O processo criativo de um projeto cenográfico desde sua sementinha até seus frutos, passa por muitas mãos habilidosas.
É pensado dentro do cérebro, rabiscado em folhas brancas, escaneado, impresso, discutido, modelado em 3d, iluminado, construído, produzido, montado, pintado, transportado…
Envolve centenas de pessoas, atinge milhares…
Fazer parte desse processo faz bem pro peito.
Nem sempre temos oportunidade de compararmos o produto final ao nosso trabalho digital.
Quando temos, agarramos a oportunidade com as duas mãos.
Assim, acabei dia desses lá na SPFW pra visitar três espaços produzidos pela Criacittá: Oi, Havaianas e TAM.
Não consegui ver o espaço Havaianas, mas sapecamos por Oi, com direito a drinks e fotos da imensa estante de vidros cheios de brasilidade. (Lembro-me de ficar caçando texturas de pimentas e sementes brasileiras pra ilustrar o layout)…
Acabei até sendo fotografado no backdrop da Oi Fm.
O evento em si estava maravilhoso como sempre. Já havia trabalhado na SPFW na época que eu estagiava na Casio. Patrocinamos Carlota Joaquina.
Dessa vez fomos pela Criacittá.
Rapidamente encontramos o espaço TAM.
Nossa fada madrinha liberou VIPs e entramos todos naquele universo incrível.
O espaço TAM estava impecável.
Nem quem viu o projeto no papel não acreditava nos que os olhos mostravam.
De cara, ao entrar, já vi o Wado (chefe do nosso departamento) em todas as Lcds.
Ele era o apresentador do programa que a TAM preparou sobre artesanato do Brasil.
O Projeto TAM já nasceu promissor.
Nem bem tinha cara e já tinha brilho próprio.
Wado viajou durante dez dias para os principais destinos do país para buscar referências e obras do artesanato nacional.
De Belém do Pará à Olinda, ele coletou, pesquisou, fotografou e adquiriu a essência cultural de um Brasil colorido e criativo.
Quando regressou à empresa, trouxe consigo muitas fotos, histórias e obras de arte.
Ver tudo aquilo foi fundamental para que toda o processo criativo fosse único e muito verdadeiro.
Da logotipia inspirada na literatura de cordel ao sabor colorido de quitutes irresistíveis e originais preparados pela chef Ana Trajano… Da artesã Lili Castro que, dia a dia, bordou um vestido de festa do estilista Lino Viallaventura…
Estar ali, misturado aquelas cores e sabores, junto com amigos, chefes e fashionistas foi sem dúvida inesquecível.
O brinde da TAM foi o mais bacana de todos: uma dessas garrafinhas decoradas com areia colorida.
Isadora, a nossa estilista da casa, conseguiu pra mim entrada para o desfile da Animale.
Não foi fácil entrar no desfile.
A entrada que a Isa havia me dado era diferente das entradas das outras pessoas na fila…
Eu perguntava para os seguranças o porquê da minha entrada ser diferente das demais e eles me mandavam ir conversar com assessoria.
Quando eu encontrava o pessoal da assessoria, eles me mandavam conversar com os seguranças…
Falei com Deus e o mundo da Animale, e todos não quiseram nem saber como eu tinha conseguido uma entrada diferente.
Cheguei quase a desistir de tentar entrar, mas já que estava por ali…
E foi assim, do nada, que uma senhora da fila olhou pra mim e me deu um ingresso válido!
O resto da história pode ser conferido nas fotos que tirei.
Juro que tentei encontrar a senhora caridosa. Precisava agradecê-la… Mas já não mais lembrava da fisionomia dela. Eram todas muito fashion…
O desfile foi animal.
Por mais muvuca que seja a experiência, na hora que as luzes se apagaram e a música começa a tocar, o coração sempre bate mais forte.
É bacana ver as meninas desfilando.
A coleção da Animale desfilou futurista, com cortes bacanas, armaduras redondas.
Por mais distante que seja viver esse universo, é interessante fazer parte dele, mesmo que por alguns instantes.
Definitivamente dá vontade de fazer moda.
Sempre quis ser protagonista de uma ficção espacial.
A minha imaginação após assistir um clássico filme da fantástica série Alien me levava ao negro infinito do espaço.
Ia pra cama, naquela época, com os neurônios fritando de tanta excitação.
Ora bolas, todo garoto sonha ser astronauta quando crescer.
Poucos realizam esse sonho.
Dead Space de alguma forma me proporcionou isso.
Caminhar sozinho por longos corredores de uma nave espacial perdida no espaço sideral, cheia de barulhos, aliens e mistérios arrepiou até minha alma.
Uma das coisas que mais odeio em piadas contadas por amigos é que nunca acho graça.
Uma das coisas que mais odeio em histórias de suspense e terror é que nunca levo sustos.
Não posso dizer que nesse game há qualquer piada sem graça ou mesmo alguma piada engraçada, mas é certo dizer que colecionei uma série de sustos deliciosos.
Pra quem nunca jogou nada parecido, Dead Space é uma ótima opção.
Jogos desse naipe geralmente tem uma mecânica complicada, mil e um tutoriais, menu sofisticado de armas, regras e mais regras de evolução…
Esqueçam maiores complicações.
Trocar armas, recarregá-las, mirar alvo, reenergizar HP, fazer upgrade… Tudo é muito muito simples.
A jogabilidade é realmente perfeita. Os menus são minimalistas.
O seu traje de astronauta é tão formidável, que não há números te atrapalhando ou barra de HP no canto superior direito da tela.
O status é mostrado na própria coluna do protagonista, o número de balas restantes aparece em cima da arma em uso.
Para saber qual o caminho a seguir, basta apertar um único botão no joystick e o nosso herói estica o braço, abre bem a palma da mão e o caminho se faz em setas iluminadas e animadas ao chão. É brilhante!
Quando se conquista o poder da levitação, imobilizar o inimigo com uma mão, jogá-lo para o alto e desmembrá-lo é altamente terapêutico. Hehehe…
Você atravessa todos os decks da imensa nave Ishimura.
Sua missão: consertar, restaurar, instalar tudo pelo caminho…
Claro que vc precisa evitar os monstros, que estão espreitando, esperando vc passar despreocupado…
A nave está um caos.
Todos os tripulantes estão despedaçados no chão, apodrecendo.
Andar por salas frias, com o chão manchado de sangue já seria terror suficiente para te deixar colado na tela, mas há muito mais que isso.
Uma absurda combinação de efeitos sonoros inacreditáveis faz com que o ambiente do game invada a realidade. O jogo literalmente sai da tv.
O chão geme, o aço grita retorcido atrás de vc, urros mortais vazam através das aberturas dos dutos de ventilação.
A imersividade no jogo é total. Não há pausa nos menus para arrumar suas armas ou usar os “health packs”.
Os cenários são um espetáculo a parte, grandiosos, futuristas, ricamente detalhados.
Vc só não se perde por eles porque tem o seu caminho nas palmas das mãos.
Passar por todos eles boquiaberto não é exagero.
Deparar-se com o seu primeiro alien é uma experiência assustadora.
Depois de um hiato de silêncio, ele simplesmente pula na sua frente.
Vc não consegue mirar direito, se apavora, os efeitos sonoros atingem um orgasmo… Vc vai voltando pra trás… Gasta dez vezes mais munição…
Ele é apenas seu primeiro alien, super lento, super tonto, mas é incrível como a cena, o timming, a trilha sonora e os efeitos sonoros fazem com que isso seja inesquecível.
Não basta apenas atirar.
Vc precisa desmembrar.
As criaturas não morrem simplesmente metralhando balas nelas. É preciso remover pernas, braços, cabeça, até que finalmente elas não possam mais se movimentar.
Se ainda assim vc deixar um braço na criatura, ela vai se rastejar até vc. É horripilante.
Ao matar o primeiro alien, vc percebe o quanto a história a bordo está complicada. O alien que vc matou não é simplesmente um alien, tem uma metade humana ali misturada.
Vc começa a compreender que todos aqueles cadáveres no chão estão apenas esperando o final da mutação para se transformarem em criaturas assassinas.
A medida que vc vai avançando, vc vai descobrindo novas mutações.
Há criaturas tenebrosas, com garras imensas, rabos e espinhos…
Há um espécime que me tirava o sono. Uma enorme bolsa na parede, feita de tentáculos e pedaços de homens que cuspiam seres sem pé que se fixavam no chão e atiravam sementes venenosas. Ela lembrava uma imensa planta carnívora. Não adiantava meter bala. Era necessário cortar suas quatro raízes que a alimentavam de energia, ao mesmo tempo que eu precisava abater os seres sem pé cuspidores de sementes.
Era muito difícil, pois enquanto tentava atirar nas raízes, precisava desviar das sementes. E a cada tiro que eu errava, mais seres sem pé brotavam no chão. E o grito de mil vozes humanas desesperadas que saiam daquela planta era de mexer com o sentimento de qualquer um.
Havia um ser pequeninho, parecia um pigmeu com três ferrões prontos para cuspir espinhos. Eram tristes de localizar. Adorava imobilizá-los na gravidade zero e destroçá-los com a minha Plasma.
Aliás, matar esses animais era muito divertido, mas matá-los no vácuo ou em espaços com a gravidade zero era fenomenal.
O game estava fabuloso, eu estava maravilhado, tudo estava completamente perfeito… Foi quando fui abrir uma porta redonda gigantesca e uma voz metalizada me avisa que estou entrando num espaço com gravidade zero e numa área de vácuo.
Caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaalho!
O ar da sala foi sugado para a porta antes mesmo dela se abrir.
Meu coração pulou à boca.
Em um instante eu estava dentro da nave, no outro eu estava num corredor destruído, sem teto, chão retorcido. Onde antes havia uma maciça parede, um buraco do tamanho de automóvel moldurava um planeta imenso lá embaixo. No horizonte se desenhava o espaço sideral.
O nível de oxigênio se mostra ao lado do marcador de vida na coluna do protagonista.
Eu quase não andava de tanto medo de cair pra fora da nave.
O som muda, se abafa. Tudo o que vc escuta são seus passos quase que imperceptíveis, as batidas do seu coração descontroladas e uma respiração pesada.
Vc vai até o fim do corredor, com um medo do caralho, pq vai que aparece uma criatura nessa situação…
Vc constata que não há saída ali, então vc volta…
Æ vc se lembra da sua mãozinha mágica que te mostra a direção e tem certeza de que não pode ser, mas é.
Vc precisa realmente sair pelo buraco, universo afora, para conseguir seguir seu caminho.
Então, vc aprende a andar pelo lado de fora da nave e æ meu filho, o jogo já te conquistou, já entrou na sua corrente sangüínea.
Eu poderia ainda falar das outras criaturas.
Uma extremamente grávida que se vc estourasse a barriga dela, dezenas de lesminhas ácidas pulariam na sua cara e te derreteriam.
Um imenso tentáculo do tamanho de um trem que te arrastava para as profundezas da nave e a única chance que vc tinha contra ele, era acertar o seu ponto fraco na hora certa… O duro era que vc estava sendo arrastado pela perna, ou seja, mirar nessas condições era completamente perturbador…
Há ainda aqueles escorpiões negros que davam pulos enormes na gravidade zero. Sim sim, eles também apareciam nessas situações…
Ou os enormes monstros do tamanho de um caminhão, que vinham pra cima destruíndo paredes inteiras…
Os que tinham mãos explosivas e se suicidavam ao chegarem bem pertinho… Quantos sustos magníficos eu sofri.
Tinham as arraias voadoras que eram fáceis de matar, mas o problema é que se elas encontrassem corpos putrefados de humanos pelo chão, ela os revivia em criaturas quase que instantâneas. Æ era muito difícil matá-la tendo que se preocupar com os revividos.
Ah, tinha até um que não morria. Sério. Eu desmembrava, pisava na cabeça dele, e ele começava a borbulhar e se reconstituir. A única saída foi derretê-lo. Foi uma estratégia irreal. Se não fosse minha mãe me ajudar…
Certamente, se dependesse de mim, eu jamais tocaria em Dead Space…
Este gênero de games nunca foi o meu forte.
Matar nunca foi um verbo muito conjugado em meus games.
Para a minha sorte e surpresa, este era um dos muitos títulos que o Leone me emprestou junto com o seu Xbox 360.
Foi assim que o joguei pela primeira vez, por ele estar perdido entre tantos outros jogos mais conhecidos. Pura curiosidade.
A imersão e admiração por Dead Space foi tão grande, que eu simplesmente não consegui jogar outro game até chegar ao final deste.
Dead Space me cativou desde o primeiro capítulo.
Tá certo que o fato de jogá-lo na minha super tv, ligado ao aparelho de som fez toda a diferença, mas a jogabilidade, o controle redondo do Xbox 360, a impecabilidade, o cuidado com os pequenos detalhes, os efeitos sonoros, os desafios progressivos, as missões inacreditáveis… Tudo perfeito demais. Extremamente viciante.
Sentia-me incomodado por jogar sozinho.
Era um desperdício imenso passar por tamanha experiência sem ter alguém ao lado pra compartilhar. Quase o cúmulo do egoísmo jogar tal obra-prima sozinho.
Fazer o quê? Hehehe.
Ps: Uma imagem em movimento vale mais do que mil palavras.
Sabadão foi dia de tomar sorvete com os amigos na Häagen Dazs da Oscar Freire.
Reencontrei Leone, Tio, Fumiko e Fran. Saudades desses guris…
Passeamos pelas alamedas arborizadas e tentamos botar um pouco do papo em dia.
Tinha levado a câmera pra registrar alguns momentos, mas de tanto que falei que era pra tirarmos fotos, acabamos não tirando umazinha sequer.
Voltamos lá?
Ps: Guri, escolher qualquer sabor que tivesse “berry” no nome foi uma sábia decisão. Strawberry Cheesecake!
E a mamata chegou ao fim.
As mini-férias finalmente terminaram.
Agora é retomar aquela rotina deliciosa e maluca que é trampar na Cria, com todos meus queridos amigos criativos.
Que 2009 seja o ano de canalizar todos os meus objetivos, desejos e conquistas e construir os alicerces do meu futuro.
E assim, com essa perspectiva, inauguro a minha nova assinatura.
Demorou bastante pra concretizá-la, ela ainda não está 100% perfeita, mas vai funcionar.
Espero que ela moldure muitas alegrias, boas novas e surpresas positivas.
Deixo pra trás o carimbo de 2008 e inauguro o canalizador de energias +.
Viveiro para cultivar a flora e agrupar a fauna cítrica das variedades ilustrativas, a matemática engenhosa da surrealidade musical, os pixels e os polígonos futuristas da cena gamística, a projeção do cinema hollywoodiano e do descurto-circuito alternativo , o crescente mundo das séries e sitcoms através dos torrents da vida, o didático mundo de palavras encadernadas, colagens e registros fotográficos com a minha inseparável digital de 7.2 Megapixels, além das minhas andanças, vôos e navegações por esse mundão afora.
Encontrou-me por acaso? Melhor ainda! É assim que as coisas funcionam por aqui... Por acaso...
Sinta-se em casa!
Este Zôo não possui grades!
Liberdade, liberdade!