ZOODOJOO

183- 08) London Paris

janeiro 25, 2010 · 2 Comentários

O despertador tocou bem cedo.

A noite anterior havia terminado bem tarde.
Em meio a preocupação de fazer o menor ruído possível para as pessoas do andar debaixo, socando compras desprogramadas malas adentro, adormecemos na metade da madrugada.

Acordar no último dia londrino preencheu meu coração com uma confusão sem solução.
A vontade de viver ali para sempre, contrastava com o desejo de chegar logo a Paris e continuar a Eurotrip que estava apenas começando.

Ainda com cara de sono, registramos um pouco do nosso belo quartinho no Astor Hyde Park e descemos para um rápido café da manhã.

O próximo passo foi voltar ao quarto e carregar as benditas malas escadaria abaixo.
As velhas escadas rangiam com o peso das inacreditáveis malas.
Desci com muito cuidado.

Vai ser difícil esquecer aquela nossa entradinha VIP:

Fizemos o check out rapidamente.
A Brooke não estava. Deixamos um abraço pra ela, agradecemos a australiana que a substituia e nos despedimos do impecável hostel.
Olhar aquele corredor com aqueles guarda-chuvas ainda secando, novos hóspedes chegando…

Por mais que estivéssemos ali, respirando aquele ar geladinho e caminhando naquelas ruas reais, era certo que demoraríamos um bocado para estar ali novamente e infelizmente, neste momento, era tudo o que eu podia pensar.

Adeus, Astor Hyde Park.
Voltamos em 2012 para os jogos olímpicos.

Caminhamos pela nossa linda avenida sob um sol amarelinho, envergonhado…
As pessoas já passavam por nós para irem trabalhar, os estudantes caminhavam em grupos para suas escolas, mamães empurravam lindos carrinhos de bebê…

A vontade de fazer parte daquilo tudo era muito forte e machucava um pouco.
Uma sensação de querer ficar, de construir alguma relação com aquilo tudo se deu em mim.

Se eu estava assim, minha irmã estava elevada à décima potência.
Ela formulava planos enquanto empurrava a mala – que já apresentava problemas na rodinha traseira: “-Se conseguirmos mudar o trem para um horário mais tarde, podemos ficar passeando o resto do dia, não me importo de sacrificar Paris”.

Eu sabia que ela queria subir a London Eye.
Ok. Poderíamos tentar mudar o horário, mas por se tratar do Eurostar, fiquei pouco otimista.

Tomamos o metrô até a linda St. Pancras.
Carregar as malas pesadas pelo metrô de Londres, mais uma mochila nas costas e uma bolsa lateral não é muito legal.
Em algumas baldeações, há grandes corredores subterrâneos para se percorrer. As estações londrinas são verdadeiros labirintos. Anda-se demais por elas. Estar carregado com malas torna a coisa quase surreal. Há caminhos que não possuem escadas rolantes ou elevadores e vc precisa literalmente ter muque.

A estação St. Pancras é um lugar difícil de descrever.
Organizada e confusa, cheia de vida, de risos e sorrisos.
Viajantes de todas as partes do mundo se reunem para continuarem suas aventuras.
Dá pra se ouvir um idioma diferente a cada dez passos.

Lá encontramos o guichê do Eurostar, localizamos o primeiro atendente disponível e com muita dificuldade, tentamos explicar-lhe britanicamente a nossa situação.
Depois de muitos phrasal verbs mal colocados, o atendente pede nosso passaporte e vê que somos brasileiros.
Hahaha… Na hora, ele mudou o idioma!

Foi então que o simpático brasileiro nos atualizou de como poderíamos conseguir mudar nosso horário. Não seria fácil, mas era possível.
De qualquer forma, precisaríamos pegar uma outra fila e falar com um outro atendente, que provavelmente não usaria o português como língua comum.

Num primeiro momento até vi faíscas saltarem dos olhos da Jú, mas logo depois o outro atendente veio com a confirmação de que não seria possível fazer a mudança.

Voltamos um pouco cabisbaixos para a fila do atendente brasuca, mas eu tratei logo de lembrar a irmã de que a cidade luz esperava por nós.
Ora bolas! Não podemos nos apegar tanto assim por uma cidade!
É apenas primeira! Faltam tantas outras!

E foi com esse pensamento que nos deslumbramos com a explosão de viajantes no galpão de espera da St. Pancras.
A variedade de pessoas bem humoradas era tão colorida que era impossível não se empolgar.

Havia um dúzia de tiazinhas com cabelos brancos, com carinhas de rainha da Inglaterra que pareciam crianças em sua primeira excursão escolar.
Velhões de barba branca com aspecto de Dom ou Sir, sérios em seus pensamentos nublados e suas malas centenárias…
Jovens com mochilas esquisitas, crianças bem comportadas vestidas como pequenos príncipes e princesas, ingleses indo, franceses vindo…
Havia também alguns brasileiros metidos… Mas esses, a gente fez questão de evitar.

Faltava pouco para deixarmos Londres.
Nosso trem já havia parado na plataforma.
Não tardou muito para se formar uma bonita fila.

Estávamos um pouco receosos de como seria passar pelos policiais da imigração francesa ao sair de Londres.
Novamente deixamos a pastinha de documentos ao alcance das mãos…
Não nos pediram mais que nossos passaportes e nossos tickets…

Foi muito sossegado.
Os funcionários da Eurostar tem uma educação impecável, mesmo o pessoal da imigração.
O processo foi muito rápido.

Como já tínhamos passado pela vistoria em Zurique, na Suíça (onde a Jú teve que descalçar literalmente suas botas) e no desembarque de Londres (simpático e caloroso), já tínhamos um pouco de experiência do que esperar, de como se portar e do que levar nas bagagens de mão para evitar atrasos e constrangimentos.

Bagagem de mão pela esteira do Raio X e as pesadas malas por outra vistoria (muito mal feita).
Em poucos minutos estávamos subindo à plataforma.

Ver aqueles velozes trens descansando suas modernas carcaças sob aquela estrutura de aço, por onde vazavam os primeiros raios de um dia promissor de muito sol, causou frio na barriga.
Aquela sensação boa que antecede uma viagem fantástica estava agora se revirando dentro minha barriga.

Ver um bichão daqueles parado numa plataforma tão deslumbrante como aquela era o presente de despedida mais singular que poderíamos receber de Londres.

Não foi muito difícil encontrar nosso vagão.
Que divertido fazer esse procura.

É como nos filmes.
Tudo é muito cinematográfico.

Por mais simples que sejamos, não há como não se sentir especial.
Vc está prestes a embarcar numa jornada que tem como estrada uma das sete maravilhas do mundo moderno da engenharia.
Por mais tapado que vc possa ser, por menos informação sobre isso que vc possa ter, tudo é muito futurista e cheio de rituais.

Não há como não se sentir bem, importante ou parte de algo grandioso.
É como embarcar num portal dimensional. Cá estamos em Londres, já já em Paris.

O medo que invade o corpo momentos antes de embarcar num carrinho de uma montanha-russa é o mesmo que antecede embarcar num trem que irá cruzar parte do oceano.
Imaginar este belo trem abaixo do fundo do mar é no mínimo um exercício de ficção científica real. É surreal!

Pensando tudo isso, seguimos até o nariz do Eurostar.

Para minha surpresa, vi que ali, na superfície daquele nariz, vários passarinhos, mariposas, morcegos e outros insetos e bichos de pequeno porte voadores haviam sido simplesmente massacrados.
As manchas de sangue eram bem visíveis e transformavam a frente do trem numa tela impressionista com explosivas manchas vermelhas.
Pobres voadores. Não havia a menor chance de sucesso cruzar o caminho daquele trem.

Só após estudarmos muito, entramos no Eurostar.

O Eurostar era o único trem que pegaríamos na classe econômica.
Fiquei pensando como deveria ser a primeira classe, já que a classe econômica era simplesmente perfeita para nós.

Colocamos nossas pesadas malas numa área reservada próximo a entrada do nosso vagão, ultrapassamos as portas automáticas e encontramos o conforto de nossas largas poltronas.

O trem não atrasou a partida nem por um segundo. Pontualidade britânica!

Ele simplesmente começou a andar sem que percebêssemos.
Ficou por um bom tempo andando muito muito devagar e então foi ganhando velocidade delicadamente.

Fomos deixando o centro de Londres enquanto um sol quente fazia fusquinha pra gente através do vidro.
Londres ia ficando pra trás…
Toda aquela aventura ia ficando pra trás…

No Ipod, dois fones compartilhados. Ainda dá pra se ouvir o tema de Londres que acompanhou-nos por toda a nossa passagem pela terra da rainha. We are in London by Pet Shop Boys.

Na lista de músicas, as canções mais tocadas pela principal rádio Londrina. Air (banda francesa de eletrônico atmosférico) era Top 10. Sempre que ouvir essas músicas me lembrarei desse trecho da viagem.

No horizonte, olhando através da janela, novas aventuras se mostravam…
Os olhos tentavam enxergar além dos trilhos, mas éramos engolidos por túneis e mais túneis. Nossos ouvidos sofriam com a forte pressão, mesmo na superfície. E ficamos assim, de túneis em túneis até sermos devorados pela escuridão profunda do verdadeiro túnel que atravessa o Canal da Mancha, o Eurotunnel.

O aumento de velocidade era um processo muito vagaroso.
A mudança era quase que imperceptível.
Foi quando percebemos que estávamos a quase 300 km/h.

O conforto é o ponto alto.
Não há movimentos bruscos. O trem flutua pelo trilho.

O Eurotunnel é escuro e silencioso.
O trem vibra muito pouco e o serviço de bordo é fabuloso.
Além dos croissant franceses mais delicados de toda a Eurotrip, revezamo-nos um de cada vez, uma visita ao vagão restaurante.
Lá, conversei muito com um francesinho tagarela que me serviu mais um croissant e me mostrou um rápido panorama cultural sobre a Paris que estávamos a descobrir.
Ele era muito divertido e eu fiz bem em gastar meu pobre francês com ele.
Na volta, trouxe algumas batatas e uma Coca pra Jú.

A escuridão e o silêncio do túnel provocavam a ausência de paisagem, a falta de uma atmosfera.
A claustrofobia era dominante.
Nesse momento, a Inglaterra foi ficando pra trás, tornando-se lembrança recente, adquirindo seu espaço físico dentro dos compartimentos do meu cérebro.

A falta da luz e do som transformam-se em reflexão.
A velocidade é a única arma que distorce a claustrofobia.

London Paris pra mim sempre fora um EP do Pizzicato Five.
Agora era muito mais que isso.

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182- 07) Prime Meridian Of The World

dezembro 30, 2009 · 3 Comentários

Após deixarmos o interior quentinho e confortável da catamarã que balançava delicadamente com a correnteza daquele rio, dez passos debaixo daquela chuva gelada foram suficientes para acordar cada parte do nosso corpo que estava sonolenta.

A chuva era grossa e decidida.
Ainda não tínhamos chegados à França, muito menos sabíamos que iríamos gastar alguns euros com bons guarda-chuvas estampados com motivos da Eurodisney.
Lembrei-me de ter apenas uma capa de chuva intacta no fundo da mochila e tratei de entregá-la à irmã.

Fomos caminhando sem destino em meio aos desaguardachuvados. Contornamos os belos jardins do Maritime Greenwich College.
Encontramos o National Maritime Museum mais a frente, mas era ver a exposição dos Icebergs ou subir até o Royal Observatory.

A funcionária do museu que nos ensinou o caminho até o Meridiano de Greenwich, o fez em um sotaque delicioso. Foi meio complicado esconder o derretimento dos nossos corações para com aquelas palavras.
Ela era impecável em seu monólogo, ilustrou o caminho com gestos bem treinados, reforçou a explicação, perguntou de onde éramos, brincou bastante com a gente, mas não perdeu a majestade.
Uma típica tiazinha de meia idade com jeitão de professora de biologia, parecia muito uma daquelas famosas atrizes do filme “As Garotas do Calendário”.

Foi quando a chuva deu um tempo.

Aproveitando que as explicações da professora de biologia ainda estavam úmidas em minha cabeça, segui o que havia compreendido e filtrado daquele bolo de sotaque acentuado.
Cruzamos o imponente jardim do College e fomos cair numa rua com casarões de pedra que comporão futuros sonhos capitalistas.

Encontramos um parque profundamente verde de tirar o fôlego.
Neste parque, um caminho fino e comprido até se perder de vista. Um monte, e lá em cima, o observatório.
Por todo o caminho árvores inacreditáveis e centenárias.

A chuva ainda caia, agora fina e tímida.
O corpo molhado começava a entrar em conflito com a distância apresentada.

Subir o monte até o observatório foi uma prova de resistência física.
Estávamos imaginando a volta.

A Jú não se liga muito nessas paradas de astronomia. Ela queria mesmo era estar rodando lá na London Eye.
Prometi pra ela que iríamos passar rapidamente por Greenwich e voltar pra fazermos o último museu de Londres – o dos tesouros e finalmente subiríamos a London Eye.

Pois é.
Mal sabia eu que o passeio por Greenwich engoliria a tarde toda.

Foi só chegar naquela região e sentir aquele mistério todo pairando no ar… Percebi de cara que iria gastar um pouco mais de tempo do que o imaginado.

Tudo bem que os meridianos são linhas imaginárias que cortam a Terra verticalmente do Pólo Norte ao Pólo Sul e que as pessoas passam por eles a todo instante e ponto final.
Mas eu sou o João Elias. Estar no Primeiro Meridiano, o que divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude… Ah, isso para mim era simplesmente fantástico.

Claro que ficamos em cima da linha física, brincando de colocar um pé no ocidente e o outro no oriente.
A linha lembrava um trilho: algumas barras de metal fixadas a rua de paralelepípedos marcavam o marco zero.

Como uma régua, a linha localiza em graus e minutos as cidades mais importantes do mundo.

Nunca foi tão fácil viajar.
Em minha caminhada pela linha do Meridiano de Greenwich, quase houve um colapso em Accra, mas era minha preferencial, continuei até chegar a Reykjavìk na Islândia. (A gélida ilha continuava a me acompanhar onde quer que eu fosse).

O observatório real foi construído em 1675 por ordem do Rei Charles II. Lá, o principal telescópio era chamado de The Primary Transit. O meridiano que passava sobre este instrumento foi adotado como o meridiano de referência para a Grã-Bretanha.
Em outubro de 1884, 41 delegados de 25 nações se encontraram em Washington-DC nos Estados Unidos para a Internacional Meridian Conference. Na Conferência, os seguintes princípios foram estabelecidos:

- Era necessário adotar um único meridiano mundial para substituir os inúmeros que já estavam em uso;
- O Meridiano que passava pelo Observatório no Greenwich seria o Primeiro Meridiano;
- Que a longitude seria calculada de leste para oeste a partir deste meridiano até 180°;
- Todos os países adotariam um dia universal;
- O dia universal seria um Dia Solar Médio e começaria à meia-noite em Greenwich contado no formato de 0 a 24 horas;
- Os dias náuticos e astronômicos em todos lugares começariam à meia-noite;

Vários estudos técnicos seriam feitos para regulamentar a aplicação do sistema decimal para a divisão de tempo e espaço.
A Resolução 2, fixando o Meridiano de Greenwich foi aprovada por 22 votos a 1 (San Domingo votou contra), França e Brasil se abstiveram.

Parecia que eu estava mais uma vez ouvindo a velha professora de geografia em sua aula.
Eu havia me sentido assim quando eu passei em 2007 pelo Estreito de Gibraltar.
Há muito poder geográfico e histórico nesses lugares. Há também um aspecto nostálgico, mesmo que seja a primeira vez que se esteja ali. É impossível não se lembrar das aulas do primário.

Estávamos numa região com uma boa vista.

Deu pra ver um pequeno pedaço do parque e a enorme área do College.

Lá embaixo, eu vi a O2 Arena… Sim, sim, lá mesmo onde a Tina Turner fez seu show. É, lá mesmo onde acontecem os espetáculos mais fantásticos do planeta. Logo ali na Península de Greenwich.
Juro que se essa mulher voltar a fazer show, eu volto aqui só pra isso.

Foi quando eu avistei a cúpula do Transit.

Eu nem sabia se podia subir lá, só sei que fiquei louco.
Era a minha chance de entrar num observatório e conferir um telescópio de perto.

Escadinhas ali, se aperta daqui, vira aqui, cuidado com a cabeça, sobe mais alguns lances de uma escadaria em caracol e finalmente se chega a sala da cúpula.

Sem palavras pra explicar a emoção.

Eu tentei, mas a Jussara tirou minha concentração:

Após uma rápida passada no banheiro, onde a irmã registrou o secador de mãos mais eficiente do mundo:

(Vc enfia a mão nele e em 5 segundos sua mão está seca, pois o vento quente vem muito forte dos dois lados do aparelho e a água das mãos sai quase que instantâneamente pelas laterais em gotículas quase vaporizadas), notamos o raio laser que saia do observatório e dividia o ocidente do oriente:

Dizem que em dias de boa visibilidade, dá pra ver o raio de muito longe.

Encontramos a lojinha do observatório cheia de relógios lindos, ampulhetas, vários calendários perfeitos com imagens de mil nebulosas… Canetas, bottons, medalhas… E claro que eu não resistiria a camiseta e ao boné.

Descemos até o centrinho da cidade, contornando aquele parque lindo.
Enquanto descíamos o monte, a tarde também descia junto com a gente.

Nessa altura do campeonato até a meia já estava seca.

Adentramos a linda cidadezinha procurando por um trem ou metrô que nos levasse de volta ao centro de Londres.
Passamos por ruazinhas perfeitas e lojinhas irresistíveis. Eu ia resistindo a todas elas, mas a Jú não resistiu a última, bem próxima a entrada do metrô.

Gastamos pelo menos uma hora ali. Compramos guarda-chuva, dois agasalhos com a bandeira estampada para usar no último dia londrino, a Jú comprou chaveiro pra chave do apto novo…

Só então encontramos a entrada Cutty Sark For Maritime Greenwich e descobrimos que não havia catraca pra passar o bilhete, ou seja, corrida gratuita.
Hehehe…

Foi só falar isso pra que um funcionário do metrô viesse pedir nossos bilhetes já dentro do trem!
Fantástico!

Cutty Sark, Island Gardens, Mudchute, Crossharbour, South Quay, Heron Quays, Canary Wharf, West India Quay…
O metrô passava dentro de prédios e lugares indescritíveis. Lembrei do Oliva (Criacittá) me dizendo sobre esse percurso do metrô.
As pessoas que entravam no metrô eram ainda mais interessantes… Um pouco que vc se afasta do centro de Londres e a população muda. É quase que um festival de povos do mundo todo.

Voltar de metrô foi bem mais rápido, mas ainda assim não foi rápido o suficiente pra que a gente conseguisse encontrar a London Eye aberta.

A Jú ficou realmente mal.

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181- 06) God Save The River Of The Queen

dezembro 20, 2009 · 1 Comentário

Acordamos com a missão de encontrar um Post Office pra despachar os postais para o Brasil e para o Japão.

Enviar postais para mim é algo sagrado.
É documento mais importante que passaporte.
É o registro carimbado de que vc realmente passou por aquele lugar e se lembrou de alguém especial.

O postal traz boas novas.
Chega antes de regressarmos.

As pessoas, em tempos virtuais, esqueceram-se da magia que é enviar e receber um postal.

Pra quem envia: um fôlego durante a viagem, uma breve retrospectiva em poucas linhas.
Pra quem recebe: um abraço distante, uma rápida amostra de prazer e satisfação.

Cada vez mais mandamos menos postais.
Cada vez mais perdemos a nossa caligrafia e com ela todos os nossos sentimentos desenhados.

Faço questão de manter isso vivo quando viajo.

Para os que viram meu pedido a tempo no blog, tiveram seus postais devidamente enviados…
Gostaria de ter mandado muitos outros, mas Santo Deus, como este hábito é caro!

Hoje, o dia se dividiria entre a residência oficial da monarquia britânica em Londres e a navegação pelo Rio Tâmisa até o Meridiano de Greenwich (último dia útil em Londres num próximo post).

Chegar aos portões da rainha é obrigatório para quem está visitando a cidade britânica.

Atravessamos o parque verdinho e nos divertimos com os pequenos esquilos nada tímidos, até encontrarmos o Palácio de Buckingham.

Engraçado como o palácio que a gente imagina é bem diferente do que palácio que a gente encontra.
Passamos a vida toda fantasiando tanto com o fato de que não é sempre que conhecemos a moradia de um monarca vivo, que estar ali, tão pertinho daquela família que tanto vemos pelos jornais e tv parece mentira.

Londres é um lugar cinematográfico, mas a região de Buckingham não é tão cheia de fantasia como eu imaginava que fosse. É mais real do que a realeza de contos de fada.

A começar pela troca da guarda real. É algo raro de ser ver.
O único artista que queríamos fotografar estava bem longe do nosso contato.

Se não tem tu, vai tu mesmo.

Brasileiros sempre dão um jeitinho de espalhar um pouquinho de simpatia.
Não foi muito difícil conseguir convencer o tiozinho.

É. É bacana tirar a foto nos portões da rainha.
É frustrante também compreender que vc é bem-vindo até ali.
Dali não passarás!

É interessante perder um pouquinho de tempo nos arredores dos portões do palácio.
Vc vê o movimento de súditos, digo, funcionários entrando e saindo… Carros espetaculares com vidros insufilmados entrando e saindo…

Nenhuma realeza aparece na janela para um tchauzinho. Hehehe…

Eu bem que tentei…
Resisti bravamente…

Eu nem queria uma foto minha nos portões…
Mas estamos ali, oras bolas… Não vamos voltar tão cedo…

Fora que eu me apaixonei pelas estátuas.
Principalmente a da enorme senhora e seu leão.

Claro que era impossível não se maravilhar com os anjos do Victoria Memorial.

Atravessamos uma das avenidas mais bonitas que eu já vi na minha vida, a Constituition Hill.
Os táxis negros deslizavam por aquele asfalto colorido.

Atravessei a rua com uma idéia.

A Ju foi junto.

Eu queria andar até o final dessa avenida.
Não sabia o que encontraria, mas falei pra Ju: “- Vamos e contornamos o palácio”.

E fomos.
Encontramos um caminho ainda mais bonito.

O caminho era um convite para um passeio irrecusável.

As frondosas árvores abraçavam-se uma às outras formando um teto verde.
Várias vezes eu esquecia que estava na ciclovia e a Ju me lembrava de abrir caminho…

Como é bom lembrar dessa caminhada.
Encontramos o Arco de Wellington. Vimos a estação de Metrô Hyde Park Corner, mas continuamos…

Contornamos o palácio.
A cada portão, muitos pensamentos e sensações.
Imaginar morar numa cidade de rainhas e príncipes é um ótimo exercício de brasilidade.

Seguimos pela Grosvenor Pl, reparando nos inacreditáveis casarões que tinham como nobre vizinha a rainha da Inglaterra.

A cidade ao redor dos muros reais era barulhenta, colorida, caótica e espetacular.
A rotina maluca de uma realidade contrastando com aquela dimensão fortificada, tão protegida dos olhos humanos.

Encontramos a estação Victoria, mas antes de tomarmos o metrô, fizemos uma bela compra de perfumes numa lojinha super baratinha e simples.
Burberry Touch de 100ml por preço de batatinha frita, a Jú comprou o frutífero adocidado da Britney Spears, dois Burberry amarelinhos femininos… Esqueçam Paris! Se comprar eletrônicos em Londres era bom negócio, comprar perfumes também era! Fizemos a festa.
A atendente, uma negra simpaticíssima, conversou tanto com a gente que nos encheu de presentes, amostras e brindes. Saimos de lá carregados e ainda por cima eu ganhei uma descolada mochila da caveirinha motoqueira, que iria me acompanhar pelo resto da viagem.

Não perdemos tempo.
Fomos direto para o lugar que mais adorávamos: Westminster.

Precisávamos explorar a Abadia de Westminster.

Encontramos a igreja Saint Margareth’s.

Ok. Linda!

Não resistimos mesmo a imponente torre do Parlamento do Reino Unido.

Não a torre do Big Ben, (e não vão pensar que o Big Ben é o famoso relógio do Parlamento Inglês, nem tampouco sua torre) – É o nome do sino, que pesa 13 toneladas e foi instalado no Palácio de Westminster. O nome do relógio é Tower Clock, e é muito conhecido pela sua precisão e tamanho.
Não resistimos à outra torre. A que fica do outro lado.

É absurdamente alta. Não há como capturar com os olhos todos os detalhes que decoram aquela torre.
Too much information!

Recortamos um parque cheio de crianças jogando futebol com a torre ao fundo.

Foi quando a chuva apertou.
Estávamos loucos para ir a London Eye, mas com chuva não seria tão bacana.

Pensamos em navegar primeiro pelo Tâmisa, já que a catamarã era fechada.
Escolhemos o destino mais longo: Greenwich.

Compramos nossos tickets nas docas.

Ficamos sentados numa plataforma que dançava ao balanço das águas.

Nossa catamarã não tardou a chegar.
A chuva havia realmente se intensificado. A correnteza estava forte.

Viajar pelo Tâmisa foi uma pausa para nossas inflamadas pernas.
Deixar-se levar pelo balanço do rio era tudo o que eu precisava pra relaxar.

Navegávamos enquanto petiscávamos alguma coisa no bar.
O capitão nos situava a cada ponte que cruzávamos.
Desde a Millenium Bridge a Tower Bridge.

A chuva deu uma trégua, mas o frio era intenso e o vento dentro do rio cortava a pele.
Eu já havia navegado num lago em Bariloche com chuva pior e frio muito mais penetrante, mas talvez fosse a canseira, realmente não dava pra ficar muito tempo ali.

A viagem não é curta. Nem bem havíamos começado a navegar e já estávamos decididos que sacrificaríamos o ticket de volta para retornar de trem ou metrô.

Chegamos numa Greenwich debaixo de uma forte chuva.
Foi quando eu vi uma plaquinha do Royal Observatory e tive certeza do que fazer em seguida. Mas isso já é outro post.

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180- 05) Knights At Night

novembro 29, 2009 · 4 Comentários

Já estávamos ficando familiarizados em descer na estação Westminster e encontrar aquela atmosfera amigável.

A escuridão deixava a cidade mágica.
Havia um convite irrecusável no ar.

Eu havia realmente me apaixonado pela cidade de Londres.
Andar por aquelas ruas caprichadas, com aquele vento gelando o rosto, compartilhando sonhos e admirações com os demais turistas que passavam boquiabertos pela nossa frente trazia liberdade, enchia o coração de uma felicidade que eu nunca havia sentido.

Eu já estava saudoso antes mesmo de ter minhas pegadas apagadas daquele chão.
Eu já sentia falta de Londres antes mesmo de deixá-la.

Captava sons, cheiros e luzes.
Caminhava por caminhos e passagens secretas que mexeriam com meus sonhos num futuro qualquer.

Ruas e túneis, escadarias e passarelas que mexiam com o meu labirinto e gravavam as mais fantásticas recordações no meu coração.

Não resistíamos ao Big Ben.
Já não era a primeira vez que subíamos as escadas da Westminster Tube Station e dávamos de cara com aquela enorme torre.
Já não era a primeira e muito menos a segunda vez e, ainda assim, sentíamos aquele adorável sentimento de descoberta, que faz a gente procurar o final da torre para encontrar os ponteiros precisos do famoso relógio.

Ficar pela região do rio era uma prova de fogo, ou melhor, de gelo!
Naquela hora da noite, daquele lado de lá, era preciso ter sangue quente, ou melhor, frio, para suportar ou se fingir de sapo.
Enfrentar aquela gélida corrente de ar que por ali existia não era tarefa para muitos cavaleiros.

Parar no meio da Ponte de Westminster e ter um momento de reflexão, do que tudo isso significa, do quanto estamos distantes de casa, do tanto que lutamos por este momento, mesmo sem saber que ele seria tão especial… É algo que mesmo agora, do lado de fora da foto, sentado em minha velha cadeira, digitando aqui nesse computador, eu não poderia compreender.
É tão completa a experiência em fazer parte de um lugar tão importante e ao mesmo tempo tão gigante que por um momento me perco em pensamentos indescritíveis.

Estava eu ali, olhando para mim mesmo e nem havia me dado conta!
Claro que eu não me enxergava.
Mas óbvio que eu me vejo agora.

Somos tão pequenos e frágeis se comparados ao concreto e aos tijolos que recheiam e envolvem todas essas estruturas, ao mesmo tempo que somos tão capazes de modelá-las a nossa vontade.
Somos gigantes quando estamos fora da foto, olhando por cima algo que ficou no passado.

Nem havia me tocado que o ambiente atrás de mim havia mudado suas luzes para se adequar a minha vibração colorida.

Uma pequena fração de cores similares.

Um segundo atrás estava com cores similares. No outro, já havia mudado.

Olhamos para a London Eye com respeito.
Tem coisas que os homens constróem e tiram o nosso fôlego.
Essa era uma delas.

Refletida no Tamisa, a London Eye ou o Olho de Londres era ainda mais bela. Uma declaração luminosa aos nossos desprotegidos olhos gelados.
Certamente subiríamos nela no dia seguinte não fosse pela nossa úmida aventura pelo Meridiano de Greenwich.

Cruzamos a ponte e margeamos o rio para contemplarmos o Parlamento de frente.

Santo Deus! Fixei meu olhar pelos céus para ter certeza de não estar vendo nenhum bruxo sobrevoando a região com sua vassoura mágica.

Constatei que os únicos bruxinhos por ali haviam vindo do Brasil e éramos nós. Estava muito frio pra mais alguém suportar ficar tão perto do rio.

Demorei para lavar o Tamisa com a quantidade perfeita de luz amarela para satisfazer meu ego fotográfico.

Andamos sem medo.
Andamos muito.
Andamos onde não ousaríamos andar.

Andei com o desejo de uma criança num parque.
Andei desplugado de aflições e fobias.
Andei maravilhado, abobalhado com tantas coisas belas, com tantas coisas construídas.

Eu havia me esquecido de como andar assim era bom.
Sorte minha me lembrar.

Esta noite flutuamos por uma Londres receptiva.
As pessoas eram amigáveis e mesmo com pressa, nos instruiam com educação e um baita sorriso no rosto.

Queríamos ir à famosa ponte.

Foi com esse objetivo que chegamos a Tower Hill.

A noite estava mais velha, nem por isso menos bela.
Um executivo apressado da minha idade nos ajudou com o caminho.

Era notável como as pessoas daquela cidade eram receptivas conosco.
Não sei se era o fato de estarmos com uma energia muito boa, mas não havia caras feias, pouco caso ou um “Sorry, I’m late”… Todos paravam para nos dar suporte, tiravam o mapa do metrô dos bolsos e caprichavam no sotaque.

Foi assim que a vimos pela primeira vez.
Ficamos petrificados.

De todas as pontes pelo Tâmisa, esta báscula era de longe a mais charmosa.
Suas torres lembravam fortes escoceses da Idade Média.

Contemplamos seu poder, sua arquitetura, sua força.

Em poucos minutos estávamos tomados pelo poder da torre.
Não era possível resistir aos seus encantos.

Foi assim que a Jussara tirou a foto mais perfeita de todas:

Infelizmente as fotos ainda não capturam pensamentos.

Ali, sobre aquele mármore frio, uma série de idéias pipocavam pela minha cabeça.
Quem chega ali, vindo da onde venho não consegue mais ser o mesmo.
É como se adquirissemos sabedoria.
O olhar muda, as verdades são outras, a perspectiva muda.

Quando se atinge um objetivo tão sagrado assim, parte-se pra uma nova etapa, pra um outro patamar.
Estar ali, sob aquele céu, sobre aquele chão tão cheio de história era estar atingindo outro nível.

Compreendi isso neste exato momento.

Cruzar o mundo provoca em mim pensamentos desse naipe.
A distância é um bom exercício pra alterar alguns ângulos internos.

Não há como ser o mesmo estando tão longe do nosso lar.

O mais legal nessa experiência é que eu não estava sozinho.

Ter alguém da família ao lado, tão próximo e tão diferente de vc faz toda a diferença.
Não sabia que minha irmã era tão boa companhia pra tamanha aventura.

Ela se mostrou firme, equilibrada, excelente guia metroviária, ótima tesoureira, companheira, topa tudo…

Puxava-me pro chão, pois flutuo com facilidade.

Ela é mais realista, mais econômica, mais focada…
Nem por isso menos dorminhoca, menos sonhadora e menos impressionada.

A gente literalmente esquecia de comer.
Íamos lembrar da barriga vazia lá pelas 18hs.

Fomos andando, contornando ruas cheias de pubs lindos com pessoas impecáveis. Tudo parecia uma grande praça de alimentação de shopping ao ar livre.

Eu não conseguia acreditar na qualidade de vida que aquele lugar apresentava.

Havia uma felicidade pós-trabalho penetrante no rosto daqueles executivos que bebiam suas cervejas nos tantos pubs espalhados pela região.
Cada pub era mais espetacular que o anterior. Me vi colecionando admiração para com as testeiras e logos de cada pub.
Não sou muito dependente do álcool, de modo que entrar ali e tomar umazinha fosse algo a me tentar. De qualquer forma, pensei em alguns momentos, se tivesse um pouquinho mais de tempo pra gastar, perderia umas horinhas ali…
Tudo bem, mais uma desculpa pra voltar.

Não demorou pra alcançarmos a região do City Hall.

O inusitado edifício, criado por Norman Foster, tem a forma de uma pilha de cds.
Ele consegue provocar na gente uma sensação bacana de física distorcida. É daqui que saem as grandes estratégias e novos projetos para a cidade.

Essa região, assim como a região da Millenium Bridge, podem ser conferidas no último filme do Harry Potter.
Passar por lá naquela hora da noite teve um gostinho mais mágico do que eu poderia desejar.

Contornamos o rio até encararmos a Tower Bridge de frente.
Foi como estar nas vésperas de atravessar um portal de História Sem Fim…
Tudo ali era cinematográfico.

Perdemos a noção dos nossos atos.

Já nem guardávamos mais o tripé na mochilinha. Andávamos com tudo montado.
Íamos encontrando casais apaixonados pela rua que se ofereciam para baterem fotos nossas.

Parávamos em todos os pontos para fazermos dezenas de fotos.

Andamos um bocado.
Conseguíamos ver do meio da ponte o tanto que tínhamos percorrido. E era muito!

Não estava mais frio.
As pernas nem doíam mais.
Não havia fome ou qualquer reclamação.
A adrenalina havia dominado todo o corpo.

Passar por aquele portal renovou todas as minhas energias.

Atravessamos a ponte.

Havia mais cidade pra se ver lá do outro lado. Swiss RE Building lá ao fundo!

Mas terminamos nossa aventura na primeira placa que encontramos.

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179- 04) Fish ‘N’ Chips, Mini & Big Clicks

novembro 15, 2009 · 6 Comentários

Dormir em Londres é uma delícia.

Desde que estava decidido que eu viajaria a Londres, esse era um dos pensamentos que não deixava a minha cabeça: “como seria dormir em Londres?”.
Dormir em Londres, pelo menos no Astor Hyde Park era uma delícia.

Nosso quarto era muito bacana.
Havia uma janelona imensa, meio aberta, que estranhamos no começo, mas compreendemos no final.
O beliche era aquele de praxe que se usa nos albergues europeus: imenso, com aquelas jaulas engradadas na parte inferior para se colocar a bagagem.
A roupa de cama era impecável, perfumada…
Por menos sono que tivéssemos, era só deitar o corpo naqueles lençóis macios e branquinhos que o sono não tardava a vir. Geralmente estávamos mortos de sono.

A coisa mais engraçada na nossa chegada no Astor foi que até então, não havíamos entendido ao pé da letra o que um quarto “insuite” significava.
Havíamos procurado bastante pelos sites de hostel, e o que definimos foi que quartos “insuites” tinham apenas a ducha. A “outra parte” do banheiro, não menos importante, pelo que pesquisamos, era compartilhada nos corredores do hostel.
Ninguém com quem conversamos tinha 100% de certeza se teríamos banheiro no quarto.
A gente já tinha achado que conseguir um quarto exclusivo num dos melhores hostels de Londres já era uma grande conquista.

Ao entrar naquele quarto, a primeira coisa que fiz foi correr pra procurar a portinha do banheiro, e para minha grande surpresa, lá estava um banheiro completo: uma bela duma ducha, privadinha como manda os costumes brasileiros, toalhinhas e produtos de higiene pessoal… Hehehe…
Fiquei feliz.

Pois é, se vcs forem pra Londres, o Astor Hyde Park é o lugar!

Astor-01

Astor-02

A Brooke é a melhor anfitriã e o preço das diárias parece brincadeira. Fora a localização mais que especial.
Meu Deus, que vontade de voltar!

Astor-03

Como se já não estivéssemos apaixonados o bastante pelo nosso quarto, pela nossa vista e pelo nosso banheiro, foi no café da manhã que incorporamos o espírito dos londrinos.

Descemos todos os lances de escadas do hostel e no final do corredor: a cozinha e o refeitório.

Esqueçam o feijão, o bacon e as salsichas no café da manhã. Havia vários tipos de cornflakes e frutas secas, pães de forma gigantescos, duas torradeiras monstruosas, todos os tipos de geléia, manteiga, cream cheese, frios, muitos galões de leite, uma torneira de água fervente e o melhor chá que eu tomaria na minha vida.

O responsável por mantêr a mesa sempre abastecida, um londrino magrela com um topetão laranja, se alternava entre os galões de leite e seu imenso controle remoto modernoso, com o qual discotecava a trilha sonora daquela manhã.
A única regra ali era comer o que quisesse e depois lavar e secar sua louça.

No primeiro dia cometi uma leve gafe e enxuguei as louças com os guardanapos de papel.
Oras bolas, eu perguntei pra uma russa louca se era pra usar aquele pano velho pendurado na parede e ela olhou pro papel.

Nas demais manhãs, percebi que aquele pano horroroso era o utilizado para secar a louça limpa.
Um único pano pra secar toda aquela louça! Hahaha…
Tudo bem, o que não mata engorda.

Fazia minhas torradas com geléia e uma gorda fatia de um queijo bem forte, enchia a caneca velha com água escaldante, mergulhava um sachê daquele chá negro e forte e estudava os outros hóspedes…
Japoneses, americanos, mexicanos, russos, franceses, alemães…
Jovens, casais, velhos…
Era muito interessante ouvir tantos idiomas diferentes já na mesa do café da manhã.

Saímos logo em seguida.

Rua-Astor

Não podia deixar de soltar suspiros apaixonados ao andar pelas ruas do nosso bairro.
Os Minis Coopers repousavam invocados nas calçadas úmidas.
Separei três que pareciam não ter donos. Perdi o clique daquele camaleão, que muda de cor.

Mini-01

Mini-02

Mini-03

Ano que vem será o ano do carrango na minha vida.
Dá até dó de começar a dirigir num desses…
Vou de “poizé” mesmo, já que não inventaram o carro inflável de borracha.
Não creio que deva ser muito barbeiro, uma vez que sou cuidadoso com as minhas coisas, mas que o Mini Cooper é lindo, ah, isso ele é.

Aproveitamos que a chuva havia parado durante a madrugada e cortamos o Hyde Park.

Hyde-Park-Ju

Hyde-Park-Ju-2

Não é sempre que temos o privilégio de passear num parque real.
Belíssimo!

Hyde-Park

O imenso parque que já foi palco para concertos de Madonna à Queen engolia o barulho da grande cidade.

Seu verde intenso, mesmo apagado sem a luz do sol, gerava-nos uma paz progressiva.
Quanto mais nos dirigíamos para o centro do parque, maior era essa sensação de bem estar.

Jardins perfeitos, árvores gigantescas.
Engraçado como as árvores são magníficas, e brincam com a nossa imaginação.

Hunting-Tree

Hyde-Park-Jo

Tree-2

Tree

As flores são perfeitas graças ao clima frio da época.

Encontramos o gigantesco Albert Memorial e a elaborada escultura Frieze of Parnassus.
Não há como registrá-la sem sacrificar alguma parte, é gigantesca.

Parnassus-01

Parnassus-02

Parnassus-03

Há uma atmosfera de fé circulando esse monumento.

Parnassus-04

E pensar que isso foi inaugurado em 1872…

Parnassus-05

Parnassus-06

Parnassus-07

Tão impressionante e maravilhosa que me senti insignificante ao seus pés.

Andamos muito pelo nosso bairro e descobrimos que ele era mais que um sonho.

Caminhamos ao redor do Royal Albert Hall:

Opera

Fomos nos informar sobre alguma ópera ou concerto pra assistir, pois a casa ficava nos fundos do nosso hostel. Pegamos alguns folhetos para planejar alguma coisa pra se fazer a noite sem nos preocuparmos com transporte, mas esquecemos.
O problema em se estar em Londres é que há tantas coisas pra se fazer, que vc acaba esquecendo de fazê-las por estar fazendo outras!

Conhecemos uma brasileira na floricultura de um bonito mercado. Entramos lá para almoçar, achando que seria um bom negócio, mas a brasileira disse que aquela região era um dos lugares mais caros pra se comer em Londres. Ela nos aconselhou ir a Oxford Street.
Claro que conversamos muito com a brasileira. Ela estava muito nostálgica e encontrar-nos foi bem emocionante para ela.
Trocou telefone, e-mails e disse para ligarmos pra ela se precisássemos de ajuda ou lugar para se hospedar. Eu e a Ju agradecemos, mas dissemos que essa era a nossa penúltima noite na cidade. Demos um grande abraço do Brasil na nova amiga e seguimos pra Oxford.

Como eu gostei de Oxford!
Lá, além de almoçar, compramos mais eletrônicos…

Na Oxford Street tem lojas de tudo.
O movimento de transeuntes é estonteante.
É um caos em meio aquele trânsito dos ônibus de dois andares…

Ficaria o dia todo ali apenas olhando as pessoas na rua.

Esticamos até Nothing Hills onde conhecemos o amigo português que nos ensinou o caminho até o restaurante mais gostoso de Fish ‘N’ Chips.

Portugues

Chegamos envergonhados no bonito restaurante.
Aquele restaurante escuro e perfumado parecia ser um lugar de muitos dedos e narizes torcidos.

Fish-&-Chips-Mesa

O gelo foi quebrado assim que nosso garçon veio nos cumprimentar.
Em poucos minutos eu já estava contando histórias do Brasil para o humilde mongolian garçon.

Fish-&-Chips-Mongolian-2

Disse pra ele que jamais tinha conhecido alguém da Mongólia, que era uma honra.
Pronto, foi o suficiente para cativar o garçon, que se mostrou extremamente simpático.

Ele nos trouxe uma porção generosa do prato tradicional, pois dividiríamos.

Fish-&-Chips

O Fish ‘N’ Chips pra quem não gosta de peixe é perfeito.
Aprovadíssimo!

Fish-&-Chips-Jo

Eu até estava com o pé atrás, pois não sou muito fã de peixe.
Mas foi só ver aquele prato crocante olhando pra nós, que eu até esqueci que era peixe.

Que combinação de sabores!
O peixe empanado é servido com molho tártaro, mushy peas (purê de ervilhas) e muitas, muitas batatinhas crocantes.

Humm… É um espetáculo gastronômico, pena ser tão gorduroso.

No final das contas, tiramos mais fotos com o simpático mongoliano.

Fish-&-Chips-Mongolian

A amizade foi tão instantânea, que até as inglesinhas que estavam no caixa quiseram tirar fotos com a gente.

Fish-&-Chips-Friends

Os clientes não entendiam aquela bagunça.
Eu fiquei literalmente vermelho de vergonha… Hahahaha…

Demos uma boa gorjeta.

A tarde fomos bater perna nas impecáveis lojas da região.
Voltamos pro hostel pra guardar as sacolas de compras e apanhar o tripé para algumas fotos noturnas.

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178- 03) Day At The Museum

novembro 7, 2009 · 4 Comentários

Como o dia prometia, engolimos o café da manhã e saímos pra rua.
Caminhamos alguns poucos quarteirões e caímos dentro do Science Museum.

O dia estava chuvoso, e acho que por este motivo, escolher o dia para visitar museus foi uma sábia decisão.
Vc pode ir quantas vezes quiser nos grandes museus da cidade e não pagar absolutamente nada por isso.

Se há algo a aprender com o londrinos é que chuva não é desculpa para não se divertir.
A chuva em Londres é charmosa.
As pessoas continuam a caminhar na rua, continuam fazendo seus exercícios e suas compras.
A chuva em Londres é uma garoa fina, despretensiosa, que às vezes acontece apenas de um lado da rua.
Ela chega e vai embora sem avisar…

E assim entramos no gigantesco e colorido Science Museum.

Science

Science-Museum

Science-Airplane-Jo

Vc nem bem entra e já se vê rodeado por pequeninos e pequeninas falando sem parar um inglês carregado de sotaque.
É o cúmulo da “kawaiice” ouvir aquelas crianças completamente malucas expondo suas exclamações naquele idioma tão cinematográfico.

Eu e a Ju ficamos maravilhados com a luz daquelas criancinhas.
Apesar de muito educadas, eram por demais curiosas e questionavam seus professores a todo instante.

Era dia de excursão escolar e crianças pipocavam por todos os corredores e salões.
Para qualquer um sem paciência com crianças a experiência poderia ser traumática, para nós que adoramos foi excepcional.

Fossem as criancinhas em sua cidade natal ou os dois turistas brasileiros, éramos todos pequenos exploradores à se perder nesse enorme museu.

Vimos coisas que nem sonhávamos encontrar por ali, entre elas, a cápsula Apollo 10, lançada ao espaço em 68…

Capsula

Durante o regresso da Lua em 26 de maio de 1969, a Apollo 10 conseguiu atingir a mais rápida velocidade de um veículo tripulado, viajando a 39.896 km/h em relação à terra. Os membros da tripulação foram Thomas Stafford, John W. Young e Eugene Cernan:

apollo-10

Mas o mais impressionante, eu fui ver depois, pesquisando sobre na internet:

Apollo-10-Shield

É quase impossível imaginar algo tão fantástico.
Eu já fico maluco por andar de avião, que só de imaginar a viagem dessa cápsula e todos os fenômenos naturais que ela sofreu ao entrar na atmosfera…

Vimos algumas locomotivas…

Trem-1868

Entre elas, a primeira locomotiva a operar comerciamente, em 1813.

Puffing-Billy

A Puffing Billy, construída para atender a mina de carvão Wylan Colliery de Christopher Blackett, em New Castle.

will_hedley_puffing_billy

Adoro trens, adoro trilhos, túneis e mais ainda histórias de ferrovias!
Estar ali era bem especial.

Aviões pendurados no teto, carros de ponta-cabeça, um gigantesco faról…

Science-Airplane

O-Farol

… Peças industriais monstruosas, foguetes, mísseis, motores do tamanho de uma sala de aula, relógios, derivados do plástico, da borracha, satélites, bússolas, rádios, computadores, liquidificadores…

Horoscopo

Plastico

Rockets

Bussolas

Vitruviana

Borracha

Borracha-Joao

Tudo o que um dia fora inventado pela ciência podia ser encontrado em exposição, devidamente em ordem cronológica, com placas informativas e detalhes curiosos…

O museu é impecável.
Desde a sinalização aos cartazes e material gráfico de apoio ao visitante, tudo é de um bom gosto tremendo.

Halo

É muito mais que um SESC é, e olha que o SESC é referência mundial de coisa boa.

O Science Museu chega a ser até chato de tão legal que é.

Painel-Joao-Jussara

Painel-Joao

E assim, depois de percorrer e descobrir todos os andares, salões, corredores, gastar mais algumas horas no interessantíssimo shopping do museu (cheio de invenções caras para crianças de todas as idades), lutei contra a vontade de comprar um Skyhawk 1145 PM…

Ponderava matematicamente a futura aquisição, pesando arduamente a decisão de levar um trambolho desses pelo resto da viagem vs a satisfação que eu teria ao chegar em casa com um passaporte tão barato para as estrelas.

Por um lado o tamanho da caixa, do outro a convidativa bagatela de £140,00.
Por um lado o melhor investimento que eu poderia fazer com o meu suado dinheirinho, do outro a certeza de gastar minhas amadas libras até a última cédula numa única compra.

Havia brinquedos malucos que desafiavam a gravidade e todas as leis da física…
Mas não! Mil vezes não! Não era o momento de levar o Skyhawk 1145 PM mais barato que eu sequer imaginaria encontrar…
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… Tão perto e tão longe…
Despedi-me dele, prometendo pra mim mesmo que voltaria para comprá-lo.

Tudo bem, deixa pra lá… Eu não teria um lugar para abrigá-lo mesmo…
Deixa eu arrumar uma sacada bem bacana pra ele que eu volto pra buscá-lo!

Tentei encontrar um robô como prêmio de consolação, mas só o Rovio custava £250,00, o I-Sobot £175,00…

Devia ter trazido um Hex Bugs Crab…
Pelo menos eram baratinhos e pequenininhos…

Eu estava maravilhado pelos brinquedos maravilhosos do Science Museum, mas também quem resiste?
Saquem só o que eles vendem lá na humilde lojinha deles:

Science-Site

Sai de lá com uma certeza: voltar nas próximas férias… Com muito mais libras no bolso.

Expo

Andamos alguns outros quarteirões do nosso bairro e encontramos o Natural History Museum.

globe_logo

Ao atravessar aquele portal dimensional, um sentimento de pena e perda se formou em meu coração. Fui atingido por uma vontade incomum em voltar a ser criança.
Queria poder ter tido a oportunidade de vivenciar este museu com meus cinco anos de idade.

Escada-Rolante

Ser criança ali naquele momento, com uma mente ainda intacta e cheia de espaço para se guardar experiências impressionantes, certamente poderia ser considerado um puta pontapé inicial para alguém se tornar ímpar em sua sociedade.

Terra

O Natural History Museum em uma realidade paralela, definitivamente seria o meu lugar favorito.
Chega a doer o cérebro só de pensar no quão bem ele me faria, no tanto que ele me influenciaria e no quanto ele me colocaria para questionar as questões da vida.

Terra-Joao

Mas esse sou eu, um guri que nunca se esqueceu da excursão à exposição/instalação no Sesc Pompéia, da visita ao Zoológico com a turma da escola, da passagem pela central dos Correios ou da visita à Estação Ciência.

Cresci com vontade de olhar mais para o microscópio.
Olhava através do telescópio e me questionava como olhar através do microscópio era tão similar.
O micro explica o macro e vice-e-versa.

Em algum momento da minha vida esqueci do quanto eu gostava de laboratórios ou do sonho de me tornar astronauta.

Se eu fosse londrino e tivesse especial museu em minha cidade, faria de tudo para compartilhar incrível descoberta.
Como eu não sou e tirando o fato de que a entrada ao museu é completamente gratuita, resta-me fazer boa propaganda para que meus conterrâneos cruzem o Atlântico até Londres para conferir tamanho estímulo cultural.

Subir aquela escada rolante era literalmente viajar ao centro da Terra.
Foi assim que chegamos à expo/instalação sobre a formação da Terra.

expo-terra

Lá estava a Islândia sendo citada outra vez…
Pra quem leu o clássico de Júlio Verne, não poderia haver jóia mais preciosa.

Pedra-Iceland

Monte Hekla… Que mágico!

Não há como ser justo no detalhamento emotivo ao se visitar o imponente museu, por isso é um pecado falar muito sobre cada clique.
Mil respostas.
Mil perguntas.

Natural

Não há como descrever a sensação de estar embaixo de um Diplodocus, aquele dino maior que uma quadra de tênis, tão pesado quanto dois elefantes.
Sim, aquele que só comia brotos nos topos das árvores… O preferido de 9 entre 10 crianças.

Natural-Dino-Gigante

Olhar para esse esqueleto montado nesse magnífico salão e contemplá-lo silenciosamente. Ter um momento de vislumbre do que deveria ser quando esses ossos protegiam órgãos e eram envoltos por músculos e gordura… Voltar 150 milhões de anos atrás e imaginá-lo com vida, andando pelas terras lá da América do Norte…

Dino-Jo

Dinos! Não há como não se lembrar dos primos pequenos, principalmente do Leonardo!

Amazing place! Lugar estonteante. Arquitetura maravilhosa abrigando tudo o que há de mais interessante para se contemplar.
Escadas, vitrais, colunas, naves, cúpulas, torres e passagens… As molduras para retratar natureza tão esplêndida…

Natural-Escada-Joao

Natural-Joao

Em certos momentos, era preciso estacionar o corpo e arejar a mente para continuar captando mais informações…

Peixes

Ponte

Tronco

Vitrais

Retomar o fôlego durava alguns suspiros mais longos…

Fosseis

Logo mais estávamos ativos novamente. Esquecíamos das pernas… Elas nem doíam mais.

Passaros

Vimos pela primeira vez, em toda a viagem, nosso reflexo.

Espelhos01

Espelhos02

Espelhos03

Espelhos-Baby

Rimos muito!

A cada sala que entrávamos, algo para se surpreender…

Dino-Ju

Algo para aprender…

Big-Baby

Não sei se foi nós que os encontramos ou se foram eles que nos encontraram, mas o salão dos animais em escala real era belíssimo:

Baleias

Baleias-Joao

Baleias-Ju

Baleias-Zoio

Tantos registros, tantas fotografias…
Essas aqui escolhidas, são apenas uma insignificante parte do que é viver isso de verdade.´
É como implantar um chip de upgrade diretamente no cérebro da gente. É investir em si mesmo. Captar conhecimento da maneira mais gostosa que existe.

Permitam-se!
E se ainda assim vcs acharem que uma viagem dessas não é muito sua praia…
Dêem essa visita de presente para si mesmos!
Dêem essa visita de presente para seus filhos!
Dêem essa visita de presente para alguém que vcs tenham carinho!

Não vivam sem tal estímulo.

Não há como não se sentir pequeno lá dentro.
Não há como não se sentir importante lá fora.

Fachada-Caminhando-0

Fachada-Caminhando

Não há como não se surpreender com o passado.
Não há como não se divertir com tantos presentes.
Não há como não se imaginar ali num não tão distante futuro.

Fachada

Ps: Meu Deus do céu, imaginem quando eu for escrever sobre o Louvre! Preciso de outro esquema! Esse post acabou com as minhas forças digitais! Hehehe…

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177- 02) Walkabout

outubro 29, 2009 · 6 Comentários

Não pensamos duas vezes. Não importava muito quantas horas estávamos sem um banho ou sem esticar o corpo numa cama de verdade…
Apesar da canseira mortal, ainda dava tempo de ir até o Big Ben.
Bater perna era tudo o que precisávamos naquele momento.

Agradecemos a Brooke na recepção do hostel pelas instruções e refizemos o percursso a pé até a Gloucester Road Station como duas crianças correndo contra o relógio.

Minutos antes, aquele trajeto da estação até o hostel era uma aventura, agora já era familiar.
É muito louca essa sensação de não conhecer nada, de virar uma esquina e descobrir tudo novo…
Mais louca ainda é a sensação que se tem ao começar a criar os primeiros pontos de referência…
É muiiiiiiiiiiiiito louco!

A ausência das pesadas malas nos fazia flutuar.
Estávamos leves, felizes, falantes e cheios de uma energia renovada. “We are in London… Let’s break the law”…
Mergulhamos no underground.

Como havíamos comprado o bilhete do metrô (Zonas 1,2,3,4,5 e 6), pq o aeroporto internacional fica bem distante do centro (Zona 6, creio eu), tínhamos viagens livres pelo transporte de Londres pelo resto do dia.
Rapidamente encontramos no complexo mapa metroviário a estação mais próxima a famosa torre do relógio: Westminster.

Para nossa sorte, a Westminster ficava na mesma linha que nossa estação, a Circle. Passamos pela South Kensington, Sloane Square, Victoria, St. Jame’s Park e finalmente descemos.

Westminster

Eu comecei a reparar numa frase que a condutora do metrô dizia com frequência, mas ainda não conseguia escrevê-la na minha mente. Ela não fazia sentido ainda.

Milhares de conexões em cada uma dessas estações.
Por mais que se tenha gente nas plataformas embarcando e desembarcando e o metrô não seja lá tão espaçoso (o metrô londrino é muito muito estreito e tem o teto bem baixo) a coisa funciona.

Antes de sair à superfície, percorremos alguns quilômetros de corredor (e isso não é nenhum exagero).
Londres abriga outra cidade no seu underground.
Foi num desses corredores que a Islândia veio me fazer vontade mais uma vez:

Iceland-Blue-Lagoon

Não dá pra explicar com justiça o que é sair dessa estação e dar de cara com o Big Ben.
Vc sai da estação, sobe uma escada cheia de pessoas indo e vindo e dá de cara com o cartão postal mais famoso de Londres.

A gente não tem noção do tamanho da torre do Big Ben até que se está lá ao lado.
É descomunal.
A saída do metrô parece estar propositalmente posicionada bem na lateral do Big Ben, assim, só pra provocar.

Big-Ben-Tube

Atravessamos a rua com cuidado, pois nessa hora, os londrinos adoram andar de bicicleta a todo vapor.
Atravessamos de volta, pq é impossível fazer fotos ao lado da torre do relógio. Ela simplesmente não se enquadra em qualquer enquadramento que se faça.

Big-Ben-Ju

Descemos uma escada lateral ao Rio Tamisa.
Foi assim que conseguimos fazer algumas fotos.

Big-Ben-Joao

Assim como nós, turistas do mundo todo babavam simplesmente pelo fato de estarem ali.
Todo mundo feliz, um frio bacana, aquele tempinho típico de Londres…

Londres foi uma exigência da Jussara para essa viagem, ela fazia questão de conhecer a cidade. Eu mesmo não fazia questão.
Mordi a língua.
Naquele momento eu sentia a grandeza e a magia dessa cidade.

Andamos pelos arredores.
Percorremos a principal ponte, andando um pouquinho, olhando pro Big Ben, andando mais um pouquinho, vendo a London Eye do outro lado.
Atravessar o Tamisa pela primeira vez pela Ponte Westminster além de gelado é estonteante.
As pessoas que passavam por nós…
Muita gente com máquina fotográfica… Impossível definir um idioma…
Parecia que estavam falando grego… Logo mais um grupo de turistas soltava uma frase em alemão, indiano, russo…

Big-Ben-Ponte_Jo

Big-Ben-Ponte_Ju

Já do outro lado do rio, seguimos até o elefante de Salvador Dali e lembrei muito da minha chefe lá na Criacittá, a Claudinha. Meses antes de eu estar ali, ela tinha feito uma foto fantástica do mesmo elefante que me chamou muito a atenção.
Claro que registrei o pomposo e distorcido animal sob aquele céu nebuloso e fica a foto dedicada à Claudinha.

Dali-Elephant

Confirmamos a grandiosidade da London Eye e decidimos subí-la amanhã (fomos deixando pra amanhã, depois de amanhã, para o último dia e quando vimos, não subimos a London Eye – a Ju foi pra Paris tocando nesse assunto como um disco riscado) pois o tempo poderia abrir.

London-Eye-Joao

Andamos sem rumo certo, mesmo com o mapa debaixo do braço.

Bridge

Íamos aonde nossa curiosidade nos levava.

Percorremos ruas e cantos espetaculares.
A tarde ia caindo e o frio ia aumentando, mas estávamos tão malucos com tanta explosão de acontecimentos que pelo menos eu sentia calor.

Reatravessamos a ponte e encontramos a plaquinha do metrô já acesa.

Underground

Era hora de tentar encontrar a Piccadilly Circus.

Meu Deus!
Nem bem chegamos e eu já me apaixonei pelos mosaicos da estação do metrô.
Não tirei foto de tudo, pq senão ia ficar louco e ia deixar vcs mais ainda.

Há alguns anos, eu havia recebido de presente da Inês, em sua passagem pela cidade da rainha, uma bonita ilustração dessa famosa praça.
Desde então, aquela região se tornou familiar pra mim. Eu a apelidei carinhosamente de “A Time Square Londrina”.

Picadilly-Circus-Ju

Estar ali, de pé, naquela noite linda não podia ser mais especial.
Aqueles letreiros acesos brincavam com nossos olhos. Não sabíamos pra onde ir ou o que fazer.

Picadilly-Circus-Joao

Eu sabia que a Chinatown era por ali e que deveria existir uma grande loja de eletrônicos.

Acabei encontrando os dois e mais um monte de outras coisas interessantes.

Aproveitamos pra ligar para os que estavam preocupados:

telephone

Encontramos o bairro chinês sem muito esforço.

Chinatown-Joao-Up

A Liberdade em São Paulo tem a seu charme, mas essa Chinatown é muito mais colorida.

Chinatown-Joao

Fora que tem uns restaurantes de comida cantonesa que vale a visita.
Há nas vitrines desses restaurantes, patos assados pendurados e todos os tipos de comida asiática ricamente exibidos para aguçar o apetite do turista mais exigente…
É um desfile de cores e aromas irresistíveis…
E o melhor, o restaurantes não são caros.

Chinatown-Patos

Piccadilly Circus é destino pra quem não está a fim de dormir cedo.
A vida noturna acontece ali.

Há várias casas de musicais pela região. Eles são muito famosos por lá.
Há cartazes os anunciando em todas as estações de metrô. Desde o aeroporto já somos influenciados por eles.
Os que mais se destacavam eram o musical do filme Mudança de Hábito e do Billy Elliot.
Juro que era tanta coisa bacana sendo bombardeada na nossa cabeça, que eu esqueci de ver o preço do ingresso pra poder assistir Mudança de Hábito numa dessas noites frias.

Nessa região é completamente normal ser abordado por uma dragqueen, ser cantado por um gay, ser convidado a entrar numa balada pegando fogo ou até mesmo ser confundido com outra pessoa.
As pessoas que por aqui passam são as mais criativas, coloridas, desencanadas e brilhantes.

Foi perambulando bastante que acabamos encontrando uma loja inacreditável.
Fomos descobrir mais tarde, que a Rainforest Cafe, era além de loja, um bar e restaurante.

Loja-Animais-Sapos-Ju

Loja-Animais-Toca-Ju

Quem passa pela fachada da Rainforest, assim como nós passamos e nunca ouviu falar dessa rede, não tem noção do que se esconde lá no subsolo.
Eu não vou nem falar muito pq é perda de tempo tentar explicar esse lugar. Mais fácil deixar o link com vcs.

Loja-Animais-Cobra-Ju

Gastamos uma boa hora lá.
Pegamos o cartão dos caras, pq como eu ia dizendo pra mocinha que nos atendeu, eu não conseguiria chegar lá de novo sem ajuda e eu com certeza iria querer voltar.
Agradecemos a mocinha, que antes nos ensinou como fazer para chegar ao meu objetivo principal: HMV.

HMV

Como foi que não tirei nenhuma foto da HMV Piccadilly? (Essa foto eu peguei no Google).
Compilando as fotos que eu tirei da viagem toda, reparei que não havia nenhuma foto ou vídeo da invejável HMV.
Desculpem as Fnacs e as grandes lojas do gênero, mas o que era aquela HMV?

HMV é o paraíso. Foi dica dos meus amigos da Outerspace.
É a utopia de uma loja de games, cds, dvds, eletrônicos e informática.

Para alguém como eu, que viveu na época em que internet era artigo de luxo de centros culturais e mp3 era coisa de ficção científica, A HMV é definitivamente o paraíso.
Naquela época, um single era algo absurdamente raro. Só era possível comprá-los na loja da Banana Music nos jardins e em dólares. Eu gastava quase o salário inteiro pra comprar um single de 2 músicas do Pizzicato Five ou da Björk.

Por anos fiquei imaginando o tamanho dessas lojas em Londres, pq todos os singles e cds limitados que eu comprava vinham com a famosa etiqueta “MADE IN LONDON”.

Pois é, descobrir a HMV preencheu esse vazio.
Lá é o paraíso dos singles, dos videogames, do blueray, dos dvds, dos computadores, das coisas personalizadas…

Havia notebooks, tvs, câmeras, videogames… Todos os headphones mais legais do mundo, de todas as cores, formas e tamanhos…
Headphones da Sony, como os meus, por £17 e eu não compreiiiiiiiiiiii! Na Fnac um MDR-Z700 como o meu não sai por menos que R$350.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh, fiquei maluco, maluco, maluco!
Eu quase surtei na hora que eu encontrei o setor de games… Me acabei por lá…

Mesmo em libras, o preço dos eletrônicos e games era muito bom.
Comprei Katamari Forever, Dead Space, Burnout…

Games

Comprei The Beatles Rockband na HMV de Londressssssssssssssssssss… Comprei outros acessórios pro PS3, comprei Ipod Touch pro meu pai, pra minha irmã, ganhamos desconto pra comprar aquelas caixinhas de som que tem uma batida poderosa pra acoplar o ipod…
A Ju comprou uma edição especial limitadíssima de vinil do Iron Maiden, com pintura e tudo mais, pra dar de presente (Esse disco ficou sendo o nosso anão de Amélie Poulain, levamos ele pelo resto da viagem).

Nos acabamos lá na HMV.
Só não comprei mais pq era o primeiro dia.
Ainda teríamos que ir pra Paris, várias cidades na Suíça, Veneza, Roma…
Pensava no trampo que ia ser ficar carregando tantas aquisições.

Entrei em todas as lojas de eletrônicos ao longo da viagem.
Ahhhhhhhhhhhh, perdi de comprar os headphones!
Não acredito até hoje. Mesmo no Duty Free de Zurique, Roma ou São Paulo… Nada chegava aos pés dos preços praticados na HMV.

A noite havia nos engolido.

A sensação era de total liberdade, não importava para onde andássemos… Mesmo carregados de sacolas de compras, havia muita gente nas ruas, muitos turistas e um bem estar espalhado na atmosfera.

Ja era muito tarde. Voltamos para o hostel, cansadíssimos. Não sem antes fazer umas paradas obrigatórias no nosso bairro.

Doces

Mergulhamos num merecido sono numa cama quentinha, limpinha, quarto ultra silencioso…
Amanhã seria o dia dos museus. E se havia algo que fazia do nosso hostel ser o mais bem localizado, é que ele estava a poucos passos dos museus mais interessantes de Londres. Não precisaríamos nem de bilhete de metrô.

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176- 01) We Are In London

outubro 27, 2009 · 13 Comentários

Acordar em dia de viagem é sempre especial.
Acordar em dia de viagem especial é muito mais.

O corpo fica anestesiado.
As glândulas produzem mais hormônios do que o necessário para compensar o estresse psicológico e o resultado é uma sensação flutuante.
É como se não tivéssemos corpo, cabeça…
Não existe gravidade, calor ou fome.

Em dia de viagem especial, somos capazes de carregar três vezes o valor do nosso peso sem se cansar.
Em dia de viagem especial, esquecemos de beber água por mais sede que sintamos, esquecemos de ir ao banheiro e vamos apenas pq sabemos que lá no avião vai ser complicado.

O banho que a gente toma antes de ir para o aeroporto parece demorar uma eternidade.
A água cai no corpo e lava a alma. Cria uma película protetora que precisará durar até o retorno.

Pensamentos, inseguranças, sonhos e planos.
Todos eles guardados juntos com os documentos, bem protegidos dentro de uma pastinha numa das tantas malas.

Malas de rodinhas, giro 360 graus, mochila para as costas, bolsinha para o passaporte…
Não há perdão para se esquecer nada.
Qualquer erro agora significa dor de cabeça mais tarde.

Vamos para o aeroporto.
Tudo arranjado: e-tickets, passes e bilhetes de trem, todas as reservas, endereço da Gabi e do Phil na Suíça, passaportes…
Máquina fotográfica ao alcance da mão. Salgadinhos, água, um chocolate pra adoçar a boca e um rolo de papel higiênico. Quem é prevenido vale por dois.

Família Brito tá sempre em festa.

Adeus-Familia-1

Adeus-Familia-2

Adeus-Familia-3

A nossa despedida foi bem no meio de um aniversário.

Aperta-se no carro dos primos para os pais acompanharem até o aeroporto.
Dessa vez não vou só. A irmã vai junto.

Despedidas são, na maioria das vezes, momentos pequeninos que colecionamos para sempre. Ficam na memória, no subconsciente.
Meus pais estavam felizes como sempre. Quietinhos, mas orgulhosos.
Ficaram com a gente até a decolagem.
Mesmo quando já não os víamos mais, eles ainda estavam lá.

Guarulhos

Sentamo-nos nos nossos lugares e recebíamos ligações deles em nossos celulares.
Rapidamente criamos um código para que eles localizassem a nossa janelinha no distante avião.

Combinei com eles, de ligar a luz do celular e fazer uma série de acrobacias luminosas da nossa janelinha.
Foi assim que eles conseguiram nos achar.

A viagem é sempre longa.
De Sampa até Zurique, 11hs30. De Zurique até Londres, 1h30.

A Jú dorme a maior parte do tempo. Eu, como não prego os olhos, fico observando as estrelas, às vezes me levanto um pouco…

Sky-1

Sky-2

Sky-3

Ela dorme.
Eu a acordo de 5 em 5min: “-Olha esse céu, Jussara”, “-Olha essa estrela!”, “Jussara, vem ver essa ilha no meio do mar”…

A viagem foi incrivelmente calma, nem por isso relaxante.
Viajar pra Europa é sempre uma prova de paciência pra quem não dorme um instante sequer. Até pra quem dorme é cansativo.
Bosta de remedinho fajuto que me venderam no aeroporto de Guarulhos. A mulher me garantiu que se eu tomasse dois daqueles, dormiria a viagem toda. Tomei dois comprimidos e fiquei ligadão.

Há trés momentos grandiosos durante esse tipo de viagem.
O primeiro, consiste em deixar o território brasileiro e acreditem, nosso país é terra que não acaba mais.
O segundo, consiste em desbravar o quase infinito e profundo Oceano Atlãntico. É água que não acaba mais. Geralmente, estamos tão acima das nuvens que quase não vemos água, mas quando estamos bem no meio do oceano e as nuvens se dissipam, o azul é tão profundo que se mistura com o céu.
O terceiro é quando está chegando ao destino final… Não chega nunca… Hahaha… As últimas horas parecem que demoram o dobro pra passar…

Tudo bem, dessa vez as últimas horas foram um deleite aos olhos. Sobrevoar a Suíça é uma declaração de amor visual.
O país está incrustrado nos alpes.
A visão é de tirar o fõlego. É mais inacreditável do que a imaginação mais fértil que eu formei a respeito da Suíça em todos esses anos.
Sempre rabisquei na mente o que seria viver esse momento e confesso, a realidade superou a minha imaginação. A Suíça vista de cima é perfeita, restaria vê-la lá embaixo.
O país é coroado por gigantes roxos com seus cumes salpicados de neve.
Colossal é a palavra que faz juz à grandiosidade dessas montanhas quase roxas de tão altas que são.
As nuvens brincam de rodeá-las, abrindo enormes buracos ao seu redor, revelando vales verdes e lagos ainda mais verdes.

Descemos em Zurique ainda boquiabertos com a paisagem.
Encontramos um frio considerável.
A escala para Londres já era anunciada.

O vôo da Swiss Air de Sampa até Zurique foi perfeito. Queijos, chocolates, massa, sobremesa, refrigerantes e bebidas a vontade.
O Toblerone e o queijo Gruyère foram presentes especiais.

O aeroporto de Zurique é impecável.
Não tínhamos muito tempo lá, então voamos para o portão de embarque.

Só não imaginávamos que iríamos tomar o trem mais moderno do mundo para ir até o tal portão de embarque numa outra asa do aeroporto.
Tudo subterrâneo, um trem todo de vidro, sem condutor…
Senti-me viajando ao centro da Terra.

Saímos pra pista do aeroporto.
Finalmente após dois longos anos, eu sentia de novo aquele frio europeu gelar os ossos.
Affe, como gosto disso.

Decolamos num avião menor.
1h30 mais demorada que essa não existe.

Chegamos em uma Londres chuvosa.
Não poderia ser mais londrino.

A primeira coisa que eu vi em Londres, ainda no aeroporto, como um próximo convite, foi um dos aviões da frota islandesa. Ainda nem tinha levantado do meu assento no avião.

Icelandair-Plane-1

Mal sabia eu que ir pra Islândia em Londres é a última moda.

Icelandair-Plane-2

Ainda veria mais sobre a Islândia em Londres.

Medo.
Apanhamos nossa bagagem de mão e trememos um pouco.
Medo de passar pelos caras da imigração.
Por mais que nossos documentos estivessem organizados, por mais que tivéssemos euros e libras suficientes pra sobreviver esses dias na Europa, por mais que o passe do Eurostar já estivesse comprado pra Paris, as reservas de trem já marcadas pra Berna, Veneza, Roma, há a fama de que entrar no país da rainha é esperar um atendimento frio e impessoal.
Santa lorota.
As pessoas inventam tantas histórias, e na hora do vamos ver, a realidade é tão diferente…

Caímos em Londres de pára-quedas, confesso.
Mesmo com tantos estudos e informações, guias e pesquisas, uma cidade nova é sempre uma cidade nova.
A cidade nova nos recebeu de braços abertos.

A tiazona da imigração olhou para minha irmã e eu, ambos com pastinhas idênticas, passaportes, todas as reservas de hospedagem, o passe do Eurostar, reservas de trem, dinheiro separado em libras e euros, cartões de crédito, seguro viagem, documentos da empresa com data de início e término de férias…
A tiazona não pediu nada além de nossos passaportes, brincou com a gente sobre Beatles e Harry Potter, carimbou nosso passaporte e nos desejou uma boa viagem.

Eu ainda estava lá tentando mostrar alguma coisa pra ela, mas minha irmã já me puxava pra fora…

Ahhhhhhhhhhhhhh, começamos a cantar a música dos Pet Shop Boys: We Are In London…

Essa música embalou muito dos nossos momentos londrinos. Tocávamos ela a toda hora!

O próximo passo era separar alguma graninha pra comprar bilhete de metrô, pedir informação pra chegar ao hostel.
Tomamos fôlego e deixamo-nos ser levados pela cidade.

É muito engraçado.
Por mais que os atendentes falem devagar, ainda assim vc vai deixar alguma coisa escapulir.
Vc está completamente fora do seu mundo, a realidade te pega sem dó, tudo acontecendo sem parar, é como ser metralhado por um turbilhão de informações ao mesmo tempo…

Depois de ir e voltar, cruzar duas esteiras rolantes e sair quase do outro lado da cidade, voltamos e encontramos a entrada do metrô logo na saída do aeroporto.
Rimos, pois as malas e as mochilas nem estavam assim tão pesadas…

Como se não bastasse, descobrimos que não havia elevadores em algumas estações, ou seja, dá-lhe carregar mala pra cima e pra baixo.

O metrô de Londres, num primeiro contato é decepcionante.
É velho, esquisito, a porta é pequenininha, o teto é baixo, é barulhento…
Mas é só passar a primeira impressão que vc se dá conta de como ele é eficiente.

Metro-Joao

Metro-Ju

Na verdade, é só passar algumas estações que vc já se apaixona por ele.
O metrô de Londres não pode ser definido, precisa ser vivido.

O sistema é tão eficaz, há tantos trens diferentes, há tanta vida no underground de Londres que dá pra escrever um post só sobre esse assunto.

Mas deixemos de lado um pouco as aventuras subterrâneas, pois a nossa estação havia chegado: Gloucester Road Tube Station.
Após carregarmos as malas pelas escadarias acima, descobrimos que para chegar à superfície precisaríamos pegar um baita elevador, daqueles que abrem dos dois lados…
O maior barato é que antes mesmo de saber que havia um elevador no final do corredor, quando o elevador chega e abre uma de suas portas, o vento que vem de lá de cima é tão violento que quase nos derruba.

Saímos da estação.
Aquele sentimento de estar muito longe de casa se deu pela primeira vez.
É uma mistura de frio na barriga com “o que virá pela frente?”…

O que veio pela frente veio tão rápido que quando notamos, já estávamos nele.

Deixamos o ambiente nos dominar.
Aos poucos fomos nos camuflando naquela vida que acontecia antes da gente chegar.

Puxar as malas por aquelas ruas planas e bem construídas era um prazer, mesmo que ainda não soubéssemos como chegar a nossa futura morada.

Foi ao atravessar a rua que a ficha realmente caiu.
We Are In London!
A mão contrária do trânsito, o motorista dirigindo seu carro do outro lado…
Sim, estávamos em Londres.

Achar o Hostel foi extremamente agradável.
Foi só o tempo de respirar aquele bairro elegante e já tivemos a adorável confirmação de ter escolhido o hostel certo.
Ele era perfeito.

Empurramos a pesada porta do Astor Hyde Park e só então, ao ler a plaquinha com o nome “Hyde Park”, pude perceber que estávamos próximo ao famoso parque.
Conhecemos a Brooke, a nossa anfitriã.
Ainda era difícil compreendê-la, mas quanto mais conversávamos, mais o ouvido ia destravando, até que sem querer a comunicação fluiu.

Carregamos as pesadas malas por mais alguns lances de uma escada de madeira bem velha e barulhenta.
Nosso quarto estava escondidinho logo após um lindo corredor de vidros e madeiras. Era completamente silencioso, ventilado e aconchegante.

Foi só o tempo de deixar as malas no quarto, passar uma água no rosto, reservar um cofre e fomos pra rua passear.

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175- Very Soon

outubro 25, 2009 · 1 Comentário

Very-Soon

Sei que estou devendo vários posts sobre a viagem…
Sei que estão me cobrando as fotos…

É que essa semana foi uma loucura.
Jet Lag pegou pesado.
Tanto sono acumulado e quando deito na cama a viagem inteira vem a minha cabeça…
Nem bem cheguei e a vontade de voltar para a Europa não quer ir embora…

Tenho tantas coisas maravilhosas pra contar e mostrar que não sei por onde começar…
Tento dividir os relatos por cidades, mas há tanto o que falar, que preciso de outro tema para compilar os pensamentos…

Estou tão feliz, tão ocupado e tão cheio de histórias…

Nem bem saí do avião e já tive que mergulhar nas reposições das aulas de japa, que estão bem puxadas…
Quatro dias de muito estudo pra finalmente fazer a prova e ainda tenho que contar uma história inteira em japonês na próxima semana…
Tudo vai dar certo!

Pc ficou gripado, tive que carregá-lo pra Sta., fazer backup de um montarél de arquivos… Aos poucos ele está voltando a ser o que era…

Semana que vem prometo começar a escrever.

Preciso aproveitar esse restinho de férias pra retomar o fôlego, pois com certeza ele ficou nos corredores do metrô europeu.

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174- Cheguei!

outubro 20, 2009 · 4 Comentários

Depois de 11 horas e 30 minutos num vôo de Zurique para São Paulo…

Brasil…………………….

Europa é linda, mas o Brasil é o lugar mais especial de todos!

A viagem foi sagrada. Td foi perfeito. Td deu mais que certo…
Muitas histórias pra contar… Muitas experiências pra compartilhar…
Um sonho real.

É só me recuperar desse Jet Lag que eu vou compilando as histórias.

Preparem-se, fiz muitas fotos e filmei quase tudo!

Ps: Mais feliz que nunca!

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