ZOODOJOO

Entradas do Novembro 2008

93- TH-42PY85LB

Novembro 29, 2008 · 2 Comentários

Fiz uma loucura com o meu 13º:

2l

Review Outerspace

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92- Life Onboard

Novembro 15, 2008 · 1 Comentário

Isso muito me lembra uma determinada rotina em minha vida… Hehehe…

Categorias: Cinema
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91- Cyndi Lauper In Sampa City

Novembro 14, 2008 · 4 Comentários

cyndi-in-sampa

Comecei a ouvir Cyndi pra valer por causa de um figurino.
O figurino era poderoso, vibrante, chegava quase a incomodar…

Aquela figura com chapéu vermelho, olhos marcados e cabelo amarelo se destacava dentre todas as outras capas de cds.
Eu tentava fugir daquela imagem, mas ela me perseguia.

Foi então que vi o remake em vídeo de Hey Now (Girls Just Want To Have Fun) e associei àquela coleção de cores quentes.

Precisava ter aquilo em alto e bom som.
Havia algo muito especial naquilo tudo. Uma energia, uma voz tocante, única e singular.

Sim. Escutar Cyndi Lauper eu escutei a vida inteira, mas o meu primeiro álbum foi a bendita coletânea Twelve Deadly Cyns… And Then Some…

Esse álbum definiu uma mudança brusca na escolha das próximas trilhas sonoras pra embalar minha vida.
Antes desse álbum, confesso ser eletrônico demais.
A Cyndi trouxe bastante rock e pop para o meu universo musical.
Descobri-la, álbum após álbum, foi uma deliciosa aventura sonora.

A vida ia muito bem.
Depois de Twelve Deadly, nunca mais perdi o horizonte da cantora de vista, sempre a acompanhei.

Mrs. Lauper sempre lançou ótimos álbuns.
Há quem diga que sua fama se deve apenas as cores verdadeiras, as garotas que só querem se divertir e as baladinhas românticas incansavelmente tocadas nas rádios do mundo todo.
Há quem discorde disso assim como eu.

Aqueles que pararam no tempo, pararam no tempo.
A Cyndi nunca parou.
Basta apenas uma pequena pesquisa em seus mais recentes álbuns para deixar-se cativar por hinos tão perfeitos quanto os antigos.
Seja no seu álbum de estréia, seja em Shine, Sisters Of Avalon, em seu álbum natalino… Seja Iko Iko, seja seu dueto com Sinatra, acústico com Shaggy, Sarah McLachlan ou as japonesas Puffy AmiYumi, sejam seus covers, suas inéditas ou seus hits reestruturados… Cyndi Lauper é, foi e será uma puta artista.

Nem vale gastar palavra pra compará-la à Madonna. Ela é incomparável.
Às vezes, costumo classificá-la como uma segunda Björk… Claro que essa comparação funciona apenas na minha cabeça.
O domínio de voz, o simples fato de que é uma das poucas cantoras que tem singularidade vocal quase impossível de se imitar, me fazem compará-la à islandeusa…

A Cyndi era isso pra mim. Um piano de caudas… Uma fada meio bruxa… Uma cantora alienígena… Um desses seres que de tão irreais que são, parecem que existem apenas em pensamento.
Era assim até essa quinta-feira 13, de um doce Novembro.

Foi nesse dia que conheci a Cyndi fisicamente.
Sob o mesmo teto respiramos o mesmo ar.
Estávamos separados apenas por uma platéia. Uma platéia há muito tempo ansiosa, carente e sincronizada…

Mas antes de falar do show, preciso falar da aventura pré-show.

Quinta-feira de trampo na Criacittá prometia ser absurdamente insana de tanto trabalho.
Com os projetos Havaianas Europa 2009 e Faber Vitrine Volta Às Aulas, eu tinha quase certeza de que não conseguiria sair a tempo de pegar o começo da fila…

Terminei alguns desenhos à mão, escaneei as paradas, corri pra diagramar tudo e fui tomar banho.
Havia levado roupa pra trocar, shampoo, toalha, perfume…
Deixei a minha mochila com o Shorney e levei apenas o essencial: ingresso, alguns trocados e um frio na barriga gigantesco.

Tomei o trem na estação Imperatriz Leopoldina e desci na Presidente Altino, peguei o trem moderno com destino ao Grajaú e desci naquele paraíso de alto nível que é a região da Vila Olímpia.

A fila para o show já cortava o quarteirão.
Sabia que deveria ter vindo mais cedo, mas relaxei. Na busca pelo sagrado, nada pode dar errado. Confiei.

Os vendedores de rua invocavam a chuva a todo instante. Eles repetiam incansavelmente que se não comprássemos suas capas de chuva agora, na hora da chuva elas quadruplicariam de preço!
Soletrei alguns encantamentos que garantiram um céu sem gotas e desestressei legal.

Rapidamente fiz amizade com o pessoal naquele final de tarde.
Uma publicitária simpática deu início a uma conversinha básica de fãs em fila.
Um rapaz com uma camisa branca, com a bandeira da Inglaterra bordada no peito ganhou atenção especial.
Ele havia vindo de Belém do Pará especialmente para o show da Cyndi.
Não foi preciso muito mais que isso para que ele nos cativasse.

Em pouco tempo de conversa, havíamos nos tornados fãs da causa do Roberto, o guri de Belém.
Ele é daqueles que não mede esforços para a realização de um sonho.

A fila andou.
O coração batia forte.
Perdi-me dos amigos da fila, mas o guri de Belém permaneceu ao meu lado o tempo todo.

Tentei encontrar a Allyne e o LF, mas o celular havia morrido.

Entramos no Via Funchal e eu podia conferir um pessoal fanático vestido a caráter.
Havia uma sósia da Cyndi usando aquele famoso vestido de tiras de jornal…

Bah, tanta gente bacana reunida… A noite prometia…

Entramos na área da pista. Puta magia no ar. Muitas pessoas bonitas.
A grade já havia sido tomada.
Encontramos um bom lugar, estrategicamente no meio perfeito entre as grandes caixas de som.

Não dava pra desejar companhia melhor. O guri de Belém se mostrou amigo de outra vida.

Conhecemos duas divertidas garotas de Guarulhos. A professora de História e a garota do cigarro.
Ficamos conversando por horas, rindo por outras.
Trocamos e-mails, elas tiraram fotos da gente, a gente tirou fotos delas… (Espero que elas tenham anotado direito meu contato).

Conversa vai, conversa vem e nada do show começar.

A canseira já me amolecia mais do que o esperado.
Após um dia inteiro de trabalho, a perna já começava a falhar, a fome já apitava o estômago…
Engoli o chiclete que a professora havia me dado… Ele me salvou por alguns instantes…

O coração pulava. A ansiedade pressionava o peito.
De repente, gritei. Chamei o começo do show. Assim, sem mais nem menos.
Como num passe de mágica o show começou.
Foi sem querer, mas funcionou.

cyndi-in-sampa-set-list

Os próximos minutos voaram.
O clima esquentou a ponto de lavar-nos de energia.

Os fãs ficaram loucos ao primeiro sinal da presença de Lauper no palco.
Ela entrou e nos hipnotizou.

Apesar da meia idade soar como um peso, a diva parecia ter tomado algum elixir da juventude, pois sua vitalidade e seu jeito de moleca imperaram naquele palco.

Não é preciso falar que o show foi espetacular, pois ambas mídias já o fizeram e com muitos detalhes.
O que posso ressaltar aqui é a experiência que ficou, a marca que vai permanecer gravada no meu coração.

Nunca imaginei cantar à plenos pulmões, músicas que até então só ouvia em casa.
Lavei-me de energia. Sentia o suor dos outros em mim.
Aquele show me encheu de vida, me renovou.

Lá eu encontrei a minha estamina. A recarga para aguentar dias turbulentos.
Lá eu me energizei de uma forma a suportar todos os dias restantes do ano.

A platéia foi perfeita.
Havia uma possível vovó ao meu lado, senhores e senhoras de meia idade, gays enlouquecidos, garotas bailarinas, uma criança nos ombros de um pai nostálgico, casais enamorados…
Todos se respeitavam, todos dançavam, pulavam e suavam…
O show foi perfeito.
Foi perfeito quando ela nos surpreendeu cantando as primeiras letras do tema de Goonies… Ela já não cantava essa fazia um bom tempo…

Eu não conseguia acreditar no tamanho da nossa sorte.

A todo instante ela abria um dicionário de português e tentava ler algumas frases simpáticas no nosso idioma.
Ela não acertou uma sequer, mas arrancou assim suspiros, sorrisos e aplausos da platéia.
Sua fofura flutuava entre diálogos animados, aqueles seus passinhos característicos, aquele seu jeito único de dançar, contraindo ombros, fazendo biquinho e pulando de um canto a outro.
Sua potência se acentuava nos agudos e nas improvisações. Girls Just Wanna Have Fun ganhou versão estendida, com direito a uma escala vocal surreal. Comprovar que a diva estava em plena forma foi defintivamente impressionante.

Ela chorou. Sua backing vocal chorou.
Todos cantaram todas as músicas. A emoção vinha da platéia para palco, do palco para a platéia.
O coro de vozes era tão alto que dava pra sentir a vibração no ar.

No final do show, Cindy Lauper deixou uma bonita mensagem para todos os brasileiros, evidenciando a qualidade do nosso povo batalhador, relembrando a todo instante para buscarmos nossos sonhos e não desistirmos de nossas metas.
O melhor ela deixou no ar em sua última frase: See you guys in next year!

O silêncio invadiu a cena.

Deixar a casa de espetáculos não foi uma tarefa fácil. Ninguém queria voltar à realidade.

Aos poucos fomos regressando à dimensão real.
Todos estavam ensopados de felicidade.

Doía caminhar, quanto mais imaginar como conseguiríamos chegar à rua.

Olhávamos para o palco, com medo que ainda houvesse mais uma palhinha.
Não havia mais nada.

Fomos sair da casa de espetáculos depois de muito tempo.
O ar gelado nos abraçou como um amigo distante.

A Cyndi havia se tornado sonho mais uma vez…
Mas havia se tornado um sonho sonhado de uma realidade vivida…
E como se não bastasse tantas coisas boas, eu ainda havia ganhado um Amigo com letra maiúscula!

Desmaiamos num táxi à caminho da Paulista.
Não foi fácil despedir-se do Amigo!

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