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188- 13) Notre-Dame-Sacré-Cœur-Montmartre-Dame-de-Fer

Estar cansado já não significava mais nada.
Apesar de não conseguirmos flutuar, seguíamos nossa sombra…

Após ter andado o dia todo no maior museu do mundo, lá estava eu a bater pernas pela cidade luz.

Eu simplesmente ignorei o cansaço, bloqueei o estímulo da dor.
Liguei as pernas no modo automático e continuei a jornada.

Foi assim que consegui chegar até a Catedral de Notre-Dame e pude ter um vislumbre do que foi a idéia gótica no seu esplendor.

Formidável imaginar sua história!
1163! É muito tempo!

Contornamos a catedral procurando seus ângulos perfeitos.

Quando li “Um livro por dia – Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company de Jeremy Mercer”, tudo o que eu mais desenhava na minha mente era essa catedral.
A Notre-Dame era o cenário mais frequente nas aventuras do jornalista canadense.

Incrível como a Shakespeare and Company ficou escondida no meu subconsciente.
Incrível como eu me esqueci dela quando cheguei no cenário do livro.

Só fui me lembrar da famosa livraria quando o meu amigo Esfih@ perguntou pra mim se eu a havia encontrado.

4 noites em Paris é quase nada, acreditem.
Não dá pra se conhecer a cidade nem por cima.

Paris é muito profunda.
Passar por um lugar a noite e revisitá-lo de dia são outros quinhentos. Quando voltar à Paris, preciso me dar pelo menos 30 dias de férias.

Infelizmente visitei essa região às altas horas, sem a luz do grandioso sol.

Contornamos o Sena.
Caminhamos por lugares que mais parecem sair das páginas dos contos de fadas.

Felizmente a essa hora, a boêmia local criava ali uma atmosfera contagiante.
Os artistas, os aventureiros, os vagabundos e os turistas se confraternizavam de uma forma alegre e descompromissada.

Descobrimos as figuras noturnas. Interagimos com todas elas.

A amiga Gabis tinha lido em algum lugar, que haveria uma festa tradicional em algum ponto da cidade.

Oui Oui, como bons turistas em Paris, topamos peregrinar mais um pouquinho em busca da tal festinha.

Fomos caminhando despretensiosamente por ruas estreitinhas, vielas escuras, calçadas charmosas e quando dei por mim lá estava o mundinho de Amélie Poulain!

Montmartre!

Nessa hora vc precisa tomar fôlego, pq há muito em jogo.
Um filme como esse realmente te faz ver as coisas com mais cor.

Foi quando chegamos a Sacré-Cœur…

… e descobrimos que a festinha seria no dia seguinte.

Mas pra quê festa?
Aquilo ali já era o melhor presente!

Fiquei brincando com a câmera e seus diferentes tempos de exposição.

Ver Paris do alto da montanha de Montmartre é casar-se com a cidade.

Demais, não?

Cadê a Amélie?

Foi quando eu entendi pela primeira vez como seria difícil ir embora de Paris.

E a Lua de Mel vem logo em seguida, descendo graciosamente pela Funiculaire.

O mais legal é comprovar que o seu bilhete diário do metrô serve aqui!

Os amigos suíços demoraram, mas finalmente sentiram o cansaço pesar seus calcanhares.
A Gabis já não conseguia mais andar. Descalçou seu sapatos e foi se arrastando.

Nossa energia ainda circulava.
Afundamo-nos no metrô parisiense e fizemos uma grande bagunça pela esteira rolante:

Separamo-nos dos amigos e corremos até o Trocadéro para registrar a Dama de Ferro com suas luzes dançantes.

Para nossa sorte o metrô fechava mais tarde!
Fizemos a festa e ainda deu tempo de comer crepes.

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187- 12) Musée du Louvre

Algo que planejei bastante nas roupas que levei e nas que comprei pela Europa, era que elas precisavam ser coloridas: para expressar meu estado de espírito; descontraídas: para exaltar a minha felicidade e confortáveis: para agüentar um dia inteiro de turismo desenfreado.
A sobriedade pastel que esteve presente há tanto tempo nas minhas roupas, eu havia decidido deixar bem guardada em casa.

Vestir-se de brasilidade na França funcionou muito bem.
O verde e o amarelo provocaram em todos os parisienses a docilidade e a simpatia para conosco.
Não importava o que perguntássemos, pra quem perguntássemos, onde perguntássemos, éramos muito bem tratados e recebidos.

Ir colorido à Europa foi muito mais do que vaidade, foi uma sábia escolha.
Não houve um único lugar onde encontramos as portas fechadas.
Não houve um único lugar onde fomos recebidos com descaso ou pouco sorriso.

E nem sou assim tão enaltecedor a ponto de me vangloriar ser brasileiro.
Não sou exemplo de fiel torcedor de futebol, empenhado conhecedor do nosso folclore, freqüentador bronzeado das praias mais tropicais… Não tenho nenhum amor desproporcional pela política do meu país ou longe de mim ser um daqueles defensores das nossas cada vez mais despidas florestas.
Nunca fui de tocar cornetas quando o Brasil fez um gol ou de balançar a bandeira quando ganhamos a Copa do Mundo, mas pela primeira vez, senti a necessidade que as cores com as quais me vesti fossem meu cartão de apresentação, a bandeira que carregaria por onde passasse.

Sou o brasileiro mais fajuto do mundo e acho que isso deve bastar.
Longe de qualquer jactância ou bazófia fashionista, fi-lo porque realmente qui-lo.
Ser um periquito nas ruas de Paris fez todo o diferencial.

Assim, brasileiríssmo, cheguei com a irmã e os amigos ao Arco do Triunfo do Carrossel que nos apresentaria o Louvre.

Logo a frente estava o Jardin du Carrousel e pudermos ter um vislumbre do monstro que é o Palais du Louvre, o colossal complexo de prédios que abriga o museu mais famoso do mundo.

O Palácio do Louvre é uma estrutura quase retangular, composto pela praça do Cour Carrée e duas alas que envolvem o Cour Napoléon a norte e ao sul.
O museu é dividido em três alas: a Ala Sully a leste, que contém a Cour Carrée e as partes mais antigas do Louvre, a Ala Richelieu ao norte e a Ala Denon, que faz fronteira com o Rio Sena para o sul.

Não dá para não se sentir intimidado.
O Louvre é um museu conhecido pela fama de que para se conhecer tudo que há nele, um dia só é pouco.

No coração do complexo, está a Pirâmide de Leoh Ming Pei, acima do centro dos visitantes.

Ela é deslumbrante e celebra muito bem a fase da ampliação do Museu do Louvre.
A Pirâmide e seu átrio subterrâneo foram inaugurados em 1988.

Ficamos pulando de alegria lá do lado de fora.
A Ju foi a única que conseguiu voar.

Nós estávamos tão contentes que esquecemos do que nos esperava.
Após comprarmos nossos bilhetes, afundamo-nos Pirâmide adentro para o subterrâneo do museu, não sem antes contemplar por dentro da grande obra de vidro do arquiteto norte-americano de origem chinesa.

Aquilo tirou meu fôlego.
Eu já podia imaginar as maravilhas da arte que me esperavam naquele museu, mas pra mim, a maior obra-de-arte era a Pirâmide em si.

É raro encontrar alguém que não aprecie a Pirâmide do Louvre nos dias de hoje, mas houve um tempo que ela foi duramente criticada. Os mais conservadores alegavam que ela arruinaria a harmoniosa perspectiva entre o Louvre e o Arco do Triunfo.
Na minha opinião, ela criou a harmonia arquitetônica perfeita entre o moderno e o antigo.

O Louvre passou dos 3 milhões de visitantes anuais de 1989 para os 8,5 milhões em 2008.
Depois da Vênus de Milo e da Mona Lisa, a Pirâmide do Louvre ocupa o terceiro lugar no ranking das obras mais apreciadas pelos visitantes do museu.

Queria muito fotografá-la a noite.
Até pensei que teríamos outra noite para fazer isso nessa Eurotrip, mas não contávamos com as milhares de possibilidades e programas que Paris oferece aos seus visitantes.
Não houve a menor possibilidade de voltar lá.

Eu deixei bem claro para todo mundo, que era meu desejo marcar um horário de encontro e que cada um seguisse solitariamente a sua peregrinação cultural, mas a Ju me acompanhou assim mesmo.

Quando o assunto é museu e obras de arte, cada visitante tem um tempo, uma velocidade de apreciação…
As pessoas tem interesses singulares, preferências distintas…
As obras atingem cada um de nós de maneiras diferentes.

Por sorte, o meu interesse cultural era muito parecido com o da minha irmã e conseguimos não nos perder tanto assim um do outro.

Começamos nossa peregrinação pelo labirinto cultural.

Nem bem começamos e já encontramos ela, a original Vênus de Milo.
A famosa estátua que representa a deusa grega Afrodite (amor sexual e beleza física), ficou tempo demais perdida em informações escolares dentro da minha cabeça.
Lembro-me muito bem da excursão com a escola ao Liceu, onde nos foram apresentadas às estátuas mais importantes do mundo.
A da mulher sem braços foi a mais inesquecível.

E pensar que pela estátua apresentar os braços e as mãos danificados e separados do corpo, quando encontrados em 1820 na Ilha de Milo no Mar Egeu, eram de muito pouco valor para que os atarefados marinheiros voltassem atrás para recuperá-los.
O único consolo é saber que as estátuas gregas dessa época, muitas vezes não recebiam acabamento por igual em todas as partes, o polimento mais fino era reservado apenas às partes mais visíveis.

De qualquer forma, réplica das lembranças escolares ou a original no Louvre, ela causava a mesma impressão que me causou décadas atrás: sua beleza era perfeita e a ausência de braços a deixava mais bela.

No final da monumental escadaria Darú, lá estava ela.
Pra mim, uma das estátuas mais misteriosas e poderosas do mundo: a Vitória de Samotrácia, ou Niké de Samotrácia, a representação da deusa grega Niké.

Desde 1883 ela repousa suas resistentes asas no final da escadaria.
Apesar dos seus significativos danos e de estar bem incompleta, é uma das maiores sobreviventes do Período Helenístico e mostra grande maestria em suas formas e movimento.

Não poderia haver melhor lugar para se colocar tal tesouro.
Por representar uma figura de proa, usada nos navios para afastar os males e cortar os perigos dos mares, ali estava a bela escultura no topo de uma escada, quase voando, molhada, cortando o vento além dos mares desconhecidos…

Lembrei-me de quando eu ia à proa do Costa Victoria no crossing pelo Oceano Atlântico e me perdia em pensamentos.
O bico do navio rasgava aquele mar azul num barulho mais poderoso que mil trovões e nem por isso eu sentia medo.
O vento fazia a pele querer sair do corpo e as lágrimas escapavam pelo canto dos olhos.

Por que essa estátua me fazia lembrar dessa experiência?

Eu quase não fui capaz de descobrir qual de suas asas era fruto de restauração, mas hoje percebo como a Nike foi feliz em adotá-la como inspiração para seu logo em forma de asa.
Eu quase não sentia falta da sua cabeça, mas podia imaginar na sua face, como estariam os cantos dos seus olhos e o movimento de seus cabelos.

Sentei-me em vários bancos.
Se houvesse um lugar pra se sentar, lá estava eu.
Acho que esse é o segredo de resistir aos quilômetros do Louvre.

Lógico que tem uma hora que vc não vai querer ver mais nenhum quadro na sua frente, mas tive Artes Visuais I, II, III… XV na faculdade…
Tudo o que eu via lá no museu, em alguma oportunidade já me fora apresentado em sala de aula nos encardidos slides da nossa doce professora, cujo nome não me vem à cabeça.
Eu e alguns amantes das artes, quando não dormíamos em aula, estávamos atentos a lição do dia do mesmo modo que sonhávamos viajar à Europa para poder ver todas essas obras originais.

Sentar-se além de descanso, era também um bom exercício de reparo. Reparo físico, espiritual. Um momento para reparar nos outros visitantes.
A sortuda população frequentadora do museu era muito curiosa: estudantes rabiscando suas pranchetas, fotógrafos girando suas imensas lentes, amantes de arte discutindo em idiomas que vc nem sequer sabe que existem, velhinhos apaixonados com seus andadores, asiáticos bonitinhos com suas famílias bonitinhas, inglesas magras com blusas gordas, americanos bem comportados, francesas bonitas, estranhos alemães…

Gente simples com guia auditivo, gente sofisticada com guia exclusivo…

Sentado no meio daquele museu, tive noção do tamanho da minha sorte.
Estar cercado por tesouros tão familiares não é para qualquer um.
Eu estava no meio do El Dorado, rodeado pelos tesouros mais fantásticos que o mundo já conhecera.

Seguimos a corrida ao tesouro a passos de tartaruga.
Reparamos uma aglomeração logo à frente e descobrimos o porquê.

La Gioconda.

A maior atração do Louvre também é uma das menores.
Vc não consegue nem estudar o sfumato de tão distante e protegida que a pintura está.

De alguma forma, mesmo sendo tão pequena, ela consegue despertar uma imensa curiosidade.

Seu sorriso enigmático não preenche a sala exclusiva de 200m² e seu valor pode ser bastante questionado.
A verdade é que as pessoas se acotovelam para tentar chegar o mais perto possível da bela dama.
Ela é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, o quadro mais valioso de todo o mundo.

Leonardo da Vinci que me perdoe, mas não vou gastar muito português para detalhá-la com precisão, muitos historiadores, cientistas e até mesmo os computadores da Universidade de Amsterdã já o fizeram e com profundidade.
Fico contente em dizer que ela não me impressionou em nada, já minha irmã…

Se o sorriso da Mona Lisa não conseguiu me impressionar, o olhar por outro lado…
Muito pouca gente olha para o quadro que a Mona olha o dia todo.

O quadro em questão é “As Bodas de Canaã” de Veronese e é o maior quadro existente no Louvre.
É nele que está retratada a transformação da água em vinho por Jesus Cristo.

De um lado a pequena Mona, do outro Jesus.
Os olhares que ambos projetam entre si parece ignorar a orda de turistas que se ondulam como um mar de cabeças.

O quadro de Jacques-Louis David, Consagração do Imperador Napoleão I e Coroação da Imperatriz Josefina na Catedral de Notre-Dame de Paris, é um exemplo claro de hierarquia.
A maneira como estão dispostos os personagens na pintura, encomendada por Napoleão, leva o observador a seguir uma sequência bem definida.
A Jussara pirou com essa obra. Conhecia essa história ao pé da letra.

Seguimos por corredores e salões.
Tetos decorados, afrescos e pinturas…

Foi quando alguém chegou muito perto da coroa e o alarme soou.
Grades surgiram nas saídas e ao redor do tesouro.
Um exército de funcionários aglomeraram-se às portas e tivemos que aguardar a confusão passar.

A Ju pensou estar gravando tudo, mas não havia apertado o botão de REC.
Perdemos!

Seguimos ao Egito antigo.
Depois da Pirâmide de Vidro foi o que mais gostei no Louvre.

Andamos como os egípcios.

Banhei-me nessa rica e antiqüíssima cultura.

A Ju incorporou Cleópatra.

Dá pra entender porque o Egito rompeu vínculos com o Louvre.
Por mais que tudo esteja perfeitamente protegido e bem exposto, é inquietante a sensação de roubo.

O subsolo do Louvre é um lugar sombrio, frio e úmido, onde dá para ver parte da muralha externa do castelo e o fundo do fosso.

Se a pequena Esfinge, isoladinha ali, já era tão magnífica e misteriosa, como seria ver a gigantesca Sesheps no planalto de Gizé?
Algo pra se descobrir num futuro próximo. Ser um pouco mais sortudo…

Entre uma ala e outra, algumas dimensões paralelas.

Influência, referência, repertório…

Assim caímos nos sarcófagos.

O que dizer deles?
Dá pra entender porque são literalmente conhecidos como comedores de carne.
Envolviam o corpo morto e conservado para que o espírito pudesse regressar e juntar-se a ele novamente, numa nova vida.

Havia muitos desenhos talhados na pedra.
Todos os sarcófagos eram ricamente desenhados.
Os desenhos representavam deuses que ajudariam o morto em sua viagem ao outro mundo, além de identificar a classe social da família do falecido.

Mórbida curiosidade.
Não consegui me mover dali sem antes me perder em viagens no tempo.

Estudava-os silenciosamente.

Como os homens podem ser tão fantásticos com seus ritos?

Somos todos do mesmo planeta e ainda assim somos tão diferentes…
Somos todos inspirados por uma força divina e ainda assim acreditamos em coisas tão diferentes…

Era quase inacreditável imaginar o corpo morto dentro desta pedra trabalhada.

Da mesma maneira que ao virar um corredor encontramos os sarcófagos, da mesma maneira a encontramos.
A vida inteira assisti vários filmes sobre ela. Jamais pensei que faria um:

Estar diante de uma múmia do Egito Antigo me fez pensar além da vida, me fez pensar no poder da ressureição.

Fez-me pensar no processo da mumificação osiriana: no cérebro sendo escorrido pelas narinas, do abdômen sendo aberto e todos os órgãos sendo retirados, embalsamados e colocados nos canopos.

Eu podia imaginar aquele pequeno corpo sendo preenchido com saquinhos de natrão em repouso para que seus líquidos escorressem.
Enterrado por 72 dias… O sal absorvendo todo o líquido do corpo.

Depois disso, com o corpo já escurecido e ressecado, o enxerto de resinas, aromas, perfumes, bandagem e pó de serra para dar conformação ao corpo.
A costura do abdômen e a placa mágica.
Enfaixamento com metros e metros de tiras de pano de linho com goma arábica e a cada volta, amuletos e colares.
Só então a múmia está pronta para o enterro.

Claro que o processo não se compara à injeção de essências e de vinhos corrosivos que as múmias mais pobres levavam através do ânus, isso sem falar do tampão! Hehehe…

Mas se fosse Faraó, cozinhava-se a carne até desprender dos ossos. Esses por sua vez, eram pintados de vermelho e enfaixados, fazendo-se uma estocagem na múmia com gesso.

Vida de múmia egípcia não era nada fácil.

Eu mal podia acreditar nos meus olhos! Havíamos conhecido uma múmia de verdade e eu nem me lembrava que já devia estar desidratado.
Eu esquecia de beber água, eu esquecia de comer, esquecia que estava com fome!

“-A gente chegou a comer alguma coisa no Louvre, Ju?” – juro que não lembro.

Fomos seguindo, sempre com passinhos de formiga, nunca sem vontade.

Encontramos painéis fabulosos pelo caminho.

A Ju incorporava o espírito guerreiro.
Eu desejava ter olhos na nuca e nas orelhas.

Atingimos a Ala Sully e pelas antigüidades do Irã encontrei o Chapiteau d l’Apadana.
Baaaaaaaaaaaaaah, pára tudo!
Como pôde existir um lugar no mundo que abrigou em algum momento nessa louca linha do tempo uma coluna assim?

Existiu.
Essa coluna fazia parte das ruínas do colossal templo da Apadana, na antiga cidade de Persépolis.
A construção da majestosa obra foi principiada por Dario, o Grande e concluída no século V a.C. por Xerxes.

Trinta das setenta colunas, juntamente com as duas gigantescas escadas sobreviveram às invasões do filho da puta Alexandre, o Grande e à deterioração do tempo.
Vinte e nove de trinta, porque uma estava lá no Louvre.

Em certos momentos, a Pirâmide de Vidro aparecia lá fora, bela, harmoniosa.
É como se ela olhasse pra mim e dissesse: “-Seu sortudo filho da mãe!”…
Hehehe…

Foi quando me dei conta das horas.

Elas haviam passado sem que percebêssemos.

O cansaço puxou meu corpo pra baixo.
Tomei fôlego, afastei-me da janela e mergulhei na parte do museu que se parece com um jardim de inverno.

A atmosfera é a mesma de se estar ao ar livre.

Encarei dois dos Quatro Cativos.

O eminente escultor holandês Martin Desjardins sabia como gerar impressões colossais.
Cada rótula do joelho desses gigantes era maior do que a minha humilde cabeça.

Como naqueles antigos filmes mitológicos da Sessão da Tarde, eu era capaz de imaginar os Cativos se movendo em Stop Motion.
Cada elemento representando uma das nações vencidas no Tratado de Nimega, expressando uma reação diferente à captura: revolta, esperança, resignação e mágoa.

Fui me arrastando através do Cour Puget até encontrar posada. Só fui perceber o registro em vídeo quando já estava completamente torto.
O cansaço era bem evidente.

Amém.
O resto do museu fica para uma próxima visita.

Não sei como chegamos lá, mas encontramos um corredor cheio de lojas inacreditáveis.
Havia todo o tipo de lojas de lembrancinhas do museu, tudo muito caro e de praxe.
Havia uma loja muito interessante de artigos natureba, gastei um tempão nela.
Havia uma Virgin Megastore… Nos perdemos de verdade lá dentro… A Ju gastou seus euros em canetas caríssimas que estavam baratíssimas, segundo ela. Eu tava quase levando um Wii ou um PSP, mas resisti bravamente, era olhão, nem tava precisando.
Ah, tá certo, a gente sempre tá precisando dessas coisas, deveria ter trazido. Hehehe…
E havia a Apple Store que ainda não tava pronta.

Juntamos toda a força que ainda nos restava e fomos dar uma de Dan Brown.

A segunda fase do plano do Grand Louvre, La Pyramide Inversée (A Pirâmide Invertida), foi concluída em 1993.

A Pirâmide de cabeça pra baixo fez com que eu perdesse o fôlego mais uma vez.
Esqueci-me de tudo. Não havia mais dores.
Fui até ela como criança vai ao brinquedo.

Equilibrei-me. Contorci-me.

Corri com os bolsos cheios de manuais, capa da máquina, documentos…
Posicionei minha mão entre a Pirâmide Invertida e a Pirâmide de Pedra estacionada no chão.

As primeiras fotos fizeram meus bolsos da calça parecerem enorme nádegas. Parecia que eu estava ao contrário!!!

Por sorte constatamos o problema com os bolsos, eu os esvaziei e tiramos outras fotos.
Na realidade, tiramos várias.

Colocar a mão no ponto onde as pontas das duas pirâmides quase se tocam é viciante.
Não dá pra fazer uma única vez.
A energia que aquele espaço gera é pura alegria.

Antes da gente, japoneses, ingleses, americanos e todos os demais aproximavam-se das Pirâmides, em pé, sólidos como rocha enquanto seus conhecidos os fotografavam.

A gente queria interagir com a energia das Pirâmides.
Nem sei se era praxe tirar a foto do jeito que tiramos, mas depois que colocamos a mão lá, os japoneses, os ingleses, os americanos e todos os demais embarcaram na nossa e refizeram suas sessões fotográficas.

O cálice e a lâmina, a união dos sexos. A ficção do autor de O Código Da Vinci podia muito bem confundir a realidade.
A Pirâmide de Pedra pequena, para qualquer pessoa que como eu tem alguma imaginação fértil, realmente lembra o vértice de uma pirâmide maior (possivelmente do mesmo tamanho que a Pirâmide Invertida acima), embutida no chão, como uma câmara secreta. A câmera onde descansaria o corpo de Maria Madalena. Hehehe…

Depois que cansamos de brincar de Robert Langdon e Sophie Neveu, fomos encontrar os amigos.

Ainda havia tanto para se ver…
Nesse momento vc se dá conta de que é impossível ver tudo o que o museu tem.

Fiquei com raiva do Louvre.
Comentei com o amigo suíço esse egoísmo francês de querer concentrar todos os tesouros num único lugar.
Só de pensar que ainda tem tanta coisa lá que não está exposta, simplesmente porque não há mais lugar pra isso…

Tá certo que um negócio desses é uma plantação de árvores com frutos de ouro para a economia do país, o El Dorado para os turistas, mas o Louvre é desproporcional, é um exagero de museu, dá raiva.
A idéia de pedir para Papai Noel distribuir um pouquinho de tesouros para museus menores ao redor do mundo pipocou na minha cabeça. Vou pedir isso neste Natal.

O amigo disse que o “egoísmo” francês poderia ser interpretado pelos franceses como “orgulho”.
Compreendi a colocação.

Eu respirei inspiração, eu voltei no tempo a cada sopro.
Sinto que se pudesse tocar essas peças com a ponta dos dedos, eu poderia de alguma forma ter alguma visão, algum resquício de história que ficou incrustrada em algum sulco da massa ou pedra. Tentei em muitos momentos enxergar a alma dessas obras, alguma atmosfera que brilhasse diferente, uma luz divina…
Encontrei e encontro todos esses fragmentos perdidos olhando agora para as fotos, escrevendo sobre elas, relembrando esta peregrinação.

Ir ao Louvre deveria ser direito de todo ser humano vivente nesse planeta.
Conhecer o Louvre é a peregrinação mais importante que podemos fazer nesse nosso tempo.
Eu espero repetir essa experiência mais vezes.

186- 11) Tour à la Tour

Alguns esperam menos, outros esperam mais.
Eu esperei 33 anos por este momento.

Acho que sonhei com isso a vida inteira.
Estar aos pés da Torre Eiffel.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de estar embaixo de uma torre treliça de ferro do século XIX.

(Ps: A bichinha tava seca por um pão francês, não queria nem ouvir falar em croissant. Queria achar uma baguete. Hahahaha)

A Dama de Ferro é impressionante!
Se hoje ela é capaz de causar tamanha excitação em mim, o que ela não provocava nas pessoas na época que foi construída?

Há muita magia na região do Champ de Mars.
Mais do que subir a torre, eu tinha uma curiosidade absurda em caminhar por essa região do Champ de Mars e explorar melhor a base onde a torre está instalada.

Não conseguia entender como um elevador podia subir lateralmente.
Ficava imaginando por onde as pessoas entravam, por onde elas saiam, se as filas eram muito grandes, qual o tamanho do elevador, como a luz do sol entrava pelas treliças…
Como seria olhar de lá de baixo para o topo da torre…

Fiz tudo isso e posso dizer que foi o máximo.

A Torre Eiffel é absurdamente estonteante!

A manhã que emoldurava a torre estava fria e úmida.
Decidimos deixar pra subi-la no final da tarde, para contemplar o pôr-do-sol e ver a cidade luz como ela deveria ser vista.
Se o tempo insistisse em permanecer ruim, deixaríamos para o outro dia.

Atravessamos a Quai Branly e seguimos pela Pont d’léna até a Place de Varsovie.

Subimos a ladeira até o Trocadéro, claro, olhando sempre pra trás.

Então eu compreendi: é no Trocadéro que temos a Torre Eiffel como a conhecemos.
Este é o melhor ângulo! É como o mundo a enxerga.
Ouso a dizer que é até melhor do que estar aos seus pés.

Ainda assim é difícil enquadrá-la.
Por mais que vc se afaste, há sempre uma parte da torre que nunca se enquadra na foto.

Barbaridade! Não seria fácil apagar este momento da minha memória!

Tirei várias fotos com a câmera, mas me concentrei em tirar uma “mental picture” comigo mesmo e gravei fundo esse momento nas gavetas do meu cérebro.

Gastei bastante tempo sentado sozinho admirando a Dama de Ferro. Um momento meu, que eu esperei por tanto tempo.
E pensar que neste mesmo ano (2009) ela estava completando 120 anos!

Um sentimento de respeito máximo queimou meu peito em favor aos homens que ali trabalharam.
Fiquei quieto, perdendo-me em pensamentos e devaneios, imaginando histórias dos que trabalharam para colocar aquela maravilha em pé.

Como devia ser subir a ladeira para o Trocadéro, dia após dia, acompanhando a construção da torre nesse lindo horizonte?

Gostaria muito de ter encontrado algum idoso desses bem faladores.
Com certeza um velhinho parisiense bem orgulhoso de sua Dama, que tivesse alguma história herdada pelos seus pais pra me contar.
Só posso imaginar como esses dois longos anos de construção devem ter sido bacana para quem acompanhou do horizonte e perigoso para quem acompanhou de lá de dentro.

Como um ser humano pode pensar algo tão extraordinário?
Como um ser humano pode construir algo tão ousado e até hoje contemporâneo a ponto de conquistar todos os corações?

Pensar tudo isso ali já estava me deixando louco, repensar isso aqui vai me deixar maluco!
É muita magia misturada ao passado e ao presente de uma forma que eu nunca havia experimentado.

Por muito tempo ficamos no Trocadéro.
Eu nem me lembrava mais de sentir frio ou do gelo que estava a pedra onde eu havia sentado. Tudo estava perfeito!

Observava os elevadores indo e vindo no corpo da Dama, provavelmente levando funcionários, pq a visitação ainda não estava aberta para os turistas.

Todos tiveram suas fotos tiradas e seus sorrisos registrados.

Eu havia levado um pouco das cores da nossa bandeira nas minhas roupas e não demorou muito para os vendedores nos abordarem em português.

Eles eram feras na arte de vender chaveirinhos para os turistas.
Com sua ginga, descobriam rapidamente a procedência dos seus futuros clientes e ligavam a tecla SAP para conquistar todos com muita simpatia.

Eles estavam negociando chaveirinhos com o Phil e a Gabis quando a Ju, graciosa e perigosa, invadiu o pequeno comércio formado entre eles.

Ela barganhou tanto, mas tanto, que deu dó dos vendedores.
Ela deve ter comprado umas 50 mini torres e ganhado outras 50.

Fomos todos para o Jardin des Tuileries, mas só a Gabis teve tratamento especial.

Com seu jardim no estilo francês, formal e simétrico e suas estátuas ornamentais, o que realmente nos cativou neste jardim foram os monstros malucos à la “Tim Burton meets Studio Ghibli” que estavam em exibição.

Não resistimos a brincadeira e adotamos todos eles.

Os monstros nos dispersaram num primeiro momento, mas a beleza simétrica do jardim não podia ser ofuscada por muito tempo.

Nos perdemos entre as folhas de Outono.

Pensei muito em minha mãe ao apreciar a cor das árvores. Nada poderia impressioná-la mais.

O caminho certo é por ali… Não, não! É por aqui…

Fomos aos poucos encontrando nosso caminho.
O caminho que nos levaria até o Louvre…

…Mas æ já é assunto pra outro post.

Nossa tour começou na torre e estava longe de terminar.
O dia 9 de Outubro de 2009 começou muito cedo e acabou muito tarde.

Pelo caminho, ainda me pegava pensando na Dama de Ferro.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de tirar suas próprias fotos, de gravar seus próprios filmes.

5 anos, 20 anos, 33 ou 90. Não há idade para se viver experiência mais mágica.

185- 10) La Ville-Lumière

Caminhamos muito.
Desde o Arco do Triunfo, passando por toda a Champs-Élysées, alcançando o cruzamento da Franklin D. Roosevelt para então entrar na Wiston Churchill e passar no Petit Palais.

O frio era constante e os pés estavam tão doloridos que parecia que eu estava andando descalço.
Por mais doloroso que fosse caminhar, mesmo que em marcha reduzida, o prazer em descobrir lugares perfeitos a cada quarteirão avançado era por demais viciante e o melhor remédio para tanta dor.

Foi assim que me apaixonei por Paris.

Como era possível estar tudo pronto? Tudo construído com maestria e capricho?
Estava tudo pronto, estava tudo lá!

É completamente maluco vc ir descobrindo isso a cada passo dado.
Uma cidade luminosa, cheia de monumentos e construções lindas equilibradas com jardins maravilhosos…
Pra tornar aquilo mais perfeito ainda, o clima de Outono, as folhas de Outono, o humor e o sentimento que essa estação provoca nas pessoas.

Eu estava apaixonado por cada canto descoberto, por cada rua, por cada avenida.

Foi quando a noite nos atingiu.
Estávamos cruzando a belíssima Ponte Alexandre III, que é muito mais que uma simples ponte.

Eu amei andar pela Ponte de Westminster em Londres, mas cruzar a Alexandre III era muito mais especial.

A Ponte Alexandre III é a ponte mais bonita e emblemática de Paris. Com seu estilo Art Nouveau, ela intrega um conjunto arquitetônico maravilhoso do qual fazem parte o Grand Palais e o Petit.
Os três foram construídos para celebrar e abrigar a Exposição Universal de 1900.

Além de linda, foi importante também para o ponto de vista arquitetônico e de engenharia: foi a primeira ponte pré-fabricada a ser transportada para o local, onde foi instalada com guindastes.

Uma das exigências do projeto foi de não interromper as vistas para Invalides e Champs-Elysées, o que resultou numa ponte especialmente baixa e larga, com 107,5 metros de comprimento e altura apenas de 6 metros.

Lógico que eu não tinha todas essas informações ao passar por ela, mas naquele momento isso não era tão importante, ela me impressionou do mesmo jeito.

Era final de um dia comum. As pessoas voltavam para suas casas bem protegidas do frio, dentro de seus carros quentinhos.
Vi um deslumbre da Torre ao fundo e não resisti.

A todo instante ela nos lembrava de que estávamos sob sua proteção. É um enorme amuleto mágico, que de vez em quando, dá uma olhada na gente de longe.

Paramos por um momento pra tentar capturar a atmosfera daquele lugar e eu desejei poder passar por ela numa próxima oportunidade, de dia, ainda nessa Eurotrip. Claro que isso não seria possível.

Parei para contemplar o Rio Sena. Mais um rio famoso pra se lembrar em dias futuros.
Que paz! Que sorte os parisienses tem!

Um Bateaux-Mouches passava no exato momento. Registrei-o, mas não fiquei com muita vontade de navegar o Sena. A experiência em ir até Greenwich pelo Tâmisa foi um tanto quanto cansativa.

Queria mesmo era pegar uma bicicleta e sair pedalando por todos esses lugares, mas isso é uma coisa pra se fazer de dia e no verão. Quem sabe numa próxima Eurotrip… É, definitivamente numa próxima Eurotrip!

A cidade luz faz jus ao seu nome.
A iluminação noturna em Paris é um charme só e um convite para uma gostosa caminhada.

O frio tinha atingido níveis insuportáveis e a Ju estava apenas com aquele vestido fino e nada mais.
Briguei muito com ela. Ela tinha pego todo o frio no topo do Arco do Triunfo… Isso não poderia resultar em boa coisa…
Teimosa como sempre, ela não arredou o pé em dizer que estava tudo bem, assim como não aceitou nosso agasalho.

Fomos caminhando como podíamos e atravessamos a ponte.

Paris é uma declaração de amor aos olhos.
Nossos ouvidos são agraciados com aquele som distante dos tocadores de acordeão nas esquinas.
Nossos narizes são desafiados a todo instante pelos cafés e padarias.
E aquele frio charmoso rasgando nossa pele…

Encontramos uma vitrine muito convidativa do outro lado do Sena.

As meninas não perderam a oportunidade de tirar um sarro.

Sofisticadas e engraçadas, o ensaio foi um dos momentos mais fashion do passeio.

Meninas malucas.
A brincadeira foi tão espontânea, que as pessoas que passavam ao nosso lado aprovavam com interesse.

Afundamo-nos na primeira estação de metrô pra descansar meia horinha no nosso Hotel, desfazer as malas, tomar um banho muito muito quente, apanhar agasalho pra Ju e então sair pra jantar.

O Phil nos levou pra comer carne, como ela deve ser realmente saboreada.

Juro que queria ter tirado uma foto do enfeitado prato, mas me contive, afinal de contas, era nosso primeiro jantar francês e não podíamos cometer deslizes.

O bife tinha um sabor fantástico mas nem de longe superava a carne brasileira. Veio acompanhado por uns molhos deliciosos que eu nem imagino do que foram feitos. Havia ainda uma porção de vagem bem verdinha e temperada suavemente, uma salada espetacular e as originais French Fries, as mais crocantes e saborosas que eu já comi.
Pra não fugir muito do praxe, pedimos Coca-Cola.

Passamos muito tempo para saborear tudo o que nos foi trazido.
A conversa com os suíços foi tão deliciosa quanto os pratos.
Foi um jantar muito agradável e nada barato.
Saímos de lá satisfeitos. Não houve espaço para sorvete e eu resisti em não tirar fotos dentro do restaurante. Só o fiz porque o Phil pediu.

Os suíços não estavam cansados como nós estávamos. Tinham acabado de chegar de Berna, uma cidade completamente serena e cheia de paz. Estavam loucos por diversão.
A gente estava há 4 dias andando loucamente pelo subterrâneo e pela supefície de Londres. Assim sendo, nossas pernas já estavam bem gastas e toda a canseira se acumulou neste dia.
De qualquer forma, depois do jantar, nos pegamos passeando com os amigos pelos arredores do nosso bairro: Strasbourg – Saint-Denis.

Fomos tirar foto perto do pequeno Arco, na Boulevard Saint Denis e nos empolgamos.

Por mais que estivéssemos fechando os olhos, ainda precisávamos entrar em contato com o pessoal daqui do Brasil.

Conversamos mais algumas horas com os amigos sem sono e só então mergulhamos merecidamente numa cama quentinha, num quarto encarpetado e bem protegido do frio lá de fora.
Não houve brecha nem para sonhar.

Créditos Ponte Alexandre III: Arnaldo Interata

184- 09) Paris, Je Suis Brésilien

Chegar a cidade luz pelos trilhos é curioso e nada glamouroso.
Tudo o que vc vê ao entrar na França são subúrbios feios com muros e construções pichadas, edifícios velhos com pinturas descoladas e com suas sacadas cheias de roupas no varal…
Há uma escrachada falta de beleza nas ruas das cidades que margeiam a estrada de ferro…
Não há nada lá fora que seja muito interessante, não pelo menos ao redor dos trilhos.

Impressionante como uma vez que vc sai da escuridão do Eurotunnel pela região do Calais – norte da França, chegar em Paris é realmente muito prático e nada demorado.

Trens poderosos se mostram rasgando os trilhos ao lado na direção contrária e aos poucos, o desinteressante vai deixando de ser desinteressante.

Há uma certa bagunça bem brasileira nas ruas que vemos pipocar pela janela do trem.
Talvez essa observação se dê pelo fato de tudo ser irritantemente perfeito em Londres e estarmos vindo maravilhados demais de lá.
Por mais que a França seja um país de primeiro mundo, há muita distância entre essa impecabilidade urbana londrina, pelo menos nessas cidades que vi passar ao horizonte.

Consigo ler “Paris” nas primeiras placas ao alcance dos olhos próximo aos cruzamentos que cortam os trilhos do trem.
Sinto o poder desse nome de uma forma diferente.

É engraçado quando o nome de um lugar deixa os livros de História e as revistas de turismo para se tornar mais do que isso.
O nome passa a identificar o bilhete aéreo, o portão de embarque no aeroporto, o destino do trem, uma simples placa para a próxima cidade…

Chegamos em Paris.

O trem parou na Gare du Nord pontualmente.

Não deu tempo nem de amassar a roupa do corpo, a viagem fora extremamente confortável e relaxante.
Na hora eu percebi que havia feito a melhor escolha: viajar por todos esses lugares de trem iria valer muito a pena.
Se o Eurostar, o único trem em classe econômica que pegaríamos havia nos proporcionado viagem tão maravilhosa, os outros trens em primeira classe iriam ser simplesmente perfeitos.

Mesmo descansados, saímos do trem com aquele frio na barriga por chegar em uma cidade famosa, mas completamente nova.

A cidade de Londres já estava presa ao nosso passado, já era sonho sonhado.
Ainda estava fresca em nossas mentes, mas agora não era nada além de boas experiências vividas e grandes lembranças.

Chegamos mesmo a esquecer de que encontraríamos nossos amigos suíços.

(Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho… Mas eu vim de lá pequenininho. Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho…).

Foi como eu me senti ao deixar aquele trem.
Nunca me senti tão pequeno.

A Ju já havia superado a London Eye. Estava maior que eu.

Eu estava realmente preocupado apesar de bastante descansado.

Ainda perturbados em como iríamos sobreviver sem muito francês numa cidade que se recusa a falar inglês, estudamos o gigantesco espaço da nova estação e respiramos fundo antes de deslizarmos nossas pesadas malas pelo solo francês.

No momento em que me lembrei de que iríamos encontrar nossos amigos, comecei a ficar bastante inquieto.
Até então, não havíamos conseguido nos comunicar com eles.
Constatei também que a mala mais pesada já não estava mais 100% segura. A rodinha traseira já não girava mais como antes. Iríamos ter problemas com toda a certeza e o fato de não saber para onde ir não estava ajudando muito.

O bom em se viajar com alguém de confiança, é exatamente poder se desligar um pouco e relaxar. E foi o que fiz, tentei pensar como turista e não como estrategista.
Não estávamos em nenhuma corrida milionária. Havia tempo para respirar fundo.

A primeira coisa que fizemos foi buscar um guichê de informações turísticas.
Fomos bastante receosos ao fazê-lo, porque o tratamento rude parisiense era esperado. Poderia vir já na primeira consulta ou demorar um pouco mais, mas uma coisa era certa, ele viria.

Nossa abordagem para com o primeiro atendente turístico foi à francesa, nossa simpatia à brasileira e acho que esse foi o segredo para que o tratamento rude parisiense não nos atingisse durante toda a nossa passagem pela cidade luz.
Abordávamos as pessoas num francês tímido, apresentávamo-nos como brasileiros deslumbrados e só então usávamos um inglês suave. Funcionou em todos os lugares.

Compramos o bilhete para o metrô e nem nos surpreendemos com o tamanho do sistema metroviário de Paris, já estávamos completamente acostumados com o tamanho e a agradável confusão do metrô londrino.

Gare du Nord, Gare de l’Est, Château d’Eau e finalmente Strasbourg Saint-Denis, a nossa estação.

Desembarcamos no meio de um filme francês.
Aquelas típicas ruazinhas com seus bistrôs bonitinhos, senhores velhinhos jogando e esperando a tarde passar, cafés preguiçosos espalhados caprichosamente nas esquinas, restaurantes enfeitados com suas lousinhas numa caligrafia bem escrita anunciando o prato do dia…
O sol e a cortina de uma garoa cheia de bossa nos saudaram ao mesmo tempo. Cheguei a sentir um pouco de calor.

Sim, havia aqueles senhores que dominavam a saída das estações do metrô e que lhe abordavam sem a menor educação (bem parecido com Lisboa), mas fora isso, todo o resto era muito cinematográfico.

Não havia aquela beleza londrina que encontramos nas ruas mais comuns de Londres, mas havia uma poesia típica que o mundo conhece muito bem e que nasceu aqui mesmo nessas ruas comuns de Paris.
Foi então que compreendi que realmente precisaria me desligar de Londres para aproveitar Paris.

Percorrer essas ruas foi um enorme prazer.
Bom, o prazer não durou muito, pois a rodinha filha da puta da mala deu “piti” e morreu muito antes de encontrarmos a rua do nosso hotel. Ela despirocou da mala, engasgou, deu um giro sobrenatural e a cena foi estrondosa. A pesada mala virou de cabeça pra baixo e o puxador quebrou-se como se fosse feito de isopor.

O filme francês se transformou em cena de férias frustradas americanas.
A mala bailou para um mergulho mortal e os parisienses sofisticados riram com muita elegância.

Alguns senhores, ainda assim, tentaram nos ajudar.
A gente ficou com um pouco de vergonha, talvez isso explique a enorme onda de calor que eu senti, mas o mais embaraçoso não era se curvar para transportar aquela “geladeira” de três rodinhas. O fato mais chato foi passar com ela, umas três vezes pelo menos procurando o caminho… Hehehe…

Como estávamos vindo carregados de Londres com outras mochilas, com sacolas de compras e a mala menor, empurrar a dita cuja por aquelas ruas de paralelepípedos foi uma prova de força e resistência.

Nem sei como finalmente encontramos a rua do nosso hotel, mas a única coisa que me lembro bem foi de ver a Gabis e o Phil esperando por nós com sorriso de orelha à orelha.

Encontrá-los foi maravilhoso.
Não deu tempo nem de me sentir envergonhado.

Foi o tempo de fazer o check in, passar uma água no rosto e sair pra saborear a cidade.

A Gabis eu já conhecia há tempos, é amiga de faculdade da minha irmã e freqüentava minha casa.
O Phil eu só conhecia através do Skype, nas longas conferências que tivemos pra discutir os preparativos da viagem, meses antes.

Os dois se conheceram aqui em São Paulo e o amor foi à primeira vista.
Eles casaram e foram pra Suíça onde vivem desde então.
A Gabis sempre chamava a Ju pra ir visitá-la, mas nunca dava pra conciliar as férias latinas com as férias européias.
Foi quando resolvi ir à Europa.
A idéia original nasceu como uma viagem solitária de uma semana nos arredores de Paris, nesse meio tempo convenci a irmã a me acompanhar e acabamos incluíndo Londres, Suíça e finalmente a Itália.

Bastou o casal saber que incluiríamos a Suíça na nossa Eurotrip para nos oferecer hospedagem.
Já estávamos felizes demais com esse presente, ficamos mais ainda quando eles disseram que nos encontrariam em Paris.

E lá estavam eles como prometeram.
Hospedaram-se no mesmo hotel, ficariam com a gente por toda nossa passagem pela cidade luz.

Fomos andando até a Gare du Nord e descobrimos como a nossa estação Strasbourg era muito bem localizada.
Comemos um sanduba de fondue (exótico) e nos perdemos por ruas charmosas.

Havia muito tempo que as amigas não se encontravam pessoalmente, então dá pra imaginar que assunto entre elas não faltou.
Eu por outro lado, não tinha qualquer intimidade com o suíço, mas se olhassem de longe, não dava pra dizer quem falava mais com quem, se os meninos ou as meninas.

A amizade foi instantânea e a admiração também. O Phil, como eu suspeitava, se mostrou uma pessoa incrível.
Por mais que eu não tivesse qualquer vínculo com o guri, ele era um eterno apaixonado pelo Brasil e eu pelo país dele. Isso já era suficiente para que não faltasse assunto.

O forte sotaque não impedia o suíço de nos humilhar com o seu fluente português.
Povo suíço já nasce falando três línguas! Gente inteligente do caramba.

Oras falávamos em português e na maioria das vezes em inglês, porque ainda há coisas que funcionam melhor no idioma universal.

O Phil já havia morado um tempo em São Paulo e aprendeu o português só de ficar entre os paulistas.
Já casado, na Suíça, tudo o que ele teve de estímulo foram as conversações com a Gabis, ou seja, o cara mandava muito bem.

E enquanto andávamos sem destino certo, conversávamos e ríamos.
Então nos tocamos de que estávamos andando sem rumo e como o Phil era o único que já conhecia Paris e falava fluente o francês, ele nos guiou até à Champs-Élysées.

E lá estávamos na avenida mais famosa de Paris.
Fomos presenteados com trilha sonora bem brasileira, numa roda de capoeira logo ali ao lado.

O primeiro cartão postal não demorou para aparecer.

O Arco do Triunfo surgiu na nossa frente.

Esse lugar é tão bem localizado.
Ele está situado no centro da praça Charles de Gaulle, de onde partem as doze principais avenidas da cidade.

A praça e suas doze avenidas formam uma estrela, une Etoile.
E é do alto do Arco que temos a visão desta formação que torna o trânsito absolutamente caótico.

O monumento construído em comemoração às vitórias militares de Napoleão Bonaparte, teve sua construção em 1806 e sua inauguração em 1836.
A monumental obra detém, gravados, os nomes de 128 batalhas e 558 generais.

Decidimos ali mesmo subir o Arco.
Por mais fechado que o tempo estivesse, provavelmente não teríamos outra oportunidade de estar ali.

Nos encarapitamos pelas escadas circulares sem fim e o mais engraçado era que mesmo lá, eu era capaz de jurar que conseguia ouvir um coro de vozes cantando músicas brasileiras lá embaixo.

Não demorou muito pra que um grupo de turistas animados que estavam vindo de Roma nos alcançasse. Eles estavam completamente felizes por estarem em Paris e subiam as escadas cantando e rindo alto.
Quando nos alcançaram foram extremamente simpáticos. Nos disseram que foram massacrados pelo mau humor dos romanos e que estavam adorando Paris.

Após as escadas circulares, saímos num enorme salão com um pé direito muito alto, nele, uma exposição fixa sobre a construção do Arco.

Uma funcionária nos abordou pra responder um questionário em francês. A Gabis se prontificou a responder. Queria botar em uso as aulas de francês que está tendo.

Mais algumas escadas e atingimos o topo do Arco.
Que vista!
Que beleza de cidade se abriu aos nossos olhos.

O frio era intenso, mas dava pra ser dominado.
A Ju quase congelou, pois foi a única que esqueceu agasalho.

Vimos a Dama de Ferro pela primeira vez apontando para o céu.

Um prazer imenso invadiu e aqueceu o coração.

Um puta frio!

Para todos os lados que vc observa, lá estão as avenidas mais famosas de Paris, sempre bem arborizadas e com seus telhados cheios de chaminés.
As cores das folhas das árvores são um espetáculo a parte. Estamos no Outono!

Os caminhos são facilmente identificados pelas árvores que os cortam.

É como se a cidade pedisse permissão para coexistir entre as árvores.

Descemos das alturas para passear pela avenida mais famosa.
Caminhar pela Champs-Élysées é bem gostoso, mas não é muito mais magnífico do que passear pela Oscar Freire.
Sério, juro que não vi nada demais.
Grandes lojas, muito glamour, mas depois do tanto que passeamos por Londres, a Champs-Élysées realmente não me impressionou.

Em todos os momentos eu tentava reparar nas pessoas que passeavam/compravam por lá e elas eram normais.

Algo que me chamou a atenção:

Perdi-me numa loja inacreditável da Adidas, mas não havia nada lá que valesse meus euros. Tudo era muito caro e pouca coisa era exclusiva.
Gamei numa camisa oficial do time de futebol da casa. Ela era meio cor-de-rosa e tinha uma colagem interessante de imagens explodindo, mas seu preço não justificava seu real valor. Foi fácil deixá-la.

Andamos muito, muito, muito.

Os pés já não seguiam mais a cabeça.

Entrei no Petit Palais apenas para acompanhar os amigos, pois eu já não funcionava mais.

Doia dar um único passo e eu não tinha a menor idéia da onde eu estava, se demoraria pra chegarmos ao hotel… Eu não fazia a menor idéia.

Mal sabia eu que a noite estava apenas começando…

183- 08) London Paris

O despertador tocou bem cedo.

A noite anterior havia terminado bem tarde.
Em meio a preocupação de fazer o menor ruído possível para as pessoas do andar debaixo, socando compras desprogramadas malas adentro, adormecemos na metade da madrugada.

Acordar no último dia londrino preencheu meu coração com uma confusão sem solução.
A vontade de viver ali para sempre, contrastava com o desejo de chegar logo a Paris e continuar a Eurotrip que estava apenas começando.

Ainda com cara de sono, registramos um pouco do nosso belo quartinho no Astor Hyde Park e descemos para um rápido café da manhã.

O próximo passo foi voltar ao quarto e carregar as benditas malas escadaria abaixo.
As velhas escadas rangiam com o peso das inacreditáveis malas.
Desci com muito cuidado.

Vai ser difícil esquecer aquela nossa entradinha VIP:

Fizemos o check out rapidamente.
A Brooke não estava. Deixamos um abraço pra ela, agradecemos a australiana que a substituia e nos despedimos do impecável hostel.
Olhar aquele corredor com aqueles guarda-chuvas ainda secando, novos hóspedes chegando…

Por mais que estivéssemos ali, respirando aquele ar geladinho e caminhando naquelas ruas reais, era certo que demoraríamos um bocado para estar ali novamente e infelizmente, neste momento, era tudo o que eu podia pensar.

Adeus, Astor Hyde Park.
Voltamos em 2012 para os jogos olímpicos.

Caminhamos pela nossa linda avenida sob um sol amarelinho, envergonhado…
As pessoas já passavam por nós para irem trabalhar, os estudantes caminhavam em grupos para suas escolas, mamães empurravam lindos carrinhos de bebê…

A vontade de fazer parte daquilo tudo era muito forte e machucava um pouco.
Uma sensação de querer ficar, de construir alguma relação com aquilo tudo se deu em mim.

Se eu estava assim, minha irmã estava elevada à décima potência.
Ela formulava planos enquanto empurrava a mala – que já apresentava problemas na rodinha traseira: “-Se conseguirmos mudar o trem para um horário mais tarde, podemos ficar passeando o resto do dia, não me importo de sacrificar Paris”.

Eu sabia que ela queria subir a London Eye.
Ok. Poderíamos tentar mudar o horário, mas por se tratar do Eurostar, fiquei pouco otimista.

Tomamos o metrô até a linda St. Pancras.
Carregar as malas pesadas pelo metrô de Londres, mais uma mochila nas costas e uma bolsa lateral não é muito legal.
Em algumas baldeações, há grandes corredores subterrâneos para se percorrer. As estações londrinas são verdadeiros labirintos. Anda-se demais por elas. Estar carregado com malas torna a coisa quase surreal. Há caminhos que não possuem escadas rolantes ou elevadores e vc precisa literalmente ter muque.

A estação St. Pancras é um lugar difícil de descrever.
Organizada e confusa, cheia de vida, de risos e sorrisos.
Viajantes de todas as partes do mundo se reunem para continuarem suas aventuras.
Dá pra se ouvir um idioma diferente a cada dez passos.

Lá encontramos o guichê do Eurostar, localizamos o primeiro atendente disponível e com muita dificuldade, tentamos explicar-lhe britanicamente a nossa situação.
Depois de muitos phrasal verbs mal colocados, o atendente pede nosso passaporte e vê que somos brasileiros.
Hahaha… Na hora, ele mudou o idioma!

Foi então que o simpático brasileiro nos atualizou de como poderíamos conseguir mudar nosso horário. Não seria fácil, mas era possível.
De qualquer forma, precisaríamos pegar uma outra fila e falar com um outro atendente, que provavelmente não usaria o português como língua comum.

Num primeiro momento até vi faíscas saltarem dos olhos da Jú, mas logo depois o outro atendente veio com a confirmação de que não seria possível fazer a mudança.

Voltamos um pouco cabisbaixos para a fila do atendente brasuca, mas eu tratei logo de lembrar a irmã de que a cidade luz esperava por nós.
Ora bolas! Não podemos nos apegar tanto assim por uma cidade!
É apenas primeira! Faltam tantas outras!

E foi com esse pensamento que nos deslumbramos com a explosão de viajantes no galpão de espera da St. Pancras.
A variedade de pessoas bem humoradas era tão colorida que era impossível não se empolgar.

Havia um dúzia de tiazinhas com cabelos brancos, com carinhas de rainha da Inglaterra que pareciam crianças em sua primeira excursão escolar.
Velhões de barba branca com aspecto de Dom ou Sir, sérios em seus pensamentos nublados e suas malas centenárias…
Jovens com mochilas esquisitas, crianças bem comportadas vestidas como pequenos príncipes e princesas, ingleses indo, franceses vindo…
Havia também alguns brasileiros metidos… Mas esses, a gente fez questão de evitar.

Faltava pouco para deixarmos Londres.
Nosso trem já havia parado na plataforma.
Não tardou muito para se formar uma bonita fila.

Estávamos um pouco receosos de como seria passar pelos policiais da imigração francesa ao sair de Londres.
Novamente deixamos a pastinha de documentos ao alcance das mãos…
Não nos pediram mais que nossos passaportes e nossos tickets…

Foi muito sossegado.
Os funcionários da Eurostar tem uma educação impecável, mesmo o pessoal da imigração.
O processo foi muito rápido.

Como já tínhamos passado pela vistoria em Zurique, na Suíça (onde a Jú teve que descalçar literalmente suas botas) e no desembarque de Londres (simpático e caloroso), já tínhamos um pouco de experiência do que esperar, de como se portar e do que levar nas bagagens de mão para evitar atrasos e constrangimentos.

Bagagem de mão pela esteira do Raio X e as pesadas malas por outra vistoria (muito mal feita).
Em poucos minutos estávamos subindo à plataforma.

Ver aqueles velozes trens descansando suas modernas carcaças sob aquela estrutura de aço, por onde vazavam os primeiros raios de um dia promissor de muito sol, causou frio na barriga.
Aquela sensação boa que antecede uma viagem fantástica estava agora se revirando dentro minha barriga.

Ver um bichão daqueles parado numa plataforma tão deslumbrante como aquela era o presente de despedida mais singular que poderíamos receber de Londres.

Não foi muito difícil encontrar nosso vagão.
Que divertido fazer esse procura.

É como nos filmes.
Tudo é muito cinematográfico.

Por mais simples que sejamos, não há como não se sentir especial.
Vc está prestes a embarcar numa jornada que tem como estrada uma das sete maravilhas do mundo moderno da engenharia.
Por mais tapado que vc possa ser, por menos informação sobre isso que vc possa ter, tudo é muito futurista e cheio de rituais.

Não há como não se sentir bem, importante ou parte de algo grandioso.
É como embarcar num portal dimensional. Cá estamos em Londres, já já em Paris.

O medo que invade o corpo momentos antes de embarcar num carrinho de uma montanha-russa é o mesmo que antecede embarcar num trem que irá cruzar parte do oceano.
Imaginar este belo trem abaixo do fundo do mar é no mínimo um exercício de ficção científica real. É surreal!

Pensando tudo isso, seguimos até o nariz do Eurostar.

Para minha surpresa, vi que ali, na superfície daquele nariz, vários passarinhos, mariposas, morcegos e outros insetos e bichos de pequeno porte voadores haviam sido simplesmente massacrados.
As manchas de sangue eram bem visíveis e transformavam a frente do trem numa tela impressionista com explosivas manchas vermelhas.
Pobres voadores. Não havia a menor chance de sucesso cruzar o caminho daquele trem.

Só após estudarmos muito, entramos no Eurostar.

O Eurostar era o único trem que pegaríamos na classe econômica.
Fiquei pensando como deveria ser a primeira classe, já que a classe econômica era simplesmente perfeita para nós.

Colocamos nossas pesadas malas numa área reservada próximo a entrada do nosso vagão, ultrapassamos as portas automáticas e encontramos o conforto de nossas largas poltronas.

O trem não atrasou a partida nem por um segundo. Pontualidade britânica!

Ele simplesmente começou a andar sem que percebêssemos.
Ficou por um bom tempo andando muito muito devagar e então foi ganhando velocidade delicadamente.

Fomos deixando o centro de Londres enquanto um sol quente fazia fusquinha pra gente através do vidro.
Londres ia ficando pra trás…
Toda aquela aventura ia ficando pra trás…

No Ipod, dois fones compartilhados. Ainda dá pra se ouvir o tema de Londres que acompanhou-nos por toda a nossa passagem pela terra da rainha. We are in London by Pet Shop Boys.

Na lista de músicas, as canções mais tocadas pela principal rádio Londrina. Air (banda francesa de eletrônico atmosférico) era Top 10. Sempre que ouvir essas músicas me lembrarei desse trecho da viagem.

No horizonte, olhando através da janela, novas aventuras se mostravam…
Os olhos tentavam enxergar além dos trilhos, mas éramos engolidos por túneis e mais túneis. Nossos ouvidos sofriam com a forte pressão, mesmo na superfície. E ficamos assim, de túneis em túneis até sermos devorados pela escuridão profunda do verdadeiro túnel que atravessa o Canal da Mancha, o Eurotunnel.

O aumento de velocidade era um processo muito vagaroso.
A mudança era quase que imperceptível.
Foi quando percebemos que estávamos a quase 300 km/h.

O conforto é o ponto alto.
Não há movimentos bruscos. O trem flutua pelo trilho.

O Eurotunnel é escuro e silencioso.
O trem vibra muito pouco e o serviço de bordo é fabuloso.
Além dos croissant franceses mais delicados de toda a Eurotrip, revezamo-nos um de cada vez, uma visita ao vagão restaurante.
Lá, conversei muito com um francesinho tagarela que me serviu mais um croissant e me mostrou um rápido panorama cultural sobre a Paris que estávamos a descobrir.
Ele era muito divertido e eu fiz bem em gastar meu pobre francês com ele.
Na volta, trouxe algumas batatas e uma Coca pra Jú.

A escuridão e o silêncio do túnel provocavam a ausência de paisagem, a falta de uma atmosfera.
A claustrofobia era dominante.
Nesse momento, a Inglaterra foi ficando pra trás, tornando-se lembrança recente, adquirindo seu espaço físico dentro dos compartimentos do meu cérebro.

A falta da luz e do som transformam-se em reflexão.
A velocidade é a única arma que distorce a claustrofobia.

London Paris pra mim sempre fora um EP do Pizzicato Five.
Agora era muito mais que isso.

182- 07) Prime Meridian Of The World

Após deixarmos o interior quentinho e confortável da catamarã que balançava delicadamente com a correnteza daquele rio, dez passos debaixo daquela chuva gelada foram suficientes para acordar cada parte do nosso corpo que estava sonolenta.

A chuva era grossa e decidida.
Ainda não tínhamos chegados à França, muito menos sabíamos que iríamos gastar alguns euros com bons guarda-chuvas estampados com motivos da Eurodisney.
Lembrei-me de ter apenas uma capa de chuva intacta no fundo da mochila e tratei de entregá-la à irmã.

Fomos caminhando sem destino em meio aos desaguardachuvados. Contornamos os belos jardins do Maritime Greenwich College.
Encontramos o National Maritime Museum mais a frente, mas era ver a exposição dos Icebergs ou subir até o Royal Observatory.

A funcionária do museu que nos ensinou o caminho até o Meridiano de Greenwich, o fez em um sotaque delicioso. Foi meio complicado esconder o derretimento dos nossos corações para com aquelas palavras.
Ela era impecável em seu monólogo, ilustrou o caminho com gestos bem treinados, reforçou a explicação, perguntou de onde éramos, brincou bastante com a gente, mas não perdeu a majestade.
Uma típica tiazinha de meia idade com jeitão de professora de biologia, parecia muito uma daquelas famosas atrizes do filme “As Garotas do Calendário”.

Foi quando a chuva deu um tempo.

Aproveitando que as explicações da professora de biologia ainda estavam úmidas em minha cabeça, segui o que havia compreendido e filtrado daquele bolo de sotaque acentuado.
Cruzamos o imponente jardim do College e fomos cair numa rua com casarões de pedra que comporão futuros sonhos capitalistas.

Encontramos um parque profundamente verde de tirar o fôlego.
Neste parque, um caminho fino e comprido até se perder de vista. Um monte, e lá em cima, o observatório.
Por todo o caminho árvores inacreditáveis e centenárias.

A chuva ainda caia, agora fina e tímida.
O corpo molhado começava a entrar em conflito com a distância apresentada.

Subir o monte até o observatório foi uma prova de resistência física.
Estávamos imaginando a volta.

A Jú não se liga muito nessas paradas de astronomia. Ela queria mesmo era estar rodando lá na London Eye.
Prometi pra ela que iríamos passar rapidamente por Greenwich e voltar pra fazermos o último museu de Londres – o dos tesouros e finalmente subiríamos a London Eye.

Pois é.
Mal sabia eu que o passeio por Greenwich engoliria a tarde toda.

Foi só chegar naquela região e sentir aquele mistério todo pairando no ar… Percebi de cara que iria gastar um pouco mais de tempo do que o imaginado.

Tudo bem que os meridianos são linhas imaginárias que cortam a Terra verticalmente do Pólo Norte ao Pólo Sul e que as pessoas passam por eles a todo instante e ponto final.
Mas eu sou o João Elias. Estar no Primeiro Meridiano, o que divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude… Ah, isso para mim era simplesmente fantástico.

Claro que ficamos em cima da linha física, brincando de colocar um pé no ocidente e o outro no oriente.
A linha lembrava um trilho: algumas barras de metal fixadas a rua de paralelepípedos marcavam o marco zero.

Como uma régua, a linha localiza em graus e minutos as cidades mais importantes do mundo.

Nunca foi tão fácil viajar.
Em minha caminhada pela linha do Meridiano de Greenwich, quase houve um colapso em Accra, mas era minha preferencial, continuei até chegar a Reykjavìk na Islândia. (A gélida ilha continuava a me acompanhar onde quer que eu fosse).

O observatório real foi construído em 1675 por ordem do Rei Charles II. Lá, o principal telescópio era chamado de The Primary Transit. O meridiano que passava sobre este instrumento foi adotado como o meridiano de referência para a Grã-Bretanha.
Em outubro de 1884, 41 delegados de 25 nações se encontraram em Washington-DC nos Estados Unidos para a Internacional Meridian Conference. Na Conferência, os seguintes princípios foram estabelecidos:

– Era necessário adotar um único meridiano mundial para substituir os inúmeros que já estavam em uso;
– O Meridiano que passava pelo Observatório no Greenwich seria o Primeiro Meridiano;
– Que a longitude seria calculada de leste para oeste a partir deste meridiano até 180°;
– Todos os países adotariam um dia universal;
– O dia universal seria um Dia Solar Médio e começaria à meia-noite em Greenwich contado no formato de 0 a 24 horas;
– Os dias náuticos e astronômicos em todos lugares começariam à meia-noite;

Vários estudos técnicos seriam feitos para regulamentar a aplicação do sistema decimal para a divisão de tempo e espaço.
A Resolução 2, fixando o Meridiano de Greenwich foi aprovada por 22 votos a 1 (San Domingo votou contra), França e Brasil se abstiveram.

Parecia que eu estava mais uma vez ouvindo a velha professora de geografia em sua aula.
Eu havia me sentido assim quando eu passei em 2007 pelo Estreito de Gibraltar.
Há muito poder geográfico e histórico nesses lugares. Há também um aspecto nostálgico, mesmo que seja a primeira vez que se esteja ali. É impossível não se lembrar das aulas do primário.

Estávamos numa região com uma boa vista.

Deu pra ver um pequeno pedaço do parque e a enorme área do College.

Lá embaixo, eu vi a O2 Arena… Sim, sim, lá mesmo onde a Tina Turner fez seu show. É, lá mesmo onde acontecem os espetáculos mais fantásticos do planeta. Logo ali na Península de Greenwich.
Juro que se essa mulher voltar a fazer show, eu volto aqui só pra isso.

Foi quando eu avistei a cúpula do Transit.

Eu nem sabia se podia subir lá, só sei que fiquei louco.
Era a minha chance de entrar num observatório e conferir um telescópio de perto.

Escadinhas ali, se aperta daqui, vira aqui, cuidado com a cabeça, sobe mais alguns lances de uma escadaria em caracol e finalmente se chega a sala da cúpula.

Sem palavras pra explicar a emoção.

Eu tentei, mas a Jussara tirou minha concentração:

Após uma rápida passada no banheiro, onde a irmã registrou o secador de mãos mais eficiente do mundo:

(Vc enfia a mão nele e em 5 segundos sua mão está seca, pois o vento quente vem muito forte dos dois lados do aparelho e a água das mãos sai quase que instantâneamente pelas laterais em gotículas quase vaporizadas), notamos o raio laser que saia do observatório e dividia o ocidente do oriente:

Dizem que em dias de boa visibilidade, dá pra ver o raio de muito longe.

Encontramos a lojinha do observatório cheia de relógios lindos, ampulhetas, vários calendários perfeitos com imagens de mil nebulosas… Canetas, bottons, medalhas… E claro que eu não resistiria a camiseta e ao boné.

Descemos até o centrinho da cidade, contornando aquele parque lindo.
Enquanto descíamos o monte, a tarde também descia junto com a gente.

Nessa altura do campeonato até a meia já estava seca.

Adentramos a linda cidadezinha procurando por um trem ou metrô que nos levasse de volta ao centro de Londres.
Passamos por ruazinhas perfeitas e lojinhas irresistíveis. Eu ia resistindo a todas elas, mas a Jú não resistiu a última, bem próxima a entrada do metrô.

Gastamos pelo menos uma hora ali. Compramos guarda-chuva, dois agasalhos com a bandeira estampada para usar no último dia londrino, a Jú comprou chaveiro pra chave do apto novo…

Só então encontramos a entrada Cutty Sark For Maritime Greenwich e descobrimos que não havia catraca pra passar o bilhete, ou seja, corrida gratuita.
Hehehe…

Foi só falar isso pra que um funcionário do metrô viesse pedir nossos bilhetes já dentro do trem!
Fantástico!

Cutty Sark, Island Gardens, Mudchute, Crossharbour, South Quay, Heron Quays, Canary Wharf, West India Quay…
O metrô passava dentro de prédios e lugares indescritíveis. Lembrei do Oliva (Criacittá) me dizendo sobre esse percurso do metrô.
As pessoas que entravam no metrô eram ainda mais interessantes… Um pouco que vc se afasta do centro de Londres e a população muda. É quase que um festival de povos do mundo todo.

Voltar de metrô foi bem mais rápido, mas ainda assim não foi rápido o suficiente pra que a gente conseguisse encontrar a London Eye aberta.

A Jú ficou realmente mal.

181- 06) God Save The River Of The Queen

Acordamos com a missão de encontrar um Post Office pra despachar os postais para o Brasil e para o Japão.

Enviar postais para mim é algo sagrado.
É documento mais importante que passaporte.
É o registro carimbado de que vc realmente passou por aquele lugar e se lembrou de alguém especial.

O postal traz boas novas.
Chega antes de regressarmos.

As pessoas, em tempos virtuais, esqueceram-se da magia que é enviar e receber um postal.

Pra quem envia: um fôlego durante a viagem, uma breve retrospectiva em poucas linhas.
Pra quem recebe: um abraço distante, uma rápida amostra de prazer e satisfação.

Cada vez mais mandamos menos postais.
Cada vez mais perdemos a nossa caligrafia e com ela todos os nossos sentimentos desenhados.

Faço questão de manter isso vivo quando viajo.

Para os que viram meu pedido a tempo no blog, tiveram seus postais devidamente enviados…
Gostaria de ter mandado muitos outros, mas Santo Deus, como este hábito é caro!

Hoje, o dia se dividiria entre a residência oficial da monarquia britânica em Londres e a navegação pelo Rio Tâmisa até o Meridiano de Greenwich (último dia útil em Londres num próximo post).

Chegar aos portões da rainha é obrigatório para quem está visitando a cidade britânica.

Atravessamos o parque verdinho e nos divertimos com os pequenos esquilos nada tímidos, até encontrarmos o Palácio de Buckingham.

Engraçado como o palácio que a gente imagina é bem diferente do que palácio que a gente encontra.
Passamos a vida toda fantasiando tanto com o fato de que não é sempre que conhecemos a moradia de um monarca vivo, que estar ali, tão pertinho daquela família que tanto vemos pelos jornais e tv parece mentira.

Londres é um lugar cinematográfico, mas a região de Buckingham não é tão cheia de fantasia como eu imaginava que fosse. É mais real do que a realeza de contos de fada.

A começar pela troca da guarda real. É algo raro de ser ver.
O único artista que queríamos fotografar estava bem longe do nosso contato.

Se não tem tu, vai tu mesmo.

Brasileiros sempre dão um jeitinho de espalhar um pouquinho de simpatia.
Não foi muito difícil conseguir convencer o tiozinho.

É. É bacana tirar a foto nos portões da rainha.
É frustrante também compreender que vc é bem-vindo até ali.
Dali não passarás!

É interessante perder um pouquinho de tempo nos arredores dos portões do palácio.
Vc vê o movimento de súditos, digo, funcionários entrando e saindo… Carros espetaculares com vidros insufilmados entrando e saindo…

Nenhuma realeza aparece na janela para um tchauzinho. Hehehe…

Eu bem que tentei…
Resisti bravamente…

Eu nem queria uma foto minha nos portões…
Mas estamos ali, oras bolas… Não vamos voltar tão cedo…

Fora que eu me apaixonei pelas estátuas.
Principalmente a da enorme senhora e seu leão.

Claro que era impossível não se maravilhar com os anjos do Victoria Memorial.

Atravessamos uma das avenidas mais bonitas que eu já vi na minha vida, a Constituition Hill.
Os táxis negros deslizavam por aquele asfalto colorido.

Atravessei a rua com uma idéia.

A Ju foi junto.

Eu queria andar até o final dessa avenida.
Não sabia o que encontraria, mas falei pra Ju: “- Vamos e contornamos o palácio”.

E fomos.
Encontramos um caminho ainda mais bonito.

O caminho era um convite para um passeio irrecusável.

As frondosas árvores abraçavam-se uma às outras formando um teto verde.
Várias vezes eu esquecia que estava na ciclovia e a Ju me lembrava de abrir caminho…

Como é bom lembrar dessa caminhada.
Encontramos o Arco de Wellington. Vimos a estação de Metrô Hyde Park Corner, mas continuamos…

Contornamos o palácio.
A cada portão, muitos pensamentos e sensações.
Imaginar morar numa cidade de rainhas e príncipes é um ótimo exercício de brasilidade.

Seguimos pela Grosvenor Pl, reparando nos inacreditáveis casarões que tinham como nobre vizinha a rainha da Inglaterra.

A cidade ao redor dos muros reais era barulhenta, colorida, caótica e espetacular.
A rotina maluca de uma realidade contrastando com aquela dimensão fortificada, tão protegida dos olhos humanos.

Encontramos a estação Victoria, mas antes de tomarmos o metrô, fizemos uma bela compra de perfumes numa lojinha super baratinha e simples.
Burberry Touch de 100ml por preço de batatinha frita, a Jú comprou o frutífero adocidado da Britney Spears, dois Burberry amarelinhos femininos… Esqueçam Paris! Se comprar eletrônicos em Londres era bom negócio, comprar perfumes também era! Fizemos a festa.
A atendente, uma negra simpaticíssima, conversou tanto com a gente que nos encheu de presentes, amostras e brindes. Saimos de lá carregados e ainda por cima eu ganhei uma descolada mochila da caveirinha motoqueira, que iria me acompanhar pelo resto da viagem.

Não perdemos tempo.
Fomos direto para o lugar que mais adorávamos: Westminster.

Precisávamos explorar a Abadia de Westminster.

Encontramos a igreja Saint Margareth’s.

Ok. Linda!

Não resistimos mesmo a imponente torre do Parlamento do Reino Unido.

Não a torre do Big Ben, (e não vão pensar que o Big Ben é o famoso relógio do Parlamento Inglês, nem tampouco sua torre) – É o nome do sino, que pesa 13 toneladas e foi instalado no Palácio de Westminster. O nome do relógio é Tower Clock, e é muito conhecido pela sua precisão e tamanho.
Não resistimos à outra torre. A que fica do outro lado.

É absurdamente alta. Não há como capturar com os olhos todos os detalhes que decoram aquela torre.
Too much information!

Recortamos um parque cheio de crianças jogando futebol com a torre ao fundo.

Foi quando a chuva apertou.
Estávamos loucos para ir a London Eye, mas com chuva não seria tão bacana.

Pensamos em navegar primeiro pelo Tâmisa, já que a catamarã era fechada.
Escolhemos o destino mais longo: Greenwich.

Compramos nossos tickets nas docas.

Ficamos sentados numa plataforma que dançava ao balanço das águas.

Nossa catamarã não tardou a chegar.
A chuva havia realmente se intensificado. A correnteza estava forte.

Viajar pelo Tâmisa foi uma pausa para nossas inflamadas pernas.
Deixar-se levar pelo balanço do rio era tudo o que eu precisava pra relaxar.

Navegávamos enquanto petiscávamos alguma coisa no bar.
O capitão nos situava a cada ponte que cruzávamos.
Desde a Millenium Bridge a Tower Bridge.

A chuva deu uma trégua, mas o frio era intenso e o vento dentro do rio cortava a pele.
Eu já havia navegado num lago em Bariloche com chuva pior e frio muito mais penetrante, mas talvez fosse a canseira, realmente não dava pra ficar muito tempo ali.

A viagem não é curta. Nem bem havíamos começado a navegar e já estávamos decididos que sacrificaríamos o ticket de volta para retornar de trem ou metrô.

Chegamos numa Greenwich debaixo de uma forte chuva.
Foi quando eu vi uma plaquinha do Royal Observatory e tive certeza do que fazer em seguida. Mas isso já é outro post.

180- 05) Knights At Night

Já estávamos ficando familiarizados em descer na estação Westminster e encontrar aquela atmosfera amigável.

A escuridão deixava a cidade mágica.
Havia um convite irrecusável no ar.

Eu havia realmente me apaixonado pela cidade de Londres.
Andar por aquelas ruas caprichadas, com aquele vento gelando o rosto, compartilhando sonhos e admirações com os demais turistas que passavam boquiabertos pela nossa frente trazia liberdade, enchia o coração de uma felicidade que eu nunca havia sentido.

Eu já estava saudoso antes mesmo de ter minhas pegadas apagadas daquele chão.
Eu já sentia falta de Londres antes mesmo de deixá-la.

Captava sons, cheiros e luzes.
Caminhava por caminhos e passagens secretas que mexeriam com meus sonhos num futuro qualquer.

Ruas e túneis, escadarias e passarelas que mexiam com o meu labirinto e gravavam as mais fantásticas recordações no meu coração.

Não resistíamos ao Big Ben.
Já não era a primeira vez que subíamos as escadas da Westminster Tube Station e dávamos de cara com aquela enorme torre.
Já não era a primeira e muito menos a segunda vez e, ainda assim, sentíamos aquele adorável sentimento de descoberta, que faz a gente procurar o final da torre para encontrar os ponteiros precisos do famoso relógio.

Ficar pela região do rio era uma prova de fogo, ou melhor, de gelo!
Naquela hora da noite, daquele lado de lá, era preciso ter sangue quente, ou melhor, frio, para suportar ou se fingir de sapo.
Enfrentar aquela gélida corrente de ar que por ali existia não era tarefa para muitos cavaleiros.

Parar no meio da Ponte de Westminster e ter um momento de reflexão, do que tudo isso significa, do quanto estamos distantes de casa, do tanto que lutamos por este momento, mesmo sem saber que ele seria tão especial… É algo que mesmo agora, do lado de fora da foto, sentado em minha velha cadeira, digitando aqui nesse computador, eu não poderia compreender.
É tão completa a experiência em fazer parte de um lugar tão importante e ao mesmo tempo tão gigante que por um momento me perco em pensamentos indescritíveis.

Estava eu ali, olhando para mim mesmo e nem havia me dado conta!
Claro que eu não me enxergava.
Mas óbvio que eu me vejo agora.

Somos tão pequenos e frágeis se comparados ao concreto e aos tijolos que recheiam e envolvem todas essas estruturas, ao mesmo tempo que somos tão capazes de modelá-las a nossa vontade.
Somos gigantes quando estamos fora da foto, olhando por cima algo que ficou no passado.

Nem havia me tocado que o ambiente atrás de mim havia mudado suas luzes para se adequar a minha vibração colorida.

Uma pequena fração de cores similares.

Um segundo atrás estava com cores similares. No outro, já havia mudado.

Olhamos para a London Eye com respeito.
Tem coisas que os homens constróem e tiram o nosso fôlego.
Essa era uma delas.

Refletida no Tamisa, a London Eye ou o Olho de Londres era ainda mais bela. Uma declaração luminosa aos nossos desprotegidos olhos gelados.
Certamente subiríamos nela no dia seguinte não fosse pela nossa úmida aventura pelo Meridiano de Greenwich.

Cruzamos a ponte e margeamos o rio para contemplarmos o Parlamento de frente.

Santo Deus! Fixei meu olhar pelos céus para ter certeza de não estar vendo nenhum bruxo sobrevoando a região com sua vassoura mágica.

Constatei que os únicos bruxinhos por ali haviam vindo do Brasil e éramos nós. Estava muito frio pra mais alguém suportar ficar tão perto do rio.

Demorei para lavar o Tamisa com a quantidade perfeita de luz amarela para satisfazer meu ego fotográfico.

Andamos sem medo.
Andamos muito.
Andamos onde não ousaríamos andar.

Andei com o desejo de uma criança num parque.
Andei desplugado de aflições e fobias.
Andei maravilhado, abobalhado com tantas coisas belas, com tantas coisas construídas.

Eu havia me esquecido de como andar assim era bom.
Sorte minha me lembrar.

Esta noite flutuamos por uma Londres receptiva.
As pessoas eram amigáveis e mesmo com pressa, nos instruiam com educação e um baita sorriso no rosto.

Queríamos ir à famosa ponte.

Foi com esse objetivo que chegamos a Tower Hill.

A noite estava mais velha, nem por isso menos bela.
Um executivo apressado da minha idade nos ajudou com o caminho.

Era notável como as pessoas daquela cidade eram receptivas conosco.
Não sei se era o fato de estarmos com uma energia muito boa, mas não havia caras feias, pouco caso ou um “Sorry, I’m late”… Todos paravam para nos dar suporte, tiravam o mapa do metrô dos bolsos e caprichavam no sotaque.

Foi assim que a vimos pela primeira vez.
Ficamos petrificados.

De todas as pontes pelo Tâmisa, esta báscula era de longe a mais charmosa.
Suas torres lembravam fortes escoceses da Idade Média.

Contemplamos seu poder, sua arquitetura, sua força.

Em poucos minutos estávamos tomados pelo poder da torre.
Não era possível resistir aos seus encantos.

Foi assim que a Jussara tirou a foto mais perfeita de todas:

Infelizmente as fotos ainda não capturam pensamentos.

Ali, sobre aquele mármore frio, uma série de idéias pipocavam pela minha cabeça.
Quem chega ali, vindo da onde venho não consegue mais ser o mesmo.
É como se adquirissemos sabedoria.
O olhar muda, as verdades são outras, a perspectiva muda.

Quando se atinge um objetivo tão sagrado assim, parte-se pra uma nova etapa, pra um outro patamar.
Estar ali, sob aquele céu, sobre aquele chão tão cheio de história era estar atingindo outro nível.

Compreendi isso neste exato momento.

Cruzar o mundo provoca em mim pensamentos desse naipe.
A distância é um bom exercício pra alterar alguns ângulos internos.

Não há como ser o mesmo estando tão longe do nosso lar.

O mais legal nessa experiência é que eu não estava sozinho.

Ter alguém da família ao lado, tão próximo e tão diferente de vc faz toda a diferença.
Não sabia que minha irmã era tão boa companhia pra tamanha aventura.

Ela se mostrou firme, equilibrada, excelente guia metroviária, ótima tesoureira, companheira, topa tudo…

Puxava-me pro chão, pois flutuo com facilidade.

Ela é mais realista, mais econômica, mais focada…
Nem por isso menos dorminhoca, menos sonhadora e menos impressionada.

A gente literalmente esquecia de comer.
Íamos lembrar da barriga vazia lá pelas 18hs.

Fomos andando, contornando ruas cheias de pubs lindos com pessoas impecáveis. Tudo parecia uma grande praça de alimentação de shopping ao ar livre.

Eu não conseguia acreditar na qualidade de vida que aquele lugar apresentava.

Havia uma felicidade pós-trabalho penetrante no rosto daqueles executivos que bebiam suas cervejas nos tantos pubs espalhados pela região.
Cada pub era mais espetacular que o anterior. Me vi colecionando admiração para com as testeiras e logos de cada pub.
Não sou muito dependente do álcool, de modo que entrar ali e tomar umazinha fosse algo a me tentar. De qualquer forma, pensei em alguns momentos, se tivesse um pouquinho mais de tempo pra gastar, perderia umas horinhas ali…
Tudo bem, mais uma desculpa pra voltar.

Não demorou pra alcançarmos a região do City Hall.

O inusitado edifício, criado por Norman Foster, tem a forma de uma pilha de cds.
Ele consegue provocar na gente uma sensação bacana de física distorcida. É daqui que saem as grandes estratégias e novos projetos para a cidade.

Essa região, assim como a região da Millenium Bridge, podem ser conferidas no último filme do Harry Potter.
Passar por lá naquela hora da noite teve um gostinho mais mágico do que eu poderia desejar.

Contornamos o rio até encararmos a Tower Bridge de frente.
Foi como estar nas vésperas de atravessar um portal de História Sem Fim…
Tudo ali era cinematográfico.

Perdemos a noção dos nossos atos.

Já nem guardávamos mais o tripé na mochilinha. Andávamos com tudo montado.
Íamos encontrando casais apaixonados pela rua que se ofereciam para baterem fotos nossas.

Parávamos em todos os pontos para fazermos dezenas de fotos.

Andamos um bocado.
Conseguíamos ver do meio da ponte o tanto que tínhamos percorrido. E era muito!

Não estava mais frio.
As pernas nem doíam mais.
Não havia fome ou qualquer reclamação.
A adrenalina havia dominado todo o corpo.

Passar por aquele portal renovou todas as minhas energias.

Atravessamos a ponte.

Havia mais cidade pra se ver lá do outro lado. Swiss RE Building lá ao fundo!

Mas terminamos nossa aventura na primeira placa que encontramos.

179- 04) Fish ‘N’ Chips, Mini & Big Clicks

Dormir em Londres é uma delícia.

Desde que estava decidido que eu viajaria a Londres, esse era um dos pensamentos que não deixava a minha cabeça: “como seria dormir em Londres?”.
Dormir em Londres, pelo menos no Astor Hyde Park era uma delícia.

Nosso quarto era muito bacana.
Havia uma janelona imensa, meio aberta, que estranhamos no começo, mas compreendemos no final.
O beliche era aquele de praxe que se usa nos albergues europeus: imenso, com aquelas jaulas engradadas na parte inferior para se colocar a bagagem.
A roupa de cama era impecável, perfumada…
Por menos sono que tivéssemos, era só deitar o corpo naqueles lençóis macios e branquinhos que o sono não tardava a vir. Geralmente estávamos mortos de sono.

A coisa mais engraçada na nossa chegada no Astor foi que até então, não havíamos entendido ao pé da letra o que um quarto “insuite” significava.
Havíamos procurado bastante pelos sites de hostel, e o que definimos foi que quartos “insuites” tinham apenas a ducha. A “outra parte” do banheiro, não menos importante, pelo que pesquisamos, era compartilhada nos corredores do hostel.
Ninguém com quem conversamos tinha 100% de certeza se teríamos banheiro no quarto.
A gente já tinha achado que conseguir um quarto exclusivo num dos melhores hostels de Londres já era uma grande conquista.

Ao entrar naquele quarto, a primeira coisa que fiz foi correr pra procurar a portinha do banheiro, e para minha grande surpresa, lá estava um banheiro completo: uma bela duma ducha, privadinha como manda os costumes brasileiros, toalhinhas e produtos de higiene pessoal… Hehehe…
Fiquei feliz.

Pois é, se vcs forem pra Londres, o Astor Hyde Park é o lugar!

Astor-01

Astor-02

A Brooke é a melhor anfitriã e o preço das diárias parece brincadeira. Fora a localização mais que especial.
Meu Deus, que vontade de voltar!

Astor-03

Como se já não estivéssemos apaixonados o bastante pelo nosso quarto, pela nossa vista e pelo nosso banheiro, foi no café da manhã que incorporamos o espírito dos londrinos.

Descemos todos os lances de escadas do hostel e no final do corredor: a cozinha e o refeitório.

Esqueçam o feijão, o bacon e as salsichas no café da manhã. Havia vários tipos de cornflakes e frutas secas, pães de forma gigantescos, duas torradeiras monstruosas, todos os tipos de geléia, manteiga, cream cheese, frios, muitos galões de leite, uma torneira de água fervente e o melhor chá que eu tomaria na minha vida.

O responsável por mantêr a mesa sempre abastecida, um londrino magrela com um topetão laranja, se alternava entre os galões de leite e seu imenso controle remoto modernoso, com o qual discotecava a trilha sonora daquela manhã.
A única regra ali era comer o que quisesse e depois lavar e secar sua louça.

No primeiro dia cometi uma leve gafe e enxuguei as louças com os guardanapos de papel.
Oras bolas, eu perguntei pra uma russa louca se era pra usar aquele pano velho pendurado na parede e ela olhou pro papel.

Nas demais manhãs, percebi que aquele pano horroroso era o utilizado para secar a louça limpa.
Um único pano pra secar toda aquela louça! Hahaha…
Tudo bem, o que não mata engorda.

Fazia minhas torradas com geléia e uma gorda fatia de um queijo bem forte, enchia a caneca velha com água escaldante, mergulhava um sachê daquele chá negro e forte e estudava os outros hóspedes…
Japoneses, americanos, mexicanos, russos, franceses, alemães…
Jovens, casais, velhos…
Era muito interessante ouvir tantos idiomas diferentes já na mesa do café da manhã.

Saímos logo em seguida.

Rua-Astor

Não podia deixar de soltar suspiros apaixonados ao andar pelas ruas do nosso bairro.
Os Minis Coopers repousavam invocados nas calçadas úmidas.
Separei três que pareciam não ter donos. Perdi o clique daquele camaleão, que muda de cor.

Mini-01

Mini-02

Mini-03

Ano que vem será o ano do carrango na minha vida.
Dá até dó de começar a dirigir num desses…
Vou de “poizé” mesmo, já que não inventaram o carro inflável de borracha.
Não creio que deva ser muito barbeiro, uma vez que sou cuidadoso com as minhas coisas, mas que o Mini Cooper é lindo, ah, isso ele é.

Aproveitamos que a chuva havia parado durante a madrugada e cortamos o Hyde Park.

Hyde-Park-Ju

Hyde-Park-Ju-2

Não é sempre que temos o privilégio de passear num parque real.
Belíssimo!

Hyde-Park

O imenso parque que já foi palco para concertos de Madonna à Queen engolia o barulho da grande cidade.

Seu verde intenso, mesmo apagado sem a luz do sol, gerava-nos uma paz progressiva.
Quanto mais nos dirigíamos para o centro do parque, maior era essa sensação de bem estar.

Jardins perfeitos, árvores gigantescas.
Engraçado como as árvores são magníficas, e brincam com a nossa imaginação.

Hunting-Tree

Hyde-Park-Jo

Tree-2

Tree

As flores são perfeitas graças ao clima frio da época.

Encontramos o gigantesco Albert Memorial e a elaborada escultura Frieze of Parnassus.
Não há como registrá-la sem sacrificar alguma parte, é gigantesca.

Parnassus-01

Parnassus-02

Parnassus-03

Há uma atmosfera de fé circulando esse monumento.

Parnassus-04

E pensar que isso foi inaugurado em 1872…

Parnassus-05

Parnassus-06

Parnassus-07

Tão impressionante e maravilhosa que me senti insignificante ao seus pés.

Andamos muito pelo nosso bairro e descobrimos que ele era mais que um sonho.

Caminhamos ao redor do Royal Albert Hall:

Opera

Fomos nos informar sobre alguma ópera ou concerto pra assistir, pois a casa ficava nos fundos do nosso hostel. Pegamos alguns folhetos para planejar alguma coisa pra se fazer a noite sem nos preocuparmos com transporte, mas esquecemos.
O problema em se estar em Londres é que há tantas coisas pra se fazer, que vc acaba esquecendo de fazê-las por estar fazendo outras!

Conhecemos uma brasileira na floricultura de um bonito mercado. Entramos lá para almoçar, achando que seria um bom negócio, mas a brasileira disse que aquela região era um dos lugares mais caros pra se comer em Londres. Ela nos aconselhou ir a Oxford Street.
Claro que conversamos muito com a brasileira. Ela estava muito nostálgica e encontrar-nos foi bem emocionante para ela.
Trocou telefone, e-mails e disse para ligarmos pra ela se precisássemos de ajuda ou lugar para se hospedar. Eu e a Ju agradecemos, mas dissemos que essa era a nossa penúltima noite na cidade. Demos um grande abraço do Brasil na nova amiga e seguimos pra Oxford.

Como eu gostei de Oxford!
Lá, além de almoçar, compramos mais eletrônicos…

Na Oxford Street tem lojas de tudo.
O movimento de transeuntes é estonteante.
É um caos em meio aquele trânsito dos ônibus de dois andares…

Ficaria o dia todo ali apenas olhando as pessoas na rua.

Esticamos até Nothing Hills onde conhecemos o amigo português que nos ensinou o caminho até o restaurante mais gostoso de Fish ‘N’ Chips.

Portugues

Chegamos envergonhados no bonito restaurante.
Aquele restaurante escuro e perfumado parecia ser um lugar de muitos dedos e narizes torcidos.

Fish-&-Chips-Mesa

O gelo foi quebrado assim que nosso garçon veio nos cumprimentar.
Em poucos minutos eu já estava contando histórias do Brasil para o humilde mongolian garçon.

Fish-&-Chips-Mongolian-2

Disse pra ele que jamais tinha conhecido alguém da Mongólia, que era uma honra.
Pronto, foi o suficiente para cativar o garçon, que se mostrou extremamente simpático.

Ele nos trouxe uma porção generosa do prato tradicional, pois dividiríamos.

Fish-&-Chips

O Fish ‘N’ Chips pra quem não gosta de peixe é perfeito.
Aprovadíssimo!

Fish-&-Chips-Jo

Eu até estava com o pé atrás, pois não sou muito fã de peixe.
Mas foi só ver aquele prato crocante olhando pra nós, que eu até esqueci que era peixe.

Que combinação de sabores!
O peixe empanado é servido com molho tártaro, mushy peas (purê de ervilhas) e muitas, muitas batatinhas crocantes.

Humm… É um espetáculo gastronômico, pena ser tão gorduroso.

No final das contas, tiramos mais fotos com o simpático mongoliano.

Fish-&-Chips-Mongolian

A amizade foi tão instantânea, que até as inglesinhas que estavam no caixa quiseram tirar fotos com a gente.

Fish-&-Chips-Friends

Os clientes não entendiam aquela bagunça.
Eu fiquei literalmente vermelho de vergonha… Hahahaha…

Demos uma boa gorjeta.

A tarde fomos bater perna nas impecáveis lojas da região.
Voltamos pro hostel pra guardar as sacolas de compras e apanhar o tripé para algumas fotos noturnas.