Arquivo da categoria: Performance

Pequenos shows ou apresentações intimistas

149- Vc Não Pode Tocar Com As Cordas Quebradas

broken-strings

Quando ouvi este dueto do James Morrison com a Nelly Furtado, a primeira coisa que veio a minha cabeça foi essa música:

Claro que ambas tem atmosferas diferentes, mas no fundo no fundo, elas tem a mesma alma.

Por anos ouço When You´re Gone do Bryan Adams Feat. Mel C.
Contagiei irmã, irmãos…
Ela sempre foi única.

Foi até que ouvi Broken Strings.
Foi paixão a primeira audição.

Sempre admirei demais o trabalho do James Morrison, e até que simpatizava com a Mrs. Furtado, mas puta merda, esse dueto ficou simplesmente perfeito!

Não dá!
Não consigo parar de ouvi-la.
Consigo ouvi-la sem parar 29 vezes por dia. É algo surreal para os meus padrões.
Não sei o que há de errado comigo! Hehehe…

Ps1: Clique na imagem para download da mp3;
Ps2: Dedico Broken Strings para minha alma distante, que levou um pedaço generoso do meu coração;
Ps3: Dedico o vídeo de When You´re Gone para o visitante islandês que já deve ter regressado à ilha de gelo;
Ps4: Dedico o vídeo de Broken Strings para a Mari, garota nova lá da Cria (fã da Gabriella Cilmi) e para o meu italianíssimo Tio (que vai gostar de ouvir a tiazona falando italiano).

______________________________

Broken Strings

Let me hold you
For the last time
It’s the last chance to feel again
But you broke me
Now I can’t feel anything
When I love you,
It’s so untrue
I can’t even convince myself
When I’m speaking,
It’s the voice of someone else

Oh it tears me up
I try to hold on, but it hurts too much
I try to forgive, but it’s not enough to make it all okay

You can’t play on broken strings
You can’t feel anything that your heart don’t want to feel
I can’t tell you something that ain’t real
Oh the truth hurts
And lies worse
How can I give anymore
When I love you a little less than before
Song words are provided by Geniusbeauty.com

Oh what are we doing
We are turning into dust
Playing house in the ruins of us
Running back through the fire
When there’s nothing left to save
It’s like chasing the very last train when it’s too late

Oh it tears me up
I try to hold on, but it hurts too much
I try to forgive, but it’s not enough to make it all okay

You can’t play on broken strings
You can’t feel anything that your heart don’t want to feel
I can’t tell something that ain’t real
Well the truth hurts,
And lies worse
How can I give anymore
When I love you a little less than before
But we’re running through the fire
When there’s nothing left to save
It’s like chasing the very last train
When we both know it’s too late (too late)

You can’t play on broken strings
You can’t feel anything that your heart don’t want to feel
I cant tell you something that ain’t real
Well truth hurts,
And lies worse
How can I give anymore
When I love you a little less than before

Let me hold you for the last time
It’s the last chance to feel again

142- Love Message

Ps: Watch in HD.

120- Desfile Das Campeãs – Anhembi 2009

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O Carnaval deste ano teve um significado especial.
Além do fato de ter participado dos dois projetos, Camarote Bar Brahma 2009 e Camarote SP Turis 2009, caminhar até o trabalho, diariamente, fez com que algo se acendesse no meu coração.

É que no caminho da estação do trem até à Cria, há um galpão improvisado da Pérola Negra bem debaixo de um viaduto, cheio de carros alegóricos em construção.
Acompanhei os talentosos do carnaval darem vida aos mais notáveis seres mágicos. Da fibra de vidro ao plástico, do aço e ferro retorcido às madeiras, carpete, lantejoulas, plumas e espumas…
Era algo progressivo.

Cheguei à festa na calada da noite.
A noite estava preciosa, quente e sem gotas de chuva.

De onde vem tanta magia?
Por que as pessoas saem do seus corpos nessa época?
De onde tiram tanta força?

Como as pessoas se dão para fazer esta festa acontecer. Dão sangue, suor e lágrimas.
Como pessoas simples se transformam em voluntários habilidosos.

Essas imagens de tanto trabalho e dedicação me acompanharam por muitos meses, principalmente nos dias que antecederam os desfiles.
Ver essa evolução toda preparou meu espírito para o que eu encontraria no Sambódromo.

Capturei o giro da porta-bandeira e seu animado mestre-sala.
Reparei na lágrima que escorreu dos olhos da baiana quando ela passou por mim.

Encontrei a magia inexplicável.
Encontrei a sabedoria no rosto dos mais jovens.
Encontrei a alegria infantil estampada na cara das pessoas mais velhas.
Encontrei a explosão de prazer que anestesia dor e cansaço.
Encontrei o orgulho estampado no peito daqueles que passavam por mim.

Nunca pensei assistir tal espetáculo de tão perto.
Estava colado à beirada da avenida.
Todos passavam por mim…

Uma costureira…
Um advogado…
O médico e o paciente…
O chefe e o empregado…

Vi belas meninas com seus corpos dourados.
Mas também vi senhoras com a alma dourada.
Todos iluminados…
Todos usando máscaras…

Nesse dia todos são especiais…
Todos brilham…

Carnaval é religião, é necessidade.
É hóstia para o corpo, é alimento para a alma.
Cai em nossas cabeças como luz divina.
Percorre nossa medula como adrenalina.

Dava pra sentir o pulsar dos corações e artérias…
Dava pra ouvir a respiração…
Dava pra desejar boa sorte e ser agradecido com um olhar…

Cada um é uma pequena lantejoula…
Uma pequena lantejoula do todo que brilha e invade a avenida como uma onda…

O Carnaval transforma as pessoas.
O Carnaval contamina a carne, provoca sorrisos, explode em desejo.

Assim vi passar a Gaviões, a Mocidade…
Assim percebi que toda vez que a bateria se aproximava, eu ficava eufórico…
Não dá pra imaginar outro lugar pra estar.
Se eu for algum dia desfilar, é nessa ala que eu vou.

A massa evolui.
Cada ala tinge a avenida de vida.
Um mar da cor do arco-íris.
Um arco-íris humano, cheio de pais, esposas, avós, amigos, filhos, tios, sobrinhas e compadres.
Se a família não está na avenida, está assistindo, se não está assistindo, está de alguma forma conectada a alguém que está flutuando nesse mundo.

E completamente apaixonado por tudo, nem percebi que o dia chegava.
Havia perdido a noção do tempo/espaço.

Voltei para o Aeroclube para tomar o café da manhã em grande estilo lá no bar do hangar.
Finalmente um Carnaval pra se falar até o fim da vida.

111- SPFW 2009 & Animale

O processo criativo de um projeto cenográfico desde sua sementinha até seus frutos, passa por muitas mãos habilidosas.

É pensado dentro do cérebro, rabiscado em folhas brancas, escaneado, impresso, discutido, modelado em 3d, iluminado, construído, produzido, montado, pintado, transportado…
Envolve centenas de pessoas, atinge milhares…

Fazer parte desse processo faz bem pro peito.

Nem sempre temos oportunidade de compararmos o produto final ao nosso trabalho digital.
Quando temos, agarramos a oportunidade com as duas mãos.

Assim, acabei dia desses lá na SPFW pra visitar três espaços produzidos pela Criacittá: Oi, Havaianas e TAM.

Não consegui ver o espaço Havaianas, mas sapecamos por Oi, com direito a drinks e fotos da imensa estante de vidros cheios de brasilidade. (Lembro-me de ficar caçando texturas de pimentas e sementes brasileiras pra ilustrar o layout)…
Acabei até sendo fotografado no backdrop da Oi Fm.

O evento em si estava maravilhoso como sempre. Já havia trabalhado na SPFW na época que eu estagiava na Casio. Patrocinamos Carlota Joaquina.
Dessa vez fomos pela Criacittá.

Rapidamente encontramos o espaço TAM.
Nossa fada madrinha liberou VIPs e entramos todos naquele universo incrível.

O espaço TAM estava impecável.
Nem quem viu o projeto no papel não acreditava nos que os olhos mostravam.

De cara, ao entrar, já vi o Wado (chefe do nosso departamento) em todas as Lcds.
Ele era o apresentador do programa que a TAM preparou sobre artesanato do Brasil.

O Projeto TAM já nasceu promissor.
Nem bem tinha cara e já tinha brilho próprio.

Wado viajou durante dez dias para os principais destinos do país para buscar referências e obras do artesanato nacional.
De Belém do Pará à Olinda, ele coletou, pesquisou, fotografou e adquiriu a essência cultural de um Brasil colorido e criativo.
Quando regressou à empresa, trouxe consigo muitas fotos, histórias e obras de arte.

Ver tudo aquilo foi fundamental para que toda o processo criativo fosse único e muito verdadeiro.

Da logotipia inspirada na literatura de cordel ao sabor colorido de quitutes irresistíveis e originais preparados pela chef Ana Trajano… Da artesã Lili Castro que, dia a dia, bordou um vestido de festa do estilista Lino Viallaventura…
Estar ali, misturado aquelas cores e sabores, junto com amigos, chefes e fashionistas foi sem dúvida inesquecível.

O brinde da TAM foi o mais bacana de todos: uma dessas garrafinhas decoradas com areia colorida.

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Isadora, a nossa estilista da casa, conseguiu pra mim entrada para o desfile da Animale.
Não foi fácil entrar no desfile.
A entrada que a Isa havia me dado era diferente das entradas das outras pessoas na fila…

Eu perguntava para os seguranças o porquê da minha entrada ser diferente das demais e eles me mandavam ir conversar com assessoria.
Quando eu encontrava o pessoal da assessoria, eles me mandavam conversar com os seguranças…
Falei com Deus e o mundo da Animale, e todos não quiseram nem saber como eu tinha conseguido uma entrada diferente.
Cheguei quase a desistir de tentar entrar, mas já que estava por ali…

E foi assim, do nada, que uma senhora da fila olhou pra mim e me deu um ingresso válido!

O resto da história pode ser conferido nas fotos que tirei.

Juro que tentei encontrar a senhora caridosa. Precisava agradecê-la… Mas já não mais lembrava da fisionomia dela. Eram todas muito fashion…

O desfile foi animal.
Por mais muvuca que seja a experiência, na hora que as luzes se apagaram e a música começa a tocar, o coração sempre bate mais forte.
É bacana ver as meninas desfilando.
A coleção da Animale desfilou futurista, com cortes bacanas, armaduras redondas.

Por mais distante que seja viver esse universo, é interessante fazer parte dele, mesmo que por alguns instantes.
Definitivamente dá vontade de fazer moda.

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107- Retrospectiva

Feliz Ano Novo, galera!
Tudo de bom no novo ano que se inicia.

E pra comemorar o velhinho ano de 2008 que já está quase acabando, alguns cliques perdidos e aleatórios.
Grandes momentos, inesquecíveis situações, amigos, amigos e mais amigos.

Que 2009 seja 2008 elevado à décima potência! Em todos os sentidos!
Feliz Ano Novo!
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Auditório do Anhembi, 100 Anos de Imigração, By Ber:

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Leika Land, irmã, grife e bazar:

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Boa Mesa, boa comida e ótima companhia:

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Nossos almoços malucos no Boa Mesa:

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Porque a hora do nosso almoço é sempre divertida:

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Presente de Ber: Club 8 no Sesc Vila Mariana – VIP

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Pra quem não ouviu o som dos caras, o último Zshare do ano: ***Download Mp3***

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Aventuras pelo hotel:

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Encontrão 2008. Meus queridos:

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A secretária mais bonita do mundo:

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Dj Carioca:

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Esfiha sabor 2D:

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Penetra:

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Fazendo o que sei fazer melhor:

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Noitada de amigos:

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Sorriso & Riso:

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O casal nota mil:

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Doce traição:

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Pessoas fabulosas:

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Família Criacittá:

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Björk Boys At Fnac By Zazie:

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Grande companhia de 2008:

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The Patience Boy:

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Pelas ruas de Sampa City:

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Tennis Club:

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Workshop de Nô:

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2008 foi um ano de crescimento.
Que 2009 seja um ano de iluminação.
É o meu desejo para todos que por aqui passarem.
Nos vemos em 2009!

62- 100 Anos Da Imigração Japonesa

Parte 1: Do Tietê Para O Anhembi

14 de Junho de 2008. E lá fomos nós para o primeiro dia de comemorações dos 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil no Anhembi.
Fomos à pé desde o Metrô Tietê. Ninguém sabia dizer se havia ou não condução gratuita.

A caminhada até o Anhembi não é muito minha praia, mas pra não perder o pique, resolvemos não perder tempo.
Chegamos aos portões de entrada e encontramos uma carência de multidão.

Será que eu havia errado o dia?

O porteiro pediu para atravessarmos a ponte principal.
Contornamos aquele hotel amarelo e caímos diretamente no lounge oriental.

De cara, percebi que aquele lugar iria ser perfeito para um futuro cochilo.
Mal sabíamos que aquele lounge seria palco para futuras acrobacias e pirações sonoras…

Bernardo é loco! Definitivamente é o cara mais divertido pra se levar a qualquer canto. A presença dele por si só, já é garantia de gargalhadas infinitas.
Ele nem chegou a sentar no puff… Ele já foi virando cambalhota!

As criancinhas não acreditavam naquele tio! Era bom demais pra ser verdade.
Em pouco tempo, a molecada começou a imitar a brincadeira e as coisas fugiram do controle.

Eu falei pra ele que ainda tínhamos um evento inteiro pra descobrir. Voltaríamos ali mais tarde, com menos luz! Hehehe…

Foi então que descobrimos o salão principal.
Aquilo tinha dedo do Hideki Matsuka! A arquitetura impecável daquele lugar, aquela decoração, aquelas cores e espaços vazios…

Por mais que eu tenha fotografado, ainda assim, deixei de fotografar tantas coisas bacanas!
Pensei que voltaria mais alguns dias, mas uma gripe do tamanho do mundo me pegou e realmente vou ter que me contentar com os três dias de visitação.
Mas acho que dá para passar o que eu senti nesses três dias.

Parte 2: Papero

Nem bem entramos no salão principal e já estávamos na fila pra conhecer o robô da NEC, o Papero.
O inventor japonês, o pai do robô, estava pessoalmente lá. Não dava pra perder essa!
A Globo mais uma vez entrou no meio da apresentação, atrapalhando toda a evolução… (E pensar que ainda falta eu aparecer na entrevista dos Yamadas)
Eu e o Bernardo estávamos de olho na camisa estampada que o japonês usava. Safado duma figa de um japonês mesquinho. Não deu a camisa pra gente nem com pedido polido em nihongô.

A apresentação só serviu pra gente aparecer na Globo mais uma vez e pra eu ter certeza de que eu quero um Papero.

Parte 3: Voluntária

Encontramos nos corredores alienígenas do pavilhão, pois os corredores estavam impecavelmente encapsulados de tecido branco, um salão cor-de-rosíssima de Pump It Up.
Lá conheci a Voluntária, uma amiga do Ber que nos acompanhou pra cima e pra baixo.
Conferimos as sakurás de papel, vimos ikebanás…

Ela nos conseguiu a programação e nos acompanhou à exposição de bonecos do Sr. Atae.

Parte 4: Yuki Atae

Meu, os bonecos de pano do Sr. Atae são impressionantes.
O olhar, a fisionomia, o corpo, as mãos e os pés…
As roupinhas, a humildade, a ingenuidade…

São tão lindos, tão lindos que dá uma nostalgia inexplicável.
Eu fiquei imóvel de tanta emoção.

Os detalhes eram preciosos, mas nada se comparava aos seus olhares. Eles enchiam os bonecos de humanidade, de vida. Nunca vou me esquecer.

Parte 5: Nós Gatos…

Até a gatinha mais famosa do Japão a gente encontrou por ali. Com direito a muita bala e sorvete mole.

Parte 6: Look At The Bright Side

E caminhando sem rumo, encontrei uma salinha oscilando rosas cítricos.
Não resisti aquele jogo de luzes. Rapidamente dei um jeito de fazer alguns cliques ali.
Foi dessa maneira que acabei descobrindo que ali aconteceria um visagismo.

Parte 7: Hibiki Family

Como disse, acabei sabendo do Visagismo da Hibiki Family por acaso.
Não podia perder. Não depois de ter contemplado o Visagismo da montagem da noiva japonesa em Amai Michi.

Sentei no chão, fiquei de frente para Akito-san.

A transformação é pura arte. Ela começa com força e decisão.
Akito-san se despe e vai para trás de um grande kasá vermelho se maquiar.

Lá, ele se esfrega.
Em uma massagem firme com as mãos, ele esfrega orelhas, nariz, olhos, pescoço, bochechas.
É como se ele estivesse se libertando de qualquer suor.

Rapidamente ele salpica aquele pompom cheio de talco branco pelo rosto, pescoço e peito.

Ele se despe com muita diversão.
Na hora de tirar seu jeans, ele brinca. O público ri.
Ele começa a passar o pompom na mão e começo do braço e ao pintar os pés, leva o pompom até o nariz e faz cara de chulé!

Seu corpo está enrolado por tiras, como numa múmia.

Ele volta para trás do kasá.
Ele se tinge de um branco mais puro. Traça linhas tênues de um vermelho que exalta a forma oval do rosto.
Ele modifica seus olhos. O caminho para a androgenia se dá.
Nos encara pela primeira vez com sensualidade.

Pinta os lábios com um vermelho explícito.
Nos encara novamente. É como se ele estivesse iniciando um ritual hipnótico.

Ele prende o cabelo com uma faixa.
Em poucos minutos, não há mais cabelos.

Com ajuda de seus irmãos, ele começa a vestir a primeira camada do kimono.
E assim ele vai até a última.

Do tamanco de 30cm à colocação da peruca que é quase um tesouro, todas as fases são de uma poesia visual.

Akito se vira em sua plenitude.
Seus movimentos são graciosos.
Ele arrasta os seus tamancos desenhando um caminho no chão.
Ele levanta o pé, congela o movimento, prende o impulso e solta em poesia. É inexplicável.

O mais próximo de explicar isso sem palavras, remete-se àquela apresentação do filme “Memórias de uma Gueisha”.
É simplesmente o máximo!

No final da apresentação, a família foi ovacionada.

Akito-san, simpático pra caramba, desceu da plataforma e explicou um pouco várias curiosidades.
O povo foi ao delírio.

Não resisti e fui pedir uma foto com ele.
Porém, a cena mais engraçada ficou na hora do agradecimento.
Ah, se as imagens falassem! Hahaha…

53- Fragmentos De Tokyogaqui

Por João, Lemy & Bernardo.

Ps1: Domo arigatou, Hideki-san;
Ps2: Atenção Taubaté, o Tokyogaqui está chegando por æ!

43- Revirado À Paulista

A pressa na vida do intruso da Terra é sempre imparcial.
Ela ataca o sistema lúdico, afeta o imunológico, domina o nervoso.
Os intrusos vagueiam pela cidade cinza com suas mentes ocupadas de cifras. Vão e vem contabilizando somatórias, depositos, investimentos…
Estão com tanta pressa e já foram tão condicionados de que aquele espaço é apenas o espaço entre seus interesses, que passam por ele como se ele não estivesse ali.
Em alguns casos, a pressa serve de desculpa para a insegurança.
Aqueles que ainda mantém o hábito de olhar para os arranha-céus, despreocupados o suficiente para voarem em pensamentos, podem ser vistos desprovidos de malícia.
Infelizmente, andar com a cabeça nas nuvens pelo centro de São Paulo ainda é atrativo para os não tão bem intencionados.

Ainda posso me considerar um dos intrusos que estão sempre com seus pára-quedas sobrevoando os labirintos do centro de São Paulo.
Meu sistema lúdico ainda produz o combustível que me abastece, o imunológico ainda se fortalece com a maléfica poluição que sufoca os outros, o nervoso ainda se acalma com aquela atmosfera.

Amo o centro.
Mesmo com sua sujeira fétida, seus postes antigos, seus emaranhados cabos de alta tensão, suas pombas radioativas, seus descampados moradores…

O caótico centro velho ainda me desperta paixões.

Apesar da pressa ser uma constante na vida de quem vive em São Paulo, sempre que passo pelas ruas do centro, passo com poesia nos olhos.
Às vezes, o brilho poético é tão evidente, que é impossível evitar as faíscas.

Soa ser turista em sua própria cidade.

Já percorri quase todos os corredores, praças, esconderijos rebaixados, pontes e viadutos…
Já namorei fotograficamente as pessoas indo e vindo, apressadas, esticando suas vidas àquele lugar…
Já fui levado, já levei muita gente…

Só não tinha tido a experiência de passar uma madrugada inteira submerso nesse submundo.

Foi preciso um manézinho da ilha vir de Floripa, para me convencer a experimentar um mergulho noturno em minha própria ilha de concreto.

Começamos nossa Virada Cultural pela Paulista.
Descemos a Consolação até um Matsuri entupido de foliões culturais. Culpa dos 100 anos da imigração.
Os batuques dos taikôs japoneses abriram o apetite para a madrugada que se iniciava tímida.

O de Floripa entrou na fila do penteado oriental.
Eu e meus fios ficamos na nossa.

A noite era literalmente uma criança.
A ansiedade em percorrer o caminho até o centro estava ultrapassando os limites do suportável.
De longe, víamos a varredura à laser percorrer o céu e podíamos calcular o epicentro do terremoto.

Não dava pra apontar quem estava mais excitado com aquele carnaval noturno: se eu, com meu repertório paulista ou o amigo com sua juventude de descobridor…

Encontramos três influências antes de adentrarmos a bagunça.
Percorremos o restinho de Consolação até o começo da Ipiranga, e ao avistarmos o Copan, compreendemos o maravilhoso caos.

Não há como assimilar tantas sensações ao mesmo tempo.
É um mix de perigo com audácia.
É como participar de um ritual tribalístico.
É ser palco e platéia. Guerreiro e lança.

Andamos cautelosos por entre uma multidão de intrusos.
Pessoas de todos os formatos. Gente de todas as índoles.

As famosas esquinas paulistanas estavam cheias de vida.
Havia um palco em cada canto. Havia performances, encenações, shows, instantâneos…

Era como estar protegido por almas conhecidas, na verdade corpos desconhecidos.

Na altura daquelas horas, a liberdade de se arriscar em quilômetros nunca antes desbravados, oras pela impraticável possibilidade em se passar ali à luz do dia, deu a cada indivíduo a necessidade de marcha.

Todos sentiram essa necessidade.

Como se estivesse em uma procissão para uma outra dimensão, vi a minha frente um mar de cabeças em movimento serem bombardeadas por mil luzes.
A onda humana preencheu o Vale do Anhangabaú, circulou um palco de Jazz e subiu a ladeira para a XV de Novembro.

A imagem da Torre do Banespa com seu topo especialmente estroboscópico para a ocasião, insinuava em pulsos, que a cena eletrônica estava bem espalhada pela vizinhança.

A Lua parecia até meio apagada com relação à estrela ao seu lado.
Perguntei ao amigo se a estrela em questão não poderia ser um planeta…
Poderia bem ser Vênus ou Marte, mas também poderia ser Júpiter e seus satélites dançarinos…
Definitivamente, deveria ser a noite em que a Lua passa ao lado de Antares, Alfa de Escorpião, uma estrela 10 mil vezes mais luminosa que o Sol e (sorte nossa!) 37 milhões de vezes mais distante.
Vermelha, gigante, brilhante e exibida. Tenho certeza de que era ela observando os ravers.

Acabamos nosso surfe pelas bordas do Mosteiro de São Bento.
Os holandeses com a sua Silent Disco estavam contrastando total com o resto da Virada.
No meio da barulheira, uma cápsula invisível abrigava mais ou menos 500 doidos varridos com phones plugados em seus ouvidos.
O projeto experimental holandês promoveu uma balada sem som, pelo menos para quem via. Quem, assim como nós, conseguiu um dos 500 fones de ouvido que eram distribuídos em turnos, ouviu a discotecagem do NO DJ (Nico Okkerse). O repertório incluiu eletrônico, mas também “músicas para cantar”, internacionais e nacionais. A intenção era que os participantes dançassem e cantassem, enquanto os espectadores observavam o agito silencioso.

Os turnos variavam entre 40 minutos.
Os phones eram distribuídos para aquele determinado grupo de baladeiros, o DJ conduzia a balada e a fila para o próximo turno ia se alongando até o Viaduto da Santa Efigênia.

Como a idéia parecia irresistível, o interesse foi instantâneo.
Apesar da fila estar começando a dominar o viaduto, não hesitamos em enfrentá-la.
Após longos minutos de espera vendo aquela balada se conduzir sem som, num dos lugares onde reinam o silêncio e a reflexão, finalmente chegou nossa vez.

A contaminação encheu nossos corpos de ansiedade infantil. Parecia que estávamos à frente de entrar num carrinho de montanha-russa.
Fomo os primeiros a receber os phones. Corremos para a pista vazia.

Uma música inclassificável nos remeteu ao velho oeste. Por mais western que soasse, ela tinha um pé na Escandinávia.
De repente, o western deu lugar a uma piração sonora indiana e do mesmo jeito, a universal batida eletrônica veio globalizar, sincronizar e falar a mesma língua dos ravers.

Dancei.
Dançamos.

Descobri ali, sob a luz da Lua e de Antares (ou seria Marte?), a Liberdade…
Não importava dançar de frente para o DJ ou para a centena de policiais do batalhão de choque que nos assistia. Importava dançar como um intruso pagão.

Aproveitei a escolha eclética do DJ, aproveitei o espaço da pista, aproveitei aquelas badaladas dos sinos poderosos do Mosteiro, aproveitei aquela madrugada irreal.

Corri!
Corri dançando! Dancei lançando feitiços, simulando artes marciais, demonstrando meu poder corpóreo e produzindo faíscas… Sempre…

Era como estar num transe religioso. Não havia limite, não havia vergonha ou timidez.
Eu podia ser um índio, um bruxo, um canibal. Eu dançava para a chuva, para a Lua, para me elevar às estrelas…

Dancei contemplando a arquitetura do Mosteiro, dancei contemplando a loucura de pessoas curiosas me observando, dancei pros outros, mas dancei pra mim. Dancei aqui, dancei ali, perfurei turmas e invadi espaços…

O mais bacana foi que o amigo me acompanhou.

Os longos minutos que a gente passa esperando na fila…
Os mesmos minutos que a gente gasta dançando na pista…
Incrível como o tempo é relativo!

Quando o gás se perdeu e o cansaço pareceu pesar a respiração, o DJ percebeu a cena e lançou sua magia mais sofisticada: Madeleine Peyroux e sua Dance Me To The End Of Love.
Hehehe… Jazzísticos como somos, quase não acreditamos na nossa sorte! Eu e o amigo do cabelo nipônicamente preso, rastejamos nossas coreografias numa performance à la butô.

Após entregarmos os phones, percebemos o quanto tínhamos nos desgastado. Eu estava totalmente sem energia.
Fomos para o Café Girondino e só saímos de lá quando sentimos a força voltar as nossas pernas.

Do Largo São Bento, fomos caminhando em descobertas até a Aurora.
Diferente da procissão na vinda, a volta foi mais calma. As pessoas nas ruas pareciam estar alimentadas de felicidade.

Por mais que eu andasse com as antenas bem dispostas na cabeça, o perigo parecia invisível aos nossos olhos. Deveriam existir vários seres a se evitar, mas estávamos com tantas faíscas do bem, que nosso campo magnético repelia qualquer tentativa negativa de interferência… A madrugada era para ser formidável.

Encontramos o artista Matsuhei perdido debaixo de uma performance equilibrista.
Ele estava por ali desde o show da cabo-verdiana Cesária Évora.
Super amigo do Ber, foi realmente sorte reencontrá-lo em tal situação. A última vez que o vi, foi no Resfest da Miho, ex-Cibo Matto.
Esse guri, além de talentoso é super eclético: vai de Miho à Kahimi Karie, passa por Pizzicato Five e ainda chora com música tradicional de Okinawa…

A conversa boa ainda se alongaria pela lenta caminhada até as catracas do metrô: superflat, shibuya-kei, instalações, butô…
Despedi-me dos irmãos de afinidade e embarquei sonolento numa viagem de pensamentos.
Pensei em descer na Luz e dormir no apartamento vazio da minha irmã… Desisti… Com certeza eu não teria pique pra uma Revirada.

Cheguei em casa e já era dia, dia, diiiia…

Ps: Não levei a câmera, mas fiz uma pesquisa de imagens com as tags (viradavultural2008, silentdisco e mosteirosaobento) e encontrei um pouco do que eu vi e vivi. Todos os créditos fotográficos são de usuários do Flickr.

40- Peregrinação Cultural

1. Haru No Umi

O dia 19 de Abril começou bem cedo.
Eu precisaria estar às 11hs na Caixa Cultural para assistir Mar De Primavera de Camilo Carrara e Tamie Kitahara.

A casa estava cheia.
O hype era grande!

O show começou com uma música que eu não conhecia.
O violão de Carrara-san e o kotô de Kitahara-san eram puro equilíbrio.
O dedilhar de dedos entre o ocidente e o oriente teceu uma atmosfera hipnotizante que me fez esquecer de registrar a primeira música.
Talvez seja culpa da riqueza de harmonia ou da felicidade explícita reverberada nos quatro cantos da casa. A única certeza que eu tinha, é que aquela primeira música havia me desestruturado.

As demais músicas repassaram aquela atmosfera mágica encontrada no Cd solo de Carrara-san, Canção Do Sol Nascente. Músicas mais atmosféricas, aquela poesia sonora para se elevar o espírito.

Enquanto o violão improvisa, a mestra focaliza a tradição. O casamento não poderia ser mais feliz. Em pouco tempo estávamos todos num estado de graça e paz.

Violão, kotô, shamisen… As cordas se misturavam em sons etéreos.

Como se não bastasse ser um músico formidável, Carrara-san se mostrou excelente professor.
Ele tem ótima didática para comentar suas evoluções, explicar alguns termos técnicos de suas criações musicais e, entre uma canção e outra, contar como conheceu a música tradicional e folclórica japonesa.
Coincidências ou não, Camilo Carrara foi apresentado a este tipo de música, através de uma coletânea emprestada por um amigo. Foi amor a primeira audição.
Ele também ganhou aquele fantástico catálogo de compilações da música infantil e tradicional do Japão, presente da exposição de Taizi Harada em São Paulo e suas ilustrações sobre as 100 mais famosas canções japonesas de todos os tempos. A partir deste catálogo, que trazia as 100 partituras, Camilo começou a tocar as 100 canções em seu violão.
Por não ter tido outro tipo de contato com este universo, tudo o que ele tinha eram as partituras.
Apesar das informações anotadas e todos os detalhes que acompanham a música escrita, ele acabou desenvolvendo uma nova maneira de tocar aquelas canções, ora mudando o tempo, ora improvisando… A questão é que ele desenvolveu um jeito único e totalmente novo de interpretar aquelas tradicionalíssimas canções.

Conversando com ele mais tarde, expliquei que tínhamos uma história parecida para com estas canções.
Apesar de não ser músico, eu também fui apresentado a estas canções através de uma coletânea infantil: Yu – Yuyake Koyake; e havia ganhado os catálogos do Taizi Harada e me inspirado a criar um dos meus futuros projetos, fazer exatamente “o caminho oposto” ao Taizi Harada em suas ilustrações.

Pela primeira vez, conversar sobre kodomo no uta (músicas infantis japonesas) não era um bicho de sete cabeças.
Eu nunca soube explicar direito porque essas músicas me emocionavam tanto…
A verdade é que pela primeira vez na vida, eu não precisava me explicar, o Camilo me entendia perfeitamente.

Ele ficou surpreso ao constatar que eu não era músico, muito menos tivesse qualquer descendência japonesa.
Foi uma conversa muito simpática.
Grande figura, o Camilo Carrara!

Careimi me disse que após o espetáculo, quando eles foram almoçar no patrocinador, Kitahara-san falou de mim. Disse que ficou realmente honrada em saber que Nanatsu No Ko havia me emocionado daquele jeito.

Eu não resisti. Assim que terminou o show e a Globo liberou a Kitahara-san da entrevista, fui lá agradecê-la.
Poder ver e ouvir alguém cantando e tocando lindamente uma das minhas kodomo no uta preferidas, não é algo que se vê todos os dias.
Comentei o quanto essa música era importante, falei do meu projeto de desconstrução do Ukiyo-ê para com as canções brasileiras e cantamos um trechinho de Chinsagu no Hana, uma das mais tradicionais canções de Okinawa.

Despedi-me de todas essas figuras talentosas e agradeci demais a anfitriã Careimi.

Guardei tudo no coração, mas consegui registrar o momento de maior emoção:

2. Koinoboris no CCBB

Da Praça da Sé até o Centro Cultural Banco do Brasil é um pulinho.
Como eu ainda tinha que passar até alguma papelaria pra comprar grossas canetas pretas pra desenhar a noite, resolvi esticar a perna até o “Gringotes” (apelido carinhoso que a Veresa deu ao edifício do CCBB).

Apesar das interessantes exposições de Foujita e Kaminagai, gostei apenas da expo do jovem Mori, o garoto de 14 anos que era um prodígio na pintura na década de 40.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção estava pendurado na clarabóia.

Um móbile de Koinoboris, as birutas japonesas em forma de carpa que são hasteadas por todo o Japão para comemorar o dia dos meninos.

3. Florescer Das Cores na Pinacoteca

Desci até a 25, comprei minhas canetas (que usaria no Tokyogaqui), vi o preço do Ds pro Ber (R$360,00 Lite), passei no apartamento da minha irmã pra almoçar, descansei 30 min., atravessei a passarela da Luz e cheguei à Pinacoteca.

Fui ver a exposição dos kimonos e cerâmicas do período Edo, aproveitar que de sábado a entrada na Pinacoteca é gratuita.

Aquilo tava apinhado de estudante de moda…
Não pude fotografar os kimonos. Tive que sossegar com a foto do site! Que crime!

Aquilo é um tesouro! Doeu só de olhar.
Séc. XVII!
Como eles podiam vestir aquelas obras primas naquela época?
O japonês estava a anos luz de distância fashion dos outros povos!

Cada kimono é divino.
É até falta de educação imaginar um homem usando tal perfeição.
Inacreditável como são confeccionadas as costuras, seus motivos… Os kanjis saltam aos olhos em seus fios de ouro. A direção da linha, o movimento…

Fui então conferir as cerâmicas e percebi muita influência chinesa.

As caixas decoradas com os brasões circulares em ouro fazem a imaginação da gente ir longe. Impossível não pensar que tipos de tesouros elas guardavam, como se vestiam seus donos, em que tipo de armário eram guardadas…

Saí de lá frustrado por não ter podido fotografar. Não mais frustrado, pois aquilo é de uma delicadeza tamanha e se todos os visitantes que por lá passassem, metralhassem flashes e mais flashes, era certo que esses tesouros não durariam mais alguns séculos…

A frustração evaporou-se ao me deparar com a “Contaminação” da portuguesa Joana Vasconcelos dentro do Projeto Octógono.

Putz! Sei que isso não tem nada a ver com o Superflat, mas meu, era totalmente Superflat!

A massa disforme tentacular com suas imensas tetas e sua genitália colorida contaminava as paredes e os dois andares da Pinacoteca.

Afundei-me em suas curvas. Só depois me toquei que não podia afundar do jeito que eu afundei. Eu literalmente mergulhei na contaminação da Joana.

Gomen ne?

4. Sumô X Huka-Huka

Desci voando a escadaria da passagem subterrânea em frente à Pinacoteca para tomar o metrô. Aquele mundo underground de transferências, corredores, baldeação e confusão da Estação da Luz ficou coisa de primeiro mundo! Lembrou-me o agradável caos do aeroporto de Milão.

Desci no Trianon. Queria pegar a expo de azulejos portugueses no Sesi, mas já havia passado das 18hs.
Segui o velho caminho até o Sesc Paulista e o Festival Tokyogaqui.

Retirei meu ingresso para a apresentação do Versus.

O ringue provisório já estava esquematizado.

Foi muito interessante ver uma luta de Sumô, mesmo que de projeção menor.

Já a luta dos índios Xingu foi muito mais que interessante, foi realmente cativante. Os índios conquistaram todo mundo.

Quando eles fizeram Sumô X Huka-Huka, não houve quem não reparasse que a torcida era unânime para os sólidos índios!

5. Gomuñiquetan

Santo Deus!
Falar de Butô é algo novo pra mim.
Faltam-me adjetivos pra ilustrar justamente.

Após ter vagado como um fantasma por vários dias no espaço Ohno 101 + Kusuno, após ter conferido as inúmeras fotos da exposição, após ter lido alguns artigos nos jornais em painéis nas paredes e ter visto alguns vídeos de apresentações de Takao Kusuno, após e somente após eu crio coragem pra tentar falar um pouco sobre esse tema.
A gente percebe que apesar da primeira estranheza, o Butô é de uma originalidade artística completamente fodástica.
Acho que por isso, e apenas por isso que eu posso dizer que estava preparado para a performance da inacreditável Patrícia Noronha.

Estava tudo lá, desde a performance daquela mulher semi nua que se equilibra com as nádegas, até A Argentina!

A coreografia forte, poderosa, infalível, quase mumificava a artista. Seu olhar vazio era profundo, como se pudesse ver o fundo da alma e nada lá houvesse.

Não sei falar muito bem sobre o Butô, mas sei sentir.
A descentralização do palco, os movimentos acontecendo longe dos nossos olhos, a escuridão e os certos focos de luzes… O suor, o nu, a carne, o vestido, a música…

Saí de lá com um encantamento perturbador.

6. Fragmentos De Qioguem?!

Desci até a recepção prevendo que os ingressos estariam esgotados. Nas últimas duas horas eu estava em constantes apresentações…

Não deu outra. Dos 40 lugares disponíveis, 40 a mais foram arranjados de última hora em almofadas no chão! Não caberia nem metade da mim…

Bah, não custava nada tentar com os chefões do Sesc. Eles sempre me vêem ali, sabem que eu sou um cara do bem, nada bagunceiro, apreciador, respeitador…
Quem não arrisca, não petisca!

Hehehe… A sorte mais uma vez estava do meu lado. Finalizei a minha noite com muitas risadas.

Qioguem foi uma colagem de boas idéias.
Foi como se eu estivesse assistindo aquela apresentação de Kagura ou Nô no Bunkyo, tendo a tecla SAP pressionada.

7. Banda Sinfônica Jovem no Memorial

A Peregrinação Cultural que se iniciou no dia 19 e terminou na noite do dia 20 desse final de semana fechou-se com chave de ouro. Fui assistir mais uma apresentação da irresistível Banda Sinfônica Jovem com regência de Mônica Giardini.

O programa da vez foi um apanhado de vesuvius, zimbos, samba 40º, fantasias espanholas, batukes e até uma rapsódia dividida em alegro, moderato, andante e presto! Dia 18 de Maio estarei lá de novo!

Não sei da onde tirei tanta disposição, mas em dias assim, temos que aproveitar a saúde das nossas fortes pernas e deixá-las nos conduzirem.
Outra dessas, sabe-se lá quando!

37- Amai Michi (Caminho Doce)

Um antigo amigo meu, há muito tempo perguntou-me porque alguém se interessaria em assistir uma performance cujo tema consistisse em maquiar, vestir e compor uma noiva tradicional japonesa.

A minha resposta não o convenceu.
Eu disse que no meu caso, o simples fato de apreciar tanta precisão e ritual, no mínimo me encheria de referências e estímulos para as tantas gueixas e kimonos que eu vivo a desenhar.

Após encontrar Mr Ber e Mrs Sae, corri para o Sesc!
5 minutos para o início da performance me fizeram perder o fôlego.
Ultrapassei uma obaa-san tão kawaii na rua… Ela levava uma tábua de passar roupas debaixo do braço duas vezes maior que ela, parecia uma surfista…

Finalmente cheguei na recepção.
Apertei o botão do elevador cheio de adesivos, entrei. Apertei o botão do 5º andar e quando as portas estavam se fechando, ouvi uma vozinha que parecia não ter corpo dizer: “-Segura pra mim, onegai!”.
Era a obaa-san kawaii com a sua tábua de passar roupas: um kotô!!!
D+!

Antes de adentrar o espaço, antes de apanhar as duas almofadas e me espreguiçar no chão logo em frente ao palco (meu lugar preferido pra assistir aos eventos), antes mesmo do silêncio, lá estava a artista em sua árdua e deliciosa tarefa.

Artista plástico nem sempre é aquele que pinta quadros ou esculpe em pedra e madeira.
A Martha Lacerda e seus procedimentos escultóricos que o digam.
A encontrei por acaso, ainda não compreendendo muito o que a performance traria. Ela já havia começado e ainda não havíamos entendido.

Com uma paciência de fazer inveja à abelhas e formigas, a Martha, silenciosa e produtiva, esculpia no chão o seu caminho de flores cor-de-rosa.
Ela peneirava incansavelmente em sua fôrma de flores vazadas, a graciosidade.

Às vezes, as pessoas, assim como eu, a interrompiam para perguntar o que era aquele pó cor-de-rosa que ela estava usando ou quando é que a noiva entraria.
Ela dizia que haveria bastante tempo, o ritual de maquiar e vestir uma noiva com os trajes tradicionais levaria umas boas duas horas.
Compreendi um pouco esse triângulo que se revelaria.

A noiva entrou e se sentou de frente para um imenso espelho.

A obaa-san kawaii entrou vestindo seu kimono levemente infantil.
Ela já flutuava com suas roupas normais e sua tábua de passar lá embaixo na rua. Aqui, ela parecia mais leve e pequenina.
Ela se sentou, colocou os trastes móveis nas cordas do seu instrumento e pincelou o seu kotô. Soprou uma espécie de gaita em formato de uma estrela do mar para confirmar a afinação e dedilhou a primeira melodia.
O som do Japão preencheu o ambiente.

Enquanto a noiva era maquiada, vestida, amarrada, enrolada, pintada, contornada, sacudida, girada, erguida… A Martha salpicava o seu caminho doce e a obaa-san conduzia a trilha sonora.

As três mulheres e os dois procedimentos escultóricos tangenciavam-se.

A noiva está pronta!

Ela se coloca precisamente ao final da construção e caminho da escultura em açúcar com seus sete metros.

Ela caminha sobre esta passagem, entrecruzando, dissolvendo e, ao mesmo tempo, compondo outra e a mesma obra.

O desfile lento favorece a contemplação.
Os movimentos da noiva são precisos e imperceptíveis.

Aos poucos ela vai transformando o caminho, exibindo a escultura que é a sua vestimenta.

No fim de tudo, conseguimos mostrar um pouquinho da nossa admiração em uma foto com o ícone máximo da performance.

Não há palavras pra descrever tamanha beleza.

Eu realizei o sonho de assistir um ritual desse naipe. Nunca mais vou olhar do mesmo jeito quando vir uma mulher vestida assim.
Agora só falta assistir uma apresentação de gueixa e me darei por satisfeito.

Espero que meu antigo amigo compreenda melhor agora.