34- Superflat, Sonhos & Ber Vs Jooo2oo8

E lá fui eu para o Tokyogaqui.
Dessa vez preparei cópias de alta resolução dos meus vetores, autografei todos eles, os compilei em uma pastinha bacanuda e fui assistir a palestra sobre o Superflat Worlds do Tom Looser.

Ao chegar ao elevador tatuado de Ukiyo-ê e adesivos com as datas do show da Tigarah, uma japinha linda, com luvas até o cotovelo, lacinho na cabeça e aquelas meias de estudante safadinha simulava um robô.
Ela recebia os convidados segurando incansavelmente um desses radinhos portáteis branquinhos. Dentro do radinho, o cd rodava sem parar um monte de músicas do PIZZICATO FIVEEEEEEEEEEEE!!! Quase lasquei um beijo na boca da japinha!
Fiquei tão emocionado que até esqueci de fotografá-la! Mas eu volto lá pra caçar a japinha robótica! Ela não me escapa.

Como eu já previa, a palestra foi mais uma aula sobre esse movimento artístico tão incomum. As explicações sobre este universo foram tão profundas, que teve uma hora que eu quase dormi.

Acho que o fato de haver uma tradutora traduzindo sistematicamente tudo o que o Tom falava, levando-se em consideração que meu inglês melhorou consideravelmente, foi fator “chave” para minha dispersão.
Se de um lado a coisa se amornou – talvez por causa de um aprofundamento semiótico de um professor cabeçudamente brilhante e americano – por outro, após a palestra, as coisas se agitaram. Interceptei-o educadamente antes dele ir embora e me surpreendi com sua atenção e simpatia.

Cumprimentei-o, apresentei-me e entreguei a pastinha com meus trabalhos e ilustrações.
Expliquei pra ele que eu desconhecia o movimento Superflat até pouco tempo atrás, e que eu sempre tive a cultura japonesa e o animê como base para minhas criações.
A descoberta do Superflat se deu quando eu publiquei meus trabalhos no fórum Outerspace e lá, um japonês do meio artístico ficou surpreso ao ver que eu tinha influências desse movimento. Ele acabou me indicando o Takashi Murakami e o trabalho Superflat Monogram que ele fez pra Louis Vuitton. A partir daquele momento eu não mais desgrudaria meus olhos desse movimento.

Influentíssimo em Nova Iorque, Tom Looser é pesquisador desse assunto com formação no Japão, além de ser editor da revista Mechademia, espacializada em animês e mangás.
Não dava pra eu ignorar uma tentativa de trocar alguma idéia com ele. Eu não tinha nada a perder.

Ele estava com pressa, mas fez questão de deixar bem claro que tinha se surpreendido com o meu trabalho. Ele avaliou um por um, talvez se certificando se eles tinham alguma influência do Superflat, fez uma pausa, disse que eram maravilhosos, mas que assim que chegasse nos EUA, faria um review sobre minhas ilustrações e me mandaria.

Deixei meus dados pra contato com o Tom, agradeci sua atenção e saí de lá dando saltos de felicidade.

Ao chegar no andar Térreo do edifício do Sesc Paulista, ouço alguém chamando meu nome!

Bah! Era o Mr. Bernardo!
Finalmente após tanto tempo de amizade virtual lá estava ele em carne e osso!

O guri, é o mais compatível “musicalmente” falando. Gosta de todas as minhas bizarrices “nipônicas”.
O conheci por causa da banda Kirinji. A partir daí, dá pra perceber o quanto esse guri é especial.

Ele ia assistir a coreografia Sonhos, já tava com o ingresso na mão. Eu tinha acabado de descer. Deixei meu nome na desestimulante lista de espera e partimos para um lugar mais calmo, pra podermos conversar sossegados.
Enquanto eu contava pra ele as boas do dia, ele me contava sua nova vida aqui em Sampa, os estudos, o nobre objetivo em se tornar diplomata…

O Sesc é foda! Infraestrutura du caralho!
Estava eu mergulhado no papo com o amigo (mochila revirada em cima do sofá da recepção, mostrando-lhe todos os meus roughs, esboços, portifólio e vetores) quando a tiazinha com aquele headset da Ulala de Space Channel 5 anunciou meu nome.
Ela me disse que o ingresso era pra área próxima ao palco e que eu sentaria em almofadas. Bem sabia eu que este era o melhor lugar! Hahaha…

Subimos ao 5º andar que já estava todo modificado. Nem parecia que a palestra acabara de acontecer ali.

O Ber tinha ingresso sentado, mas ele viu que as almofadas estavam estratégicamente posicionadas no melhor lugar. Ele nem hesitou em sentar ao meu lado! Hehehe…

Sonhos foi maravilhoso.
Eu perdi o fôlego com a coreografia da Susana Yamauchi.

A pequena composição cênica inspirada em contos de Natsume Soseki, “Ten Nights of Dream” (Yume Juya, 1908) e de Ooka Shohei, “The Moter of Dream” (Haha Rokuya, 1966) tem mil significados… É até injusto tecer algum comentário à altura.
A Susana hipnotiza com seus olhos cortantes…
Seu olhar nos atravessa como lâminas perfeitas. Sua dança de movimentos fortes nos atinge com uma pressão apaixonante. Somos seus naquela hora. Não dá nem pra respirar direito.

A apresentação foi intensa, mas muito rápida.
Ficamos tão impressionados que o Ber até comentou que gostaria muito de conhecer essa artista.
Eu falei que logo logo ela passaria por nós, pois não havia outra saída e que assim que ela o fizesse, pediríamos pra tirar uma foto com ela.

Acabamos no camarim da artista… Hehehe…
Ela estava tirando a maquiagem do rosto, mas foi muito simpática.
Ela estava cheirando mamão, pois na apresentação ela literalmente explode um gigantesco mamão, tritura e devora-o com uma fúria animal.

O cheiro impregnava o camarim.
Ela foi super simpática, mesmo melecada do jeito que estava. Aceitou na hora tirar fotos com a gente.
Elogiei a performance, dizendo que ela realmente havia me emocionado. O Ber também estava muito impressionado.

Ficamos até às 22hs no espaço Tradição Pop no cor-de-rosa 5º andar.

Aproveitamos que a máquina de Pump It Up estava dando sopa e o guri deu uma de Sensei.

Nunca tinha dançado naquela máquina. É viciante. Extremamente difícil.
Só paguei aquele mico porque o professor era bom. O guri dançava as músicas mais difíceis.
Perdi um kilo ali.

Depois de muito suar naquela máquina, fomos caçar algum lugar aberto para filar uma bóia.

Havia me esquecido das horas. O domingo tava quase se tornando segunda e eu ainda conversando com o amigo!
Voamos pro metrô, combinando assistir os Yamadas dia 15/04!

D+!

Ps: Ber vs Jooo2oo8 só no Flickr ou Orkut!

2 Respostas para “34- Superflat, Sonhos & Ber Vs Jooo2oo8

  1. Além de incrível, foi muita sorte, mesmo, te encontrar por lá! Achei que a princípio iria sozinho ver a apresentação, quando do nada passa um cara de polo rosa e boné… não poderia ser outro! hahaha já tinha visto aquelas roupas em outro lugar. Foi só chamar e já vi que tinha dado sorte e tinha conseguido chegar a tempo de encontrar você por lá! hahahaha mais sorte ainda foi conseguir um ingresso com aquelas duas páginas lotadas da fila de espera. Mas como você disse, você tem a sorte sempre perto, né!

    Foi muito bom poder bater um papo com você, sequer parecia mesmo que éramos só conhecidos virtuais! Ainda mais poder compartilhar uma experiência tão tocante quanto aquela apresentação da Susana Yamauchi! Dera poder ver aquilo mais uma vez, né? Uma pena a apresentação que a gente viu ter sido a última… =P

    Aliás, quero essas fotos, hein! A nossa edição ficou muuuuito boa! haha essa eu vou guardar!
    Abraços.

  2. Diga João, parabens pelo blog!!
    As I told you, vc escreve de uma maneira que prende o leitor!
    A riqueza dos detalhes e a emoção que você passa são impressionantes!
    Abração.

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