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4- Björk

O post do Tim Festival não expressou com fidelidade tudo o que eu vivi.
Estava com o teclado zoado, então tive que copiar e colar algumas letras pra escrever aquele texto. Foi uma tarefa árdua.
Agora, desapegado do Flog (foi difícil dar adeus ao /jedb e ao /imagensludicas), posso voltar a escrever e dar continuidade ao meu novo Blog, já que não sei como será a sazonalidade de atualizações aqui devido ao atribulado futuro que me aguarda.
De qualquer forma, amo escrever e sei que sempre que puder, virei aqui atualizá-los de minhas aventuras, minhas indicações, meus sonhos, desesperos e pesadelos.

O Tim foi fantástico.
Combinei com a Madá e o Kurenaida lá na catraca do metrô Tietê.
Esperei, esperei. A Madá ligou dizendo que iria se atrasar. Do Kurenaida nem sinal.

Decidi ir embora.
Do metrô até o Anhembi é uma boa caminhada.
Infiltrei-me num grupinho e aproveitei a companhia.

Chegamos em 15min.
A fila nas portas do Anhembi estava andando.
A variedade de moderninhos era a marca do evento.
Dava pra saber quem era fã de quem.

Levei uma nécessaire transparente. Lá, coloquei minha câmera embrulhada em plástico, celular, carteira…
O tiozinho que me revistou, perguntou o que tinha na nécessaire, olhou pro plástico embrulhado… Eu adiantei que era capa de chuva…

Passei ileso com a minha câmera!!! Entrei e me surpreendi com o tamanho do lugar. Fiz um breve reconhecimento da área e encontrei o lugar ideal.
Não era na cara da grade, mas a visão era perfeita.

Encontrei a Madalena e seus amigos rapidamente.
A amiga estava irradiante.

11 anos de espera não é brincadeira.
Poder assistir um show da Björk ao lado da Madá é algo muito especial.

E o primeiro show se deu com a luz do final da tarde.
Os caras do Spank Rock fizeram um som excelente! A gente dançou tribal, pulou, riu e se divertiu.
Foi um pulinho para o céu escurecer e a tarde dar lugar a uma noite agradável.

O maior medo era chover. A semana inteira chuva atrás de chuva.
Para nossa alegria, não caiu um pingo do céu e a noite estava tão fresca, que não dava pra ser mais perfeito. Bom, talvez se eu estivesse na área Vip… Hehehe…

Avistamos os guris Junin, Kurenaida e Schmerz. Bah, eles estavam longe da gente, de lado. Eu pensei comigo “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.
Nos cumprimentamos a distância, tentamos comunicação, mas então começou o segundo show, Hot Chips, e nós pulamos tanto que esquecemos de tudo.

O momento tão esperado se iniciou. O povo começou a montar o palco pro show da Björk.
Sem noção poder ver os caras erguendo aquelas flâmulas e bandeirolas tibetana-islandesas, os técnicos testando as aparelhagens de som, instalando o reactable…

Vc viram aquilo? O Reactable é o clímax da inovação tecnológica de instrumentos musicais eletrônicos. Por mais que eu tente explicar o que é, é mais fácil visualizar o passo a passo:

Enquanto os técnicos montavam o palco, musiquinhas nipo-tibetanas rasgava nossos ouvidos. Coisas de Björk! Eu amei!!!

Os pés já falhavam, as costas já nos entregavam.
De repente, a Björk surge como uma santa, vestida de água-viva, com Katamaris na cabeça, tentáculos no vestido.

Ela foi ovacionada!

Earth Intruders foi uma marcha. A Björk ainda equilibrava sua voz. O instrumental ainda estava muito alto.
A pista ferveu. Era um mar de mãos, de cliques, de emoção.
Nem bem terminou a marcha e já começou outra (Hunter), a Björk abriu a roupa de água-viva, tirou o Katamari da cabeça e revelou um vestidinho à la Emilia do Sítio do Pica-pau Amarelo e soltou, literalmente, teias de aranha da palma de suas mãos: momento Spiderwoman.

Hunter e seus beeps e blops incansáveis evidenciou o toque de Midas de Mark Bell, o fantástico programador. Tava toda trupe da turnê Volta: Chris Corsano na batera, a banda de sopro com as garotas islandesas de bandeirinha na cabeça…

…Pagan Poetry trouxe uma batida destruidora, Desired “chata” Costellation, The Pleasure Is All Mine (música de trem fantasma), Jóga e Anchor Song numa roupagem metal inclassificável, Army of Me com direito a sintetizadores virtuais vetorizados na telão do palco, a explosão chamada Innocence (Storm!, Innocence foi espetacular, uma porrada na orelha – ela errou a letra – kawaii)…

Então ela me encantou com 5 Years. Que surpresa máxima!
As batidonas fodônicas de Innocence se transformaram em 5 Years.
A Björk estava uma menininha nessa hora. Ela levantava o dedinho e balançava, como se estivéssemos fazendo algo de errado e ela estivesse nos desafiando. Ela fazia carinha de moleca safada!!! I dare you…
Eu pirei!
Eu olhava pra Madá e não acreditava. A Madá olhava pra mim e não acreditava.

Aquele show de laser cortando os céus do Anhembi, a Björk dominando o microfone, o povo saindo do chão…
Aquilo tava pegando fogo, mas tinha aquela brisa maravilhosa pra refrescar…

E o show foi voando…
…Vökuro acompanhado com cravo trouxe um clima para relaxar e tomar fôlego para embarcar no momento seguinte.
Wanderlust veio para me lavar de sorte, já que essa palavra tem um significado todo especial para o meu atual momento…
Hyperballad começou linda com o sopro das islandesas, no final, a música que começara lenta ganhou batidas eletrônicas e o festival se transformou numa rave.

A rave se alastrou em Pluto.
Tudo o que era feito no reactable, era mostrado nas LCDs… Iniciativa nota dez da Björk!

Declare Independence foi algo inexplicável. Foi energia pura.
Foi o momento mais energético que eu já vi na vida. Dava choque!
Faltando poucos segundos para acabar o show, uma chuva de papéis picados criou uma das cenas mais chocantes e maravilhosas do festival.

Não adiantou nem a Björk agradecer em português. Bastou ela sair do palco e a tristeza bateu. Sabe-se lá quando a veremos por aqui novamente.
Ainda haveria show do The Killers, do Artic Monkeys e da Juliette, mas assim que acabou o show da islandesa, todo mundo se dissipou e muitos vazaram.

Tentamos encontrar os garotos, mas não havia mais ninguém por ali.

Com o coração cheio de realizações, fomos embora.

Cheguei em casa praticamente cedo, corpo cansado, sede fenomenal… Queria me desligar do 220v, mas havia recebido energia demais…
Fui me desligar lá pelas 4 da manhã.

Definitivamente Björk é show pra acontecer por si só. Infelizmente a islandeusa está cada vez mais participante em festivais. Acredito que é mais prático e economicamente interessante pra ela.
Para nós fãs é cansativo. Esperar dois shows desconhecidos antes do esperado é dose.
Não dá pra se concentrar em nada. Em dia de show da Björk, tudo o que a gente quer é assistir o show da Björk. Qualquer coisa no caminho, por melhor que seja, é obstáculo…
Só não fui de Vip por causa das outras bandas. Não pago R$400 pra assistir Björk e as outras bandas. Pagaria se fosse só Björk, mas com outras bandas e outros fãs ao lado realmente não é um bom negócio.
É certo que preciso considerar isso da próxima vez que for ao Tim Festival.

Por mais maravilhoso que tenha sido esse show da Björk no Tim Festival 2007, ele nem chega aos pés do que foi o show da Björk no Free Jazz Festival 1996!

Ps: Não, não. Dessa vez não encontrei a Björk no hotel, muito menos consegui entregar o encantado desenho de 1998.

3- Tim Festival

Após esperar 11 anos, finalmente chegou o dia de assistir mais um show da Björk.
Como sempre, havia muita gente interessante pra se conhecer. Na verdade havia realmente muita gente.
Encontrei a Madalena e seus amigos.
O Daniel Schmerz, o Junin e o Kurenaida eu só vi de longe.

Encontramos um lugar estratégico.
Pensei comigo: “-Daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Assistimos o Spank Rock, o Hot Chips… Mas esses shows só serviram pra nos deixar cada vez mais ansiosos. Pelo menos o som dos caras era muito bom, transformou o Festival numa Rave.

A tarde voou. O ensolarado dia deu lugar a uma noite agradável e após tanta chuva a semana inteira, nenhuma gota pra contar história.

Os fãs não paravam de chegar.
Dá pra se ter uma idéia da grandiosidade do evento:

Como disse, o bacana do Festival está justamente em se conhecer pessoas.
Fizemos ótimas amizades:

A Björk arrasou.
Ela entrou com seu figurino de medusa e evoluiu com seu vestidinho boliviano, meio Emília no País das Maravilhas… Coisas de Björk.

O set list evoluiu com as seguintes canções:

EARTH INTRUDERS
HUNTER
PAGAN POETRY
DESIRED CONSTELLATION
THE PLEASURE IS ALL MINE
JÓGA
THE ANCHOR SONG
INNOCENCE
VOKURO
ARMY OF ME
5 YEARS
HYPPERBALLAD
WANDERLUST
PLUTO
e
DECLARE INDEPENDENCE

Jamais imaginei que ela fosse cantar 5 Years. Foi uma porrada direta no coração. Essa música é especial demais.

A Björk berrou, dançou, pulou, virou e encantou até os amigos da Madalena, que deixaram bem claro estarem ali apenas por causa de Monkeys e Killers.

Foi inacreditável.
A islandeusa dominou, destruiu, emocionou.

Missão cumprida. Eu tinha medo de não conseguir ir ao show por causa da minha viagem, mas é o que sempre digo pros outros: “Em busca do sagrado, nada pode dar errado”.

Vou embora com mais essa super recordação.

A Björk eu já conheci.
Dois shows eu já assisti.
Falta agora a Islândia descobrir.
Faço isso em Junho de 2008.

Ps: Griffo, valeu.

2- É Hoje

Daniel Schmers, Kurenaida, Madá e Junin! Até daqui a pouco!
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De tudo ficará na memória o show da Bjork. O momento em que saíram de suas mãos umas teias brancas, feito um fogo de artifício fosco. Vai ficar esse videozinho na cabeça girando, girando, e depois guardado pra sempre. As meninas da Islândia fantasiadas, as bandeiras penduradas ao vento serão o pano de fundo. Parecerão todos uma trupe saída das 7 faces do dr Lau. Eu vi, só que ali, de frente pro lance. Com aquela cantora estupenda que é essa menina. Como canta, como dança. Eu não conheço o repertório da Bjork, conheço aquele filme triste Dançando no Escuro e as poucas coisas que tocam na TV.

Em cima do palco, ontem à noite, projetando seu inconsciente para nós afortunados que lotamos a marina da glória, Bjork esteve divinamente infernal. Ela dançava feito um passarinho exótico, extinto, de um reino perdido, num vestido dourado que fazia brilhar suas expressões e entrega. Cantava uma alegria angustiada, naquelas melodias de ventania, naquelas notas sufocantes. Uma delicadeza diabólica. Bjork não é contradição, é a coisa mesmo, carregados de opostos estamos nós. Ela está lá inteira. Dança com as mãos, com a voz e o vestido que lhe dá ares de super-humana-super-bicho, sendo um por causa do outro. As meninas fazem uma figuração tão estranhanhamente sedutora quanto os solos do pianista à direita. Ele ri sem graça quando as meninas dançamao seu redor, são dez meninas que tocam instrumentos de sopro, e ele não sabe como disfarçar-se. Hoje alguém me disse que tinham meninos também.

O mundo de Bjork é de confundir mesmo os gêneros. Um instrumento, a reactable, aparece no telão emitindo ruídos harmoniosos. Trata-se de uma mesa redonda e azul onde o instrumentista coloca cubos com desenhos simbólicos de filtro de ondas sonoras. Uma curva, um zigue-zague, um triângulo. E o som vai mudando de acordo como lugar em que ele as coloca e de acordo com a figura que escolhe. Bjork no centro do palco abre os braços e uma luz verde explode, já na metade do show, por cima de sua cabeça e pra frente. Os ouvidos vêem e os olhos ouvem. Aqui parece que tudo é uma coisa só. É a traição dos sentidos como os conhecemos. Perversa islandesa. No final apoteótico o passarinho encontra liberdade na afirmação. O galpão vira seu ninho e nós sua algazarra. Bjork de um lado pro outro do palco faz uma dança linda e com as palmas das mãos voltadas pra platéia evoca nossas asas. A música acontece e o lugar faz ares de que vai sair voando. E eles vão embora como se levassem com eles todo o colorido da noite enquanto papéis que dançavam no seu redor ainda caem em cima das nossas cabeças. Ficou até chato depois desse show alguma coisa arrebentar.

Soube que o velhinho Cecil Taylor, aos 78 anos, mandava ver no palco jazz, pelo amigo Kassin e pelo amigo Silvio Essinger. Vou ficar com os seus gestos e idéias na cabeça. O Silvio disse: “parece que é aleatório mas você vai ouvindo e ficando hipnotizado e percebe que tudo faz sentido”.. falou isso como que debruçado sobre um piano batucando vigorosamente. Se liga no que eu perdi:http://www.youtube.com/watch?v=cP5L8tjnB6w. Pude ver ainda o Hot Chip, promessa da amiga Ira do Cansei de ser Sexy, mas não dancei. Pra quem vê de longe, na miopia do desconhecimento, essa música é uniforme e não contempla a dolência dos nossos ventos. Prefiro o Cansei e suas cores.

Os cinzentos ArticMokeys entraram blasés como manda o figurino mas também não me animaram. Eu mesmo fiquei com uma peninha daqueles meninos por que eles pareciam tristes pra caramba. Os arranjos à Devo são bons. As guitarrinhas em stereo, alternando-se. Os riffs crus. Mas fica mesmo bom quando tem uma melodia assobiável ou um verso mais cativante, o momento em que o coração tem uma trégua de si mesmo. O que acontece em quatro ou cinco músicas. O pessoal estava gostando e fazia força pra cima.

Ainda peguei umas duas músicas da Cat Power mas achei um pouco sem expressão. Uma pegada country pra umas músicas com cara de já terem sido feitas. Foi a sensação. Mas depois de quatro ou cinco horas, e do show da Bjork, o ouvido não registra mais nuances e os calcanhares pedem arrego. Queria ficar pra ver os Vanguart por quem tenho muita simpatia, os Del Rey onde tocam meus amigos do Mombojó, e os Montage que não conheço. Para experimentar um show ali na beira da baía de Guanabara a céu aberto, de noite. Encontrei o Leco do Montage que me contou que ia ter o show. Mas a chuva não deu trégua e eu resolvi vir pra casa antes que caísse também. Soube hoje que fiz bem pois os shows foram cancelados. Fiquei cinco horas por lá e me diverti pra caramba com os muitos amigos que encontrei. Hoje vou voltar pra ver a Juliette, pra provar os churros que não comi e o que mais acontecer.

By Marcelo Camelo