186- 11) Tour à la Tour

Alguns esperam menos, outros esperam mais.
Eu esperei 33 anos por este momento.

Acho que sonhei com isso a vida inteira.
Estar aos pés da Torre Eiffel.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de estar embaixo de uma torre treliça de ferro do século XIX.

(Ps: A bichinha tava seca por um pão francês, não queria nem ouvir falar em croissant. Queria achar uma baguete. Hahahaha)

A Dama de Ferro é impressionante!
Se hoje ela é capaz de causar tamanha excitação em mim, o que ela não provocava nas pessoas na época que foi construída?

Há muita magia na região do Champ de Mars.
Mais do que subir a torre, eu tinha uma curiosidade absurda em caminhar por essa região do Champ de Mars e explorar melhor a base onde a torre está instalada.

Não conseguia entender como um elevador podia subir lateralmente.
Ficava imaginando por onde as pessoas entravam, por onde elas saiam, se as filas eram muito grandes, qual o tamanho do elevador, como a luz do sol entrava pelas treliças…
Como seria olhar de lá de baixo para o topo da torre…

Fiz tudo isso e posso dizer que foi o máximo.

A Torre Eiffel é absurdamente estonteante!

A manhã que emoldurava a torre estava fria e úmida.
Decidimos deixar pra subi-la no final da tarde, para contemplar o pôr-do-sol e ver a cidade luz como ela deveria ser vista.
Se o tempo insistisse em permanecer ruim, deixaríamos para o outro dia.

Atravessamos a Quai Branly e seguimos pela Pont d’léna até a Place de Varsovie.

Subimos a ladeira até o Trocadéro, claro, olhando sempre pra trás.

Então eu compreendi: é no Trocadéro que temos a Torre Eiffel como a conhecemos.
Este é o melhor ângulo! É como o mundo a enxerga.
Ouso a dizer que é até melhor do que estar aos seus pés.

Ainda assim é difícil enquadrá-la.
Por mais que vc se afaste, há sempre uma parte da torre que nunca se enquadra na foto.

Barbaridade! Não seria fácil apagar este momento da minha memória!

Tirei várias fotos com a câmera, mas me concentrei em tirar uma “mental picture” comigo mesmo e gravei fundo esse momento nas gavetas do meu cérebro.

Gastei bastante tempo sentado sozinho admirando a Dama de Ferro. Um momento meu, que eu esperei por tanto tempo.
E pensar que neste mesmo ano (2009) ela estava completando 120 anos!

Um sentimento de respeito máximo queimou meu peito em favor aos homens que ali trabalharam.
Fiquei quieto, perdendo-me em pensamentos e devaneios, imaginando histórias dos que trabalharam para colocar aquela maravilha em pé.

Como devia ser subir a ladeira para o Trocadéro, dia após dia, acompanhando a construção da torre nesse lindo horizonte?

Gostaria muito de ter encontrado algum idoso desses bem faladores.
Com certeza um velhinho parisiense bem orgulhoso de sua Dama, que tivesse alguma história herdada pelos seus pais pra me contar.
Só posso imaginar como esses dois longos anos de construção devem ter sido bacana para quem acompanhou do horizonte e perigoso para quem acompanhou de lá de dentro.

Como um ser humano pode pensar algo tão extraordinário?
Como um ser humano pode construir algo tão ousado e até hoje contemporâneo a ponto de conquistar todos os corações?

Pensar tudo isso ali já estava me deixando louco, repensar isso aqui vai me deixar maluco!
É muita magia misturada ao passado e ao presente de uma forma que eu nunca havia experimentado.

Por muito tempo ficamos no Trocadéro.
Eu nem me lembrava mais de sentir frio ou do gelo que estava a pedra onde eu havia sentado. Tudo estava perfeito!

Observava os elevadores indo e vindo no corpo da Dama, provavelmente levando funcionários, pq a visitação ainda não estava aberta para os turistas.

Todos tiveram suas fotos tiradas e seus sorrisos registrados.

Eu havia levado um pouco das cores da nossa bandeira nas minhas roupas e não demorou muito para os vendedores nos abordarem em português.

Eles eram feras na arte de vender chaveirinhos para os turistas.
Com sua ginga, descobriam rapidamente a procedência dos seus futuros clientes e ligavam a tecla SAP para conquistar todos com muita simpatia.

Eles estavam negociando chaveirinhos com o Phil e a Gabis quando a Ju, graciosa e perigosa, invadiu o pequeno comércio formado entre eles.

Ela barganhou tanto, mas tanto, que deu dó dos vendedores.
Ela deve ter comprado umas 50 mini torres e ganhado outras 50.

Fomos todos para o Jardin des Tuileries, mas só a Gabis teve tratamento especial.

Com seu jardim no estilo francês, formal e simétrico e suas estátuas ornamentais, o que realmente nos cativou neste jardim foram os monstros malucos à la “Tim Burton meets Studio Ghibli” que estavam em exibição.

Não resistimos a brincadeira e adotamos todos eles.

Os monstros nos dispersaram num primeiro momento, mas a beleza simétrica do jardim não podia ser ofuscada por muito tempo.

Nos perdemos entre as folhas de Outono.

Pensei muito em minha mãe ao apreciar a cor das árvores. Nada poderia impressioná-la mais.

O caminho certo é por ali… Não, não! É por aqui…

Fomos aos poucos encontrando nosso caminho.
O caminho que nos levaria até o Louvre…

…Mas æ já é assunto pra outro post.

Nossa tour começou na torre e estava longe de terminar.
O dia 9 de Outubro de 2009 começou muito cedo e acabou muito tarde.

Pelo caminho, ainda me pegava pensando na Dama de Ferro.

Por mais fotos que a gente veja, por mais filmes que a gente assista, nada se compara a emoção de tirar suas próprias fotos, de gravar seus próprios filmes.

5 anos, 20 anos, 33 ou 90. Não há idade para se viver experiência mais mágica.

6 Respostas para “186- 11) Tour à la Tour

  1. Arrasou em mais um post…

    However… achei o seu modelito meio over!! rsrsrs muito ufanismo pro meu gosto! hahahaha… seja mais discreto!! rsrsrs… less is more!😀

    Absssssss

  2. Incrível! Nunca senti tanta vontade de ir pra Europa! Vc me deixou louca por Londres e agora tá me deixando louca por Paris! E olha que eu nunca fui muito fã da França…rsrs
    Não suma! Fica on pra me ajudar com a minha trip😀
    bjuss

  3. Fiquei emocionada com seu relato!
    Obrigada por dividir essa experiência com todos!
    Parabéns e muito sucesso!

  4. eu esperei 26 anos, e ainda vou esperar mais um pouco, mas pretendo chegar lá!
    na verdade passei perto, mas não deu tempo de ver
    =/
    ó:

    gostei da série de fotos com as esculturas divertidas!

  5. Seu blog é o máximo. Ainda não consegui ler tudo, mas vc esta de parábens, tanto pelas viagens como pelo modo como escreve!
    Estou visitando e re-visitando muitos lugares!
    Valeu mesmo!
    Bjs
    Manduka

  6. Mais uma obra ofuscante… =)

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