continuei a jornada.

Foi assim que consegui chegar até a Catedral de Notre-Dame e pude ter um vislumbre do que foi a idéia gótica no seu esplendor.

Formidável imaginar sua história!
1163! É muito tempo!

Contornamos a catedral procurando seus ângulos perfeitos.

Quando li “Um livro por dia – Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company de Jeremy Mercer”, tudo o que eu mais desenhava na minha mente era essa catedral.
A Notre-Dame era o cenário mais frequente nas aventuras do jornalista canadense.

Incrível como a Shakespeare and Company ficou escondida no meu subconsciente.
Incrível como eu me esqueci dela quando cheguei no cenário do livro.

Só fui me lembrar da famosa livraria quando o meu amigo Esfih@ perguntou pra mim se eu a havia encontrado.

4 noites em Paris é quase nada, acreditem.
Não dá pra se conhecer a cidade nem por cima.

Paris é muito profunda.
Passar por um lugar a noite e revisitá-lo de dia são outros quinhentos. Quando voltar à Paris, preciso me dar pelo menos 30 dias de férias.

Infelizmente visitei essa região às altas horas, sem a luz do grandioso sol.

Contornamos o Sena.
Caminhamos por lugares que mais parecem sair das páginas dos contos de fadas.

Felizmente a essa hora, a boêmia local criava ali uma atmosfera contagiante.
Os artistas, os aventureiros, os vagabundos e os turistas se confraternizavam de uma forma alegre e descompromissada.

Descobrimos as figuras noturnas. Interagimos com todas elas.

A amiga Gabis tinha lido em algum lugar, que haveria uma festa tradicional em algum ponto da cidade.

Oui Oui, como bons turistas em Paris, topamos peregrinar mais um pouquinho em busca da tal festinha.

Fomos caminhando despretensiosamente por ruas estreitinhas, vielas escuras, calçadas charmosas e quando dei por mim lá estava o mundinho de Amélie Poulain!

Montmartre!

Nessa hora vc precisa tomar fôlego, pq há muito em jogo.
Um filme como esse realmente te faz ver as coisas com mais cor.

Foi quando chegamos a Sacré-Cœur…

… e descobrimos que a festinha seria no dia seguinte.

Mas pra quê festa?
Aquilo ali já era o melhor presente!

Fiquei brincando com a câmera e seus diferentes tempos de exposição.

Ver Paris do alto da montanha de Montmartre é casar-se com a cidade.

Demais, não?

Cadê a Amélie?

Foi quando eu entendi pela primeira vez como seria difícil ir embora de Paris.

E a Lua de Mel vem logo em seguida, descendo graciosamente pela Funiculaire.

O mais legal é comprovar que o seu bilhete diário do metrô serve aqui!

Os amigos suíços demoraram, mas finalmente sentiram o cansaço pesar seus calcanhares.
A Gabis já não conseguia mais andar. Descalçou seu sapatos e foi se arrastando.

Nossa energia ainda circulava.
Afundamo-nos no metrô parisiense e fizemos uma grande bagunça pela esteira rolante:

Separamo-nos dos amigos e corremos até o Trocadéro para registrar a Dama de Ferro com suas luzes dançantes.

Para nossa sorte o metrô fechava mais tarde!
Fizemos a festa e ainda deu tempo de comer crepes.

187- 12) Musée du Louvre

Algo que planejei bastante nas roupas que levei e nas que comprei pela Europa, era que elas precisavam ser coloridas: para expressar meu estado de espírito; descontraídas: para exaltar a minha felicidade e confortáveis: para agüentar um dia inteiro de turismo desenfreado.
A sobriedade pastel que esteve presente há tanto tempo nas minhas roupas, eu havia decidido deixar bem guardada em casa.

Vestir-se de brasilidade na França funcionou muito bem.
O verde e o amarelo provocaram em todos os parisienses a docilidade e a simpatia para conosco.
Não importava o que perguntássemos, pra quem perguntássemos, onde perguntássemos, éramos muito bem tratados e recebidos.

Ir colorido à Europa foi muito mais do que vaidade, foi uma sábia escolha.
Não houve um único lugar onde encontramos as portas fechadas.
Não houve um único lugar onde fomos recebidos com descaso ou pouco sorriso.

E nem sou assim tão enaltecedor a ponto de me vangloriar ser brasileiro.
Não sou exemplo de fiel torcedor de futebol, empenhado conhecedor do nosso folclore, freqüentador bronzeado das praias mais tropicais… Não tenho nenhum amor desproporcional pela política do meu país ou longe de mim ser um daqueles defensores das nossas cada vez mais despidas florestas.
Nunca fui de tocar cornetas quando o Brasil fez um gol ou de balançar a bandeira quando ganhamos a Copa do Mundo, mas pela primeira vez, senti a necessidade que as cores com as quais me vesti fossem meu cartão de apresentação, a bandeira que carregaria por onde passasse.

Sou o brasileiro mais fajuto do mundo e acho que isso deve bastar.
Longe de qualquer jactância ou bazófia fashionista, fi-lo porque realmente qui-lo.
Ser um periquito nas ruas de Paris fez todo o diferencial.

Assim, brasileiríssmo, cheguei com a irmã e os amigos ao Arco do Triunfo do Carrossel que nos apresentaria o Louvre.

Logo a frente estava o Jardin du Carrousel e pudermos ter um vislumbre do monstro que é o Palais du Louvre, o colossal complexo de prédios que abriga o museu mais famoso do mundo.

O Palácio do Louvre é uma estrutura quase retangular, composto pela praça do Cour Carrée e duas alas que envolvem o Cour Napoléon a norte e ao sul.
O museu é dividido em três alas: a Ala Sully a leste, que contém a Cour Carrée e as partes mais antigas do Louvre, a Ala Richelieu ao norte e a Ala Denon, que faz fronteira com o Rio Sena para o sul.

Não dá para não se sentir intimidado.
O Louvre é um museu conhecido pela fama de que para se conhecer tudo que há nele, um dia só é pouco.

No coração do complexo, está a Pirâmide de Leoh Ming Pei, acima do centro dos visitantes.

Ela é deslumbrante e celebra muito bem a fase da ampliação do Museu do Louvre.
A Pirâmide e seu átrio subterrâneo foram inaugurados em 1988.

Ficamos pulando de alegria lá do lado de fora.
A Ju foi a única que conseguiu voar.

Nós estávamos tão contentes que esquecemos do que nos esperava.
Após comprarmos nossos bilhetes, afundamo-nos Pirâmide adentro para o subterrâneo do museu, não sem antes contemplar por dentro da grande obra de vidro do arquiteto norte-americano de origem chinesa.

Aquilo tirou meu fôlego.
Eu já podia imaginar as maravilhas da arte que me esperavam naquele museu, mas pra mim, a maior obra-de-arte era a Pirâmide em si.

É raro encontrar alguém que não aprecie a Pirâmide do Louvre nos dias de hoje, mas houve um tempo que ela foi duramente criticada. Os mais conservadores alegavam que ela arruinaria a harmoniosa perspectiva entre o Louvre e o Arco do Triunfo.
Na minha opinião, ela criou a harmonia arquitetônica perfeita entre o moderno e o antigo.

O Louvre passou dos 3 milhões de visitantes anuais de 1989 para os 8,5 milhões em 2008.
Depois da Vênus de Milo e da Mona Lisa, a Pirâmide do Louvre ocupa o terceiro lugar no ranking das obras mais apreciadas pelos visitantes do museu.

Queria muito fotografá-la a noite.
Até pensei que teríamos outra noite para fazer isso nessa Eurotrip, mas não contávamos com as milhares de possibilidades e programas que Paris oferece aos seus visitantes.
Não houve a menor possibilidade de voltar lá.

Eu deixei bem claro para todo mundo, que era meu desejo marcar um horário de encontro e que cada um seguisse solitariamente a sua peregrinação cultural, mas a Ju me acompanhou assim mesmo.

Quando o assunto é museu e obras de arte, cada visitante tem um tempo, uma velocidade de apreciação…
As pessoas tem interesses singulares, preferências distintas…
As obras atingem cada um de nós de maneiras diferentes.

Por sorte, o meu interesse cultural era muito parecido com o da minha irmã e conseguimos não nos perder tanto assim um do outro.

Começamos nossa peregrinação pelo labirinto cultural.

Nem bem começamos e já encontramos ela, a original Vênus de Milo.
A famosa estátua que representa a deusa grega Afrodite (amor sexual e beleza física), ficou tempo demais perdida em informações escolares dentro da minha cabeça.
Lembro-me muito bem da excursão com a escola ao Liceu, onde nos foram apresentadas às estátuas mais importantes do mundo.
A da mulher sem braços foi a mais inesquecível.

E pensar que pela estátua apresentar os braços e as mãos danificados e separados do corpo, quando encontrados em 1820 na Ilha de Milo no Mar Egeu, eram de muito pouco valor para que os atarefados marinheiros voltassem atrás para recuperá-los.
O único consolo é saber que as estátuas gregas dessa época, muitas vezes não recebiam acabamento por igual em todas as partes, o polimento mais fino era reservado apenas às partes mais visíveis.

De qualquer forma, réplica das lembranças escolares ou a original no Louvre, ela causava a mesma impressão que me causou décadas atrás: sua beleza era perfeita e a ausência de braços a deixava mais bela.

No final da monumental escadaria Darú, lá estava ela.
Pra mim, uma das estátuas mais misteriosas e poderosas do mundo: a Vitória de Samotrácia, ou Niké de Samotrácia, a representação da deusa grega Niké.

Desde 1883 ela repousa suas resistentes asas no final da escadaria.
Apesar dos seus significativos danos e de estar bem incompleta, é uma das maiores sobreviventes do Período Helenístico e mostra grande maestria em suas formas e movimento.

Não poderia haver melhor lugar para se colocar tal tesouro.
Por representar uma figura de proa, usada nos navios para afastar os males e cortar os perigos dos mares, ali estava a bela escultura no topo de uma escada, quase voando, molhada, cortando o vento além dos mares desconhecidos…

Lembrei-me de quando eu ia à proa do Costa Victoria no crossing pelo Oceano Atlântico e me perdia em pensamentos.
O bico do navio rasgava aquele mar azul num barulho mais poderoso que mil trovões e nem por isso eu sentia medo.
O vento fazia a pele querer sair do corpo e as lágrimas escapavam pelo canto dos olhos.

Por que essa estátua me fazia lembrar dessa experiência?

Eu quase não fui capaz de descobrir qual de suas asas era fruto de restauração, mas hoje percebo como a Nike foi feliz em adotá-la como inspiração para seu logo em forma de asa.
Eu quase não sentia falta da sua cabeça, mas podia imaginar na sua face, como estariam os cantos dos seus olhos e o movimento de seus cabelos.

Sentei-me em vários bancos.
Se houvesse um lugar pra se sentar, lá estava eu.
Acho que esse é o segredo de resistir aos quilômetros do Louvre.

Lógico que tem uma hora que vc não vai querer ver mais nenhum quadro na sua frente, mas tive Artes Visuais I, II, III… XV na faculdade…
Tudo o que eu via lá no museu, em alguma oportunidade já me fora apresentado em sala de aula nos encardidos slides da nossa doce professora, cujo nome não me vem à cabeça.
Eu e alguns amantes das artes, quando não dormíamos em aula, estávamos atentos a lição do dia do mesmo modo que sonhávamos viajar à Europa para poder ver todas essas obras originais.

Sentar-se além de descanso, era também um bom exercício de reparo. Reparo físico, espiritual. Um momento para reparar nos outros visitantes.
A sortuda população frequentadora do museu era muito curiosa: estudantes rabiscando suas pranchetas, fotógrafos girando suas imensas lentes, amantes de arte discutindo em idiomas que vc nem sequer sabe que existem, velhinhos apaixonados com seus andadores, asiáticos bonitinhos com suas famílias bonitinhas, inglesas magras com blusas gordas, americanos bem comportados, francesas bonitas, estranhos alemães…

Gente simples com guia auditivo, gente sofisticada com guia exclusivo…

Sentado no meio daquele museu, tive noção do tamanho da minha sorte.
Estar cercado por tesouros tão familiares não é para qualquer um.
Eu estava no meio do El Dorado, rodeado pelos tesouros mais fantásticos que o mundo já conhecera.

Seguimos a corrida ao tesouro a passos de tartaruga.
Reparamos uma aglomeração logo à frente e descobrimos o porquê.

La Gioconda.

A maior atração do Louvre também é uma das menores.
Vc não consegue nem estudar o sfumato de tão distante e protegida que a pintura está.

De alguma forma, mesmo sendo tão pequena, ela consegue despertar uma imensa curiosidade.

Seu sorriso enigmático não preenche a sala exclusiva de 200m² e seu valor pode ser bastante questionado.
A verdade é que as pessoas se acotovelam para tentar chegar o mais perto possível da bela dama.
Ela é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, o quadro mais valioso de todo o mundo.

Leonardo da Vinci que me perdoe, mas não vou gastar muito português para detalhá-la com precisão, muitos historiadores, cientistas e até mesmo os computadores da Universidade de Amsterdã já o fizeram e com profundidade.
Fico contente em dizer que ela não me impressionou em nada, já minha irmã…

Se o sorriso da Mona Lisa não conseguiu me impressionar, o olhar por outro lado…
Muito pouca gente olha para o quadro que a Mona olha o dia todo.

O quadro em questão é “As Bodas de Canaã” de Veronese e é o maior quadro existente no Louvre.
É nele que está retratada a transformação da água em vinho por Jesus Cristo.

De um lado a pequena Mona, do outro Jesus.
Os olhares que ambos projetam entre si parece ignorar a orda de turistas que se ondulam como um mar de cabeças.

O quadro de Jacques-Louis David, Consagração do Imperador Napoleão I e Coroação da Imperatriz Josefina na Catedral de Notre-Dame de Paris, é um exemplo claro de hierarquia.
A maneira como estão dispostos os personagens na pintura, encomendada por Napoleão, leva o observador a seguir uma sequência bem definida.
A Jussara pirou com essa obra. Conhecia essa história ao pé da letra.

Seguimos por corredores e salões.
Tetos decorados, afrescos e pinturas…

Foi quando alguém chegou muito perto da coroa e o alarme soou.
Grades surgiram nas saídas e ao redor do tesouro.
Um exército de funcionários aglomeraram-se às portas e tivemos que aguardar a confusão passar.

A Ju pensou estar gravando tudo, mas não havia apertado o botão de REC.
Perdemos!

Seguimos ao Egito antigo.
Depois da Pirâmide de Vidro foi o que mais gostei no Louvre.

Andamos como os egípcios.

Banhei-me nessa rica e antiqüíssima cultura.

A Ju incorporou Cleópatra.

Dá pra entender porque o Egito rompeu vínculos com o Louvre.
Por mais que tudo esteja perfeitamente protegido e bem exposto, é inquietante a sensação de roubo.

O subsolo do Louvre é um lugar sombrio, frio e úmido, onde dá para ver parte da muralha externa do castelo e o fundo do fosso.

Se a pequena Esfinge, isoladinha ali, já era tão magnífica e misteriosa, como seria ver a gigantesca Sesheps no planalto de Gizé?
Algo pra se descobrir num futuro próximo. Ser um pouco mais sortudo…

Entre uma ala e outra, algumas dimensões paralelas.

Influência, referência, repertório…

Assim caímos nos sarcófagos.

O que dizer deles?
Dá pra entender porque são literalmente conhecidos como comedores de carne.
Envolviam o corpo morto e conservado para que o espírito pudesse regressar e juntar-se a ele novamente, numa nova vida.

Havia muitos desenhos talhados na pedra.
Todos os sarcófagos eram ricamente desenhados.
Os desenhos representavam deuses que ajudariam o morto em sua viagem ao outro mundo, além de identificar a classe social da família do falecido.

Mórbida curiosidade.
Não consegui me mover dali sem antes me perder em viagens no tempo.

Estudava-os silenciosamente.

Como os homens podem ser tão fantásticos com seus ritos?

Somos todos do mesmo planeta e ainda assim somos tão diferentes…
Somos todos inspirados por uma força divina e ainda assim acreditamos em coisas tão diferentes…

Era quase inacreditável imaginar o corpo morto dentro desta pedra trabalhada.

Da mesma maneira que ao virar um corredor encontramos os sarcófagos, da mesma maneira a encontramos.
A vida inteira assisti vários filmes sobre ela. Jamais pensei que faria um:

Estar diante de uma múmia do Egito Antigo me fez pensar além da vida, me fez pensar no poder da ressureição.

Fez-me pensar no processo da mumificação osiriana: no cérebro sendo escorrido pelas narinas, do abdômen sendo aberto e todos os órgãos sendo retirados, embalsamados e colocados nos canopos.

Eu podia imaginar aquele pequeno corpo sendo preenchido com saquinhos de natrão em repouso para que seus líquidos escorressem.
Enterrado por 72 dias… O sal absorvendo todo o líquido do corpo.

Depois disso, com o corpo já escurecido e ressecado, o enxerto de resinas, aromas, perfumes, bandagem e pó de serra para dar conformação ao corpo.
A costura do abdômen e a placa mágica.
Enfaixamento com metros e metros de tiras de pano de linho com goma arábica e a cada volta, amuletos e colares.
Só então a múmia está pronta para o enterro.

Claro que o processo não se compara à injeção de essências e de vinhos corrosivos que as múmias mais pobres levavam através do ânus, isso sem falar do tampão! Hehehe…

Mas se fosse Faraó, cozinhava-se a carne até desprender dos ossos. Esses por sua vez, eram pintados de vermelho e enfaixados, fazendo-se uma estocagem na múmia com gesso.

Vida de múmia egípcia não era nada fácil.

Eu mal podia acreditar nos meus olhos! Havíamos conhecido uma múmia de verdade e eu nem me lembrava que já devia estar desidratado.
Eu esquecia de beber água, eu esquecia de comer, esquecia que estava com fome!

“-A gente chegou a comer alguma coisa no Louvre, Ju?” – juro que não lembro.

Fomos seguindo, sempre com passinhos de formiga, nunca sem vontade.

Encontramos painéis fabulosos pelo caminho.

A Ju incorporava o espírito guerreiro.
Eu desejava ter olhos na nuca e nas orelhas.

Atingimos a Ala Sully e pelas antigüidades do Irã encontrei o Chapiteau d l’Apadana.
Baaaaaaaaaaaaaah, pára tudo!
Como pôde existir um lugar no mundo que abrigou em algum momento nessa louca linha do tempo uma coluna assim?

Existiu.
Essa coluna fazia parte das ruínas do colossal templo da Apadana, na antiga cidade de Persépolis.
A construção da majestosa obra foi principiada por Dario, o Grande e concluída no século V a.C. por Xerxes.

Trinta das setenta colunas, juntamente com as duas gigantescas escadas sobreviveram às invasões do filho da puta Alexandre, o Grande e à deterioração do tempo.
Vinte e nove de trinta, porque uma estava lá no Louvre.

Em certos momentos, a Pirâmide de Vidro aparecia lá fora, bela, harmoniosa.
É como se ela olhasse pra mim e dissesse: “-Seu sortudo filho da mãe!”…
Hehehe…

Foi quando me dei conta das horas.

Elas haviam passado sem que percebêssemos.

O cansaço puxou meu corpo pra baixo.
Tomei fôlego, afastei-me da janela e mergulhei na parte do museu que se parece com um jardim de inverno.

A atmosfera é a mesma de se estar ao ar livre.

Encarei dois dos Quatro Cativos.

O eminente escultor holandês Martin Desjardins sabia como gerar impressões colossais.
Cada rótula do joelho desses gigantes era maior do que a minha humilde cabeça.

Como naqueles antigos filmes mitológicos da Sessão da Tarde, eu era capaz de imaginar os Cativos se movendo em Stop Motion.
Cada elemento representando uma das nações vencidas no Tratado de Nimega, expressando uma reação diferente à captura: revolta, esperança, resignação e mágoa.

Fui me arrastando através do Cour Puget até encontrar posada. Só fui perceber o registro em vídeo quando já estava completamente torto.
O cansaço era bem evidente.

Amém.
O resto do museu fica para uma próxima visita.

Não sei como chegamos lá, mas encontramos um corredor cheio de lojas inacreditáveis.
Havia todo o tipo de lojas de lembrancinhas do museu, tudo muito caro e de praxe.
Havia uma loja muito interessante de artigos natureba, gastei um tempão nela.
Havia uma Virgin Megastore… Nos perdemos de verdade lá dentro… A Ju gastou seus euros em canetas caríssimas que estavam baratíssimas, segundo ela. Eu tava quase levando um Wii ou um PSP, mas resisti bravamente, era olhão, nem tava precisando.
Ah, tá certo, a gente sempre tá precisando dessas coisas, deveria ter trazido. Hehehe…
E havia a Apple Store que ainda não tava pronta.

Juntamos toda a força que ainda nos restava e fomos dar uma de Dan Brown.

A segunda fase do plano do Grand Louvre, La Pyramide Inversée (A Pirâmide Invertida), foi concluída em 1993.

A Pirâmide de cabeça pra baixo fez com que eu perdesse o fôlego mais uma vez.
Esqueci-me de tudo. Não havia mais dores.
Fui até ela como criança vai ao brinquedo.

Equilibrei-me. Contorci-me.

Corri com os bolsos cheios de manuais, capa da máquina, documentos…
Posicionei minha mão entre a Pirâmide Invertida e a Pirâmide de Pedra estacionada no chão.

As primeiras fotos fizeram meus bolsos da calça parecerem enorme nádegas. Parecia que eu estava ao contrário!!!

Por sorte constatamos o problema com os bolsos, eu os esvaziei e tiramos outras fotos.
Na realidade, tiramos várias.

Colocar a mão no ponto onde as pontas das duas pirâmides quase se tocam é viciante.
Não dá pra fazer uma única vez.
A energia que aquele espaço gera é pura alegria.

Antes da gente, japoneses, ingleses, americanos e todos os demais aproximavam-se das Pirâmides, em pé, sólidos como rocha enquanto seus conhecidos os fotografavam.

A gente queria interagir com a energia das Pirâmides.
Nem sei se era praxe tirar a foto do jeito que tiramos, mas depois que colocamos a mão lá, os japoneses, os ingleses, os americanos e todos os demais embarcaram na nossa e refizeram suas sessões fotográficas.

O cálice e a lâmina, a união dos sexos. A ficção do autor de O Código Da Vinci podia muito bem confundir a realidade.
A Pirâmide de Pedra pequena, para qualquer pessoa que como eu tem alguma imaginação fértil, realmente lembra o vértice de uma pirâmide maior (possivelmente do mesmo tamanho que a Pirâmide Invertida acima), embutida no chão, como uma câmara secreta. A câmera onde descansaria o corpo de Maria Madalena. Hehehe…

Depois que cansamos de brincar de Robert Langdon e Sophie Neveu, fomos encontrar os amigos.

Ainda havia tanto para se ver…
Nesse momento vc se dá conta de que é impossível ver tudo o que o museu tem.

Fiquei com raiva do Louvre.
Comentei com o amigo suíço esse egoísmo francês de querer concentrar todos os tesouros num único lugar.
Só de pensar que ainda tem tanta coisa lá que não está exposta, simplesmente porque não há mais lugar pra isso…

Tá certo que um negócio desses é uma plantação de árvores com frutos de ouro para a economia do país, o El Dorado para os turistas, mas o Louvre é desproporcional, é um exagero de museu, dá raiva.
A idéia de pedir para Papai Noel distribuir um pouquinho de tesouros para museus menores ao redor do mundo pipocou na minha cabeça. Vou pedir isso neste Natal.

O amigo disse que o “egoísmo” francês poderia ser interpretado pelos franceses como “orgulho”.
Compreendi a colocação.

Eu respirei inspiração, eu voltei no tempo a cada sopro.
Sinto que se pudesse tocar essas peças com a ponta dos dedos, eu poderia de alguma forma ter alguma visão, algum resquício de história que ficou incrustrada em algum sulco da massa ou pedra. Tentei em muitos momentos enxergar a alma dessas obras, alguma atmosfera que brilhasse diferente, uma luz divina…
Encontrei e encontro todos esses fragmentos perdidos olhando agora para as fotos, escrevendo sobre elas, relembrando esta peregrinação.

Ir ao Louvre deveria ser direito de todo ser humano vivente nesse planeta.
Conhecer o Louvre é a peregrinação mais importante que podemos fazer nesse nosso tempo.
Eu espero repetir essa experiência mais vezes.

186- 11) Tour à la Tour

Alguns esperam menos, outros esperam mais.
Eu esperei 33 anos por este momento.

Acho que sonhei com isso a vida inteira.
Estar aos pés da Torre Eiffel.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de estar embaixo de uma torre treliça de ferro do século XIX.

(Ps: A bichinha tava seca por um pão francês, não queria nem ouvir falar em croissant. Queria achar uma baguete. Hahahaha)

A Dama de Ferro é impressionante!
Se hoje ela é capaz de causar tamanha excitação em mim, o que ela não provocava nas pessoas na época que foi construída?

Há muita magia na região do Champ de Mars.
Mais do que subir a torre, eu tinha uma curiosidade absurda em caminhar por essa região do Champ de Mars e explorar melhor a base onde a torre está instalada.

Não conseguia entender como um elevador podia subir lateralmente.
Ficava imaginando por onde as pessoas entravam, por onde elas saiam, se as filas eram muito grandes, qual o tamanho do elevador, como a luz do sol entrava pelas treliças…
Como seria olhar de lá de baixo para o topo da torre…

Fiz tudo isso e posso dizer que foi o máximo.

A Torre Eiffel é absurdamente estonteante!

A manhã que emoldurava a torre estava fria e úmida.
Decidimos deixar pra subi-la no final da tarde, para contemplar o pôr-do-sol e ver a cidade luz como ela deveria ser vista.
Se o tempo insistisse em permanecer ruim, deixaríamos para o outro dia.

Atravessamos a Quai Branly e seguimos pela Pont d’léna até a Place de Varsovie.

Subimos a ladeira até o Trocadéro, claro, olhando sempre pra trás.

Então eu compreendi: é no Trocadéro que temos a Torre Eiffel como a conhecemos.
Este é o melhor ângulo! É como o mundo a enxerga.
Ouso a dizer que é até melhor do que estar aos seus pés.

Ainda assim é difícil enquadrá-la.
Por mais que vc se afaste, há sempre uma parte da torre que nunca se enquadra na foto.

Barbaridade! Não seria fácil apagar este momento da minha memória!

Tirei várias fotos com a câmera, mas me concentrei em tirar uma “mental picture” comigo mesmo e gravei fundo esse momento nas gavetas do meu cérebro.

Gastei bastante tempo sentado sozinho admirando a Dama de Ferro. Um momento meu, que eu esperei por tanto tempo.
E pensar que neste mesmo ano (2009) ela estava completando 120 anos!

Um sentimento de respeito máximo queimou meu peito em favor aos homens que ali trabalharam.
Fiquei quieto, perdendo-me em pensamentos e devaneios, imaginando histórias dos que trabalharam para colocar aquela maravilha em pé.

Como devia ser subir a ladeira para o Trocadéro, dia após dia, acompanhando a construção da torre nesse lindo horizonte?

Gostaria muito de ter encontrado algum idoso desses bem faladores.
Com certeza um velhinho parisiense bem orgulhoso de sua Dama, que tivesse alguma história herdada pelos seus pais pra me contar.
Só posso imaginar como esses dois longos anos de construção devem ter sido bacana para quem acompanhou do horizonte e perigoso para quem acompanhou de lá de dentro.

Como um ser humano pode pensar algo tão extraordinário?
Como um ser humano pode construir algo tão ousado e até hoje contemporâneo a ponto de conquistar todos os corações?

Pensar tudo isso ali já estava me deixando louco, repensar isso aqui vai me deixar maluco!
É muita magia misturada ao passado e ao presente de uma forma que eu nunca havia experimentado.

Por muito tempo ficamos no Trocadéro.
Eu nem me lembrava mais de sentir frio ou do gelo que estava a pedra onde eu havia sentado. Tudo estava perfeito!

Observava os elevadores indo e vindo no corpo da Dama, provavelmente levando funcionários, pq a visitação ainda não estava aberta para os turistas.

Todos tiveram suas fotos tiradas e seus sorrisos registrados.

Eu havia levado um pouco das cores da nossa bandeira nas minhas roupas e não demorou muito para os vendedores nos abordarem em português.

Eles eram feras na arte de vender chaveirinhos para os turistas.
Com sua ginga, descobriam rapidamente a procedência dos seus futuros clientes e ligavam a tecla SAP para conquistar todos com muita simpatia.

Eles estavam negociando chaveirinhos com o Phil e a Gabis quando a Ju, graciosa e perigosa, invadiu o pequeno comércio formado entre eles.

Ela barganhou tanto, mas tanto, que deu dó dos vendedores.
Ela deve ter comprado umas 50 mini torres e ganhado outras 50.

Fomos todos para o Jardin des Tuileries, mas só a Gabis teve tratamento especial.

Com seu jardim no estilo francês, formal e simétrico e suas estátuas ornamentais, o que realmente nos cativou neste jardim foram os monstros malucos à la “Tim Burton meets Studio Ghibli” que estavam em exibição.

Não resistimos a brincadeira e adotamos todos eles.

Os monstros nos dispersaram num primeiro momento, mas a beleza simétrica do jardim não podia ser ofuscada por muito tempo.

Nos perdemos entre as folhas de Outono.

Pensei muito em minha mãe ao apreciar a cor das árvores. Nada poderia impressioná-la mais.

O caminho certo é por ali… Não, não! É por aqui…

Fomos aos poucos encontrando nosso caminho.
O caminho que nos levaria até o Louvre…

…Mas æ já é assunto pra outro post.

Nossa tour começou na torre e estava longe de terminar.
O dia 9 de Outubro de 2009 começou muito cedo e acabou muito tarde.

Pelo caminho, ainda me pegava pensando na Dama de Ferro.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de tirar suas próprias fotos, de gravar seus próprios filmes.

5 anos, 20 anos, 33 ou 90. Não há idade para se viver experiência mais mágica.

185- 10) La Ville-Lumière

Caminhamos muito.
Desde o Arco do Triunfo, passando por toda a Champs-Élysées, alcançando o cruzamento da Franklin D. Roosevelt para então entrar na Wiston Churchill e passar no Petit Palais.

O frio era constante e os pés estavam tão doloridos que parecia que eu estava andando descalço.
Por mais doloroso que fosse caminhar, mesmo que em marcha reduzida, o prazer em descobrir lugares perfeitos a cada quarteirão avançado era por demais viciante e o melhor remédio para tanta dor.

Foi assim que me apaixonei por Paris.

Como era possível estar tudo pronto? Tudo construído com maestria e capricho?
Estava tudo pronto, estava tudo lá!

É completamente maluco vc ir descobrindo isso a cada passo dado.
Uma cidade luminosa, cheia de monumentos e construções lindas equilibradas com jardins maravilhosos…
Pra tornar aquilo mais perfeito ainda, o clima de Outono, as folhas de Outono, o humor e o sentimento que essa estação provoca nas pessoas.

Eu estava apaixonado por cada canto descoberto, por cada rua, por cada avenida.

Foi quando a noite nos atingiu.
Estávamos cruzando a belíssima Ponte Alexandre III, que é muito mais que uma simples ponte.

Eu amei andar pela Ponte de Westminster em Londres, mas cruzar a Alexandre III era muito mais especial.

A Ponte Alexandre III é a ponte mais bonita e emblemática de Paris. Com seu estilo Art Nouveau, ela intrega um conjunto arquitetônico maravilhoso do qual fazem parte o Grand Palais e o Petit.
Os três foram construídos para celebrar e abrigar a Exposição Universal de 1900.

Além de linda, foi importante também para o ponto de vista arquitetônico e de engenharia: foi a primeira ponte pré-fabricada a ser transportada para o local, onde foi instalada com guindastes.

Uma das exigências do projeto foi de não interromper as vistas para Invalides e Champs-Elysées, o que resultou numa ponte especialmente baixa e larga, com 107,5 metros de comprimento e altura apenas de 6 metros.

Lógico que eu não tinha todas essas informações ao passar por ela, mas naquele momento isso não era tão importante, ela me impressionou do mesmo jeito.

Era final de um dia comum. As pessoas voltavam para suas casas bem protegidas do frio, dentro de seus carros quentinhos.
Vi um deslumbre da Torre ao fundo e não resisti.

A todo instante ela nos lembrava de que estávamos sob sua proteção. É um enorme amuleto mágico, que de vez em quando, dá uma olhada na gente de longe.

Paramos por um momento pra tentar capturar a atmosfera daquele lugar e eu desejei poder passar por ela numa próxima oportunidade, de dia, ainda nessa Eurotrip. Claro que isso não seria possível.

Parei para contemplar o Rio Sena. Mais um rio famoso pra se lembrar em dias futuros.
Que paz! Que sorte os parisienses tem!

Um Bateaux-Mouches passava no exato momento. Registrei-o, mas não fiquei com muita vontade de navegar o Sena. A experiência em ir até Greenwich pelo Tâmisa foi um tanto quanto cansativa.

Queria mesmo era pegar uma bicicleta e sair pedalando por todos esses lugares, mas isso é uma coisa pra se fazer de dia e no verão. Quem sabe numa próxima Eurotrip… É, definitivamente numa próxima Eurotrip!

A cidade luz faz jus ao seu nome.
A iluminação noturna em Paris é um charme só e um convite para uma gostosa caminhada.

O frio tinha atingido níveis insuportáveis e a Ju estava apenas com aquele vestido fino e nada mais.
Briguei muito com ela. Ela tinha pego todo o frio no topo do Arco do Triunfo… Isso não poderia resultar em boa coisa…
Teimosa como sempre, ela não arredou o pé em dizer que estava tudo bem, assim como não aceitou nosso agasalho.

Fomos caminhando como podíamos e atravessamos a ponte.

Paris é uma declaração de amor aos olhos.
Nossos ouvidos são agraciados com aquele som distante dos tocadores de acordeão nas esquinas.
Nossos narizes são desafiados a todo instante pelos cafés e padarias.
E aquele frio charmoso rasgando nossa pele…

Encontramos uma vitrine muito convidativa do outro lado do Sena.

As meninas não perderam a oportunidade de tirar um sarro.

Sofisticadas e engraçadas, o ensaio foi um dos momentos mais fashion do passeio.

Meninas malucas.
A brincadeira foi tão espontânea, que as pessoas que passavam ao nosso lado aprovavam com interesse.

Afundamo-nos na primeira estação de metrô pra descansar meia horinha no nosso Hotel, desfazer as malas, tomar um banho muito muito quente, apanhar agasalho pra Ju e então sair pra jantar.

O Phil nos levou pra comer carne, como ela deve ser realmente saboreada.

Juro que queria ter tirado uma foto do enfeitado prato, mas me contive, afinal de contas, era nosso primeiro jantar francês e não podíamos cometer deslizes.

O bife tinha um sabor fantástico mas nem de longe superava a carne brasileira. Veio acompanhado por uns molhos deliciosos que eu nem imagino do que foram feitos. Havia ainda uma porção de vagem bem verdinha e temperada suavemente, uma salada espetacular e as originais French Fries, as mais crocantes e saborosas que eu já comi.
Pra não fugir muito do praxe, pedimos Coca-Cola.

Passamos muito tempo para saborear tudo o que nos foi trazido.
A conversa com os suíços foi tão deliciosa quanto os pratos.
Foi um jantar muito agradável e nada barato.
Saímos de lá satisfeitos. Não houve espaço para sorvete e eu resisti em não tirar fotos dentro do restaurante. Só o fiz porque o Phil pediu.

Os suíços não estavam cansados como nós estávamos. Tinham acabado de chegar de Berna, uma cidade completamente serena e cheia de paz. Estavam loucos por diversão.
A gente estava há 4 dias andando loucamente pelo subterrâneo e pela supefície de Londres. Assim sendo, nossas pernas já estavam bem gastas e toda a canseira se acumulou neste dia.
De qualquer forma, depois do jantar, nos pegamos passeando com os amigos pelos arredores do nosso bairro: Strasbourg – Saint-Denis.

Fomos tirar foto perto do pequeno Arco, na Boulevard Saint Denis e nos empolgamos.

Por mais que estivéssemos fechando os olhos, ainda precisávamos entrar em contato com o pessoal daqui do Brasil.

Conversamos mais algumas horas com os amigos sem sono e só então mergulhamos merecidamente numa cama quentinha, num quarto encarpetado e bem protegido do frio lá de fora.
Não houve brecha nem para sonhar.

Créditos Ponte Alexandre III: Arnaldo Interata

178- 03) Day At The Museum

Como o dia prometia, engolimos o café da manhã e saímos pra rua.
Caminhamos alguns poucos quarteirões e caímos dentro do Science Museum.

O dia estava chuvoso, e acho que por este motivo, escolher o dia para visitar museus foi uma sábia decisão.
Vc pode ir quantas vezes quiser nos grandes museus da cidade e não pagar absolutamente nada por isso.

Se há algo a aprender com o londrinos é que chuva não é desculpa para não se divertir.
A chuva em Londres é charmosa.
As pessoas continuam a caminhar na rua, continuam fazendo seus exercícios e suas compras.
A chuva em Londres é uma garoa fina, despretensiosa, que às vezes acontece apenas de um lado da rua.
Ela chega e vai embora sem avisar…

E assim entramos no gigantesco e colorido Science Museum.

Science

Science-Museum

Science-Airplane-Jo

Vc nem bem entra e já se vê rodeado por pequeninos e pequeninas falando sem parar um inglês carregado de sotaque.
É o cúmulo da “kawaiice” ouvir aquelas crianças completamente malucas expondo suas exclamações naquele idioma tão cinematográfico.

Eu e a Ju ficamos maravilhados com a luz daquelas criancinhas.
Apesar de muito educadas, eram por demais curiosas e questionavam seus professores a todo instante.

Era dia de excursão escolar e crianças pipocavam por todos os corredores e salões.
Para qualquer um sem paciência com crianças a experiência poderia ser traumática, para nós que adoramos foi excepcional.

Fossem as criancinhas em sua cidade natal ou os dois turistas brasileiros, éramos todos pequenos exploradores à se perder nesse enorme museu.

Vimos coisas que nem sonhávamos encontrar por ali, entre elas, a cápsula Apollo 10, lançada ao espaço em 68…

Capsula

Durante o regresso da Lua em 26 de maio de 1969, a Apollo 10 conseguiu atingir a mais rápida velocidade de um veículo tripulado, viajando a 39.896 km/h em relação à terra. Os membros da tripulação foram Thomas Stafford, John W. Young e Eugene Cernan:

apollo-10

Mas o mais impressionante, eu fui ver depois, pesquisando sobre na internet:

Apollo-10-Shield

É quase impossível imaginar algo tão fantástico.
Eu já fico maluco por andar de avião, que só de imaginar a viagem dessa cápsula e todos os fenômenos naturais que ela sofreu ao entrar na atmosfera…

Vimos algumas locomotivas…

Trem-1868

Entre elas, a primeira locomotiva a operar comerciamente, em 1813.

Puffing-Billy

A Puffing Billy, construída para atender a mina de carvão Wylan Colliery de Christopher Blackett, em New Castle.

will_hedley_puffing_billy

Adoro trens, adoro trilhos, túneis e mais ainda histórias de ferrovias!
Estar ali era bem especial.

Aviões pendurados no teto, carros de ponta-cabeça, um gigantesco faról…

Science-Airplane

O-Farol

… Peças industriais monstruosas, foguetes, mísseis, motores do tamanho de uma sala de aula, relógios, derivados do plástico, da borracha, satélites, bússolas, rádios, computadores, liquidificadores…

Horoscopo

Plastico

Rockets

Bussolas

Vitruviana

Borracha

Borracha-Joao

Tudo o que um dia fora inventado pela ciência podia ser encontrado em exposição, devidamente em ordem cronológica, com placas informativas e detalhes curiosos…

O museu é impecável.
Desde a sinalização aos cartazes e material gráfico de apoio ao visitante, tudo é de um bom gosto tremendo.

Halo

É muito mais que um SESC é, e olha que o SESC é referência mundial de coisa boa.

O Science Museu chega a ser até chato de tão legal que é.

Painel-Joao-Jussara

Painel-Joao

E assim, depois de percorrer e descobrir todos os andares, salões, corredores, gastar mais algumas horas no interessantíssimo shopping do museu (cheio de invenções caras para crianças de todas as idades), lutei contra a vontade de comprar um Skyhawk 1145 PM…

Ponderava matematicamente a futura aquisição, pesando arduamente a decisão de levar um trambolho desses pelo resto da viagem vs a satisfação que eu teria ao chegar em casa com um passaporte tão barato para as estrelas.

Por um lado o tamanho da caixa, do outro a convidativa bagatela de £140,00.
Por um lado o melhor investimento que eu poderia fazer com o meu suado dinheirinho, do outro a certeza de gastar minhas amadas libras até a última cédula numa única compra.

Havia brinquedos malucos que desafiavam a gravidade e todas as leis da física…
Mas não! Mil vezes não! Não era o momento de levar o Skyhawk 1145 PM mais barato que eu sequer imaginaria encontrar…
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… Tão perto e tão longe…
Despedi-me dele, prometendo pra mim mesmo que voltaria para comprá-lo.

Tudo bem, deixa pra lá… Eu não teria um lugar para abrigá-lo mesmo…
Deixa eu arrumar uma sacada bem bacana pra ele que eu volto pra buscá-lo!

Tentei encontrar um robô como prêmio de consolação, mas só o Rovio custava £250,00, o I-Sobot £175,00…

Devia ter trazido um Hex Bugs Crab…
Pelo menos eram baratinhos e pequenininhos…

Eu estava maravilhado pelos brinquedos maravilhosos do Science Museum, mas também quem resiste?
Saquem só o que eles vendem lá na humilde lojinha deles:

Science-Site

Sai de lá com uma certeza: voltar nas próximas férias… Com muito mais libras no bolso.

Expo

Andamos alguns outros quarteirões do nosso bairro e encontramos o Natural History Museum.

globe_logo

Ao atravessar aquele portal dimensional, um sentimento de pena e perda se formou em meu coração. Fui atingido por uma vontade incomum em voltar a ser criança.
Queria poder ter tido a oportunidade de vivenciar este museu com meus cinco anos de idade.

Escada-Rolante

Ser criança ali naquele momento, com uma mente ainda intacta e cheia de espaço para se guardar experiências impressionantes, certamente poderia ser considerado um puta pontapé inicial para alguém se tornar ímpar em sua sociedade.

Terra

O Natural History Museum em uma realidade paralela, definitivamente seria o meu lugar favorito.
Chega a doer o cérebro só de pensar no quão bem ele me faria, no tanto que ele me influenciaria e no quanto ele me colocaria para questionar as questões da vida.

Terra-Joao

Mas esse sou eu, um guri que nunca se esqueceu da excursão à exposição/instalação no Sesc Pompéia, da visita ao Zoológico com a turma da escola, da passagem pela central dos Correios ou da visita à Estação Ciência.

Cresci com vontade de olhar mais para o microscópio.
Olhava através do telescópio e me questionava como olhar através do microscópio era tão similar.
O micro explica o macro e vice-e-versa.

Em algum momento da minha vida esqueci do quanto eu gostava de laboratórios ou do sonho de me tornar astronauta.

Se eu fosse londrino e tivesse especial museu em minha cidade, faria de tudo para compartilhar incrível descoberta.
Como eu não sou e tirando o fato de que a entrada ao museu é completamente gratuita, resta-me fazer boa propaganda para que meus conterrâneos cruzem o Atlântico até Londres para conferir tamanho estímulo cultural.

Subir aquela escada rolante era literalmente viajar ao centro da Terra.
Foi assim que chegamos à expo/instalação sobre a formação da Terra.

expo-terra

Lá estava a Islândia sendo citada outra vez…
Pra quem leu o clássico de Júlio Verne, não poderia haver jóia mais preciosa.

Pedra-Iceland

Monte Hekla… Que mágico!

Não há como ser justo no detalhamento emotivo ao se visitar o imponente museu, por isso é um pecado falar muito sobre cada clique.
Mil respostas.
Mil perguntas.

Natural

Não há como descrever a sensação de estar embaixo de um Diplodocus, aquele dino maior que uma quadra de tênis, tão pesado quanto dois elefantes.
Sim, aquele que só comia brotos nos topos das árvores… O preferido de 9 entre 10 crianças.

Natural-Dino-Gigante

Olhar para esse esqueleto montado nesse magnífico salão e contemplá-lo silenciosamente. Ter um momento de vislumbre do que deveria ser quando esses ossos protegiam órgãos e eram envoltos por músculos e gordura… Voltar 150 milhões de anos atrás e imaginá-lo com vida, andando pelas terras lá da América do Norte…

Dino-Jo

Dinos! Não há como não se lembrar dos primos pequenos, principalmente do Leonardo!

Amazing place! Lugar estonteante. Arquitetura maravilhosa abrigando tudo o que há de mais interessante para se contemplar.
Escadas, vitrais, colunas, naves, cúpulas, torres e passagens… As molduras para retratar natureza tão esplêndida…

Natural-Escada-Joao

Natural-Joao

Em certos momentos, era preciso estacionar o corpo e arejar a mente para continuar captando mais informações…

Peixes

Ponte

Tronco

Vitrais

Retomar o fôlego durava alguns suspiros mais longos…

Fosseis

Logo mais estávamos ativos novamente. Esquecíamos das pernas… Elas nem doíam mais.

Passaros

Vimos pela primeira vez, em toda a viagem, nosso reflexo.

Espelhos01

Espelhos02

Espelhos03

Espelhos-Baby

Rimos muito!

A cada sala que entrávamos, algo para se surpreender…

Dino-Ju

Algo para aprender…

Big-Baby

Não sei se foi nós que os encontramos ou se foram eles que nos encontraram, mas o salão dos animais em escala real era belíssimo:

Baleias

Baleias-Joao

Baleias-Ju

Baleias-Zoio

Tantos registros, tantas fotografias…
Essas aqui escolhidas, são apenas uma insignificante parte do que é viver isso de verdade.´
É como implantar um chip de upgrade diretamente no cérebro da gente. É investir em si mesmo. Captar conhecimento da maneira mais gostosa que existe.

Permitam-se!
E se ainda assim vcs acharem que uma viagem dessas não é muito sua praia…
Dêem essa visita de presente para si mesmos!
Dêem essa visita de presente para seus filhos!
Dêem essa visita de presente para alguém que vcs tenham carinho!

Não vivam sem tal estímulo.

Não há como não se sentir pequeno lá dentro.
Não há como não se sentir importante lá fora.

Fachada-Caminhando-0

Fachada-Caminhando

Não há como não se surpreender com o passado.
Não há como não se divertir com tantos presentes.
Não há como não se imaginar ali num não tão distante futuro.

Fachada

Ps: Meu Deus do céu, imaginem quando eu for escrever sobre o Louvre! Preciso de outro esquema! Esse post acabou com as minhas forças digitais! Hehehe…

175- Very Soon

Very-Soon

Sei que estou devendo vários posts sobre a viagem…
Sei que estão me cobrando as fotos…

É que essa semana foi uma loucura.
Jet Lag pegou pesado.
Tanto sono acumulado e quando deito na cama a viagem inteira vem a minha cabeça…
Nem bem cheguei e a vontade de voltar para a Europa não quer ir embora…

Tenho tantas coisas maravilhosas pra contar e mostrar que não sei por onde começar…
Tento dividir os relatos por cidades, mas há tanto o que falar, que preciso de outro tema para compilar os pensamentos…

Estou tão feliz, tão ocupado e tão cheio de histórias…

Nem bem saí do avião e já tive que mergulhar nas reposições das aulas de japa, que estão bem puxadas…
Quatro dias de muito estudo pra finalmente fazer a prova e ainda tenho que contar uma história inteira em japonês na próxima semana…
Tudo vai dar certo!

Pc ficou gripado, tive que carregá-lo pra Sta., fazer backup de um montarél de arquivos… Aos poucos ele está voltando a ser o que era…

Semana que vem prometo começar a escrever.

Preciso aproveitar esse restinho de férias pra retomar o fôlego, pois com certeza ele ficou nos corredores do metrô europeu.