120- Desfile Das Campeãs – Anhembi 2009

001

01

002

003

004

008

009

010

011

012

013

014

015

016

017

018

019

020

021

022

221

0231

024

024b

024c

024d

025

025b

026

027

028

029

030

031

032

033

034

035

036

037

038

039

0401

0411

042

043

O Carnaval deste ano teve um significado especial.
Além do fato de ter participado dos dois projetos, Camarote Bar Brahma 2009 e Camarote SP Turis 2009, caminhar até o trabalho, diariamente, fez com que algo se acendesse no meu coração.

É que no caminho da estação do trem até à Cria, há um galpão improvisado da Pérola Negra bem debaixo de um viaduto, cheio de carros alegóricos em construção.
Acompanhei os talentosos do carnaval darem vida aos mais notáveis seres mágicos. Da fibra de vidro ao plástico, do aço e ferro retorcido às madeiras, carpete, lantejoulas, plumas e espumas…
Era algo progressivo.

Cheguei à festa na calada da noite.
A noite estava preciosa, quente e sem gotas de chuva.

De onde vem tanta magia?
Por que as pessoas saem do seus corpos nessa época?
De onde tiram tanta força?

Como as pessoas se dão para fazer esta festa acontecer. Dão sangue, suor e lágrimas.
Como pessoas simples se transformam em voluntários habilidosos.

Essas imagens de tanto trabalho e dedicação me acompanharam por muitos meses, principalmente nos dias que antecederam os desfiles.
Ver essa evolução toda preparou meu espírito para o que eu encontraria no Sambódromo.

Capturei o giro da porta-bandeira e seu animado mestre-sala.
Reparei na lágrima que escorreu dos olhos da baiana quando ela passou por mim.

Encontrei a magia inexplicável.
Encontrei a sabedoria no rosto dos mais jovens.
Encontrei a alegria infantil estampada na cara das pessoas mais velhas.
Encontrei a explosão de prazer que anestesia dor e cansaço.
Encontrei o orgulho estampado no peito daqueles que passavam por mim.

Nunca pensei assistir tal espetáculo de tão perto.
Estava colado à beirada da avenida.
Todos passavam por mim…

Uma costureira…
Um advogado…
O médico e o paciente…
O chefe e o empregado…

Vi belas meninas com seus corpos dourados.
Mas também vi senhoras com a alma dourada.
Todos iluminados…
Todos usando máscaras…

Nesse dia todos são especiais…
Todos brilham…

Carnaval é religião, é necessidade.
É hóstia para o corpo, é alimento para a alma.
Cai em nossas cabeças como luz divina.
Percorre nossa medula como adrenalina.

Dava pra sentir o pulsar dos corações e artérias…
Dava pra ouvir a respiração…
Dava pra desejar boa sorte e ser agradecido com um olhar…

Cada um é uma pequena lantejoula…
Uma pequena lantejoula do todo que brilha e invade a avenida como uma onda…

O Carnaval transforma as pessoas.
O Carnaval contamina a carne, provoca sorrisos, explode em desejo.

Assim vi passar a Gaviões, a Mocidade…
Assim percebi que toda vez que a bateria se aproximava, eu ficava eufórico…
Não dá pra imaginar outro lugar pra estar.
Se eu for algum dia desfilar, é nessa ala que eu vou.

A massa evolui.
Cada ala tinge a avenida de vida.
Um mar da cor do arco-íris.
Um arco-íris humano, cheio de pais, esposas, avós, amigos, filhos, tios, sobrinhas e compadres.
Se a família não está na avenida, está assistindo, se não está assistindo, está de alguma forma conectada a alguém que está flutuando nesse mundo.

E completamente apaixonado por tudo, nem percebi que o dia chegava.
Havia perdido a noção do tempo/espaço.

Voltei para o Aeroclube para tomar o café da manhã em grande estilo lá no bar do hangar.
Finalmente um Carnaval pra se falar até o fim da vida.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s