21- Recife “Pernambuco” (Brasil)

Recife mostrou suas caras às 8hs da manhã do dia 8 de dezembro.
Seu mar de duas cores se abria ao horizonte convidando a gente para um mergulho:

Eu só sairia lá pelas 15hs, então aproveitei que a câmera tava carregada e tentei fotografar um pouco as áreas que eu freqüentava no navio:

Esses eram os decks altos.
Este carpete azul foi um dos maiores pesadelos no Dry Dock. Antes dele, não havia nada, apenas um chão rústico e desgastado.
Quando eu dizia que eles trocaram absolutamente tudo no Dry Dock, não era força de expressão…
De proa à popa, o trabalho nesses decks era infinito.

Incrível como meus amigos indonesianos me poupavam de certos tipos de trabalhos. Era regra eles me ensinarem todos os procedimentos. Aprendi a aspirar pó e água, a lavar as jacuzzis, lacrar as piscinas, montar as mesas, enrolar as toalhas, lavar o piso, enxugar as janelas de vidro e, obviamente, a desinfectar os banheiros…
Curioso foi que durante toda a minha vida a bordo, eu limpei um único banheiro, uma única vez, sem ser pra valer, durante o treinamento.
Os meus amigos nunca deixaram eu fazer esse tipo de serviço. Eu me oferecia pra fazê-lo e eles me indicavam outras coisas. Até hoje não entendi muito bem o porquê disso, mas eles diziam que esse tipo de serviço, eles não deixariam eu fazer.
Quando digo que eles valiam ouro, não estou exagerando.

Meu maior medo nesse tipo de função eram quanto as coisas nojentas que eu poderia encontrar: lixos, melecas e cacas…
Por incrível que pareça eu nunca encontrei essas coisas nojentas pra limpar.
Encontrei muita farpa, muito vidro, madeira, poeira, lata, cinzas de cigarro (yeacat)… Mas as nojeiras mesmo, quem encontravam eram os cabinistas…

O lixo era limpo, era muito, mas era limpo. Além de tudo, ele já vinha separado. Os gringos tem uma consciência fora do comum para com essas questões.
O trabalho pesado consistia no setup das cadeiras e mesas dos decks da piscina, limpeza das jacuzzis, cuidar da academia, do carpete dos decks altos, providenciar toalhas limpas…

Como eu disse, o trabalho era muito pesado, mas realmente era com ele que eu ocupava minha mente e esquecia um pouco de pensar em casa.

Esses eram os caminhos que eu percorria todos os dias, antes mesmo dos primeiros atletas acordarem para suas corridas matinais:

Nesses carpetes azuis eu passava horas indo e vindo.
O sol me queimava bonito. As pernas ainda precisariam de mais algumas horas de sol, mas eu não reclamava.

Recife parecia ser uma cidade bem interessante:

De um lado a cidade e seus prédios, do outro a calmaria do mar e suas cores:

O porto era gigantesco.
A maior parte dos passageiros já estava longe, provavelmente nas praias de Olinda…
O restaurante da popa, o Terrasa, estava vazio:

Marquei bem onde o Shuttle Bus estava e quando deu meu horário de almoço, voei pra minha cabine trocar de roupa, apanhar meus Reais e tentar conhecer o máximo da cidade em apenas 40 minutos, pois 20 deles eu já tinha gastado tentando descer do navio.

Encontrei o Bus vazio, um imenso ônibus rodoviário.
O motorista se mostrou muito atencioso, já que aquele ônibus imenso estava sendo exclusivo para mim.
Eu era o único passageiro. Todo mundo já tinha ido.

Passear pela cidade dentro daquele ônibus com suas janelas panorâmicas, seu ar condicionado no último, seu balanço amortecido por aqueles amortecedores fabulosos, além do fato do motorista dar uma de guia turístico, fez com que eu quase tirasse uma soneca alí mesmo…

A cidade é linda! Passear por ela dá aquela sensação de ficar pra sempre ali, relaxado, vendo aquelas paisagens portuárias misturadas aqueles fortes de pedra…
Nem bem contemplava a beleza histórica e já dei de cara com um shopping center.
Agradeci o motorista, que me avisou pra não ir muito longe por causa do perigo de assalto.

Desci ao lado de um grande rio, numa região de pontes e mais pontes.
Queria atravessar uma dessas pontes, mas um taxista me aconselhou a não fazer isso. Do outro lado da ponte, uma turminha especializada em bater carteiras, certamente estaria me esperando.
Já que o tiozinho confirmou a dica do motorista, resolvi confiar e pedi pra pelo menos tirar uma foto minha:

3 dias de navegação pelo Atlântico, deixam qualquer marinheiro, por mais marujo que seja, totalmente desiquilibrado.
Reparem no meu eixo. Eu simplesmente não conseguia ficar parado para tirar uma foto.
O labirinto da gente fica tão maluco, que foi preciso muita concentração pra não cair:

Resolvi andar pelos arredores.
Encontrei muitos passageiros do navio. Eles estavam aguardando as portas do shopping se abrir.

Rapidamente compreendi que Recife para mim seria apenas uma refeição!
E quê refeição!
Uma vez que a gente se conforma e abraça a decisão, ela se torna a solução.
Como não daria tempo de fazer mais nada, fui até a praça de alimentação e depois de tantos dias, tive a primeira refeição decente…

Ah, nada melhor do que um filé de frango à brasileira, arroz à grega brasileiro, batatinhas brasileiras, Guaraná e Fanta brasileiras…
Noooooossa, eu tava nas nuvens! Nunca R$15 foram tão bem investidos quanto esses.

Apanhei novamente o Bus, que já estava cheio de passageiros, e voltei com o estômago feliz da vida!

3 Respostas para “21- Recife “Pernambuco” (Brasil)

  1. João, asustei de confirmar que seu eixo tava mais para um pêndulo do que para algo que o firmasse a 90º do solo… Hauheuehua… Meu Deus, eu imagino se navegar pela costa já é um troço que mistura tudo dentro da gente, imagina atravessar o oceano…
    E a comida brasileira é demais mesmo, acho que é a única coisa com a qual o brasileiro não se adapta com facilidade quando vai pra fora!😀
    Só o que me deixou triste, é que o caminho que é feito por turistas, na saída de portos onde atracam grandes navios, aeroportos, praias de cartão postal, etc, no Brasil, seja sinônimo de encontrar ali, muita gente querendo te assaltar, seqüestrar, estorquir…😦
    Ainda bem que vc não cruzou a ponte. Ainda bem que se existem os perigos, existem tb os tios que avisam…🙂

  2. Esqueci de falar:
    1) Verdade q vc vai voltar pro navio? Qdo? Por qto tempo?
    2) Fiz um blog tb! ;D Mas tá uma porcariazinha…🙂

  3. Acabei de baixar a OST do Mario Galaxy.
    A que eu tinha era ripada do jogo – eu acho.

    Falou!

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