Havia uma passagem secreta para um lugar perdido no tempo e no espaço.
Para se chegar até esse lugar, era preciso enxergar além do reflexo das coisas comuns.
Essa era a diferença daqueles que podiam perceber esse lugar.
Essa era a chave para atravessar este portal.
A primeira confirmação de que a outra dimensão estava caindo como chuva sob nossas cabeças se dava pela saturação, pela percepção granulada da luz.
A gravidade ali não existia.
Podia-se andar nas nuvens, dormir no teto, cair do chão…
Os fantasmas flutuavam nas sombras profundas e mortais.
Bastava apenas passar por eles para nunca mais voltar.
A escuridão era por demais interessante para ignorá-la.
Assim nos afastamos da luz gradativamente.
Uma vez que se tenha desviado da luz, é difícil reencontrá-la.
Porém, basta estar bem acompanhado para conseguir enxergar no escuro e encontrar um caminho alternativo de volta.
Nem sempre terminamos onde começamos.
Mas uma vez conquistado o direito de merecer a chave, conquista-se também o direito de trancar os fantasmas.
É preciso prática para regressar ao mundo real.
Trancafiar ectoplasmas não é uma tarefa fácil. Não é algo a se fazer só.
Os lugares são mais assombrados do que podemos imaginar.
É preciso encarar os fantasmas de frente e jamais dar nossas costas para eles.
Esse é o segredo do porteiro dimensional.
Ele vai e vem num piscar de olhos, num filete de pensamento, num único suspiro.
Esse é o poder daquele que tem a terceira visão.




















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