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Qualquer tipo de arte em geral

187- 12) Musée du Louvre

Algo que planejei bastante nas roupas que levei e nas que comprei pela Europa, era que elas precisavam ser coloridas: para expressar meu estado de espírito; descontraídas: para exaltar a minha felicidade e confortáveis: para agüentar um dia inteiro de turismo desenfreado.
A sobriedade pastel que esteve presente há tanto tempo nas minhas roupas, eu havia decidido deixar bem guardada em casa.

Vestir-se de brasilidade na França funcionou muito bem.
O verde e o amarelo provocaram em todos os parisienses a docilidade e a simpatia para conosco.
Não importava o que perguntássemos, pra quem perguntássemos, onde perguntássemos, éramos muito bem tratados e recebidos.

Ir colorido à Europa foi muito mais do que vaidade, foi uma sábia escolha.
Não houve um único lugar onde encontramos as portas fechadas.
Não houve um único lugar onde fomos recebidos com descaso ou pouco sorriso.

E nem sou assim tão enaltecedor a ponto de me vangloriar ser brasileiro.
Não sou exemplo de fiel torcedor de futebol, empenhado conhecedor do nosso folclore, freqüentador bronzeado das praias mais tropicais… Não tenho nenhum amor desproporcional pela política do meu país ou longe de mim ser um daqueles defensores das nossas cada vez mais despidas florestas.
Nunca fui de tocar cornetas quando o Brasil fez um gol ou de balançar a bandeira quando ganhamos a Copa do Mundo, mas pela primeira vez, senti a necessidade que as cores com as quais me vesti fossem meu cartão de apresentação, a bandeira que carregaria por onde passasse.

Sou o brasileiro mais fajuto do mundo e acho que isso deve bastar.
Longe de qualquer jactância ou bazófia fashionista, fi-lo porque realmente qui-lo.
Ser um periquito nas ruas de Paris fez todo o diferencial.

Assim, brasileiríssmo, cheguei com a irmã e os amigos ao Arco do Triunfo do Carrossel que nos apresentaria o Louvre.

Logo a frente estava o Jardin du Carrousel e pudermos ter um vislumbre do monstro que é o Palais du Louvre, o colossal complexo de prédios que abriga o museu mais famoso do mundo.

O Palácio do Louvre é uma estrutura quase retangular, composto pela praça do Cour Carrée e duas alas que envolvem o Cour Napoléon a norte e ao sul.
O museu é dividido em três alas: a Ala Sully a leste, que contém a Cour Carrée e as partes mais antigas do Louvre, a Ala Richelieu ao norte e a Ala Denon, que faz fronteira com o Rio Sena para o sul.

Não dá para não se sentir intimidado.
O Louvre é um museu conhecido pela fama de que para se conhecer tudo que há nele, um dia só é pouco.

No coração do complexo, está a Pirâmide de Leoh Ming Pei, acima do centro dos visitantes.

Ela é deslumbrante e celebra muito bem a fase da ampliação do Museu do Louvre.
A Pirâmide e seu átrio subterrâneo foram inaugurados em 1988.

Ficamos pulando de alegria lá do lado de fora.
A Ju foi a única que conseguiu voar.

Nós estávamos tão contentes que esquecemos do que nos esperava.
Após comprarmos nossos bilhetes, afundamo-nos Pirâmide adentro para o subterrâneo do museu, não sem antes contemplar por dentro da grande obra de vidro do arquiteto norte-americano de origem chinesa.

Aquilo tirou meu fôlego.
Eu já podia imaginar as maravilhas da arte que me esperavam naquele museu, mas pra mim, a maior obra-de-arte era a Pirâmide em si.

É raro encontrar alguém que não aprecie a Pirâmide do Louvre nos dias de hoje, mas houve um tempo que ela foi duramente criticada. Os mais conservadores alegavam que ela arruinaria a harmoniosa perspectiva entre o Louvre e o Arco do Triunfo.
Na minha opinião, ela criou a harmonia arquitetônica perfeita entre o moderno e o antigo.

O Louvre passou dos 3 milhões de visitantes anuais de 1989 para os 8,5 milhões em 2008.
Depois da Vênus de Milo e da Mona Lisa, a Pirâmide do Louvre ocupa o terceiro lugar no ranking das obras mais apreciadas pelos visitantes do museu.

Queria muito fotografá-la a noite.
Até pensei que teríamos outra noite para fazer isso nessa Eurotrip, mas não contávamos com as milhares de possibilidades e programas que Paris oferece aos seus visitantes.
Não houve a menor possibilidade de voltar lá.

Eu deixei bem claro para todo mundo, que era meu desejo marcar um horário de encontro e que cada um seguisse solitariamente a sua peregrinação cultural, mas a Ju me acompanhou assim mesmo.

Quando o assunto é museu e obras de arte, cada visitante tem um tempo, uma velocidade de apreciação…
As pessoas tem interesses singulares, preferências distintas…
As obras atingem cada um de nós de maneiras diferentes.

Por sorte, o meu interesse cultural era muito parecido com o da minha irmã e conseguimos não nos perder tanto assim um do outro.

Começamos nossa peregrinação pelo labirinto cultural.

Nem bem começamos e já encontramos ela, a original Vênus de Milo.
A famosa estátua que representa a deusa grega Afrodite (amor sexual e beleza física), ficou tempo demais perdida em informações escolares dentro da minha cabeça.
Lembro-me muito bem da excursão com a escola ao Liceu, onde nos foram apresentadas às estátuas mais importantes do mundo.
A da mulher sem braços foi a mais inesquecível.

E pensar que pela estátua apresentar os braços e as mãos danificados e separados do corpo, quando encontrados em 1820 na Ilha de Milo no Mar Egeu, eram de muito pouco valor para que os atarefados marinheiros voltassem atrás para recuperá-los.
O único consolo é saber que as estátuas gregas dessa época, muitas vezes não recebiam acabamento por igual em todas as partes, o polimento mais fino era reservado apenas às partes mais visíveis.

De qualquer forma, réplica das lembranças escolares ou a original no Louvre, ela causava a mesma impressão que me causou décadas atrás: sua beleza era perfeita e a ausência de braços a deixava mais bela.

No final da monumental escadaria Darú, lá estava ela.
Pra mim, uma das estátuas mais misteriosas e poderosas do mundo: a Vitória de Samotrácia, ou Niké de Samotrácia, a representação da deusa grega Niké.

Desde 1883 ela repousa suas resistentes asas no final da escadaria.
Apesar dos seus significativos danos e de estar bem incompleta, é uma das maiores sobreviventes do Período Helenístico e mostra grande maestria em suas formas e movimento.

Não poderia haver melhor lugar para se colocar tal tesouro.
Por representar uma figura de proa, usada nos navios para afastar os males e cortar os perigos dos mares, ali estava a bela escultura no topo de uma escada, quase voando, molhada, cortando o vento além dos mares desconhecidos…

Lembrei-me de quando eu ia à proa do Costa Victoria no crossing pelo Oceano Atlântico e me perdia em pensamentos.
O bico do navio rasgava aquele mar azul num barulho mais poderoso que mil trovões e nem por isso eu sentia medo.
O vento fazia a pele querer sair do corpo e as lágrimas escapavam pelo canto dos olhos.

Por que essa estátua me fazia lembrar dessa experiência?

Eu quase não fui capaz de descobrir qual de suas asas era fruto de restauração, mas hoje percebo como a Nike foi feliz em adotá-la como inspiração para seu logo em forma de asa.
Eu quase não sentia falta da sua cabeça, mas podia imaginar na sua face, como estariam os cantos dos seus olhos e o movimento de seus cabelos.

Sentei-me em vários bancos.
Se houvesse um lugar pra se sentar, lá estava eu.
Acho que esse é o segredo de resistir aos quilômetros do Louvre.

Lógico que tem uma hora que vc não vai querer ver mais nenhum quadro na sua frente, mas tive Artes Visuais I, II, III… XV na faculdade…
Tudo o que eu via lá no museu, em alguma oportunidade já me fora apresentado em sala de aula nos encardidos slides da nossa doce professora, cujo nome não me vem à cabeça.
Eu e alguns amantes das artes, quando não dormíamos em aula, estávamos atentos a lição do dia do mesmo modo que sonhávamos viajar à Europa para poder ver todas essas obras originais.

Sentar-se além de descanso, era também um bom exercício de reparo. Reparo físico, espiritual. Um momento para reparar nos outros visitantes.
A sortuda população frequentadora do museu era muito curiosa: estudantes rabiscando suas pranchetas, fotógrafos girando suas imensas lentes, amantes de arte discutindo em idiomas que vc nem sequer sabe que existem, velhinhos apaixonados com seus andadores, asiáticos bonitinhos com suas famílias bonitinhas, inglesas magras com blusas gordas, americanos bem comportados, francesas bonitas, estranhos alemães…

Gente simples com guia auditivo, gente sofisticada com guia exclusivo…

Sentado no meio daquele museu, tive noção do tamanho da minha sorte.
Estar cercado por tesouros tão familiares não é para qualquer um.
Eu estava no meio do El Dorado, rodeado pelos tesouros mais fantásticos que o mundo já conhecera.

Seguimos a corrida ao tesouro a passos de tartaruga.
Reparamos uma aglomeração logo à frente e descobrimos o porquê.

La Gioconda.

A maior atração do Louvre também é uma das menores.
Vc não consegue nem estudar o sfumato de tão distante e protegida que a pintura está.

De alguma forma, mesmo sendo tão pequena, ela consegue despertar uma imensa curiosidade.

Seu sorriso enigmático não preenche a sala exclusiva de 200m² e seu valor pode ser bastante questionado.
A verdade é que as pessoas se acotovelam para tentar chegar o mais perto possível da bela dama.
Ela é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, o quadro mais valioso de todo o mundo.

Leonardo da Vinci que me perdoe, mas não vou gastar muito português para detalhá-la com precisão, muitos historiadores, cientistas e até mesmo os computadores da Universidade de Amsterdã já o fizeram e com profundidade.
Fico contente em dizer que ela não me impressionou em nada, já minha irmã…

Se o sorriso da Mona Lisa não conseguiu me impressionar, o olhar por outro lado…
Muito pouca gente olha para o quadro que a Mona olha o dia todo.

O quadro em questão é “As Bodas de Canaã” de Veronese e é o maior quadro existente no Louvre.
É nele que está retratada a transformação da água em vinho por Jesus Cristo.

De um lado a pequena Mona, do outro Jesus.
Os olhares que ambos projetam entre si parece ignorar a orda de turistas que se ondulam como um mar de cabeças.

O quadro de Jacques-Louis David, Consagração do Imperador Napoleão I e Coroação da Imperatriz Josefina na Catedral de Notre-Dame de Paris, é um exemplo claro de hierarquia.
A maneira como estão dispostos os personagens na pintura, encomendada por Napoleão, leva o observador a seguir uma sequência bem definida.
A Jussara pirou com essa obra. Conhecia essa história ao pé da letra.

Seguimos por corredores e salões.
Tetos decorados, afrescos e pinturas…

Foi quando alguém chegou muito perto da coroa e o alarme soou.
Grades surgiram nas saídas e ao redor do tesouro.
Um exército de funcionários aglomeraram-se às portas e tivemos que aguardar a confusão passar.

A Ju pensou estar gravando tudo, mas não havia apertado o botão de REC.
Perdemos!

Seguimos ao Egito antigo.
Depois da Pirâmide de Vidro foi o que mais gostei no Louvre.

Andamos como os egípcios.

Banhei-me nessa rica e antiqüíssima cultura.

A Ju incorporou Cleópatra.

Dá pra entender porque o Egito rompeu vínculos com o Louvre.
Por mais que tudo esteja perfeitamente protegido e bem exposto, é inquietante a sensação de roubo.

O subsolo do Louvre é um lugar sombrio, frio e úmido, onde dá para ver parte da muralha externa do castelo e o fundo do fosso.

Se a pequena Esfinge, isoladinha ali, já era tão magnífica e misteriosa, como seria ver a gigantesca Sesheps no planalto de Gizé?
Algo pra se descobrir num futuro próximo. Ser um pouco mais sortudo…

Entre uma ala e outra, algumas dimensões paralelas.

Influência, referência, repertório…

Assim caímos nos sarcófagos.

O que dizer deles?
Dá pra entender porque são literalmente conhecidos como comedores de carne.
Envolviam o corpo morto e conservado para que o espírito pudesse regressar e juntar-se a ele novamente, numa nova vida.

Havia muitos desenhos talhados na pedra.
Todos os sarcófagos eram ricamente desenhados.
Os desenhos representavam deuses que ajudariam o morto em sua viagem ao outro mundo, além de identificar a classe social da família do falecido.

Mórbida curiosidade.
Não consegui me mover dali sem antes me perder em viagens no tempo.

Estudava-os silenciosamente.

Como os homens podem ser tão fantásticos com seus ritos?

Somos todos do mesmo planeta e ainda assim somos tão diferentes…
Somos todos inspirados por uma força divina e ainda assim acreditamos em coisas tão diferentes…

Era quase inacreditável imaginar o corpo morto dentro desta pedra trabalhada.

Da mesma maneira que ao virar um corredor encontramos os sarcófagos, da mesma maneira a encontramos.
A vida inteira assisti vários filmes sobre ela. Jamais pensei que faria um:

Estar diante de uma múmia do Egito Antigo me fez pensar além da vida, me fez pensar no poder da ressureição.

Fez-me pensar no processo da mumificação osiriana: no cérebro sendo escorrido pelas narinas, do abdômen sendo aberto e todos os órgãos sendo retirados, embalsamados e colocados nos canopos.

Eu podia imaginar aquele pequeno corpo sendo preenchido com saquinhos de natrão em repouso para que seus líquidos escorressem.
Enterrado por 72 dias… O sal absorvendo todo o líquido do corpo.

Depois disso, com o corpo já escurecido e ressecado, o enxerto de resinas, aromas, perfumes, bandagem e pó de serra para dar conformação ao corpo.
A costura do abdômen e a placa mágica.
Enfaixamento com metros e metros de tiras de pano de linho com goma arábica e a cada volta, amuletos e colares.
Só então a múmia está pronta para o enterro.

Claro que o processo não se compara à injeção de essências e de vinhos corrosivos que as múmias mais pobres levavam através do ânus, isso sem falar do tampão! Hehehe…

Mas se fosse Faraó, cozinhava-se a carne até desprender dos ossos. Esses por sua vez, eram pintados de vermelho e enfaixados, fazendo-se uma estocagem na múmia com gesso.

Vida de múmia egípcia não era nada fácil.

Eu mal podia acreditar nos meus olhos! Havíamos conhecido uma múmia de verdade e eu nem me lembrava que já devia estar desidratado.
Eu esquecia de beber água, eu esquecia de comer, esquecia que estava com fome!

“-A gente chegou a comer alguma coisa no Louvre, Ju?” – juro que não lembro.

Fomos seguindo, sempre com passinhos de formiga, nunca sem vontade.

Encontramos painéis fabulosos pelo caminho.

A Ju incorporava o espírito guerreiro.
Eu desejava ter olhos na nuca e nas orelhas.

Atingimos a Ala Sully e pelas antigüidades do Irã encontrei o Chapiteau d l’Apadana.
Baaaaaaaaaaaaaah, pára tudo!
Como pôde existir um lugar no mundo que abrigou em algum momento nessa louca linha do tempo uma coluna assim?

Existiu.
Essa coluna fazia parte das ruínas do colossal templo da Apadana, na antiga cidade de Persépolis.
A construção da majestosa obra foi principiada por Dario, o Grande e concluída no século V a.C. por Xerxes.

Trinta das setenta colunas, juntamente com as duas gigantescas escadas sobreviveram às invasões do filho da puta Alexandre, o Grande e à deterioração do tempo.
Vinte e nove de trinta, porque uma estava lá no Louvre.

Em certos momentos, a Pirâmide de Vidro aparecia lá fora, bela, harmoniosa.
É como se ela olhasse pra mim e dissesse: “-Seu sortudo filho da mãe!”…
Hehehe…

Foi quando me dei conta das horas.

Elas haviam passado sem que percebêssemos.

O cansaço puxou meu corpo pra baixo.
Tomei fôlego, afastei-me da janela e mergulhei na parte do museu que se parece com um jardim de inverno.

A atmosfera é a mesma de se estar ao ar livre.

Encarei dois dos Quatro Cativos.

O eminente escultor holandês Martin Desjardins sabia como gerar impressões colossais.
Cada rótula do joelho desses gigantes era maior do que a minha humilde cabeça.

Como naqueles antigos filmes mitológicos da Sessão da Tarde, eu era capaz de imaginar os Cativos se movendo em Stop Motion.
Cada elemento representando uma das nações vencidas no Tratado de Nimega, expressando uma reação diferente à captura: revolta, esperança, resignação e mágoa.

Fui me arrastando através do Cour Puget até encontrar posada. Só fui perceber o registro em vídeo quando já estava completamente torto.
O cansaço era bem evidente.

Amém.
O resto do museu fica para uma próxima visita.

Não sei como chegamos lá, mas encontramos um corredor cheio de lojas inacreditáveis.
Havia todo o tipo de lojas de lembrancinhas do museu, tudo muito caro e de praxe.
Havia uma loja muito interessante de artigos natureba, gastei um tempão nela.
Havia uma Virgin Megastore… Nos perdemos de verdade lá dentro… A Ju gastou seus euros em canetas caríssimas que estavam baratíssimas, segundo ela. Eu tava quase levando um Wii ou um PSP, mas resisti bravamente, era olhão, nem tava precisando.
Ah, tá certo, a gente sempre tá precisando dessas coisas, deveria ter trazido. Hehehe…
E havia a Apple Store que ainda não tava pronta.

Juntamos toda a força que ainda nos restava e fomos dar uma de Dan Brown.

A segunda fase do plano do Grand Louvre, La Pyramide Inversée (A Pirâmide Invertida), foi concluída em 1993.

A Pirâmide de cabeça pra baixo fez com que eu perdesse o fôlego mais uma vez.
Esqueci-me de tudo. Não havia mais dores.
Fui até ela como criança vai ao brinquedo.

Equilibrei-me. Contorci-me.

Corri com os bolsos cheios de manuais, capa da máquina, documentos…
Posicionei minha mão entre a Pirâmide Invertida e a Pirâmide de Pedra estacionada no chão.

As primeiras fotos fizeram meus bolsos da calça parecerem enorme nádegas. Parecia que eu estava ao contrário!!!

Por sorte constatamos o problema com os bolsos, eu os esvaziei e tiramos outras fotos.
Na realidade, tiramos várias.

Colocar a mão no ponto onde as pontas das duas pirâmides quase se tocam é viciante.
Não dá pra fazer uma única vez.
A energia que aquele espaço gera é pura alegria.

Antes da gente, japoneses, ingleses, americanos e todos os demais aproximavam-se das Pirâmides, em pé, sólidos como rocha enquanto seus conhecidos os fotografavam.

A gente queria interagir com a energia das Pirâmides.
Nem sei se era praxe tirar a foto do jeito que tiramos, mas depois que colocamos a mão lá, os japoneses, os ingleses, os americanos e todos os demais embarcaram na nossa e refizeram suas sessões fotográficas.

O cálice e a lâmina, a união dos sexos. A ficção do autor de O Código Da Vinci podia muito bem confundir a realidade.
A Pirâmide de Pedra pequena, para qualquer pessoa que como eu tem alguma imaginação fértil, realmente lembra o vértice de uma pirâmide maior (possivelmente do mesmo tamanho que a Pirâmide Invertida acima), embutida no chão, como uma câmara secreta. A câmera onde descansaria o corpo de Maria Madalena. Hehehe…

Depois que cansamos de brincar de Robert Langdon e Sophie Neveu, fomos encontrar os amigos.

Ainda havia tanto para se ver…
Nesse momento vc se dá conta de que é impossível ver tudo o que o museu tem.

Fiquei com raiva do Louvre.
Comentei com o amigo suíço esse egoísmo francês de querer concentrar todos os tesouros num único lugar.
Só de pensar que ainda tem tanta coisa lá que não está exposta, simplesmente porque não há mais lugar pra isso…

Tá certo que um negócio desses é uma plantação de árvores com frutos de ouro para a economia do país, o El Dorado para os turistas, mas o Louvre é desproporcional, é um exagero de museu, dá raiva.
A idéia de pedir para Papai Noel distribuir um pouquinho de tesouros para museus menores ao redor do mundo pipocou na minha cabeça. Vou pedir isso neste Natal.

O amigo disse que o “egoísmo” francês poderia ser interpretado pelos franceses como “orgulho”.
Compreendi a colocação.

Eu respirei inspiração, eu voltei no tempo a cada sopro.
Sinto que se pudesse tocar essas peças com a ponta dos dedos, eu poderia de alguma forma ter alguma visão, algum resquício de história que ficou incrustrada em algum sulco da massa ou pedra. Tentei em muitos momentos enxergar a alma dessas obras, alguma atmosfera que brilhasse diferente, uma luz divina…
Encontrei e encontro todos esses fragmentos perdidos olhando agora para as fotos, escrevendo sobre elas, relembrando esta peregrinação.

Ir ao Louvre deveria ser direito de todo ser humano vivente nesse planeta.
Conhecer o Louvre é a peregrinação mais importante que podemos fazer nesse nosso tempo.
Eu espero repetir essa experiência mais vezes.

185- 10) La Ville-Lumière

Caminhamos muito.
Desde o Arco do Triunfo, passando por toda a Champs-Élysées, alcançando o cruzamento da Franklin D. Roosevelt para então entrar na Wiston Churchill e passar no Petit Palais.

O frio era constante e os pés estavam tão doloridos que parecia que eu estava andando descalço.
Por mais doloroso que fosse caminhar, mesmo que em marcha reduzida, o prazer em descobrir lugares perfeitos a cada quarteirão avançado era por demais viciante e o melhor remédio para tanta dor.

Foi assim que me apaixonei por Paris.

Como era possível estar tudo pronto? Tudo construído com maestria e capricho?
Estava tudo pronto, estava tudo lá!

É completamente maluco vc ir descobrindo isso a cada passo dado.
Uma cidade luminosa, cheia de monumentos e construções lindas equilibradas com jardins maravilhosos…
Pra tornar aquilo mais perfeito ainda, o clima de Outono, as folhas de Outono, o humor e o sentimento que essa estação provoca nas pessoas.

Eu estava apaixonado por cada canto descoberto, por cada rua, por cada avenida.

Foi quando a noite nos atingiu.
Estávamos cruzando a belíssima Ponte Alexandre III, que é muito mais que uma simples ponte.

Eu amei andar pela Ponte de Westminster em Londres, mas cruzar a Alexandre III era muito mais especial.

A Ponte Alexandre III é a ponte mais bonita e emblemática de Paris. Com seu estilo Art Nouveau, ela intrega um conjunto arquitetônico maravilhoso do qual fazem parte o Grand Palais e o Petit.
Os três foram construídos para celebrar e abrigar a Exposição Universal de 1900.

Além de linda, foi importante também para o ponto de vista arquitetônico e de engenharia: foi a primeira ponte pré-fabricada a ser transportada para o local, onde foi instalada com guindastes.

Uma das exigências do projeto foi de não interromper as vistas para Invalides e Champs-Elysées, o que resultou numa ponte especialmente baixa e larga, com 107,5 metros de comprimento e altura apenas de 6 metros.

Lógico que eu não tinha todas essas informações ao passar por ela, mas naquele momento isso não era tão importante, ela me impressionou do mesmo jeito.

Era final de um dia comum. As pessoas voltavam para suas casas bem protegidas do frio, dentro de seus carros quentinhos.
Vi um deslumbre da Torre ao fundo e não resisti.

A todo instante ela nos lembrava de que estávamos sob sua proteção. É um enorme amuleto mágico, que de vez em quando, dá uma olhada na gente de longe.

Paramos por um momento pra tentar capturar a atmosfera daquele lugar e eu desejei poder passar por ela numa próxima oportunidade, de dia, ainda nessa Eurotrip. Claro que isso não seria possível.

Parei para contemplar o Rio Sena. Mais um rio famoso pra se lembrar em dias futuros.
Que paz! Que sorte os parisienses tem!

Um Bateaux-Mouches passava no exato momento. Registrei-o, mas não fiquei com muita vontade de navegar o Sena. A experiência em ir até Greenwich pelo Tâmisa foi um tanto quanto cansativa.

Queria mesmo era pegar uma bicicleta e sair pedalando por todos esses lugares, mas isso é uma coisa pra se fazer de dia e no verão. Quem sabe numa próxima Eurotrip… É, definitivamente numa próxima Eurotrip!

A cidade luz faz jus ao seu nome.
A iluminação noturna em Paris é um charme só e um convite para uma gostosa caminhada.

O frio tinha atingido níveis insuportáveis e a Ju estava apenas com aquele vestido fino e nada mais.
Briguei muito com ela. Ela tinha pego todo o frio no topo do Arco do Triunfo… Isso não poderia resultar em boa coisa…
Teimosa como sempre, ela não arredou o pé em dizer que estava tudo bem, assim como não aceitou nosso agasalho.

Fomos caminhando como podíamos e atravessamos a ponte.

Paris é uma declaração de amor aos olhos.
Nossos ouvidos são agraciados com aquele som distante dos tocadores de acordeão nas esquinas.
Nossos narizes são desafiados a todo instante pelos cafés e padarias.
E aquele frio charmoso rasgando nossa pele…

Encontramos uma vitrine muito convidativa do outro lado do Sena.

As meninas não perderam a oportunidade de tirar um sarro.

Sofisticadas e engraçadas, o ensaio foi um dos momentos mais fashion do passeio.

Meninas malucas.
A brincadeira foi tão espontânea, que as pessoas que passavam ao nosso lado aprovavam com interesse.

Afundamo-nos na primeira estação de metrô pra descansar meia horinha no nosso Hotel, desfazer as malas, tomar um banho muito muito quente, apanhar agasalho pra Ju e então sair pra jantar.

O Phil nos levou pra comer carne, como ela deve ser realmente saboreada.

Juro que queria ter tirado uma foto do enfeitado prato, mas me contive, afinal de contas, era nosso primeiro jantar francês e não podíamos cometer deslizes.

O bife tinha um sabor fantástico mas nem de longe superava a carne brasileira. Veio acompanhado por uns molhos deliciosos que eu nem imagino do que foram feitos. Havia ainda uma porção de vagem bem verdinha e temperada suavemente, uma salada espetacular e as originais French Fries, as mais crocantes e saborosas que eu já comi.
Pra não fugir muito do praxe, pedimos Coca-Cola.

Passamos muito tempo para saborear tudo o que nos foi trazido.
A conversa com os suíços foi tão deliciosa quanto os pratos.
Foi um jantar muito agradável e nada barato.
Saímos de lá satisfeitos. Não houve espaço para sorvete e eu resisti em não tirar fotos dentro do restaurante. Só o fiz porque o Phil pediu.

Os suíços não estavam cansados como nós estávamos. Tinham acabado de chegar de Berna, uma cidade completamente serena e cheia de paz. Estavam loucos por diversão.
A gente estava há 4 dias andando loucamente pelo subterrâneo e pela supefície de Londres. Assim sendo, nossas pernas já estavam bem gastas e toda a canseira se acumulou neste dia.
De qualquer forma, depois do jantar, nos pegamos passeando com os amigos pelos arredores do nosso bairro: Strasbourg – Saint-Denis.

Fomos tirar foto perto do pequeno Arco, na Boulevard Saint Denis e nos empolgamos.

Por mais que estivéssemos fechando os olhos, ainda precisávamos entrar em contato com o pessoal daqui do Brasil.

Conversamos mais algumas horas com os amigos sem sono e só então mergulhamos merecidamente numa cama quentinha, num quarto encarpetado e bem protegido do frio lá de fora.
Não houve brecha nem para sonhar.

Créditos Ponte Alexandre III: Arnaldo Interata

178- 03) Day At The Museum

Como o dia prometia, engolimos o café da manhã e saímos pra rua.
Caminhamos alguns poucos quarteirões e caímos dentro do Science Museum.

O dia estava chuvoso, e acho que por este motivo, escolher o dia para visitar museus foi uma sábia decisão.
Vc pode ir quantas vezes quiser nos grandes museus da cidade e não pagar absolutamente nada por isso.

Se há algo a aprender com o londrinos é que chuva não é desculpa para não se divertir.
A chuva em Londres é charmosa.
As pessoas continuam a caminhar na rua, continuam fazendo seus exercícios e suas compras.
A chuva em Londres é uma garoa fina, despretensiosa, que às vezes acontece apenas de um lado da rua.
Ela chega e vai embora sem avisar…

E assim entramos no gigantesco e colorido Science Museum.

Science

Science-Museum

Science-Airplane-Jo

Vc nem bem entra e já se vê rodeado por pequeninos e pequeninas falando sem parar um inglês carregado de sotaque.
É o cúmulo da “kawaiice” ouvir aquelas crianças completamente malucas expondo suas exclamações naquele idioma tão cinematográfico.

Eu e a Ju ficamos maravilhados com a luz daquelas criancinhas.
Apesar de muito educadas, eram por demais curiosas e questionavam seus professores a todo instante.

Era dia de excursão escolar e crianças pipocavam por todos os corredores e salões.
Para qualquer um sem paciência com crianças a experiência poderia ser traumática, para nós que adoramos foi excepcional.

Fossem as criancinhas em sua cidade natal ou os dois turistas brasileiros, éramos todos pequenos exploradores à se perder nesse enorme museu.

Vimos coisas que nem sonhávamos encontrar por ali, entre elas, a cápsula Apollo 10, lançada ao espaço em 68…

Capsula

Durante o regresso da Lua em 26 de maio de 1969, a Apollo 10 conseguiu atingir a mais rápida velocidade de um veículo tripulado, viajando a 39.896 km/h em relação à terra. Os membros da tripulação foram Thomas Stafford, John W. Young e Eugene Cernan:

apollo-10

Mas o mais impressionante, eu fui ver depois, pesquisando sobre na internet:

Apollo-10-Shield

É quase impossível imaginar algo tão fantástico.
Eu já fico maluco por andar de avião, que só de imaginar a viagem dessa cápsula e todos os fenômenos naturais que ela sofreu ao entrar na atmosfera…

Vimos algumas locomotivas…

Trem-1868

Entre elas, a primeira locomotiva a operar comerciamente, em 1813.

Puffing-Billy

A Puffing Billy, construída para atender a mina de carvão Wylan Colliery de Christopher Blackett, em New Castle.

will_hedley_puffing_billy

Adoro trens, adoro trilhos, túneis e mais ainda histórias de ferrovias!
Estar ali era bem especial.

Aviões pendurados no teto, carros de ponta-cabeça, um gigantesco faról…

Science-Airplane

O-Farol

… Peças industriais monstruosas, foguetes, mísseis, motores do tamanho de uma sala de aula, relógios, derivados do plástico, da borracha, satélites, bússolas, rádios, computadores, liquidificadores…

Horoscopo

Plastico

Rockets

Bussolas

Vitruviana

Borracha

Borracha-Joao

Tudo o que um dia fora inventado pela ciência podia ser encontrado em exposição, devidamente em ordem cronológica, com placas informativas e detalhes curiosos…

O museu é impecável.
Desde a sinalização aos cartazes e material gráfico de apoio ao visitante, tudo é de um bom gosto tremendo.

Halo

É muito mais que um SESC é, e olha que o SESC é referência mundial de coisa boa.

O Science Museu chega a ser até chato de tão legal que é.

Painel-Joao-Jussara

Painel-Joao

E assim, depois de percorrer e descobrir todos os andares, salões, corredores, gastar mais algumas horas no interessantíssimo shopping do museu (cheio de invenções caras para crianças de todas as idades), lutei contra a vontade de comprar um Skyhawk 1145 PM…

Ponderava matematicamente a futura aquisição, pesando arduamente a decisão de levar um trambolho desses pelo resto da viagem vs a satisfação que eu teria ao chegar em casa com um passaporte tão barato para as estrelas.

Por um lado o tamanho da caixa, do outro a convidativa bagatela de £140,00.
Por um lado o melhor investimento que eu poderia fazer com o meu suado dinheirinho, do outro a certeza de gastar minhas amadas libras até a última cédula numa única compra.

Havia brinquedos malucos que desafiavam a gravidade e todas as leis da física…
Mas não! Mil vezes não! Não era o momento de levar o Skyhawk 1145 PM mais barato que eu sequer imaginaria encontrar…
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… Tão perto e tão longe…
Despedi-me dele, prometendo pra mim mesmo que voltaria para comprá-lo.

Tudo bem, deixa pra lá… Eu não teria um lugar para abrigá-lo mesmo…
Deixa eu arrumar uma sacada bem bacana pra ele que eu volto pra buscá-lo!

Tentei encontrar um robô como prêmio de consolação, mas só o Rovio custava £250,00, o I-Sobot £175,00…

Devia ter trazido um Hex Bugs Crab…
Pelo menos eram baratinhos e pequenininhos…

Eu estava maravilhado pelos brinquedos maravilhosos do Science Museum, mas também quem resiste?
Saquem só o que eles vendem lá na humilde lojinha deles:

Science-Site

Sai de lá com uma certeza: voltar nas próximas férias… Com muito mais libras no bolso.

Expo

Andamos alguns outros quarteirões do nosso bairro e encontramos o Natural History Museum.

globe_logo

Ao atravessar aquele portal dimensional, um sentimento de pena e perda se formou em meu coração. Fui atingido por uma vontade incomum em voltar a ser criança.
Queria poder ter tido a oportunidade de vivenciar este museu com meus cinco anos de idade.

Escada-Rolante

Ser criança ali naquele momento, com uma mente ainda intacta e cheia de espaço para se guardar experiências impressionantes, certamente poderia ser considerado um puta pontapé inicial para alguém se tornar ímpar em sua sociedade.

Terra

O Natural History Museum em uma realidade paralela, definitivamente seria o meu lugar favorito.
Chega a doer o cérebro só de pensar no quão bem ele me faria, no tanto que ele me influenciaria e no quanto ele me colocaria para questionar as questões da vida.

Terra-Joao

Mas esse sou eu, um guri que nunca se esqueceu da excursão à exposição/instalação no Sesc Pompéia, da visita ao Zoológico com a turma da escola, da passagem pela central dos Correios ou da visita à Estação Ciência.

Cresci com vontade de olhar mais para o microscópio.
Olhava através do telescópio e me questionava como olhar através do microscópio era tão similar.
O micro explica o macro e vice-e-versa.

Em algum momento da minha vida esqueci do quanto eu gostava de laboratórios ou do sonho de me tornar astronauta.

Se eu fosse londrino e tivesse especial museu em minha cidade, faria de tudo para compartilhar incrível descoberta.
Como eu não sou e tirando o fato de que a entrada ao museu é completamente gratuita, resta-me fazer boa propaganda para que meus conterrâneos cruzem o Atlântico até Londres para conferir tamanho estímulo cultural.

Subir aquela escada rolante era literalmente viajar ao centro da Terra.
Foi assim que chegamos à expo/instalação sobre a formação da Terra.

expo-terra

Lá estava a Islândia sendo citada outra vez…
Pra quem leu o clássico de Júlio Verne, não poderia haver jóia mais preciosa.

Pedra-Iceland

Monte Hekla… Que mágico!

Não há como ser justo no detalhamento emotivo ao se visitar o imponente museu, por isso é um pecado falar muito sobre cada clique.
Mil respostas.
Mil perguntas.

Natural

Não há como descrever a sensação de estar embaixo de um Diplodocus, aquele dino maior que uma quadra de tênis, tão pesado quanto dois elefantes.
Sim, aquele que só comia brotos nos topos das árvores… O preferido de 9 entre 10 crianças.

Natural-Dino-Gigante

Olhar para esse esqueleto montado nesse magnífico salão e contemplá-lo silenciosamente. Ter um momento de vislumbre do que deveria ser quando esses ossos protegiam órgãos e eram envoltos por músculos e gordura… Voltar 150 milhões de anos atrás e imaginá-lo com vida, andando pelas terras lá da América do Norte…

Dino-Jo

Dinos! Não há como não se lembrar dos primos pequenos, principalmente do Leonardo!

Amazing place! Lugar estonteante. Arquitetura maravilhosa abrigando tudo o que há de mais interessante para se contemplar.
Escadas, vitrais, colunas, naves, cúpulas, torres e passagens… As molduras para retratar natureza tão esplêndida…

Natural-Escada-Joao

Natural-Joao

Em certos momentos, era preciso estacionar o corpo e arejar a mente para continuar captando mais informações…

Peixes

Ponte

Tronco

Vitrais

Retomar o fôlego durava alguns suspiros mais longos…

Fosseis

Logo mais estávamos ativos novamente. Esquecíamos das pernas… Elas nem doíam mais.

Passaros

Vimos pela primeira vez, em toda a viagem, nosso reflexo.

Espelhos01

Espelhos02

Espelhos03

Espelhos-Baby

Rimos muito!

A cada sala que entrávamos, algo para se surpreender…

Dino-Ju

Algo para aprender…

Big-Baby

Não sei se foi nós que os encontramos ou se foram eles que nos encontraram, mas o salão dos animais em escala real era belíssimo:

Baleias

Baleias-Joao

Baleias-Ju

Baleias-Zoio

Tantos registros, tantas fotografias…
Essas aqui escolhidas, são apenas uma insignificante parte do que é viver isso de verdade.´
É como implantar um chip de upgrade diretamente no cérebro da gente. É investir em si mesmo. Captar conhecimento da maneira mais gostosa que existe.

Permitam-se!
E se ainda assim vcs acharem que uma viagem dessas não é muito sua praia…
Dêem essa visita de presente para si mesmos!
Dêem essa visita de presente para seus filhos!
Dêem essa visita de presente para alguém que vcs tenham carinho!

Não vivam sem tal estímulo.

Não há como não se sentir pequeno lá dentro.
Não há como não se sentir importante lá fora.

Fachada-Caminhando-0

Fachada-Caminhando

Não há como não se surpreender com o passado.
Não há como não se divertir com tantos presentes.
Não há como não se imaginar ali num não tão distante futuro.

Fachada

Ps: Meu Deus do céu, imaginem quando eu for escrever sobre o Louvre! Preciso de outro esquema! Esse post acabou com as minhas forças digitais! Hehehe…

151- Gracias, ‘Liva!

titifreak

Em meu caminho diário para a antiga Criacittá, dentro do busão, entrando pelo bairro da Liberdade, eu era atingido por imagens que me impactavam:

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Por vários meses essas imagens ilustraram o meu inconsciente.
Elas me perturbavam ao mesmo tempo que me eram necessárias.

Eu ficava posicionado na janela, esperando o ônibus virar uma esquina, avançar o cruzamento e lá estavam elas.

Aquelas faces cadavéricas já não saiam mais dos meus pensamentos.
Elas estavam me influenciando, mesmo que ainda inconscientemente.

Pegava-me rabiscando entre um trabalho e outro, aqueles traços que havia encontrado nos muros da Liberdade.
Foi quando os rabiscos cairam aos olhos dos amigos.

Foi um pulo para descobrir que aquela arte era do talentoso Titi Freak, amigo da Leika.

Já não vejo mais aquelas faces tão familiares.
Já não tomo mais o velho busão elétrico que cortava o bairro da Liberdade.
Já não trampo mais na velha Cria.

Agora estou trampando na nova Cria, que fica na Vila Leopoldina.
O busão elétrico deu lugar ao trem.
E o caminho que o trem faz até a minha estação é meio mágico, passa por espaços inacreditáveis, ao redor de fábricas e indústrias…
Foi numa dessas que encontrei uma participação especial:

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Acho que gosto tanto, pq uma das coisas que mais desenho são faces!

Nessa sexta-feira de tanto trampo, fiquei completamente surpreso ao ser abordado pelo garoto Oliva, o diretor de arte mais louco e querido da Criacittá.
Ele veio segurando um pacotão pesado, embrulhado num papel bem colorido com algumas dobraduras e uma etiqueta da Livraria Cultura e disse:
“-Tó, pra vc!”…………….

Ahhhhhhhhhhhhh…
Eu fiquei vermelho! Hahaha…

Nem era aniversário, nem nada!

Comecei a tentar abrir o pacote sem estragar o papel, mas fui ficando mais vermelho… Hahaha…
Os amigos ao lado, curiosos, também se juntaram ao acontecimento e eu ficando mais e mais vermelho até desistir de tentar abrir comportadamente e já rasgando o papel…

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh…

Oliva maluco!
Aquele dia, todos tinham ido almoçar no Shopping Villa Lobos e numa passagem rápida pela livraria, o guri olhou o livro e lembrou daquela minha admiração pelo trabalho do Freak.
Fazia tanto tempo que eu tinha comentado isso com ele!

Puta presente especial!
Não esperava.
Fiquei bobo de vergonha e alegria… Hehehe…

Corri pra mesa dele, levando o livro e uma caneta e pedi dedicatória:

“João Elias! Pra te inspirar nos trabalhos futuros… Um grande abraço, Oliva”.

Que querido!
Ele fez até uma caricatura dele!

Valeu, ‘Liva!
Não consigo parar de folhear as páginas desse livro. Presente perfeito!
Vão me inspirar totalmente.
Obrigado! Muito obrigado!

Ps: Impossível não se lembrar de um outro queridão ao ver o trampo do Freak! Crow, sempre vou me lembrar de vc quando ver os grafites do Titi Freak! Abração!

120- Desfile Das Campeãs – Anhembi 2009

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O Carnaval deste ano teve um significado especial.
Além do fato de ter participado dos dois projetos, Camarote Bar Brahma 2009 e Camarote SP Turis 2009, caminhar até o trabalho, diariamente, fez com que algo se acendesse no meu coração.

É que no caminho da estação do trem até à Cria, há um galpão improvisado da Pérola Negra bem debaixo de um viaduto, cheio de carros alegóricos em construção.
Acompanhei os talentosos do carnaval darem vida aos mais notáveis seres mágicos. Da fibra de vidro ao plástico, do aço e ferro retorcido às madeiras, carpete, lantejoulas, plumas e espumas…
Era algo progressivo.

Cheguei à festa na calada da noite.
A noite estava preciosa, quente e sem gotas de chuva.

De onde vem tanta magia?
Por que as pessoas saem do seus corpos nessa época?
De onde tiram tanta força?

Como as pessoas se dão para fazer esta festa acontecer. Dão sangue, suor e lágrimas.
Como pessoas simples se transformam em voluntários habilidosos.

Essas imagens de tanto trabalho e dedicação me acompanharam por muitos meses, principalmente nos dias que antecederam os desfiles.
Ver essa evolução toda preparou meu espírito para o que eu encontraria no Sambódromo.

Capturei o giro da porta-bandeira e seu animado mestre-sala.
Reparei na lágrima que escorreu dos olhos da baiana quando ela passou por mim.

Encontrei a magia inexplicável.
Encontrei a sabedoria no rosto dos mais jovens.
Encontrei a alegria infantil estampada na cara das pessoas mais velhas.
Encontrei a explosão de prazer que anestesia dor e cansaço.
Encontrei o orgulho estampado no peito daqueles que passavam por mim.

Nunca pensei assistir tal espetáculo de tão perto.
Estava colado à beirada da avenida.
Todos passavam por mim…

Uma costureira…
Um advogado…
O médico e o paciente…
O chefe e o empregado…

Vi belas meninas com seus corpos dourados.
Mas também vi senhoras com a alma dourada.
Todos iluminados…
Todos usando máscaras…

Nesse dia todos são especiais…
Todos brilham…

Carnaval é religião, é necessidade.
É hóstia para o corpo, é alimento para a alma.
Cai em nossas cabeças como luz divina.
Percorre nossa medula como adrenalina.

Dava pra sentir o pulsar dos corações e artérias…
Dava pra ouvir a respiração…
Dava pra desejar boa sorte e ser agradecido com um olhar…

Cada um é uma pequena lantejoula…
Uma pequena lantejoula do todo que brilha e invade a avenida como uma onda…

O Carnaval transforma as pessoas.
O Carnaval contamina a carne, provoca sorrisos, explode em desejo.

Assim vi passar a Gaviões, a Mocidade…
Assim percebi que toda vez que a bateria se aproximava, eu ficava eufórico…
Não dá pra imaginar outro lugar pra estar.
Se eu for algum dia desfilar, é nessa ala que eu vou.

A massa evolui.
Cada ala tinge a avenida de vida.
Um mar da cor do arco-íris.
Um arco-íris humano, cheio de pais, esposas, avós, amigos, filhos, tios, sobrinhas e compadres.
Se a família não está na avenida, está assistindo, se não está assistindo, está de alguma forma conectada a alguém que está flutuando nesse mundo.

E completamente apaixonado por tudo, nem percebi que o dia chegava.
Havia perdido a noção do tempo/espaço.

Voltei para o Aeroclube para tomar o café da manhã em grande estilo lá no bar do hangar.
Finalmente um Carnaval pra se falar até o fim da vida.

119- Camarote Bar Brahma 2009

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o-alimentacao

p-absolut-bar

q-absolut-bar-2

Sim sim, temos os jobs mais legais do Brasil e nos orgulhamos disso.

Foi muito bacana quando nós da equipe de criação da Criacittá soubemos do conceito “I Love SP” para o Camarote Bar Brahma 2009.
O entusiamo do chefe, dos diretores de arte, arquitetos, designers e criativos em geral foi tão explosivo que as criações pipocaram na mesma hora.

É sempre muito bacana ouvir o Wado passar as primeiríssimas informações sobre o novo projeto.
O Wado é o nosso chefe. Ele é o que tem a visão do todo, é o que fala com as mãos, cheio de idéias na cabeça… A sua empolgação é altamente contagiosa…
A partir do Wado, os diretores de arte (arquitetos em sua maioria) estudam a planta local, fundem neurônios e sobem o Cad que será usado por todos. Ao mesmo tempo que isso acontece, nós, editores 2d (designers em geral) começamos a pincelar estudos de todas as artes e gerar as texturas necessárias para a equipe dos editores 3d (os famosos modeladores)…

Há muito mais gente envolvida, atendimento, orçamento, execução, produção… Mas falar disso já são outros quinhentos…

Da idéia mágica do Oliva em representar a cidade da garoa com vários guarda-chuvas e neons pendurados no teto ao fantástico logo de paetês dourados do Shorney…
Tudo o que produzíamos estava cheio desse orgulho de ser paulistano, desse resgate aos valores urbanos esquecidos, desse amor à terra da garoa.

Naquele dia, soube que teria que desenhar muitos ícones da arquitetura paulistana.
Desenhei Masp, Empurra-Empurra, Catedral da Sé, Obelisco, Oca… um mundarel de edifícios caóticos… Mercado Municipal, fachada do Teatro Municipal…

Não é fácil acertar de primeira.
Muita coisa vai se aperfeiçoando, se modificando…`
À medida que nosso atendimento apresenta as primeiras idéias ao cliente, tudo se transforma.

Às vezes, há algumas refações.
Trampar com criatividade é excitante e estressante, mas nossa equipe é fera no que faz.

A cada vez que alteramos alguma coisa, é visível ver o quanto o projeto vai evoluindo.
Acho que esse é o segredo do resultado final ser tão bom.

Fazemos tantas coisas legais no nosso dia a dia na Cria, que eu acabei esquecendo do Camarote.
Só fui lembrar dele quando fui convidado para ir até lá apreciar o resultado do nosso trabalho em equipe.

Tava gripado, era uma sexta-feira. A festa seria para prestigiar as escolas campeãs.

Não dava pra perder essa.
Não sou fã de Carnaval, nunca fui.
Sempre fui daqueles que fugia de qualquer manifestação carnavalesca, mas vá lá, precisava conferir o resultado desse trabalho especial, que mexeu com o coração de tantos…

Foi então que recebemos o kit.
A partir daquele instante, eu já podia me considerar um folião.
O entusiamo invadiu o corpo todo. Foi só tocar aquela sacolinha mágica e ir descobrindo tudo o que ela continha.

Cheguei por volta da meia-noite.
Desinformado, ainda procurava a entrada do Aeroclube de São Paulo.

Já gostei de cara.
A festa começava com um super jantar do outro lado do Anhembi.
De lá, tomávamos o translado até o camarote, que ficava ao lado da Marginal do Rio Tietê.

Não dava pra se sentir mais VIP.
Eu ainda demoraria pra encontrar a turma do trampo, mas nem por isso estava me divertindo menos.

Chegar à entrada do camarote foi bem especial.
Ver tudo aquilo que produzimos vivo, brilhando, funcionando de verdade… As pessoas interagindo com o ambiente, indo e vindo, música, flashes, luzes, movimento… Puxa, é bacana demais.

Não dava pra acreditar. É realmente uma sensação que é até injusto tentar explicar. Não há palavras pra expressar o orgulho que é, a felicidade que dá.
A gente começa a lembrar da Leika escolhendo quais imagens vão entrar no túnel do Aeroporto, ou da fonte que o Shorney definiu para usar nos totens…
O logo dourado brilhava formoso em todos os cantos, o logo que o Shorney criou com tanta maestria estava no peito de cada folião.

Os edifícios caóticos estavam lá. Ficaram lindos! Coloridos! Circulavam o espaço principal.
O Absolut Bar ficou igualzinho a versão do 3D! Ahhhhhh, os neons ficaram lindos também!

A fachada do Teatro Municipal. Mil pontos para a nossa execução!

São Paulo estava lá representada de forma poética.
O bom gosto estava em todos os cantos dos 2.500 metros quadrados do camarote.
Dava pra sentir a aprovação nos olhares dos VIPs.

A fonte que o Esfiha ajudou a espirrar água estava linda! Hahaha…

A Praça de Alimentação estava irresistível.
Os vitrais do Mercado Municipal, os aéreos, as barracas de frutas…

O tratamento era tão VIP… Havia tanta fartura, tanta comida, tanta bebida.

Ele haviam trazido aqueles sandubas de mortadela!!! Grupo Bertin, Pizzeria 1900, Hocca Bar, Piraquê, Rei do Mate, Kibon, Sadia, Leco…
Tomei tanto chá e tanto suco, comi tanto churrasquinho!

Foi quando eu fui comer umas frutinhas e tomar uma H2O que encontrei a Eli e o Shorney.
Æ encontrei todo mundo.

Foi aquela festa. Aquela alegria.
Puta qui la merda, que festa!

Adorei.
Adorei mesmo.

Esqueci da gripe, da tosse de cachorro que eu estava, da dor no corpo, da dor de cabeça.
Pulei que nem uma peteca na pista de dança. Dancei e me esbaldei.
Tinha prometido pra mim mesmo que uma da manhã voltaria pra casa, tava cheio de curso no sábado…
Que nada!
Só fui sair de lá às sete da manhã. Ainda voltei pro Aeroclube pra tomar o café da manhã…
Tá certo que foi só um Toddynho, mas ver o dia amanhecer com aqueles aeroplanos ao fundo foi mágico.

Como é bom ser VIP.

Pela primeira vez na vida posso encher a boca e dizer que meu Carnaval foi excelente!

111- SPFW 2009 & Animale

O processo criativo de um projeto cenográfico desde sua sementinha até seus frutos, passa por muitas mãos habilidosas.

É pensado dentro do cérebro, rabiscado em folhas brancas, escaneado, impresso, discutido, modelado em 3d, iluminado, construído, produzido, montado, pintado, transportado…
Envolve centenas de pessoas, atinge milhares…

Fazer parte desse processo faz bem pro peito.

Nem sempre temos oportunidade de compararmos o produto final ao nosso trabalho digital.
Quando temos, agarramos a oportunidade com as duas mãos.

Assim, acabei dia desses lá na SPFW pra visitar três espaços produzidos pela Criacittá: Oi, Havaianas e TAM.

Não consegui ver o espaço Havaianas, mas sapecamos por Oi, com direito a drinks e fotos da imensa estante de vidros cheios de brasilidade. (Lembro-me de ficar caçando texturas de pimentas e sementes brasileiras pra ilustrar o layout)…
Acabei até sendo fotografado no backdrop da Oi Fm.

O evento em si estava maravilhoso como sempre. Já havia trabalhado na SPFW na época que eu estagiava na Casio. Patrocinamos Carlota Joaquina.
Dessa vez fomos pela Criacittá.

Rapidamente encontramos o espaço TAM.
Nossa fada madrinha liberou VIPs e entramos todos naquele universo incrível.

O espaço TAM estava impecável.
Nem quem viu o projeto no papel não acreditava nos que os olhos mostravam.

De cara, ao entrar, já vi o Wado (chefe do nosso departamento) em todas as Lcds.
Ele era o apresentador do programa que a TAM preparou sobre artesanato do Brasil.

O Projeto TAM já nasceu promissor.
Nem bem tinha cara e já tinha brilho próprio.

Wado viajou durante dez dias para os principais destinos do país para buscar referências e obras do artesanato nacional.
De Belém do Pará à Olinda, ele coletou, pesquisou, fotografou e adquiriu a essência cultural de um Brasil colorido e criativo.
Quando regressou à empresa, trouxe consigo muitas fotos, histórias e obras de arte.

Ver tudo aquilo foi fundamental para que toda o processo criativo fosse único e muito verdadeiro.

Da logotipia inspirada na literatura de cordel ao sabor colorido de quitutes irresistíveis e originais preparados pela chef Ana Trajano… Da artesã Lili Castro que, dia a dia, bordou um vestido de festa do estilista Lino Viallaventura…
Estar ali, misturado aquelas cores e sabores, junto com amigos, chefes e fashionistas foi sem dúvida inesquecível.

O brinde da TAM foi o mais bacana de todos: uma dessas garrafinhas decoradas com areia colorida.

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Isadora, a nossa estilista da casa, conseguiu pra mim entrada para o desfile da Animale.
Não foi fácil entrar no desfile.
A entrada que a Isa havia me dado era diferente das entradas das outras pessoas na fila…

Eu perguntava para os seguranças o porquê da minha entrada ser diferente das demais e eles me mandavam ir conversar com assessoria.
Quando eu encontrava o pessoal da assessoria, eles me mandavam conversar com os seguranças…
Falei com Deus e o mundo da Animale, e todos não quiseram nem saber como eu tinha conseguido uma entrada diferente.
Cheguei quase a desistir de tentar entrar, mas já que estava por ali…

E foi assim, do nada, que uma senhora da fila olhou pra mim e me deu um ingresso válido!

O resto da história pode ser conferido nas fotos que tirei.

Juro que tentei encontrar a senhora caridosa. Precisava agradecê-la… Mas já não mais lembrava da fisionomia dela. Eram todas muito fashion…

O desfile foi animal.
Por mais muvuca que seja a experiência, na hora que as luzes se apagaram e a música começa a tocar, o coração sempre bate mais forte.
É bacana ver as meninas desfilando.
A coleção da Animale desfilou futurista, com cortes bacanas, armaduras redondas.

Por mais distante que seja viver esse universo, é interessante fazer parte dele, mesmo que por alguns instantes.
Definitivamente dá vontade de fazer moda.

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108- 3D Logo 2009

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E a mamata chegou ao fim.
As mini-férias finalmente terminaram.

Agora é retomar aquela rotina deliciosa e maluca que é trampar na Cria, com todos meus queridos amigos criativos.
Que 2009 seja o ano de canalizar todos os meus objetivos, desejos e conquistas e construir os alicerces do meu futuro.

E assim, com essa perspectiva, inauguro a minha nova assinatura.
Demorou bastante pra concretizá-la, ela ainda não está 100% perfeita, mas vai funcionar.

Espero que ela moldure muitas alegrias, boas novas e surpresas positivas.

Deixo pra trás o carimbo de 2008 e inauguro o canalizador de energias +.

Feliz 2009 para todos nós.

107- Retrospectiva

Feliz Ano Novo, galera!
Tudo de bom no novo ano que se inicia.

E pra comemorar o velhinho ano de 2008 que já está quase acabando, alguns cliques perdidos e aleatórios.
Grandes momentos, inesquecíveis situações, amigos, amigos e mais amigos.

Que 2009 seja 2008 elevado à décima potência! Em todos os sentidos!
Feliz Ano Novo!
____________________________

Auditório do Anhembi, 100 Anos de Imigração, By Ber:

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Leika Land, irmã, grife e bazar:

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Boa Mesa, boa comida e ótima companhia:

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Nossos almoços malucos no Boa Mesa:

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Porque a hora do nosso almoço é sempre divertida:

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Presente de Ber: Club 8 no Sesc Vila Mariana – VIP

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Pra quem não ouviu o som dos caras, o último Zshare do ano: ***Download Mp3***

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Aventuras pelo hotel:

elevador

Encontrão 2008. Meus queridos:

encontrao-2008

A secretária mais bonita do mundo:

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Dj Carioca:

filipe-dj

Esfiha sabor 2D:

filipe-esfiha

Penetra:

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Fazendo o que sei fazer melhor:

filipe-fotografo

Noitada de amigos:

filipe-lorpaugutwad

Sorriso & Riso:

filipe-mau-dri

O casal nota mil:

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Doce traição:

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Pessoas fabulosas:

filipe-wado

Família Criacittá:

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Björk Boys At Fnac By Zazie:

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Grande companhia de 2008:

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The Patience Boy:

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Pelas ruas de Sampa City:

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Tennis Club:

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Workshop de Nô:

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____________________________

2008 foi um ano de crescimento.
Que 2009 seja um ano de iluminação.
É o meu desejo para todos que por aqui passarem.
Nos vemos em 2009!

62- 100 Anos Da Imigração Japonesa

Parte 1: Do Tietê Para O Anhembi

14 de Junho de 2008. E lá fomos nós para o primeiro dia de comemorações dos 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil no Anhembi.
Fomos à pé desde o Metrô Tietê. Ninguém sabia dizer se havia ou não condução gratuita.

A caminhada até o Anhembi não é muito minha praia, mas pra não perder o pique, resolvemos não perder tempo.
Chegamos aos portões de entrada e encontramos uma carência de multidão.

Será que eu havia errado o dia?

O porteiro pediu para atravessarmos a ponte principal.
Contornamos aquele hotel amarelo e caímos diretamente no lounge oriental.

De cara, percebi que aquele lugar iria ser perfeito para um futuro cochilo.
Mal sabíamos que aquele lounge seria palco para futuras acrobacias e pirações sonoras…

Bernardo é loco! Definitivamente é o cara mais divertido pra se levar a qualquer canto. A presença dele por si só, já é garantia de gargalhadas infinitas.
Ele nem chegou a sentar no puff… Ele já foi virando cambalhota!

As criancinhas não acreditavam naquele tio! Era bom demais pra ser verdade.
Em pouco tempo, a molecada começou a imitar a brincadeira e as coisas fugiram do controle.

Eu falei pra ele que ainda tínhamos um evento inteiro pra descobrir. Voltaríamos ali mais tarde, com menos luz! Hehehe…

Foi então que descobrimos o salão principal.
Aquilo tinha dedo do Hideki Matsuka! A arquitetura impecável daquele lugar, aquela decoração, aquelas cores e espaços vazios…

Por mais que eu tenha fotografado, ainda assim, deixei de fotografar tantas coisas bacanas!
Pensei que voltaria mais alguns dias, mas uma gripe do tamanho do mundo me pegou e realmente vou ter que me contentar com os três dias de visitação.
Mas acho que dá para passar o que eu senti nesses três dias.

Parte 2: Papero

Nem bem entramos no salão principal e já estávamos na fila pra conhecer o robô da NEC, o Papero.
O inventor japonês, o pai do robô, estava pessoalmente lá. Não dava pra perder essa!
A Globo mais uma vez entrou no meio da apresentação, atrapalhando toda a evolução… (E pensar que ainda falta eu aparecer na entrevista dos Yamadas)
Eu e o Bernardo estávamos de olho na camisa estampada que o japonês usava. Safado duma figa de um japonês mesquinho. Não deu a camisa pra gente nem com pedido polido em nihongô.

A apresentação só serviu pra gente aparecer na Globo mais uma vez e pra eu ter certeza de que eu quero um Papero.

Parte 3: Voluntária

Encontramos nos corredores alienígenas do pavilhão, pois os corredores estavam impecavelmente encapsulados de tecido branco, um salão cor-de-rosíssima de Pump It Up.
Lá conheci a Voluntária, uma amiga do Ber que nos acompanhou pra cima e pra baixo.
Conferimos as sakurás de papel, vimos ikebanás…

Ela nos conseguiu a programação e nos acompanhou à exposição de bonecos do Sr. Atae.

Parte 4: Yuki Atae

Meu, os bonecos de pano do Sr. Atae são impressionantes.
O olhar, a fisionomia, o corpo, as mãos e os pés…
As roupinhas, a humildade, a ingenuidade…

São tão lindos, tão lindos que dá uma nostalgia inexplicável.
Eu fiquei imóvel de tanta emoção.

Os detalhes eram preciosos, mas nada se comparava aos seus olhares. Eles enchiam os bonecos de humanidade, de vida. Nunca vou me esquecer.

Parte 5: Nós Gatos…

Até a gatinha mais famosa do Japão a gente encontrou por ali. Com direito a muita bala e sorvete mole.

Parte 6: Look At The Bright Side

E caminhando sem rumo, encontrei uma salinha oscilando rosas cítricos.
Não resisti aquele jogo de luzes. Rapidamente dei um jeito de fazer alguns cliques ali.
Foi dessa maneira que acabei descobrindo que ali aconteceria um visagismo.

Parte 7: Hibiki Family

Como disse, acabei sabendo do Visagismo da Hibiki Family por acaso.
Não podia perder. Não depois de ter contemplado o Visagismo da montagem da noiva japonesa em Amai Michi.

Sentei no chão, fiquei de frente para Akito-san.

A transformação é pura arte. Ela começa com força e decisão.
Akito-san se despe e vai para trás de um grande kasá vermelho se maquiar.

Lá, ele se esfrega.
Em uma massagem firme com as mãos, ele esfrega orelhas, nariz, olhos, pescoço, bochechas.
É como se ele estivesse se libertando de qualquer suor.

Rapidamente ele salpica aquele pompom cheio de talco branco pelo rosto, pescoço e peito.

Ele se despe com muita diversão.
Na hora de tirar seu jeans, ele brinca. O público ri.
Ele começa a passar o pompom na mão e começo do braço e ao pintar os pés, leva o pompom até o nariz e faz cara de chulé!

Seu corpo está enrolado por tiras, como numa múmia.

Ele volta para trás do kasá.
Ele se tinge de um branco mais puro. Traça linhas tênues de um vermelho que exalta a forma oval do rosto.
Ele modifica seus olhos. O caminho para a androgenia se dá.
Nos encara pela primeira vez com sensualidade.

Pinta os lábios com um vermelho explícito.
Nos encara novamente. É como se ele estivesse iniciando um ritual hipnótico.

Ele prende o cabelo com uma faixa.
Em poucos minutos, não há mais cabelos.

Com ajuda de seus irmãos, ele começa a vestir a primeira camada do kimono.
E assim ele vai até a última.

Do tamanco de 30cm à colocação da peruca que é quase um tesouro, todas as fases são de uma poesia visual.

Akito se vira em sua plenitude.
Seus movimentos são graciosos.
Ele arrasta os seus tamancos desenhando um caminho no chão.
Ele levanta o pé, congela o movimento, prende o impulso e solta em poesia. É inexplicável.

O mais próximo de explicar isso sem palavras, remete-se àquela apresentação do filme “Memórias de uma Gueisha”.
É simplesmente o máximo!

No final da apresentação, a família foi ovacionada.

Akito-san, simpático pra caramba, desceu da plataforma e explicou um pouco várias curiosidades.
O povo foi ao delírio.

Não resisti e fui pedir uma foto com ele.
Porém, a cena mais engraçada ficou na hora do agradecimento.
Ah, se as imagens falassem! Hahaha…