Não pensamos duas vezes. Não importava muito quantas horas estávamos sem um banho ou sem esticar o corpo numa cama de verdade…
Apesar da canseira mortal, ainda dava tempo de ir até o Big Ben.
Bater perna era tudo o que precisávamos naquele momento.
Agradecemos a Brooke na recepção do hostel pelas instruções e refizemos o percursso a pé até a Gloucester Road Station como duas crianças correndo contra o relógio.
Minutos antes, aquele trajeto da estação até o hostel era uma aventura, agora já era familiar.
É muito louca essa sensação de não conhecer nada, de virar uma esquina e descobrir tudo novo…
Mais louca ainda é a sensação que se tem ao começar a criar os primeiros pontos de referência…
É muiiiiiiiiiiiiito louco!
A ausência das pesadas malas nos fazia flutuar.
Estávamos leves, felizes, falantes e cheios de uma energia renovada. “We are in London… Let’s break the law”…
Mergulhamos no underground.
Como havíamos comprado o bilhete do metrô (Zonas 1,2,3,4,5 e 6), pq o aeroporto internacional fica bem distante do centro (Zona 6, creio eu), tínhamos viagens livres pelo transporte de Londres pelo resto do dia.
Rapidamente encontramos no complexo mapa metroviário a estação mais próxima a famosa torre do relógio: Westminster.
Para nossa sorte, a Westminster ficava na mesma linha que nossa estação, a Circle. Passamos pela South Kensington, Sloane Square, Victoria, St. Jame’s Park e finalmente descemos.

Eu comecei a reparar numa frase que a condutora do metrô dizia com frequência, mas ainda não conseguia escrevê-la na minha mente. Ela não fazia sentido ainda.
Milhares de conexões em cada uma dessas estações.
Por mais que se tenha gente nas plataformas embarcando e desembarcando e o metrô não seja lá tão espaçoso (o metrô londrino é muito muito estreito e tem o teto bem baixo) a coisa funciona.
Antes de sair à superfície, percorremos alguns quilômetros de corredor (e isso não é nenhum exagero).
Londres abriga outra cidade no seu underground.
Foi num desses corredores que a Islândia veio me fazer vontade mais uma vez:

Não dá pra explicar com justiça o que é sair dessa estação e dar de cara com o Big Ben.
Vc sai da estação, sobe uma escada cheia de pessoas indo e vindo e dá de cara com o cartão postal mais famoso de Londres.
A gente não tem noção do tamanho da torre do Big Ben até que se está lá ao lado.
É descomunal.
A saída do metrô parece estar propositalmente posicionada bem na lateral do Big Ben, assim, só pra provocar.

Atravessamos a rua com cuidado, pois nessa hora, os londrinos adoram andar de bicicleta a todo vapor.
Atravessamos de volta, pq é impossível fazer fotos ao lado da torre do relógio. Ela simplesmente não se enquadra em qualquer enquadramento que se faça.

Descemos uma escada lateral ao Rio Tamisa.
Foi assim que conseguimos fazer algumas fotos.

Assim como nós, turistas do mundo todo babavam simplesmente pelo fato de estarem ali.
Todo mundo feliz, um frio bacana, aquele tempinho típico de Londres…
Londres foi uma exigência da Jussara para essa viagem, ela fazia questão de conhecer a cidade. Eu mesmo não fazia questão.
Mordi a língua.
Naquele momento eu sentia a grandeza e a magia dessa cidade.
Andamos pelos arredores.
Percorremos a principal ponte, andando um pouquinho, olhando pro Big Ben, andando mais um pouquinho, vendo a London Eye do outro lado.
Atravessar o Tamisa pela primeira vez pela Ponte Westminster além de gelado é estonteante.
As pessoas que passavam por nós…
Muita gente com máquina fotográfica… Impossível definir um idioma…
Parecia que estavam falando grego… Logo mais um grupo de turistas soltava uma frase em alemão, indiano, russo…


Já do outro lado do rio, seguimos até o elefante de Salvador Dali e lembrei muito da minha chefe lá na Criacittá, a Claudinha. Meses antes de eu estar ali, ela tinha feito uma foto fantástica do mesmo elefante que me chamou muito a atenção.
Claro que registrei o pomposo e distorcido animal sob aquele céu nebuloso e fica a foto dedicada à Claudinha.

Confirmamos a grandiosidade da London Eye e decidimos subí-la amanhã (fomos deixando pra amanhã, depois de amanhã, para o último dia e quando vimos, não subimos a London Eye – a Ju foi pra Paris tocando nesse assunto como um disco riscado) pois o tempo poderia abrir.

Andamos sem rumo certo, mesmo com o mapa debaixo do braço.

Íamos aonde nossa curiosidade nos levava.
Percorremos ruas e cantos espetaculares.
A tarde ia caindo e o frio ia aumentando, mas estávamos tão malucos com tanta explosão de acontecimentos que pelo menos eu sentia calor.
Reatravessamos a ponte e encontramos a plaquinha do metrô já acesa.

Era hora de tentar encontrar a Piccadilly Circus.
Meu Deus!
Nem bem chegamos e eu já me apaixonei pelos mosaicos da estação do metrô.
Não tirei foto de tudo, pq senão ia ficar louco e ia deixar vcs mais ainda.
Há alguns anos, eu havia recebido de presente da Inês, em sua passagem pela cidade da rainha, uma bonita ilustração dessa famosa praça.
Desde então, aquela região se tornou familiar pra mim. Eu a apelidei carinhosamente de “A Time Square Londrina”.

Estar ali, de pé, naquela noite linda não podia ser mais especial.
Aqueles letreiros acesos brincavam com nossos olhos. Não sabíamos pra onde ir ou o que fazer.

Eu sabia que a Chinatown era por ali e que deveria existir uma grande loja de eletrônicos.
Acabei encontrando os dois e mais um monte de outras coisas interessantes.
Aproveitamos pra ligar para os que estavam preocupados:

Encontramos o bairro chinês sem muito esforço.

A Liberdade em São Paulo tem a seu charme, mas essa Chinatown é muito mais colorida.

Fora que tem uns restaurantes de comida cantonesa que vale a visita.
Há nas vitrines desses restaurantes, patos assados pendurados e todos os tipos de comida asiática ricamente exibidos para aguçar o apetite do turista mais exigente…
É um desfile de cores e aromas irresistíveis…
E o melhor, o restaurantes não são caros.

Piccadilly Circus é destino pra quem não está a fim de dormir cedo.
A vida noturna acontece ali.
Há várias casas de musicais pela região. Eles são muito famosos por lá.
Há cartazes os anunciando em todas as estações de metrô. Desde o aeroporto já somos influenciados por eles.
Os que mais se destacavam eram o musical do filme Mudança de Hábito e do Billy Elliot.
Juro que era tanta coisa bacana sendo bombardeada na nossa cabeça, que eu esqueci de ver o preço do ingresso pra poder assistir Mudança de Hábito numa dessas noites frias.
Nessa região é completamente normal ser abordado por uma dragqueen, ser cantado por um gay, ser convidado a entrar numa balada pegando fogo ou até mesmo ser confundido com outra pessoa.
As pessoas que por aqui passam são as mais criativas, coloridas, desencanadas e brilhantes.
Foi perambulando bastante que acabamos encontrando uma loja inacreditável.
Fomos descobrir mais tarde, que a Rainforest Cafe, era além de loja, um bar e restaurante.


Quem passa pela fachada da Rainforest, assim como nós passamos e nunca ouviu falar dessa rede, não tem noção do que se esconde lá no subsolo.
Eu não vou nem falar muito pq é perda de tempo tentar explicar esse lugar. Mais fácil deixar o link com vcs.

Gastamos uma boa hora lá.
Pegamos o cartão dos caras, pq como eu ia dizendo pra mocinha que nos atendeu, eu não conseguiria chegar lá de novo sem ajuda e eu com certeza iria querer voltar.
Agradecemos a mocinha, que antes nos ensinou como fazer para chegar ao meu objetivo principal: HMV.

Como foi que não tirei nenhuma foto da HMV Piccadilly? (Essa foto eu peguei no Google).
Compilando as fotos que eu tirei da viagem toda, reparei que não havia nenhuma foto ou vídeo da invejável HMV.
Desculpem as Fnacs e as grandes lojas do gênero, mas o que era aquela HMV?
HMV é o paraíso. Foi dica dos meus amigos da Outerspace.
É a utopia de uma loja de games, cds, dvds, eletrônicos e informática.
Para alguém como eu, que viveu na época em que internet era artigo de luxo de centros culturais e mp3 era coisa de ficção científica, A HMV é definitivamente o paraíso.
Naquela época, um single era algo absurdamente raro. Só era possível comprá-los na loja da Banana Music nos jardins e em dólares. Eu gastava quase o salário inteiro pra comprar um single de 2 músicas do Pizzicato Five ou da Björk.
Por anos fiquei imaginando o tamanho dessas lojas em Londres, pq todos os singles e cds limitados que eu comprava vinham com a famosa etiqueta “MADE IN LONDON”.
Pois é, descobrir a HMV preencheu esse vazio.
Lá é o paraíso dos singles, dos videogames, do blueray, dos dvds, dos computadores, das coisas personalizadas…
Havia notebooks, tvs, câmeras, videogames… Todos os headphones mais legais do mundo, de todas as cores, formas e tamanhos…
Headphones da Sony, como os meus, por £17 e eu não compreiiiiiiiiiiii! Na Fnac um MDR-Z700 como o meu não sai por menos que R$350.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh, fiquei maluco, maluco, maluco!
Eu quase surtei na hora que eu encontrei o setor de games… Me acabei por lá…
Mesmo em libras, o preço dos eletrônicos e games era muito bom.
Comprei Katamari Forever, Dead Space, Burnout…

Comprei The Beatles Rockband na HMV de Londressssssssssssssssssss… Comprei outros acessórios pro PS3, comprei Ipod Touch pro meu pai, pra minha irmã, ganhamos desconto pra comprar aquelas caixinhas de som que tem uma batida poderosa pra acoplar o ipod…
A Ju comprou uma edição especial limitadíssima de vinil do Iron Maiden, com pintura e tudo mais, pra dar de presente (Esse disco ficou sendo o nosso anão de Amélie Poulain, levamos ele pelo resto da viagem).
Nos acabamos lá na HMV.
Só não comprei mais pq era o primeiro dia.
Ainda teríamos que ir pra Paris, várias cidades na Suíça, Veneza, Roma…
Pensava no trampo que ia ser ficar carregando tantas aquisições.
Entrei em todas as lojas de eletrônicos ao longo da viagem.
Ahhhhhhhhhhhh, perdi de comprar os headphones!
Não acredito até hoje. Mesmo no Duty Free de Zurique, Roma ou São Paulo… Nada chegava aos pés dos preços praticados na HMV.
A noite havia nos engolido.
A sensação era de total liberdade, não importava para onde andássemos… Mesmo carregados de sacolas de compras, havia muita gente nas ruas, muitos turistas e um bem estar espalhado na atmosfera.
Ja era muito tarde. Voltamos para o hostel, cansadíssimos. Não sem antes fazer umas paradas obrigatórias no nosso bairro.

Mergulhamos num merecido sono numa cama quentinha, limpinha, quarto ultra silencioso…
Amanhã seria o dia dos museus. E se havia algo que fazia do nosso hostel ser o mais bem localizado, é que ele estava a poucos passos dos museus mais interessantes de Londres. Não precisaríamos nem de bilhete de metrô.










6 respostas Até agora ↓
Rodrigo Gruber // Outubro 29, 2009 às 6:24 pm |
Muito bom. Você escreve muito bem.
Pelo visto sua viagem está sendo “sem rumo”, mais quanta coisa legal! Eu gostaria de poder viajar para o exterior.
satie12 // Outubro 29, 2009 às 8:19 pm |
london london….
ow, acabei de saber q o sinval e o luis tao la!!!!!
mind the gap!!!! xXx
RL // Outubro 31, 2009 às 9:23 am |
Égua , paulista !
Perfeita sua narrativa da viagem ! Da vontade de comprar uma passagem para Londres e se mandar para lá .
Escreve logo um livro do tipo Diário de Bordo e ganha alguma grana com tuas estórias .
Parabéns e fico feliz de saber que vc está de volta !
Até um dia em terras paulistanas !
Um grande abraço de seu amigo.
Isabel // Outubro 31, 2009 às 9:05 pm |
Nossa! Eu to arrepiada só de ler seu blog contando sobre a viagem pra Londres. Eu vou pra Alemanha em Dezembro e estou apavorada, extremamente ansiosa pois nunca sai do Brasil e esta viagem é de fato, o sonho da minha vida!
Escreve mais, vai???? Parabéns e que haja outras mais como esta
bentouman // Novembro 4, 2009 às 10:30 am |
Queremos mais fotos e videos!!!!!!!
Daniel // Novembro 6, 2009 às 9:52 pm |
HMV, nossa!!!
Quem dera se tivéssemos uma assim no Brasil.
Enlouqueceria naquela loja também.
A sensação de andar por lugares desconhecidos e ouvir pessoas falando uma língua diferente a cada momento é muito engraçada.
O frio também me traz boas recordações….